Espiritualismo
O espiritualismo é um novo movimento religioso baseado na crença de que os espíritos dos mortos existem e têm a capacidade e a inclinação para se comunicar com os vivos. A vida após a morte, ou o "mundo espiritual", é visto pelos espiritualistas, não como um lugar estático, mas como um lugar no qual os espíritos continuam a evoluir. Essas duas crenças - que o contato com os espíritos é possível e que os espíritos são mais avançados que os humanos - levam os espiritualistas a uma terceira crença: que os espíritos são capazes de fornecer conhecimento útil sobre questões éticas e morais, bem como sobre a natureza de Deus. Alguns espíritas falarão de um conceito ao qual se referem como "guias espirituais" - espíritos específicos, frequentemente contatados, que fornecem orientação espiritual.
O vocábulo "espiritualismo", atualmente, é utilizado para denominar uma variedade enorme de religiões, sistemas filosóficos, doutrinas, crenças e seitas. Já o "moderno espiritualismo" especifica o espiritualismo desenvolvido, aproximadamente, a partir de Emanuel Swedenborg ao início do século XX, baseando-se na crença da comunicação dos espíritos com o mundo visível. Nos Estados Unidos, desde os primórdios de seu aparecimento, o moderno espiritualismo tem sido mais comumente denominado sinônimo de espiritismo, em face da introdução de um caráter científico-filosófico-religioso novo nas ideias já existentes do espiritualismo, contudo algumas ideias fundamentadas pelos "modernos espiritualistas" dos países de língua inglesa distinguem dos ideais espiritas, embora ambos tenham surgido no mesmo século. O moderno espiritualismo desenvolvido nos países de língua inglesa não se baseia na codificação espírita. [nt 1]É bastante conhecida também a divergência entre o que se convencionou chamar de "espiritismo latino" e "espiritismo anglo-saxão" (este último, particularmente, era integrado pelos ingleses e estadunidenses), essa divisão ocorreu por causa do número de pessoas que passaram a utilizar a denominação de "espíritas", ambos apresentavam diferenças em relação a reencarnação.
Culto aos mortos na Antiguidade
A crença em uma vida após a morte surge primeiramente em fins do período Paleolítico, expressa pela prática de rituais de sepultamento dos mortos e em culto aos ancestrais. No Antigo Egito, o culto dos mortos atesta a sobrevivência do espírito, constituindo-se o Livro dos Mortos em um guia com preceitos e orientações para a viagem após a morte. O moderno espiritualismo é geralmente apresentado como a continuação de uma tradição ancestral comum à maior parte das civilizações. A Civilização Minoica também praticou o culto aos mortos. Na Grécia Antiga, era prática corrente a consulta aos oráculos, em busca de conselhos, auxílio e previsões do futuro. O mais famoso localizava-se no Templo de Delfos, dedicado ao deus Apolo, onde a pitonisa, após um banho ritual em uma fonte sulfurosa, sentava-se numa trípode (banco de três pernas) e, entre vapores de enxofre, a mascar folhas de louro (árvore sagrada de Apolo), entrava em transe e transmitia as palavras do deus. No poema "Odisseia", Homero narra o diálogo entre Ulisses e a alma de Tirésias, oráculo de Tebas. O filósofo Sócrates acreditava na imortalidade da alma. O tirano Periandro, de Corinto, consultou a alma de sua mulher (que ele próprio havia mandado degolar). A Odisseia, de Homero, na Grécia Antiga, regista a crença em que as almas dos mortos habitavam o Hades e que era possível entrar em contacto com eles. A obra narra que Odisseu (Ulisses), rei de Ítaca viajou até à terra dos Cimérios, onde realizou um ritual conforme indicações da feiticeira Circe, logrando conversar com as almas de sua mãe, e dos seus companheiros que haviam perecido durante a Guerra de Troia.
Moderno espiritualismo
O moderno espiritualismo anglo-saxão, que especifica o moderno espiritualismo surgido nos países de língua inglesa, surgiu pela primeira vez nos anos de 1840 no distrito "Burned-Over" de Nova Iorque, onde movimentos religiosos anteriores como o millerismo (Adventistas do Sétimo Dia) e o mormonismo tinham emergido durante o Second Great Awakening (Segundo Grande Despertar). Era um ambiente onde muitas pessoas sentiam que a comunicação direta com Deus ou com os anjos era possível e no qual muitas pessoas se sentiam desconfortáveis com as noções calvinistas de que Deus podia comportar-se de forma áspera — por exemplo, que Deus condenaria crianças não batizadas a uma eternidade no inferno (Carroll 1997).
Os modernos espiritualistas acreditam na possibilidade de comunicação com os espíritos. Uma crença secundária é que os espíritos estão de certa forma mais próximos de Deus que os humanos vivos e que os espíritos são capazes de crescimento e perfeição. A vida após a morte não é, portanto, um lugar estático mas um onde os espíritos continuam a evoluir. As duas crenças, a de que o contato com espíritos é possível e a de que os espíritos são mais adiantados que os humanos, levam a uma terceira, a de que os espíritos podem prover informação útil sobre assuntos morais e éticos, assim como sobre a natureza de Deus e a vida após a morte. Assim, muitos modernos espiritualistas falarão com seus guias espirituais, espíritos específicos frequentemente contactados para orientação mundana e espiritual.
Comparações com outras crenças
O moderno espiritualismo anglo-saxão, que especifica o movimento espiritualista (moderno espiritualismo) desenvolvido nos países de língua inglesa com aspecto e identidade própria, emergiu num ambiente cristão e tem muitas características em comum com o cristianismo: um sistema moral essencialmente cristão, uma crença percebida no Deus judaico-cristão, panenteísmo místico e práticas litúrgicas como serviços dominicais e canto de hinos. A razão principal para essas semelhanças é que os modernos espiritualistas anglo-saxões acreditam que alguns espíritos são "atrasados" ou brincalhões e se deliciam desviando os humanos do rumo. Assim sendo, desde Swedenborg, os crentes são aconselhados a hesitarem antes de seguir a orientação dos espíritos e geralmente desenvolveram suas crenças dentro de uma estrutura cristã.
Espiritualismo e ciência
Para maiores detalhes, consulte Fenômenos espíritas e a ciência Históricamente, em termos de medicina, indivíduos com sintomas como audição ou visão de "espíritos" foram tratados como sendo portadores de transtornos mentais; contudo, há muito a Organização Mundial de Saúde reconhece que esses sintomas não necessariamente implicam causas patogênicas de natureza física; e que em certos casos ou contextos, esses nem sequer implicam doença, para ser exato. Em verdade, desde sua fundação em 1948, mesmo que criticada por vários autores que sugerem e esperam por alterações - para alguns considerada utópica, para outros incompleta por excluir o bem estar espiritual ou mesmo coletivo da definição - segundo a Organização Mundial de Saúde, a definição de "saúde" faz-se pelo "estado de completo bem-estar físico, psicológico, e social" do ser humano .


