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Águas residuais

Águas residuais ou águas servidas, também chamadas esgoto sanitário, esgoto cloacal, ou simplesmente esgoto, são as águas que, após a utilização humana, apresentam as suas características naturais alteradas. Conforme o uso predominante, essas águas apresentarão características diferentes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Composição do esgoto

As águas residuais contêm, basicamente, matéria orgânica e mineral, em solução e em suspensão, assim como alta quantidade de bactérias e outros organismos patogênicos e não patogênicos. Outros produtos podem ser indevidamente jogados descarga abaixo e lançados na rede de águas residuais, como estopas, chupetas e outros materiais relacionados a crianças, objetos de higiene feminina, tais como absorventes, ou ainda produtos tóxicos de origem industrial, preservativos usados, etc.. As águas residuais em decomposição anaeróbica produzem gases que, em espaços fechados, como tubulações ou estações, podem estar concentrados a níveis perigosos, exigindo o uso de material especial e equipes de resgate. O gás sulfídrico é o principal responsável pelo cheiro característico do esgoto em decomposição anaeróbica. O método de cloração de águas residuais, já tratadas previamente numa Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), pode contribuir na redução de patogênicos no lançamento dos efluentes. Revelou-se ser o processo de menor custo e de elevado grau de eficiência em relação a outros processos como a ozonização, que é bastante dispendiosa, e a radiação ultravioleta, que só é aplicável a algumas situações.

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No Brasil

No Brasil, a coleta de águas residuais nos séculos XVIII e XIX, principalmente nas casas mais ricas, dependia do trabalho de escravos, os chamados "tigres". Todas as noites, eles carregavam vasos cheios de detritos e iam despejá-los no mar, onde também lavavam os latões, os urinóis e as escarradeiras. Esse tipo de coleta de águas residuais acontecia antes de a família real chegar ao Brasil em 1808. Depois da chegada da família real, o Brasil passou por muitas transformações significativas. O lançamento indiscriminado de águas residuais domésticas é, atualmente, um dos maiores problemas ambientais e de saúde pública do Brasil. No país, entre 2002 e 2005, foram produzidos cerca de 32 milhões de metros cúbicos de esgoto por dia. Deste total, apenas 14 milhões são coletados e somente 4,8 milhões de metros cúbicos de esgoto são tratados, volume que corresponde a apenas 15% do total produzido; o serviço é estendido a apenas 44% das famílias brasileiras. O restante é descartado de forma indiscriminada nos rios. Ainda assim, o investimento do Governo Federal é de apenas 0,022% do produto interno bruto. Cerca de 80,1 milhões de brasileiros vivem diariamente sem coleta e tratamento de esgoto. Isso acarreta em uma direta contaminação do solo, além de ser responsável por cerca de 30% de toda a mortalidade nacional.

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Fontes de poluição

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

As fontes de águas residuárias incluem as seguintes atividades domésticas ou domésticas: As atividades geradoras de águas residuais industriais são: Outras atividades ou eventos que geram águas residuárias: As águas residuárias podem ser diluídas ou misturadas com outros tipos de água pelos seguintes mecanismos:

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Poluentes

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL · BY-SA · Openverse

A composição das águas residuárias varia amplamente. Esta é uma lista parcial de poluentes que podem estar contidos em efluentes: 1. Metais pesados, incluindo mercúrio, chumbo e cromo; 2. Partículas orgânicas, como fezes, cabelos, comida, vômito, fibras de papel, material vegetal, húmus; 3. Material orgânico solúvel, como uréia, açúcares de frutas, proteínas solúveis, produtos farmacêuticos; 4. Partículas inorgânicas, como areia, cascalho, partículas metálicas, cerâmicas; 5. Material inorgânico solúvel, como amônia, sal marinho, cianeto, sulfeto de hidrogênio, tiocianatos, tiossulfatos; 6. Macro-sólidos, como absorventes higiênicos, fraldas, preservativos, agulhas, brinquedos infantis, animais mortos ou plantas; 7. Gases como sulfeto de hidrogênio, dióxido de carbono, metano; 8. Emulsões tais como tintas, adesivos, maionese, corantes capilares, óleos emulsionados; 9. Toxinas como pesticidas, venenos, herbicidas;

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Tratamento

Imagem: Ricardosdag · BY-SA · Openverse

O tratamento de águas residuais consiste no conjunto de processos necessário para a remoção das impurezas presentes nas águas residuais e conversão destas num efluente que possa ser novamente descarregado para os corpos de água naturais ou diretamente reutilizado. Este tratamento é desempenhado em estações de tratamento de águas residuais (ETAR), que consitem em instalações onde uma combinação de processos físicos, químicos e biológicos é utilizada de forma que a tornar a água residual mais segura para o meio ambiente ou para seu reuso. Estas instalações podem ser de três tipos: as estações de tratamento de esgotos são geralmente utilizadas para tratar águas residuais domésticas, recorrendo a processos físicos, químicos e biológicos; as estações de tratamento de efluentes são frequentemente usadas por grandes empresas farmacêuticas e industriais e são mais quimicamente focadas; e as estações de tratamento de efluentes combinadas são, muitas vezes, instaladas em centros industriais, de modo a reduzir o custo de tratamento para as pequenas indústrias individuais.

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Disposição Final

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

A disposição final dos efluentes tratados também estão sujeitas a regulamentações legais. Para que o efluente seja despejado na natureza, sem que comprometa o meio ambiente, deve atender ao padrão de qualidade vigente. É necessário, também, realizar a disposição final adequada do lodo acumulado nos processos de tratamento das águas residuárias. Este subproduto deve ser tratado e eliminado de forma segura e eficaz. As opções de tratamento mais comuns do lodo incluem digestão anaeróbica, digestão aeróbica e compostagem.

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Reúso

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL · BY-SA · Openverse

As águas residuárias tratadas podem ser reutilizadas, de forma geral, nos centros urbanos, na indústria, na área paisagística, na agricultura, no ambiente doméstico, no âmbito recreacional, na recarga de aquíferos, na aquicultura e na pesca. Existem várias tecnologias usadas para tratar águas residuárias com a finalidade de reutilização. Uma combinação eficiente dessas tecnologias garante que a água processada seja segura, livre de bactérias e vírus. As seguintes tecnologias podem ser usadas para tratamento de esgotos com finalidade de reuso: ozonização, ultrafiltração, tratamento aeróbico em biorreator de membrana, osmose frontal, osmose reversa e oxidação avançada. Algumas atividades que demandam água, não requerem água de alta qualidade. Nestes casos, as águas residuárias podem ser reutilizadas com pouco ou nenhum tratamento. Um exemplo se encontra no ambiente doméstico, onde os sanitários podem ser lavados com água cinza de banhos ou provenientes de máquinas de lavar e com pouco ou nenhum tratamento.

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