Escambo
No comércio, escambo é um sistema de troca no qual os participantes de uma transação trocam diretamente bens ou serviços por outros bens ou serviços, sem usar um meio de troca, como o dinheiro. O escambo é considerado um dos sistemas mais antigos de troca econômica, utilizado antes da invenção do dinheiro. Os economistas geralmente distinguem o escambo das economias de oferta de várias maneiras; o escambo, por exemplo, apresenta troca recíproca imediata, não aquela diferida no tempo. O escambo geralmente ocorre numa base bilateral, mas pode ser multilateral. Na maioria dos países desenvolvidos, o escambo geralmente existe paralelamente aos sistemas monetários apenas de forma muito limitada. Os agentes de mercado usam o escambo como substituto do dinheiro como método de troca em tempos de crise monetária, como quando a moeda se torna instável ou simplesmente indisponível para a realização de negócios.
Brasil
Os primeiros contatos entre os povos nativos da costa do Brasil e os europeus foram marcados por relações de troca conhecidas na historiografia como escambo. Antes da escravização indígena nas lavouras, os primeiros contatos entre portugueses e nativos se caracterizavam pela troca de produtos e serviços por outras mercadorias: o escambo. Vários navegadores registraram o comércio realizado com os nativos, como foi o caso do navegador francês Paulmier de Gonneville. Ele esteve no atual estado de Santa Catarina entre 1503 e 1504 e afirmou que os indígenas trocavam diversos artigos que interessavam aos europeus, como pele de animais, plumagens, madeira etc., por “pentes, facas, machados e outras bugigangas e quinquilharias”. Os portugueses consideravam o comportamento dos povos nativos néscio, pois aceitavam objetos de pouco valor na Europa em troca de objetos valiosos na mesma, como o pau-brasil. Porém, para os indígenas, o escambo era uma forma proveitosa, já que eles trocavam seus itens em abundância por itens que não possuíam nem tinham como fabricar. Se para o europeu um espelho não representava quase nada, para o indígena era um objeto útil, valioso, já que ele não podia fabricar.
Escambo como uma forma de subsistência
No primeiro momento de chegada ao Novo Mundo, em 1492, os navegadores europeus já iniciaram a prática do escambo, devido à necessidade de alimentos e de informações para a sobrevivência dos viajantes. O escambo foi o primeiro modo de comunicação efetiva entre os indígenas e os europeus, motivando relações sociais mais complexas entre si. Por meio do escambo era estimulada a captura de nativos, ocasionando em alguns casos guerras entre povos originários de etnias diferentes. No caso do Brasil, com relevante colaboração dos portugueses, essa tática foi utilizada em todo território colonial. Em 1549, Tomé de Souza chegou ao Brasil como primero governador-geral. Ele fora encarregado de reafirmar o domínio territorial português na colônia, defendê-las dos indígenas considerados hostis e dos franceses. Entretanto, ao chegar em Salvador, descobriu outro problema: a falta de mantimentos. A solução encontrada por Tomé de Souza foi importar os alimentos e utilizar o escambo para completar a dieta dos colonos da cidade de Salvador. A negociação foi bem aceita pelos indígenas, interessados especialmente em algumas mercadorias ofertadas pelos colonos, tais como como anzóis, tesouras, facas e machado. Estes objetos eram úteis no cotidiano dos nativos, que, por sua vez, possuíam os alimentos necessários para a manutenção da colônia. O que diferia Tomé de Souza dos outros governadores, era a sua preocupação em fazer com que a prioridade do escambo girasse ao redor de fornecer alimentos ao invés de mão de obra escravizada.
Animais no escambo
A troca de exemplares da fauna nativa e de origem europeia não só era comum, como ocorreu desde o começo do século XVI, de forma que esses animais foram incorporados em ambas sociedades desde os primeiros contatos. Um exemplo disto é a galinha, cuja origem europeia não impediu a sua plena adaptação entre os povos tupinambás. Podemos observar sua incorporação através do uso das suas penas na produção dos tradicionais mantos rituais tupis. Inicialmente eles eram confeccionados com penas de guará. A partir de estudos feitos em peças remanescentes, especialmente um exemplar localizado no Museu de Copenhagen, sabe-se da incorporação das penas de galinha tingidas de vermelho com a tinta do pau-brasil. Outro animal bastante significativo destas trocas é o papagaio, que foi intensamente enviado para a Europa e incorporado na cultura local de vários reinos.
Atualidade
Apesar da monetização da sociedade moderna, o escambo continua fazendo parte do cotidiano, como quando um amigo oferece a outro consertar seu computador em troca de uma carona, ou uma criança na escola oferece uma bolacha de seu lanche em troca de uma bala do seu colega e/ou apresenta algo em forma de crédito, promessa de futuro pagamento. E chega a ser parte importante da economia em regiões menos desenvolvidas ou que aderem a certas tradições ou princípios, a exemplo de comunidades indígenas. A prática do escambo vem se revitalizando com a Internet, através de sítios na web para troca on-line de mercadorias e serviços. A troca empresarial, como por exemplo a utilização do Bitcoin, também vem ganhando espaço, com estimativas atribuindo a ela a circulação em valor equivalente ao de bilhões de dólares anuais. O escambo também tem a tendência de ser utilizado em países onde a moeda oficial está a desvalorizar-se.
Etapas do desenvolvimento do Escambo (1500 a 1580)
No primeiro momento, que vai de aproximadamente de 1500 a 1533 só haviam os nativos, os traficantes de pau-brasil e seus guarda-costas. Nesse primeiro momento de chegada ao novo mundo, os navegadores europeus já iniciaram a prática do escambo, devido a necessidade de alimentos e de informações para a sobrevivência dos viajantes. Com o passar do tempo, os itens do escambo foram se modificando, a exploração dos traficantes de pau-brasil marcou uma nova etapa do escambo, devido sua substância avermelhada, o pau-brasil enfatizou a importância da relação europeus e indígenas para a extração e obtenção desse artigo, apontando que essa era baseada, inicialmente, na troca mútua de objetivos que lhes fossem interessantes, dessa forma exerciam o escambo. Assim surgiram as feitorias, que serviam como local de intermédio entre os traficantes de pau-brasil e os povos indígenas, além de servir como sede para o patrulhamento da Costa, nessa perspectiva, pode ser concluído que a atividade extrativista necessitava de uma ligação entre europeus e indígenas, que se realizou pelas feitorias, cujo papel comercial se baseava no intermédio do escambo.


