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Ficção científica

Ficção científica é um gênero da ficção especulativa, que normalmente lida com conceitos ficcionais e imaginativos, relacionados ao futuro, ciência e tecnologia, e seus impactos e/ou consequências em uma determinada sociedade ou em seus indivíduos, desenvolvido no século XIX. Conhecida também como a "literatura das ideias", evita utilizar-se do sobrenatural, tema mais recorrente na Fantasia, baseando-se em fatos científicos e reais para compor enredos ficcionais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Definição

Devido aos seus vários subgêneros e temas tratados, ficção científica não é fácil de definir. Muitos autores, ao longo do tempo, tentaram definir de maneira sucinta o que a ficção científica é e faz. O escritor Mark C. Glassy definiu que ficção científica é como pornografia: não sabemos o que é com certeza, até vermos uma. Um dos primeiros a utilizar o termo ficção científica, foi o criador da revista Amazing Stories, Hugo Gernsback: Uma das definições mais completas foi feita por Rod Serling, criador da série Twilight Zone. É consenso entre escritores e leitores, que a ficção científica deva conter uma extrapolação cuidadosa e bem-informada de fatos, princípios ou tendências científicas, mesmo que a ciência apresentada nos enredos seja irreal, ainda não exista ou seja improvável. A ciência não precisa ser da área de Exatas ou Biológicas, podendo conter análises e estruturas antropológicas, sociológicas e filosóficas para se basear. A obra precursora do gênero, o romance de Mary Wollstonecraft Shelley, Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), foi o primeiro a utilizar-se da separação entre ciência e misticismo para aplicar em um enredo. Outros como e O Último Homem (1826), ou a obra de Robert Louis Stevenson, O Médico e o Monstro (1886) são também considerados ficção científica. A ausência deste componente científico classificaria obras em Fantasia ou Horror, como enquanto Drácula, de Bram Stoker (1897).

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Características

A ficção científica se baseia em grande parte em escrever sobre mundos, futuros e cenários alternativos possíveis e de maneira racional. Diferentemente da fantasia, no contexto narrativo da FC encontramos elementos imaginários, inspirados em fatos reais ou do passado, que estão cientificamente estabelecidos ou postulados por leis e princípios científicos, ainda que o enredo permaneça imaginativo. Uma boa parte da ficção científica se baseia no conceito da suspensão de descrença, que possibilita ao leitor em acreditar nas explicações, soluções e postulados ficcionais baseados em ciência que estão em uma determinada obra. Alguns elementos tratados com frequência na ficção científica são:

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História

Proto-ficção científica

Os antecedentes da ficção científica podem ser traçados até um momento em que mitologia, religião, ou misticismo e história estavam intimamente entrelaçados e não havia ainda a ciência cartesiana tal como a conhecemos hoje e que foi e ainda é utilizado por autores de ficção científica ao compor seus enredos. História verdadeira, de Luciano de Samósata, e considerada a obra mais antiga que pode ser chamada de "proto-ficção científica", sido escrita no século II d.C., que contém muitos temas que caracterizam a ficção científica moderna, como viagem a outros mundos, formas de vida extraterrestres, vida artificial e guerra interplanetárias. Apesar de ser considerada por alguns como o primeiro livro de ficção científica, ele foi escrito em um contexto onde a ciência moderna não existia, sendo assim realocado no grupo de obras precursoras. Algumas histórias como o Conto do Cortador de Bambu, alguns contos de As Mil e Uma Noites, do século X e o conto do Teólogo Autodidata, de Ibn al-Nafis, do século XIII também são obras precursoras.

Era da Razão

Com o início do desenvolvimento da ciência e a construção da chamada Era da Razão, obras foram desenvolvidas por Johannes Kepler, com seu livro Somnium (1620–1630), Francis Bacon' The New Atlantis (1627), Cyrano de Bergerac, com Comical History of the States and Empires of the Moon (1657) e The States and Empires of the Sun (1662), e Margaret Cavendish, Duquesa de Newcastle-upon-Tyne, com The Blazing World (1666).

Século XIX

Com o desenvolvimento, ao longo do século XIX do romance como forma literária e com o surgimento de inovações tecnológicas como a eletricidade e o telégrafo e novas formas de transporte, e avanços nas áreas de biologia, física, química e astronomia, os livros de Mary Shelley Frankenstein (1818) e The Last Man (1826) estabeleceram as bases do que viriam a ser chamados os livros de ficção científica deste século em diante, como argumento Brian Aldiss. Outros autores, como H. G. Wells e Jules Verne criaram livros que também se tornaram extremamente populares em várias camadas da sociedade. Em A Guerra dos Mundos (1898), H. G. Wells descreve uma invasão marciana, no final da era vitoriana, na Inglaterra, onde os invasores usavam máquinas (tripods) e um avançado arsenal bélico. No final do século XIX, o termo "romance científico" foi usado na Inglaterra para designar a ficção científica e continuou em uso no começo do século XX por autores como Olaf Stapledon.

Século XX

O que desenvolveu e impulsionou a ficção científica no século XX foram as revistas pulp, que ajudaram a criar alguns dos principais autores de ficção científica do século, influenciados pelo fundador da revista Amazing Stories, Hugo Gernsback. Em 1905, Roquia Sakhawat Hussain publicou o conto O Sonho da Sultana, na revista The Indian Ladies Magazine, ficção científica feminista envolvendo uma utopia onde os papéis de gênero foram invertidos. Em 1912, Edgar Rice Burroughs publicou Uma Princesa de Marte, a primeira de uma longa série livros Barsoom, situados em Marte e tendo John Carter como protagonista. Em 1920, Karel Čapek escreveu R.U.R. (Rossumovi Univerzální Roboti), peça de teatro onde a palavra "robô" surge pela primeira vez. A palavra robô (derivada do tcheco robota = "trabalho forçado"), foi criada por Josef Čapek, irmão do autor (ver: Irmãos Čapek). Em 11 de fevereiro de 1938, uma adaptação de 35 minutos da peça R.U.R., transmitida pela BBC, foi a primeira obra de ficção científica a ser exibida na televisão.

Anos 1950 em diante

No início dos anos 1950, escritores como William S. Burroughs, inauguraram a chamada Geração beat, o embrião do movimento hippie. Durante as duas décadas seguintes, muitos escritores ousados exploraram novas fronteiras ou fronteiras pouco navegadas pelos escritores anteriores, como Ursula K. Le Guin, Samuel Delany, Octavia Butler, Frank Herbert, Harlan Ellison, Roger Zelazny, enquanto que na Inglaterra, muitos escritores ficaram conhecidos como a chamada New Wave, por seus graus de experimentação, em forma, contexto e sensibilidade artística. Em 1950, Isaac Asimov criou as Três Leis da Robótica com o propósito de normatizar o comportamento dos robôs dotados de inteligência artificial, impedindo-os da fazerem qualquer mal aos humanos (ver: Rebelião das máquinas). As Três Leis surgiram no livro I, Robot, publicado naquele mesmo ano, enquanto o termo "inteligência artificial" foi criado pelo cientista da computação John McCarthy (1927-2011) em 1956.

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Fontes consultadas

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