Epidemiologia
Epidemiologia, ou a ciência das epidemias, propõe-se estudar quantitativamente a distribuição dos fenômenos de saúde/doença, e seus fatores condicionantes e determinantes, nas populações humanas.
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Desconhece-se qual estudioso utilizou pela primeira vez o termo "epidemiologia". O Oxford English Dictionary cita Parkin (1873) como fonte. Contudo, em 1850, já existia uma London Epidemiological Society; em 1802, a palavra aparece no título do livro espanhol Epidemiología Española (Madrid); e em 1799, Webster referia-a num dicionário. Tem como origem, como referido, o grego clássico: epi (sobre) + demos (povo) + logos (conhecimento). A palavra epidemia (segundo Aurélio, 2004 gr. epídemos, ‘’, + gr. -ia) é muito mais antiga, tendo sido, inclusivamente utilizada por Hipócrates (séc. VI a.C.). As noções de contágio e quarentena são também anteriores ao nascimento da epidemiologia como disciplina científica. Partindo da ideia de que a epidemiologia tem como princípio básico o entendimento de que os eventos relacionados à saúde não se distribuem ao acaso entre as pessoas, podemos entender melhor esse pensamento a partir de um contexto histórico e o saber relativo ao processo saúde-doença na coletividade. Tais saberes se originam a partir do momento em que as doenças surgem e começam a provocar o sofrimento nas pessoas. Dessa forma, tudo começa, seguindo esse princípio do fato de que existe uma doença/enfermidade e que é necessário se conhecer sobre ela e controlá-la no intuito de aliviar tal sofrimento.
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Segundo Pereira, a sistemática predominante de raciocínio, em epidemiologia, é própria da lógica indutiva, mediante a qual, partindo-se de certo número de dados, estabelece-se uma proposição mais geral e, ainda segundo esse autor, os métodos utilizados na epidemiologia são encontrados em outras áreas do conhecimento, embora seja frequente a referência a métodos epidemiológicos, eles devem ser entendidos como certo número de estratégias adaptadas para aplicação a situações próprias do estudo da saúde da população. A identificação do padrão de ocorrência de doenças nas populações humanas e dos fatores que influenciam (determinam, condicionam) tem sido reiteradamente definida como o objeto de estudo da epidemiologia. Segundo a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA), epidemiologia é o estudo dos fatores que determinam a freqüência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas.
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Uma das classificações mais simples é feita em função dos objetivos do estudo, dividindo estes em Descritivos e Analíticos, contudo seus limites nem sempre são facilmente identificáveis. Os estudos descritivos geralmente se limitam ao registro da frequência de eventos ou agravos patológicos observando sua variação no tempo e espaço. Enquanto que, os estudos analíticos têm como objetivo explicar as características dessa frequência ou associações entre estas e outros fatores observados, a exemplo dos estudos que buscam estabelecer um nexo ou relação de causa efeito entre um determinado agente patogênico e um aspecto específico do meio ambiente, considerando-se a tríade de fatores que intervém e condicionam o aparecimento e desenvolvimento de uma doença (agente, hospedeiro, ambiente). A grande maioria dos estudos epidemiológicos é observacional (não-experimental) referem-se à pesquisa de situações que ocorrem naturalmente, a exemplo das frequências de nascimentos e óbitos, os estudos de intervenção (experimental) geralmente são associados à epidemiologia clínica, destinados à avaliação de da eficácia de medicamentos, vacinas, exames e procedimentos médico - terapêuticos.[carece de fontes?]
Estudos ecológicos
Os estudos ecológicos abordam áreas geográficas, analisando comparativamente indicadores globais, quase sempre por meio de correlação entre variáveis ambientais (ou socioeconômicas) e indicadores de saúde.
Inquéritos tipo corte-transversal (seccionais)
Os estudos seccionais ou estudos de corte transversal ou estudo de prevalência observam simultaneamente, em um mesmo momento histórico, o fator causal e o efeito de um determinado agravo ou patologia, não se prestando por isso à pesquisa de etiologia, revelando apenas medidas de associação entre o agravo e a condição atribuída, úteis para identificar grupos (fatores) de risco, gerar hipótese e descrever a prevalência de doenças.
Estudos de caso-controle
O estudo de caso-controle é um estudo retrospectivo onde se procura verificar a frequência de um determinado agravo na presença ou ausência de um determinado fator condicionante/determinante (exposição) distinguindo-se do estudo de coorte pelo fato de que as pessoas foram escolhidas por estar doentes. Ou seja, no estudo de caso-controle o pesquisador investiga a exposição a determinados fatores no passado por pessoas que possuem determinada doença e pessoas saudáveis.
Estudos de coorte
Os estudos de coorte são capazes de abordar hipóteses etiológicas produzindo estimativas de incidência. O termo coorte tem origem no império romano e designava unidades do exército que possuíam equipamentos e uniformes homogêneos. A técnica de elaboração de uma coorte propõe como sequência lógica da pesquisa a anteposição das possíveis causas e a posterior busca de seus efeitos ou danos. Ou seja, pessoas que foram expostas a um determinado fator e pessoas que não foram expostas a esse mesmo fator são acompanhadas longitudinalmente a fim de se determinar se há, eventualmente, o surgimento de uma doença em maior proporção naqueles que foram expostos ao referido fator. Ressalte-se que o mesmo método de estudo por ser utilizado para investigar o o efeito protetor de determinado fator (ex: consumo de ácidos graxos polinsaturados).
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Apesar da prática cotidiana da administração de serviços de saúde ter consagrado o termo indicador para os valores numéricos com os quais se mensura o nível de saúde de uma população pela frequência de óbitos ou eventos mórbidos – ocorrência de doenças e agravos à saúde registrados ou medidas da oferta de procedimentos de serviços específicos de saúde, as proposições teóricas distinguem indicadores e índices. Observe-se que apesar das tentativas ainda não existem indicadores positivos, consagrados de saúde positiva (vigor, vitalidade, desempenho, qualidade das relações sociais, etc.) e o estado de saúde é medido por sua ausência, ou seja, frequência de doenças e óbitos. De acordo com a OMS indicadores de saúde são variáveis que servem para medir as mudanças na situação de saúde, uma variável, portanto, susceptível de mensuração direta que reflete o estado de saúde das pessoas numa comunidade, enquanto que índice de saúde é uma indicação numérica do estado de saúde de uma população derivada de uma fórmula composta especificada.
Coeficiente e taxas
Para fins de comparação de frequências os números absolutos dos indicadores precisam ser transformados em coeficientes e taxas (razão proporcional) em inglês rate. Em estudos epidemiológicos, o numerador, seja o número de pessoas que adoeceram ou morreram em um determinado momento histórico e região, é sempre expresso em relação ao total de pessoas que compõem essa população (denominador). Os coeficiente e taxas podem ser padronizados ou não, ou seja, em função das diferenças entre populações (a exemplo da composição etária) podem ser ajustados a padrões internacionais (população mundial, população europeia, etc.). É essencial distinguir índices onde os casos incluídos no numerador são também colocados no denominador, o que pode representar uma relação de possibilidade ou risco e a simples comparação entre a frequência de dois eventos da mesma espécie – razão, (em inglês: ratio) uma medida de comparação de grandezas que não estabelece uma probabilidade de ocorrência.
A aplicação ao planejamento de serviços de saúde tem sido o maior uso da epidemiologia, em função dessa aplicação tem-se desenvolvida a legislação e estratégia da Vigilância epidemiológica e organização dos sistemas de informação em saúde no âmbito governamental. Possas e Breilh ressaltam a demanda de construção do conceito de perfil epidemiológico fundamentado no conceito de classe social (e frações sociais especiais) na avaliação doas condições de vida e saúde de uma população. No Brasil o Sistema de Vigilância Epidemiológica foi instituído pela lei nº 6.259 de 1975 que articula o Ministério da Saúde à setores específicos das Secretarias Estaduais de Saúde, organizando o sistema nacional de informações de saúde que constitui, hoje, o DATASUS. Desde a criação do SUS em 1988, a Epidemiologia em Serviços de saúde tem sido fortalecida por meio do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. Anteriormente, com a criação do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), instituído como departamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), quando a necessidade de expandir a aplicação da epidemiologia em serviços para as análises de situação de saúde, com objetivo de subsidiar a formulação de políticas.
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Atualmente a epidemiologia é um dos três pilares da saúde coletiva, os demais são a Gestão/Planejamento e as Ciências Sociais. A epidemiologia nasceu a partir das oposições entre indivíduo e coletivo; cultura e natureza; corpo e alma. Nesse contexto, atualmente é vista como uma ciência inteiramente quantitativa, que visa medir impactos relacionados a problemas de saúde relevantes da população, tendo como base características de estilo de vida, classes sociais, eventos de doenças, nascimento e óbitos. Assim, obviamente é necessário que haja técnicas e procedimentos estatísticos de alta complexidade, para abranger toda gama de dados. Basicamente, o foco epidemiológico consiste na análise de frequências e distribuições de saúde; com observação dos fenômenos de saúde e doença; além da definição de cursos de estratégias apropriadas. Entretanto, há diversos fatores que o contexto epidemiológico não consegue abordar. Ao longo de todos os anos, vários autores importantes na história da epidemiologia lutaram para que esta ciência fosse vista com um olhar coletivo. A partir daí, nota-se que a epidemiologia não estuda dados individuais, ou seja, como ciência inteiramente voltada para o estudo “coletivo” a epidemiologia se limita a grupos e não casos isolados.
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Periódicos brasileiros de Epidemiologia/ Saúde Pública


