Enredo
O enredo ou a trama, na ficção narrativa, é a cadeia de eventos onde cada acontecimento afeta o próximo através do princípio de causa e efeito. Os eventos causais de um enredo podem ser pensados como uma série de eventos ligados pelo conector "portanto". Os enredos podem variar do mais simples aos de estrutura complexa e entrelaçada, com cada parte dela às vezes referida como subenredo ou subtrama.
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O romancista inglês do início do século XX, E. M. Forster, descreveu o enredo como a relação de causa e efeito entre eventos em uma história. De acordo com Forster, "O rei morreu, e então a rainha morreu é uma história, enquanto o rei morreu, e portanto a rainha morreu de tristeza, é um enredo". Teri Shaffer Yamada, Ph.D., da CSULB concorda que um enredo não inclui cenas memoráveis dentro de uma história que não se relacionam diretamente com outros eventos, mas apenas os "eventos importantes que movem a ação em uma narrativa". Por exemplo, no filme Titanic de 1997, quando Rose sobe no parapeito da frente do navio e abre as mãos como se estivesse voando é uma cena memorável, mas não influencia diretamente outros eventos, por isso pode não ser considerada como parte do enredo.
Fabula e syuzhet
A teoria literária do formalismo russo no início do século 20 dividiu a narrativa em dois elementos: a fabula (фа́була) e o syuzhet (сюже́т), ou a "matéria-prima" e a "forma como ela é organizada". Aqui, uma fabula são os eventos no mundo ficcional, enquanto um syuzhet é uma perspectiva desses eventos. Os seguidores formalistas eventualmente traduziram a fabula/syuzhet para o conceito de história/enredo. Esta definição é geralmente usada em narratologia, em paralelo com a definição de Forster. A fabula (história) é o que aconteceu em ordem cronológica. Em contraste, o syuzhet (enredo) significa uma sequência única de discurso que foi ordenada pelo autor (implícito). Ou seja, o syuzhet pode consistir em pegar os eventos da história em ordem não cronológica; por exemplo, fabula é ⟨a1, a2, a3, a4, a5, ..., an⟩, syuzhet é ⟨a5, a1, a3⟩.
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O enredo pode ser organizado de diversas maneiras. Observe um exemplo da maneira mais comum no texto "Bezerro sem mãe" de Rachel de Queiroz: (1) Foi numa fazenda de gado, no tempo do ano em que as vacas dão cria. Cada vaca toda satisfeita com o seu bezerro. (2) Mas dois deles andavam tristes de dar pena: (3) uma vaca que tinha perdido o seu bezerro e um bezerro que ficou sem mãe. A vaquinha até parecia estar chorando, com os peitos cheios de leite, sem filtro para mamar. E o bezerro sem mãe gemia, morrendo de fome e abandonado. Não adiantava juntar os dois, porque a vaca não aceitava. Ela sentia pelo cheiro que o bezerrinho órfão não era filho dela, e o empurrava para longe. Aí o vaqueiro se lembrou do couro do bezerro morto, que estava secado ao sol. Enrolou naquele couro o bezerrinho sem mãe e levou o bichinho disfarçado para junto da vaca sem filho. Ora, foi uma beleza! A vaca deu uma lambida no couro, sentiu o cheiro do filho e deixou que o outro mamasse à vontade. (4) E por três dias foi aquela mascarada. Mas no quarto dia, a vaca, de repente, meteu o focinho no couro e puxou fora o disfarce. Lambeu o bezerrinho direto, como se dissesse: “Agora você já está adotado.”


