Empréstimo (esportes)
No meio desportivo, o empréstimo de atletas é uma espécie de negociação em que um desportista joga por uma agremiação sem perder o vínculo contratual com seu clube anterior. Apesar de esta prática ser muito comum entre equipes de futebol, há também exemplos deste tipo de negociação em outros esportes, como Voleibol, Basquete, Handebol e até automobilismo.
Desde o início do futebol, quando este era disputado por equipes amadoras na Inglaterra, haviam empréstimos entre clubes. Normalmente, o ato ocorria quando uma equipe visitante chegava ao local de jogo sem um atleta que havia se lesionado durante a viagem, desse modo, o time da casa aceitava ceder algum jogador do seu elenco ao time adversário durante os 90 minutos. Em 1872, durante a primeira final da FA Cup (Copa da Inglaterra), o Wanderers F.C. veio a campo com um jogador nomeado de A.H. Chequer. Esse atleta nunca havia feito uma partida pelo time, mas foi só em campo que descobriram que o tal nome se tratava de um pseudônimo de Morton Betts (a escolha se deve ao fato dos empréstimos não serem bem-vistos naquela época). Betts viera de um empréstimo para o jogo decisivo, pois sua equipe, o Harrow Chequers, havia deixado a competição no primeiro jogo. Diante o Royal Engineers, Morton foi o único a balançar as redes e dar o troféu ao time que estava defendendo as cores naquele momento.
Proibição
Muitos times viram a possibilidade de conseguirem jogadores mediante aos empréstimos. Desse modo, buscaram ir atrás de quaisquer atletas que lhes interessassem, e ofereciam a eles altos salários para que deixassem suas equipes atuais temporariamente. A prática passou a ser muito criticada na época, sendo resumida pela Athletic News (jornal inglês do Século XIX) como um "procedimento questionável e injusto". Em abril de 1898, a FA proibiu "o empréstimo e o empréstimo de jogadores para partidas especiais". Apesar da regra, nem todas as equipes acataram a proibição, e tais clubes passaram a receber multas pelo feito.
Retorno e popularização
Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas equipes não tinham jogadores o suficiente para integrar o seu elenco. Desse modo, a FA introduziu um sistema de "jogador convidado" que consistia em uma equipe ter um atleta para uma partida, mesmo que não fosse detentora de seus direitos. Por conta da inexistência de limites, diversos jogadores passaram a serem convidados a jogarem partidas em excesso, alguns jogaram mais de um jogo mesmo dia. Bill Shankly, que era um jogador do Preston North End, chegou a ser convidado para atuar no Liverpool, em 1942, para atuar no Dérbi do Merseyside. Futuramente, Bill tornar-se-ia um treinador e conquistou diversos títulos nos Reds. Seu destaque no comando da equipe foi tão grande que ele ganhou uma estátua na frente do Anfield Road, estádio da equipe. Além dele, Matt Busby, que também viria a ganhar uma estátua como treinador do Manchester United, também foi um dos jogadores convidados para performar partidas com o Aldershot FC, da terceira divisão inglesa.
No Futebol Brasileiro
Acordo de Cavalheiros é o nome dado, no futebol brasileiro, à uma cláusula que impede jogadores emprestados de atuarem contra os seus clubes de origem. Com isso, o clube que emprestar um jogador a outro clube pode impedir, via contrato, que este atleta seja escalado em jogos entre as duas equipes, inclusive com a cobrança de multas. Em 2015 e 2016, a CBF criou um item no Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas que impedia este tipo de prática. Em 2017, porém, este item foi retirado do Regulamento à pedido dos clubes, que apresentaram 3 argumentos, a saber: 1) Eventual constrangimento ao atleta emprestado - Em um jogo decisivo, que valesse por exemplo um rebaixamento da equipe detentora de seus direitos, o atleta poderia sentir-se constrangido a atuar neste jogo. 2) Incerteza jurídica para aplicar a regra 3) Liberdade de negócio
Limite de empréstimos por clube
Em 2018, a FIFA cogitou mudar regra para limitar empréstimo de jogadores por clubes, por entender que estava havendo abusos, como a Juventus, por exemplo, que chegou a ter 41 jogadores emprestados naquela temporada. No entender da entidade máxima do futebol, "emprestar um jogador deveria ter como objetivo dar minutos de jogo a jovens atletas que não têm espaço em seus clubes formadores. No entanto, isso se modificou totalmente, e a prática passou a ser algo danoso ao esporte. Essa cessão de jogadores, que em muitos casos envolve pagamentos, transformou-se em uma verdadeira vitrine, tendo como objetivo gerar benefícios financeiros ao clube detentor dos direitos do atleta em uma possível venda futura".
Empréstimos Notáveis no Futebol
Desde sua criação, muitos casos de jogadores emprestados que marcam seu lugar na história do clube aconteceram. Estes são alguns dos jogadores que conseguiram vencer grandes competições estando emprestados a outros clubes: Em 1872, Morton Betts foi emprestado pelo Harrow Chequers para o Wanderers F.C. para disputar a primeira final da FA Cup. Morton entrou em campo sob um pseudónimo e marcou o único gol da partida. Esse foi o primeiro empréstimo em uma final de Copa da Inglaterra, a competição mais antiga da história do futebol. No ano de 2007, Carlos Tévez foi emprestado por duas temporadas para o Manchester United, após uma sólida passagem pelo West Ham United. Durante sua primeira época, conseguiu conquistar a Liga dos Campeões da UEFA de 2007–08, marcando um total de cinco gols na competição.


