Isabel I de Inglaterra
Isabel I ou Elizabeth I, também chamada de "A Rainha Virgem", "Gloriana" ou "Boa Rainha Bess" foi a rainha soberana da Inglaterra e Irlanda de 1558 até sua morte e a quinta e última monarca da Casa de Tudor. Como filha do rei Henrique VIII, Isabel nasceu dentro da linha de sucessão; entretanto, a sua mãe Ana Bolena foi executada dois anos e meio após seu nascimento, e o casamento dos seus pais foi anulado. Isabel assim foi declarada ilegítima.
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Isabel Tudor nasceu no Palácio de Placentia, Greenwich, em 7 de setembro de 1533, sendo nomeada em homenagem a suas avós: Isabel de Iorque e Isabel Howard. Era a segunda filha do rei Henrique VIII de Inglaterra a sobreviver a infância. Sua mãe era Ana Bolena, a segunda esposa de Henrique VIII. Ao nascer, Isabel era a herdeira presuntiva do trono inglês. Sua meia-irmã mais velha, Maria Tudor, havia perdido sua posição como legítima quando o rei anulou seu casamento com sua mãe, Catarina de Aragão, para se casar com Ana e ter um herdeiro homem a fim de garantir a sobrevivência da dinastia da Casa de Tudor. Ela foi batizada em 10 de setembro por Tomás Cranmer, Arcebispo da Cantuária; seus padrinhos foram Henrique Courtenay, 1.º Marquês de Exeter; Isabel Howard, Duquesa de Norfolk; e Margarida Wotton, Viúva Marquesa de Dorset. Sua mãe foi executada por acusações de adultério, incesto e alta traição em 19 de maio de 1536, quando Isabel tinha apenas dois anos e oito meses. Ela foi declarada ilegítima e privada de seu lugar na sucessão real.[nota 1] Onze dias após a execução de Ana Bolena, Henrique se casou com Joana Seymour, porém ela acabou morrendo de complicações pós-parto depois de dar à luz em 1537 ao príncipe Eduardo. Desde seu nascimento, Eduardo era o herdeiro aparente incontestável do trono. Isabel carregou o pano batismal em seu batizado.
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Henrique VIII morreu em janeiro de 1547 e foi sucedido pelo filho de nove anos Eduardo VI, meio-irmão de Isabel. A sexta esposa e viúva do rei, Catarina Parr, logo se casou com Tomás Seymour, 1.º Barão Seymour de Sudeley, tio de Eduardo e irmão de Eduardo Seymour, 1.º Duque de Somerset e Lorde Protetor. O casal colocou Isabel em sua criadagem em Chelsea, Londres. Lá ela passou por uma crise emocional que alguns historiadores acreditam tê-la afetado pelo restante de sua vida. Seymour, então com quase quarenta anos, porém possuindo charme e "poderoso apelo sexual", envolveu-se em brincadeiras grosseiras com Isabel, então com quatorze anos. Isso incluía entrar em seu quarto durante a noite, cutucá-la e bater em suas nádegas. Parr juntava-se ao marido ao invés de confrontá-lo por suas atividades impróprias. Duas vezes ela também cutucou a menina e em uma ocasião a segurou enquanto Seymour cortava sua camisola "em milhares de pedaços". Entretanto, Parr acabou a situação assim que descobriu os dois abraçados. Isabel foi mandada embora em maio de 1548.
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Eduardo VI morreu em 6 de julho de 1553 aos quinze anos de idade. Seu testamento colocava de lado o Terceiro Ato de Sucessão e excluía tanto Maria quanto Isabel da sucessão, declarando como herdeira, ao invés disso, Joana Grey, neta de Maria Tudor, Duquesa de Suffolk, irmã de Henrique VIII. Joana foi proclamada rainha pelo Conselho Privado, porém ela logo perdeu o apoio e foi deposta em nove dias. Maria entrou triunfantemente em Londres com Isabel ao seu lado.[nota 2] As demonstrações de solidariedade entre as irmãs duraram pouco. A católica devota Maria, estava determinada em esmagar a fé protestante em que Isabel havia sido educada, ordenando que todos comparecessem às missas católicas; Isabel tinha que obedecer. A popularidade inicial de Maria logo desapareceu em 1554, quando anunciou planos para se casar com o espanhol Filipe, Príncipe das Astúrias, um católico e filho do imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico. O descontentamento rapidamente cresceu pelo país e muitos olhavam para Isabel como o centro da oposição religiosa.
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Isabel tornou-se rainha aos 25 anos de idade e declarou suas intenções a seu conselho e outros pariatos que haviam ido para a Casa Hatfield jurar lealdade. O discurso contém o primeiro relato de sua adoção da teologia política medieval dos "dois corpos" do soberano: o corpo natural e o corpo político. Ela foi recebida calorosamente por cidadãos e saudada por orações e desfiles, a maioria em forte protestantismo, enquanto progredia por Londres triunfantemente na véspera de sua cerimônia de coroação. As repostas graciosas e abertas de Isabel encantaram os espectadores, que estavam "maravilhosamente arrebatados". No dia seguinte, 15 de janeiro de 1559, Ela foi coroada e ungida na Abadia de Westminster por Owen Oglethorpe, o católico Bispo de Carlisle. Isabel então foi apresentada à aceitação de seu povo, em meio aos sons ensurdecedores de órgãos, pífaros, trombetas, tambores e sinos.
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As convicções religiosas pessoais de Isabel foram muito discutidas por historiadores. Era protestante, porém mantinha símbolos católicos como o crucifixo e diminuía o papel dos sermões, indo contra a crença protestante. Ela e seus conselheiros viam a ameaça de uma cruzada católica contra a Inglaterra. Isabel assim procurou uma solução protestante que não ofenderia muito os católicos enquanto ao mesmo tempo atendia os anseios dos protestantes ingleses; entretanto, não tolerava os puritanos mais radicais, que pressionavam por reformas drásticas. Assim, o parlamento começou a legislar em 1559 uma igreja baseada na resolução protestante de Eduardo VI, com o monarca como chefe, mas com elementos católicos como vestimentas sacerdotais. A Câmara dos Comuns apoiava fortemente as propostas, porém o projeto de lei da supremacia encontrou oposição na Câmara dos Lordes, particularmente dos bispos. Isabel teve a sorte de que muitos bispados na época estavam vagos, incluindo o arcebispado da Cantuária.[nota 4] Isso permitiu que apoiadores dentre os pariatos tivessem mais votos que os bispos e pariatos conservadores. Mesmo assim, foi forçada a aceitar o título de Governadora Suprema da Igreja de Inglaterra em vez do mais controverso Chefe Suprema, que muitos achavam inaceitável uma mulher portar. Aprovou-se o novo Ato de Supremacia em 8 de maio de 1559. Todos os oficiais públicos tinham de prestar juramento de lealdade a monarca como governadora suprema ou correrem o risco de perderem o cargo; revogaram-se as leis de heresia para impedir a perseguição de dissidentes que Maria praticara. Ao mesmo tempo também aprovou-se o novo Ato da Uniformidade, que obrigava o comparecimento à igreja e o uso de uma versão adaptada do Livro de Oração Comum de 1552, apesar das penas de não-conformidade ou de não comparecimento não serem extremas.
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Esperava-se desde o início de seu reinado que Isabel se casasse, surgindo questões sobre com quem. Ela nunca se casou, apesar de ter tido vários pretendentes; as razões para isso não são claras. Historiadores especularam que Tomás Seymour facilitou-lhe relações sexuais, ou que ela sabia ser estéril. A rainha considerou vários pretendentes até os cinquenta anos. Sua última corte foi com o francês Francisco, Duque de Anjou, 22 anos mais novo. Apesar de correr o risco de perder o poder como sua irmã, que fazia o que Filipe II queria, o casamento oferecia a possibilidade de um herdeiro. Entretanto, a escolha de um marido poderia provocar instabilidade política ou até insurreições.
Roberto Dudley
Ficou evidente no verão de 1559 que Isabel apaixonara-se por Roberto Dudley, seu amigo de infância. Disse-se que sua esposa Amy Robsart sofria de uma "doença em um de seus seios", e que a rainha gostaria de se casar com Dudley se ela morresse. Vários pretendentes competiram pela mão de Isabel no outono do mesmo ano; seus impacientes interessados envolveram-se em conversas cada vez mais escandalosas e relataram que o casamento com seu favorito não era bem visto na Inglaterra: "Não há homem que não clama com indignação sobre ele e ela… ela não se casará com ninguém exceto seu favorito Roberto". Robsart morreu em setembro de 1560 ao cair de uma escada e, apesar do inquérito legista concluir por um acidente, muitos suspeitavam que Dudley arranjara a morte da esposa para poder se casar com Isabel.[nota 5] A rainha considerou seriamente por algum tempo se casar com Dudley. Porém, Guilherme Cecil, Nicolau Throckmorton e outros pariatos conservadores, deixaram claro sua desaprovação. Houve rumores também que a nobreza iria se revoltar caso o casamento ocorresse.
Pretendentes estrangeiros
As negociações de casamento eram parte de um importante elemento da política internacional de Isabel. Ela recusou a mão de Filipe II no início de 1559, porém contemplou por anos a proposta do rei Érico XIV da Suécia. Ela também negociou seriamente por muitos anos casar-se com o arquiduque Carlos II da Áustria, primo de Filipe. As relações com os Habsburgo deterioraram-se por volta de 1569, e a rainha considerou se casar com dois príncipes franceses de Valois, primeiro Henrique, Duque de Anjou, e mais tarde seu irmão Francisco, Duque de Anjou, entre 1572 e 1581. A última proposta estava ligada a uma possível aliança contra a Espanha pelo controle dos Países Baixos do Sul. Isabel parece ter considerado seriamente o cortejo por algum tempo, e usava um brinco em formato de sapo que Francisco havia lhe enviado.
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A política inicial de Isabel com a Escócia foi a de se opor à presença francesa. Ela temia que os franceses planejassem invadir a Inglaterra e colocar no trono a rainha Maria da Escócia,[nota 6] considerada por muitos como herdeira da coroa inglesa.[nota 7] Isabel foi persuadida a enviar uma força para a Escócia ajudar os rebeldes protestantes; apesar da campanha ter sido inepta, o resultante Tratado de Edimburgo de julho de 1560 retirou a ameaça francesa no norte.[nota 8] A Escócia tinha uma estabelecida igreja protestante e um governo formado por um conselho de nobres protestantes apoiados por Isabel quando Maria voltou para o reino em 1561 para reassumir seu poder. Ela recusou-se a ratificar o tratado. Isabel propôs em 1563 que Roberto Dudley, seu próprio pretendente, se casasse com Maria, sem antes falar com nenhum dos dois envolvidos. Ambos não ficaram interessados e ela acabou se casando dois anos depois com Henrique Stuart, Lorde Darnley, que tinha sua própria reivindicação ao trono inglês. O casamento foi o primeiro de uma série de erros de julgamento que Maria cometeu e que acabaram dando a vitória para os protestantes escoceses e Isabel. Stuart rapidamente ficou impopular e depois infame por participar do assassinato de David Rizzio, secretário italiano de sua esposa. Ele mesmo acabou sendo morto em fevereiro de 1567 por conspiradores quase certamente liderados por Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell. Pouco tempo depois, em maio, Maria se casou com Hepburn e levantou suspeitas que havia participado do assassinato do marido. Isabel escreveu a ela:
Maria e a causa católica
Maria logo foi o foco de uma rebelião. Houve um grande levante católico no Norte em 1569; o objetivo era libertar Maria, casá-la com Tomás Howard, 4.º Duque de Norfolk, e colocá-la no trono inglês. Mais de 750 rebeldes foram executados sob as ordens de Isabel após sua derrota. Acreditando que a revolta havia sido bem sucedida, o Papa Pio V emitiu em 1570 uma bula papal chamada Regnans in Excelsis em que declarava "Isabel, a pretensa Rainha da Inglaterra e servente de crime" excomungada e herética, liberando todos seus súditos de qualquer lealdade a ela. Católicos que obedecessem suas ordens estavam ameaçados com excomungação. A bula papal provocou respostas legislativas contra católicos no parlamento, que acabaram mitigadas pela intervenção de Isabel. A conversão de ingleses para o catolicismo com "o intuito" de remover sua lealdade da rainha foi transformada em alta traição em 1581, punível com pena de morte. Padres missionários vindos de seminários continentais foram para a Inglaterra secretamente a partir da década de 1570 para causar a "reconversão". Muitos foram executados, criando um culto de martírio.
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A política internacional de Isabel foi principalmente defensiva. A exceção foi a ocupação inglesa de Le Havre de outubro de 1562 a junho de 1563, que terminou em fracasso quando seus aliados huguenote juntaram-se aos católicos para retomar a cidade. A intenção da rainha era trocar Le Havre por Calais, retomada pela França em janeiro de 1558. Isabel procurou políticas agressivas apenas através das atividades de suas frotas. Isso acabou tendo bons resultados na guerra contra a Espanha, lutada 80% nos mares. Ela fez de Francis Drake um cavaleiro após sua circum-navegação entre 1577 e 1580, e ele acabou ganhando fama por ataques a portos e frotas espanholas. Um elemento de pirataria e auto-enriquecimento motivava os marinheiros, sob os quais Isabel tinha pouco controle.
Expedição aos Países Baixos
Isabel evitou expedições continentais depois da ocupação e perda de Le Havre até 1585, quando enviou um exército inglês para ajudar rebeldes protestantes holandeses contra Filipe II. Isso ocorreu após as mortes de seus aliados Guilherme I, Príncipe de Orange, e Francisco, Duque de Anjou, ambos em 1584, junto com a conquista de várias cidades holandesas por Alexandre Farnésio, Duque de Parma e Placência, governador dos Países Baixos do Sul. Uma aliança em dezembro de 1584 entre Filipe e a Liga Católica francesa minou a capacidade de Henrique III de França, irmão de Francisco, de conter a dominação espanhola dos Países Baixos. Isso também expandiu a influência espanhola ao longo do Canal da Mancha na costa da França, onde a Liga Católica era forte, expondo a Inglaterra a uma invasão. O cerco de Antuérpia no verão de 1585 por Farnésio fez necessária uma reação por parte dos ingleses e holandeses. O resultado foi o Tratado de Nonsuch, em que Isabel prometia apoio militar aos holandeses.
Invencível Armada
Enquanto isso, sir Francis Drake realizou entre 1585 e 1586 uma grande viagem contra navios e portos espanhóis no Caribe, conseguindo atacar Cádis em 1587 e destruindo a frota espanhola de navios de guerra destinada para a Empreitada da Inglaterra. Filipe havia decidido fazer guerra contra os ingleses. A Invencível Armada, uma grande frota de navios, partiu para o Canal da Mancha em 12 de julho de 1588 planejando levar uma força de invasão espanhola sob comando de Alexandre Farnésio, Duque de Parma e Placência, para a costa sul da Inglaterra a partir dos Países Baixos. Uma combinação de erros de cálculo,[nota 10] má sorte e um ataque inglês com navios de fogo em 29 de julho perto de Gravelines acabou dispersando os navios espanhóis para o nordeste e a Armada acabou sendo derrotada. Ela voltou para a Espanha em restos despedaçados, após enormes perdas ao oeste da costa da Irlanda (alguns navios tentaram voltar para casa através do Mar do Norte, virando para o sul depois da costa irlandesa). Milícias inglesas, sem saber do destino da Armada, reuniram-se para defender o reino sob o comando de Roberto Dudley. Ele convidou Isabel para inspecionar as tropas em Tilbury, Essex, no dia 8 de agosto. Usando uma armadura peitoral de prata sobre um vestido de veludo branco, ela dirigiu-se aos homens em um de seus discursos mais famosos:
Apoio a Henrique IV de França
Quando o protestante Henrique III de Navarra herdou o trono da França em 1589, Isabel lhe enviou apoio militar. Foi sua primeira empreitada no país desde a retirada de Le Havre em 1563. A ascensão de Henrique foi muito contestada pela Liga Católica e por Filipe, com Isabel temendo que os espanhóis tomassem os portos franceses ao longo do canal. Entretanto, as campanhas seguintes da Inglaterra em território francês foram desorganizadas e ineficientes Lorde Peregrine Bertie, 13.º Barão Willoughby de Eresby, ignorou as ordens da rainha e marchou para o norte da França com quatro mil homens, porém acabou realizando muito pouco. Ele recuou em desordem em dezembro de 1589, perdendo metade de suas tropas. A campanha de João Norreys em 1591 levou três mil homens a Bretanha, terminando em um desastre ainda maior. Isabel não queria investir em suprimentos e reforços como seus comandantes pediam por causa de tais expedições. Norreys foi para Londres pedir apoio a rainha pessoalmente. O exército da Liga Católica praticamente destruiu em maio de 1591 o restante de seu exército em Craon, noroeste da França, durante sua ausência. Isabel enviou outra força em julho sob o comando de Roberto Devereux, 2.º Conde de Essex, para ajudar Henrique no cerco a Ruão. O resultado foi outro desastre. Devereux não conseguiu realizar nada e voltou em janeiro de 1592. Henrique abandonou o cerco em abril seguinte. Como sempre, a rainha não tinha controle sobre seus comandantes uma vez que eles estivessem no exterior. "Onde ele está, ou o que ele faz, ou o que ele fará", ela escreveu a Devereux, "somos ignorantes".
Irlanda
Apesar da Irlanda ser um de seus reinos, Isabel enfrentava em certos lugares uma população hostil e até mesmo autônoma[nota 11] que aderia ao catolicismo e estava disposta a desafiar sua autoridade e conspirar com seus inimigos. Sua política na região era entregar terras a seus cortesãos e impedir que os rebeldes dessem a Espanha uma base de onde pudesse atacar a Inglaterra. As forças da coroa utilizaram táticas de terra arrasada contra uma série de levantes, queimando a terra e chacinando homens, mulheres e crianças. Durante uma revolta liderada por Geraldo FitzGerald, 15.º Conde de Desmond, em Munster em 1582, por volta de trinta mil irlandeses morreram de fome. O poeta e colono Edmund Spenser escreveu que as vítimas "foram levadas a tal miséria como que qualquer coração de pedra teria lamentado o mesmo". Isabel aconselhou seus comandantes que "aquela nação rude e bárbara" fosse bem tratada, porém não demonstrou remorso quando a força e derramamento de sangue foram necessários.
Rússia
Isabel continuou a manter as relações diplomáticas que Eduardo VI havia estabelecido com o Czarado da Rússia. Ela frenquentemente escrevia ao imperador Ivã IV em termos amigáveis, apesar dele ficar frequentemente irritado por seu foco em comércio ao invés de uma possível aliança militar. Ivã até a pediu em casamento, também pedindo garantias durante a segunda metade do reinado de Isabel que recebesse asilo na Inglaterra caso seu reinado fosse colocado em risco. Seu simplório filho Teodoro I o sucedeu depois de sua morte. Diferentemente do pai, o novo imperador não queria manter direitos exclusivos de comércio com a Inglaterra. Ele declarou seu reino aberto a todos os estrangeiros, dispensando o embaixador inglês sir Jerônimo Bowes, cuja pomposidade havia sido tolerada por Ivã. Isabel enviou o dr. Giles Fletcher como novo embaixador para exigir que o regente Bóris Godunov convencesse Teodoro a reconsiderar. As negociações falharam pois Fletcher omitiu dois títulos ao dirigir-se a ele. A rainha continuou a falar com Teodoro em cartas meio suplicantes e meio reprovatórias. Ela propôs uma aliança, algo que sempre recusou com Ivã, mas nada adiantou.
Berbéria e Império Otomano
A Inglaterra desenvolveu relações diplomáticas e de comércio com Berbéria durante o reinado de Isabel. Ela estabeleceu relações de comércio com o Marrocos em oposição a Espanha, vendendo armaduras, munição, madeira e metais em troca de açúcar, mesmo com uma proibição papal. Abd el-Ouahed ben Messaoud, principal secretário de Amade Almançor Saadi do Marrocos, visitou a Inglaterra em 1600 como embaixador na corte para negociar uma aliança anglo-marroquina contra os espanhóis. Isabel "concordou em vender munições e suprimentos aos Marrocos, e ela e Mulei Amade Almançor conversaram de vez em quando sobre montarem uma operação conjunta contra os espanhóis". As discussões permaneceram inconclusivas, com os dois morrendo dois anos depois da visita de ben Messaoud.
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O período após a derrota da Invencível Armada em 1588 trouxe novas dificuldades a Isabel que duraram pelos quinze últimos anos de seu reinado. Os conflitos com a Espanha e Irlanda se arrastaram, os impostos ficaram mais pesados e a economia foi atingida por colheitas ruins e os custos das guerras. Os preços subiram e a qualidade de vida caiu. A repressão contra os católicos se intensificou nessa época, com a rainha autorizando em 1591 comissões para monitorar e interrogar chefes de família católicos. Ela dependia cada vez mais de espiões internos e propaganda para manter a ilusão de paz e prosperidade. As críticas cada vez maiores refletiam o declínio da afeição pública por Isabel em seus últimos anos. Uma das causas para esse "segundo reinado", como é as vezes chamado, foi a mudança da personalidade do Conselho Privado na década de 1590, o órgão de governo de Isabel. Havia uma nova geração no poder. Com a exceção de Guilherme Cecil, os políticos mais importantes do reino haviam morrido por volta de 1590: Dudley em 1588, Walsingham em 1590 e sir Cristóvão Hatton em 1591. Brigas entre facções no governo, que não existiram de forma notória antes de 1590, agora eram uma característica. Surgiu uma grande rivalidade entre Devereux e Roberto Cecil, filho de Guilherme, com a disputa pelas posições mais poderosas no reino interferindo na política. A autoridade pessoal da rainha estava diminuindo, como foi demonstrado em 1594 pelo caso do dr. Lopez, seu médico. Quando ele foi erroneamente acusado de traição por Devereux em uma disputa pessoal, Isabel não conseguiu impedir sua execução, mesmo tendo ficado brava por sua prisão e aparentando não ter acreditado que ele era culpado.
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Guilherme Cecil, 1.º Barão Burghley, o principal conselheiro de Isabel, morreu em 4 de agosto de 1598. Seu manto político foi passado ao filho Roberto Cecil, que logo tornou-se o líder do governo.[nota 15] Uma das tarefas que ele tomou conta foi preparar o caminho para uma sucessão tranquila. Cecil foi obrigado a trabalhar em segredo já que Isabel nunca nomeou um sucessor.[nota 16] Assim ele entrou em correspondências codificadas com o rei Jaime VI da Escócia, que tinha uma reivindicação forte mas não reconhecida.[nota 17] Cecil aconselhou o impaciente rei escocês a ser gentil com Isabel e "assegurar o coração da mais elevada, para cujo sexo e qualidade nada é assim inadequado quer como admoestações desnecessárias ou sobre muita curiosidade em suas próprias ações". O conselho funcionou. O tom de Jaime encantou a rainha, que respondeu: "Então confio que vós não duvidará que tuas últimas cartas são tão aceitas e tomadas como meus agradecimentos que não faltam à mesma, mas oferecei-los a vós de maneira grata". Na visão do historiador J. E. Neale, Isabel pode não ter abertamente declarado seus desejos a Jaime, porém os fez conhecidos por meio de "frases inconfundíveis, senão veladas".


