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Ducado de Castro

O Ducado de Castro foi um feudo na península Itálica, na atual região do Lácio, que funcionou como um estado independente sob a administração da família Farnésio de 1537 a 1649. Sua breve existência, de pouco mais de 110 anos, foi marcada por conflitos e culminou em sua destruição e anexação aos Estados Papais.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 30/07/2026

Pontos-chave

  • Criado em 1537 pelo Papa Paulo III (Farnésio) para seu filho Pedro Luís Farnésio, o ducado visava consolidar as possessões familiares.
  • Compreendia uma faixa territorial estratégica do Mar Tirreno ao Lago Bolsena, incluindo diversas localidades atuais e tendo Castro como capital.
  • A cidade de Castro, capital do ducado, era uma antiga e bela cidade etrusca, elogiada por sua arquitetura e infraestrutura.
  • O declínio financeiro e as escolhas políticas desastrosas dos duques Farnésio, especialmente Eduardo I, levaram às Guerras de Castro.
  • O ducado foi destruído em 1649, após a Segunda Guerra de Castro e o assassinato do bispo, sendo seus bens anexados à Câmara Apostólica.
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A Criação do Ducado de Castro

O Ducado de Castro e de Ronciglione foi estabelecido pelo Papa Paulo III (da família Farnésio) através da bula 'Videlicet immeriti', em 31 de outubro de 1537. O objetivo era fortalecer as posses da família e beneficiar seu filho, Pedro Luís Farnésio, e sua descendência masculina. Apesar de sua importância, o ducado teve uma existência relativamente curta, de pouco mais de 110 anos, e foi ofuscado por outras propriedades dos Farnésio na região de Parma.

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As Fronteiras e Localidades do Ducado

O Ducado de Castro abrangia uma área que se estendia do Mar Tirreno até o Lago Bolsena. Era delimitado pelos rios Marta e Fiora, seguindo pelo afluente Olpetae até o lago de Mezzano. Incluía o Ducado de Latera e o Condado de Ronciglione. A capital, Castro, era estrategicamente localizada. O ducado compreendia diversas localidades atuais, como Montalto, Canino, Cellere, Valentano, Ronciglione, Caprarola, Nepi, entre outras, além das ilhas de Bisentina e Martana.

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Castro: A Capital Ducal

Imagem: jl.cernadas · BY · Openverse

Castro, a capital e residência dos duques, era uma antiga cidade situada perto do rio Fiora, no coração da Etrúria meridional, na Maremma do Lácio. Hoje, seus vestígios estão no território da comuna de Ischia di Castro, Província de Viterbo. A cidade foi completamente destruída em 1649, após um cerco e a deportação de seus habitantes. Suas origens remontam à pré-história, com vestígios encontrados em Chiusa del Vescovo e Infernaccio. Os etruscos estabeleceram uma cidade ali, possivelmente Statonia, com necrópoles e esculturas notáveis, como a Tomba della Biga. Na Idade Média, foi conhecida como Castrum Felicitatis e cresceu, obtendo autonomia comunal sob proteção papal contra senhores toscanos e ametinos.

A Beleza e Arquitetura de Castro

Visitantes como o historiador Annibale Caro descreveram a beleza de Castro. A cidade, situada no topo de uma colina, era acessada por uma ponte de dois arcos. A Piazza Maggiore, no centro, abrigava um fontanário, a casa da moeda e a 'hostaria' (Palazzo del Duca in Piazza), destinada a hospedar os convidados do duque. Palácios de cidadãos importantes cercavam a praça. Os planos do palácio ducal, de Giuliano da Sangallo, revelam uma construção que mesclava características de fortaleza seiscentista e palácio de luxo setecentista. Castro se destacava por suas ruas e palácios de tijolos, uma raridade no século XVI.

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O Declínio do Ducado de Castro

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Após a criação do Ducado de Parma e Placência em 1545, os Farnésio dividiram suas atenções entre os dois ducados. Pedro Luís cedeu Castro a seu filho Octávio Farnésio, e após sua morte, o ducado passou para o irmão mais novo, Horácio Farnésio. Com a morte de Horácio sem descendência, Castro retornou a Octávio. Seu filho, Alexandre Farnésio, nunca visitou o ducado, pois vivia no norte da Europa como governador dos Países Baixos espanhóis. O declínio financeiro começou com Ranúncio I Farnésio, filho de Alexandre, que herdou uma situação catastrófica. Seu sucessor, Eduardo I Farnésio, agravou a crise ao declarar guerra à Espanha sem consultar o Papa Urbano VIII, enfraquecendo ainda mais sua posição e levando-o a hipotecar o ducado para obter um empréstimo do papa.

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As Guerras de Castro

As Guerras de Castro foram conflitos que levaram à eventual destruição do ducado, impulsionados pela política expansionista dos Barberini e a situação financeira precária dos Farnésio.

A Primeira Guerra de Castro

As causas da primeira guerra residem na política expansionista da família Barberini, que via Eduardo Farnésio como um obstáculo. Aproveitando a localização do Ducado de Castro em territórios do patrimônio de São Pedro, o Papa Urbano VIII (Maffeo Barberini) e seus sobrinhos, os cardeais Francesco e Antonio Barberini, buscaram subtrair privilégios e posses dos Farnésio. Após uma tentativa frustrada de compra, os Barberini usaram outros meios para pressionar Eduardo. Em 1639, banqueiros e o prefeito de Roma, Taddeo Barberini, denunciaram os lucros do ducado, exigiram a redução do preço dos cereais e negaram a Eduardo os ganhos acordados. Isso colocou o duque em uma situação financeira insustentável, com credores exigindo o pagamento de empréstimos concedidos com base em futuras rendas do ducado.

A Segunda Guerra de Castro

Com a morte de Eduardo em 1646, seu filho primogênito, Rainúncio II Farnésio, de 16 anos, herdou dívidas elevadas e as consequências de uma guerra recém-terminada. Durante as negociações para a nomeação de um novo bispo, o Papa Urbano VIII faleceu, sendo sucedido por Inocêncio X (Giovanni Antonio Facchinetti), cuja família era credora dos Farnésio. Em 17 de abril de 1648, Inocêncio X nomeou Monsenhor Cristoforo Giarda bispo de Castro, sem consultar Rainúncio. O duque proibiu a entrada do bispo até que um acordo com Roma fosse alcançado. Após um ano de impasse, o papa ordenou que o bispo tomasse posse. Em 18 de março de 1649, Giarda foi emboscado e assassinado na estrada de Roma para Castro, perto de Monterosi. Inocêncio X atribuiu imediatamente a responsabilidade a Rainúncio, ordenando um processo para investigar o homicídio, o que culminou na decisão de atacar o ducado.

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A Destruição de Castro

Imagem: Rubén Díaz Caviedes · BY-SA · Openverse

Após o cerco e a decisão papal, a cidade de Castro foi completamente destruída em 1649. A sede do bispado foi transferida para Acquapendente. Os tesouros artísticos da cidade foram dispersos entre famílias nobres romanas; por exemplo, os sinos da catedral estão hoje na igreja de Sant'Agnese, em Roma, e o simulacro de Maria Imaculada da catedral foi levado para uma igreja em Acquapendente. Em 1985, o historiador Romualdo Luzi publicou o texto inédito 'Giornale' dell'Assedio, presa e demolizione di Castro (1649) dopo l'assassinio del Vescovo barnabita Mons. Cristoforo Giarda. Este manuscrito, rico em informações, detalha a demolição e o transporte de artilharia e 'outras munições' para Civitavecchia, cobrindo o período de 1º de junho a 3 de dezembro daquele terrível ano.

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"Qui fu Castro": O Memorial Perdido

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Um memorando enviado pelo Cardeal Barberini ao Papa Inocêncio X menciona a intenção de espalhar sal sobre as ruínas de Castro e erguer uma pirâmide com a inscrição "Aqui foi Castro". No entanto, nenhum vestígio desse memorial foi jamais encontrado, permanecendo uma parte enigmática da história da destruição da cidade.

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O Milagre de Castro

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Em 1649, durante a destruição de Castro pelos soldados pontifícios, dois operários relataram que seus braços foram paralisados por uma força misteriosa ao tentar demolir uma pequena capela no lado oeste da cidade. A capela continha pinturas de Jesus Cristo na cruz, da Virgem e de Santo Antônio. Após falharem com picaretas e pólvora, a destruição da capela foi impedida por essa força, o que foi interpretado como um milagre. Por meses, os habitantes de Castro visitaram a capela para rezar. Em 1655, o cardeal Spinosa ordenou que as pinturas fossem levadas para sua residência em Roma, mas na manhã seguinte, elas reapareceram na capela. A Igreja reconheceu os eventos como miraculosos, e um santuário foi construído no local em 1871.

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Tentativas de Recuperação e Anexação ao Papado

Imagem: Rubén Díaz Caviedes · BY-SA · Openverse

Com o apoio do rei da Espanha e do grão-duque da Toscana, Rainúncio II reconheceu sua incapacidade de quitar as dívidas da família. Em 19 de dezembro de 1649, ele cedeu os bens e direitos sobre o ducado à Câmara Apostólica por 1.629.750 escudos. Em troca, a Câmara Apostólica assumiu todas as dívidas dos Farnésio e concedeu a Rainúncio a opção de reaquisição do patrimônio, caso reembolsasse o valor total em uma única parcela dentro de oito anos. O Palácio Farnésio em Roma e a Villa Farnésio em Caprarola foram excluídos desse acordo. Ao final do prazo, Rainúncio não conseguiu reunir a soma necessária, e o Papa Alexandre VII, pela bula de 24 de janeiro de 1660, declarou o ducado 'De non infeudandis', ou seja, definitivamente reunido à Santa Sé. Em 1664, com a ajuda do rei Luís XIV da França, foi concedida uma prorrogação de mais oito anos, com a possibilidade de pagamento em duas parcelas. Contudo, devido à precária situação econômica da Casa de Farnésio, essa prorrogação também se mostrou infrutífera, selando o destino do Ducado de Castro.

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