Ducado de Benevento
O Ducato de Benevento foi um Estado que existiu na península Itálica após a queda do Império Romano do Ocidente. Este ducado, assim como o Ducado de Espoleto e o chamado Reino Lombardo, estava sob domínio dos lombardos. Constituía o extremo meridional do domínio lombardo na Itália e tinha como capital a antiga cidade de Benevento.
As circunstâncias da constituição do ducado são ainda debatidas entre os historiadores, uma vez que a fonte principal, Paulo Diácono, escreveu cerca de dois séculos depois dos eventos e é obscuro a respeito. A data de fundação permanece de fato controversa porque as notícias a respeito contrastam com os primeiros tempos da entrada dos lombardos na península Itálica, que segundo alguns teriam estado presentes no Mezzogiorno bem antes da completa conquista da vale do rio Pó, no norte da península. Em todo caso, a fundação do ducado é aceita como 576 e os lombardos teriam chegado somente em seguida, por volta de 590. O que é certo é que o primeiro duque foi Zoto, comandante de uma horda de soldados que estava vindo ao sul da península ao longo da costa da Campânia. O ducado foi constituído como entidade estatal independente, mas logo Zoto foi obrigado a submeter-se à autoridade real constituída no norte da Itália ( Reino Lombardo). Foi sucedido pelo sobrinho Arequi Del Zoto, tornando-se Arequi I, que com a sua ascensão ao poder inaugurou a adoção do princípio de sucessão hereditária, quase inexistente na cultura política lombarda.
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No reinado dos sucessores de Zoto, o ducado começou a expandir-se às custas do Império Bizantino. O rei Arequi Del Zoto ou Arequi II, proveniente do ducado do Friul, submeteu ao domínio de Benevento as cidades de Cápua e Crotone, saqueou a bizantina Amalfi, mas não conseguiu apossar-se de Nápoles. Quando ele morreu, as possessões bizantinas no sul da Itália estavam notavelmente reduzidas. Ao Império Bizantino restavam somente Nápoles, Amalfi, Gaeta, Sorrento, parte da Calábria e as cidades marítimas da Apúlia (Bari, Brindisi, Otranto). Em 662, o duque Grimualdo (no poder desde 647) foi ao reino do norte em apoio ao rei Godeberto, em luta com o irmão Bertarido, seu co-regente. Grimualdo compreendeu bem a ocasião que se lhe oferecia e, abandonando os pactos e as alianças, matou ambos irmãos e conquistou Pávia, tornando-se rei dos lombardos. Nestes anos tentou promover o arianismo às custas do catolicismo, difundido pelo último rei Ariperto I. Mas o arianismo estava já perdendo força também no seu ducado, perdendo assim aquela característica que distinguia a minoria étnica lombarda e a população de língua latina. O catolicismo favoreceu a fusão dos dois componentes e a formação de uma consciência nacional única.
Em 758, os atritos entre as partes meridional e setentrional do domínio lombardo se acumularam. As cidades de Espoleto e Benevento foram ocupadas durante um certo período por Desidério, mas com a derrota deste último e a conquista do reino lombardo pelo rei franco Carlos Magno (774), o trono lombardo ficou vago. O duque Arequi II pensou em aproveitar a situação e tentar um golpe para apossar-se da coroa. Mas o empreendimento se revelou rapidamente impraticável, sobretudo porque deste modo o Duque Arequi II teria atraído a si mesmo a atenção dos francos, expondo-se a fáceis perigos. O duque não perdeu a ocasião de aumentar a própria dignidade e atribuiu-se o título de Príncipe, elevando o seu domínio a Principado. A sua ascensão deveria porém interromper-se: em 787 o assédio de Salerno por Carlos Magno o obrigou a submeter-se ao domínio dos francos. Neste período Benevento foi indicada por um cronista com o apelativo de Ticinum geminum (gêmea do Ticino): na prática, foi considerada uma segunda Pávia. A cidade teve efetivamente importantes intervenções de ampliação: Arequi expandiu a velha cidade romana, estendendo novos muros e fortificações também na parte sudoeste da cidade. Lá o príncipe pôs ao solo as velhas construções e edificou um novo palácio principesco, cuja parte interna é ainda hoje visível na parte da acrópole chamada Piano di Corte. Como os seus inimigos bizantinos, os duques integraram na arquitetura do palácio à sua igreja nacional, a de Santa Sofia.
Os primeiros decênios do século XI viram Benevento declinar muito mais rapidamente que outros ducados como Salerno, então em posição de absoluta predominância, ou Cápua. O imperador Henrique II, em 1022, conquistou Cápua e Benevento, mas foi obrigado a um rápido retorno à Alemanha depois do assédio de Troia. Foram estes os anos da chegada dos normandos ao sul da Península Itálica. Benevento, que havia aceitado a submissão aos Estados Pontifícios, foi para esses somente um fraco aliado. O duque de Benevento, todavia, tinha então bastante prestígio para poder mandar seu filho, Atenolfo, comandar a rebelião normando-lombarda na Apúlia. Em realidade, foi um desastre: Atenolfo abandonou repentinamente o empreendimento e Benevento perdeu então tudo o que restava de sua influência.
Roberto Guiscardo conquistou Benevento em 1053 e declarou a submissão formal ao papado. De Roma foi nomeada uma série de duques lombardos menores até 1078, quando a Santa Sé deu o governo do principado ao próprio Guiscardo. Mas já em 1081, o governo foi restituído novamente ao papado. Benevento foi reduzida dali em diante a uma pequena cidade marginal e isto era tudo que restava de um principado uma vez poderoso, capaz de determinar a rota da política no Mezzogiorno por muitas gerações. Deste momento em diante não foram mais nomeados duques nem príncipes. Somente em 1806, depois da conquista de Benevento por Napoleão, o título de duque foi atribuído ao príncipe Charles Maurice de Talleyrand. Mas o título não tinha nenhum significado concreto e desapareceu com Napoleão em 1815. Benevento permaneceu como domínio pontifício até a unificação italiana em 1861.


