Doutor
Doutor é um título, e ao mesmo tempo, o grau acadêmico mais elevado na maioria dos sistemas de ensino, e nesse caso, é adquirido através do doutorado, e comprova a capacidade de desenvolver investigação ou docência num determinado campo da ciência.
Imagem: Universidade Lusíada de Lisboa · BY-NC-SA · Openverse
A palavra doutor vem do Latim, doctor (junção de docere + sufixo tor), que pode ser traduzida de forma literal como aquele que ensina, ou popularmente na língua portuguesa como professor.
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Durante o Estado Novo, em Portugal, o termo doutor era usado como tratamento de respeito, mesmo para quem não tinha doutorado. Em áreas rurais ou menos desenvolvidas, agentes do governo eram tratados como "doutor" em reconhecimento à sua autoridade e conhecimento, refletindo a valorização da instrução e da autoridade, independentemente da formação acadêmica. O termo doutor também é usado no Brasil, tanto como nos outros países lusófonos para referir-se à pessoas com notável conhecimento.
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No Brasil
No Brasil, esse termo foi empregado como axiônimo, uma forma de respeito/reverência a alguma pessoa presente no discurso; quando nos referimos a algum indivíduo, que ao invés de utilizar o pronome você ou tu como empregado em algumas regiões do Brasil, empregamos informalmente o tratamento "doutor" como por exemplo: "O doutor deseja alguma coisa?". Tanto no Brasil quanto em Portugal a palavra é usada também como forma de tratamento informal para vários profissionais como advogados e médicos. Mas este informalismo é baseado nas resoluções dos conselhos de classes. Porém estes conselhos não têm poder para legislar (não criam/editam leis federais), continuando como um tratamento informal, além de não serem seguidas pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e pelo Manual de Redação da Presidência da República. Um possível equívoco proveniente de má interpretação da Lei do Império de 11 de agosto de 1827 que "outorgou o tratamento de doutor aos bacharéis em direito e exercício regular da profissão". Também há uma lei parecida para graduados em medicina, o artigo 26 da Lei 3 de outubro de 1832, cujo conteúdo tem sido distorcido.
Em Portugal
E em Portugal qualquer pessoa que concluiu um curso superior tem o tratamento como doutor.
Os requisitos para a obtenção do grau de Doutor variam significativamente de país para país. A seguir, apresenta-se uma breve descrição sobre esses requisitos em diferentes países representativos da América e Europa. Na Itália, todo egresso de um curso de graduação (laurea) recebe o título de dottore, devido a uma lei real de 1938. O equivalente ao doutorado no Brasil chama-se dottorato di ricerca (doutorado de pesquisa), que, por sua vez, confere o título de dottore di ricerca. A abreviatura em italiano para Doutor é Dott. ou Dr. Porém, especificamente para o dottore di Ricerca, é quase unânime o uso de PhD, como nos países anglo-saxões, para se diferenciar daqueles que têm apenas a graduação.
Brasil
A designação "doutor" no meio acadêmico e a sua respectiva titulação é oficialmente atribuído a pessoas que concluíram com sucesso um programa de doutorado (também chamado "doutoramento"), o que normalmente requer no mínimo três anos de estudo integral após diploma de graduação. A estrutura dos cursos de doutorado no Brasil assemelha-se mais ao modelo norte-americano do que ao europeu. Em geral, se exige que o candidato ao doutorado acumule um número mínimo de créditos acadêmicos obtidos por aprovação em disciplinas de pós-graduação. Aprovação em dois exames de proficiência em língua estrangeira, respectivamente em inglês e em um segundo idioma, e aprovação em um exame de qualificação de doutorado são também exigidas de todos os candidatos antes da defesa final da tese.
Portugal
Em Portugal (assim como na Itália, conforme abaixo), qualquer pessoa com curso superior pode ser chamado de doutor. É atribuído por uma universidade ou outro estabelecimento de ensino superior autorizado, em regra após a defesa de uma tese, ato que pode ser antecedido pela frequência a um curso de Doutorado. Em Portugal, a atribuição do grau académico de doutor é regulada pelo Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de março
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o doutorado tradicional por pesquisa (research doctorate) requer a conclusão de um trabalho extenso de investigação científica que represente uma contribuição original e significativa ao estado atual do conhecimento na área de estudos em que o trabalho se insere. O grau mais comum de doutorado por pesquisa nos Estados Unidos é o de Philosophiæ Doctor (Ph.D.) ou Doctor of Philosophy, literalmente traduzido como "Doutor de Filosofia", mas concedido na realidade em praticamente todas as áreas de conhecimento, incluindo engenharia, computação, matemática e estatística, ciências naturais, ciências sociais e humanas, além de filosofia propriamente dita.
Reino Unido
Como nos Estados Unidos, a conclusão de um programa de doutorado por pesquisa em qualquer área de estudos leva à obtenção no Reino Unido do grau de Doctor of Philosophy, abreviado em inglês britânico PhD ou, mais raramente, DPhil. Duas condições necessárias para a concessão do grau britânico de PhD são a aprovação do candidato em um exame oral final e a submissão de uma tese longa de pesquisa cujos resultados devem ser passíveis de publicação externa em periódicos indexados com revisão por pares e devem representar uma contribuição original substancial ao conhecimento na sua respectiva área.
Alemanha
O conceito moderno de "doutorado de pesquisa" surgiu na Alemanha, de onde foi exportado primeiro para os Estados Unidos (na segunda metade do século XIX) e posteriormente para a Inglaterra (apenas na primeira metade do século XX). Nos dias de hoje, o doutorado de pesquisa continua sendo a principal modalidade de doutorado outorgado pelas universidades alemãs, embora existam também doutorados honorários (Dr.h.c.) que não exigem a conclusão de um trabalho original de pesquisa, a submissão de uma tese de doutoramento e um exame final do candidato. Ao contrário dos Estados Unidos, inexistem na Alemanha "doutorados profissionais", por exemplo em direito e medicina, e profissionais dessas áreas não usam normalmente o título de doutor, a não ser que concluam adicionalmente um programa de doutorado por pesquisa, o que é bastante usual principalmente entre os médicos (Ärzte).
França
No sistema antigo criado pela reforma universitária de 1974, distinguiam-se, na França, os chamados "doutorados inferiores", como o Doctorat de Troisième Cycle, e o doutorado superior, denominado Doctorat d'État. O Doctorat de Troisième Cycle, literalmente traduzido "doutorado de terceiro ciclo", mas considerado na realidade equivalente apenas a um grau norte-americano de Master of Science (M.S.) ou Master of Arts (M.A.), era obtido normalmente dois anos após a conclusão de um curso superior inicial de quatro anos (levando aos graus de Licence após os três primeiros anos e Maîtrise após o quarto ano). O primeiro ano do chamado "terceiro ciclo" era constituído de disciplinas levando à obtenção de um Diplôme d'études approfondies ("diploma de estudos aprofundados", abreviado D.E.A). No segundo ano, o aluno desenvolvia e defendia uma tese que, como um mestrado anglo-americano, devia evidenciar domínio da área de estudo escolhida e familiaridade com técnicas de pesquisa, mas que não precisava representar, como no doutorado de pesquisa alemão, americano ou britânico, uma contribuição original e significativa ao estado atual do conhecimento.


