Domingos dos Reis Quita
Domingos dos Reis Quita foi um poeta português de origens humildes. Quita foi participante ativo da Arcádia Lusitana, que visava uma reforma na poesia e na mentalidade da sociedade portuguesa da época, bem como representante do bucolismo.
Imagem: DomingasQuita · BY-SA · Openverse
Domingos dos Reis Quita foi um poeta português nascido a 6 de janeiro de 1728 na freguesia de São Sebastião da Pedreira em Lisboa, Portugal. Quita era filho de um comerciante de panos brancos que, com essa ocupação sustentava os seus seis filhos e a sua esposa Maria Rosária. José Fernandes Quita, seu pai, partiu para o Brasil em 1735, com a intenção de melhorar as condições de vida da sua família, uma vez que o comércio passava por dificuldades. Do Brasil, enviava alguns recursos para a sua esposa e filhos que permaneciam em Lisboa. Eventualmente esses recursos cessaram e então, com 13 anos, Domingos dos Reis Quita voltou-se para o trabalho. Sem estudos, começou a exercer a profissão de cabeleireiro, uma profissão bem paga na época. Esta ocupação permitiu-lhe o contacto com pessoas importantes e poderosas. Terão provavelmente sido essas conexões com pessoas cultas e estudadas, levaram-no a interessar-se pela poesia. Nos momentos de ócio na oficina começou a ler, seduzido por obras como Corte na Aldeia, A Primavera, Pastor Peregrino e Desenganado, entre outras.
Em 1761, Domingos dos Reis Quita encontrava-se gravemente doente. padecendo de tuberculose. Nesta altura, Dona Teresa Teodora de Aloim, sua amiga e eterno amor, faz de tudo para o ajudar. Quando a sua D.Teresa o acolhe em 1755, ainda estava casada com o seu primeiro marido, Tomás José Xavier Pimenta do qual fica viúva. Assim que Quita começou a adoecer em 1760, a Tirceia de Quita aceita casar com Dr. Baltasar Tara que, coincidentemente, era médico. Deste. modo, há quem pense que ela se terá casado com Dr. Baltasar para poder proporcionar o melhor tratamento possível para seu amigo Quita. Existem várias controvérsias no que diz respeito ao relacionamento de Quita com o Dr. Tara. Algumas fontes afirmam que o Dr. Tara o terá auxiliado durante toda a evolução da doença, fazendo com que Quita tenha vivido mais tempo do que o esperado. Em contrapartida, existem outras fontes que digam que o Dr. Tara na verdade o envenenou. No entanto, o mais provável é que seu "anfitrião" tenha cuidado dele, visto que ele viveu por mais 9 anos após ter ficado doente, acabando por morrer em 1770.
Quita foi representante do bucolismo. Escreveu as tragédias: Astarto. Mégara, Hermíone, Licore e Inês de Castro. Em 1766 dois livreiros publicaram dois volumes de obras de Quita, intitulados Obras Poéticas. Alegaram que era melhor fazê-lo para que as suas obras não se perdessem, mas devido ao facto de estar doente imagina-se que o tenham feito porque a terrível doença o aproximava da morte. Nesses dois volumes encontravam-se 35 Sonetos, 11 Éclogas, 10 Idílios e 5 Odes.A sua publicação causou inveja à qual Quita respondeu com um soneto: Após a sua morte, em 1781, a sua obra foi publicada novamente com a inclusão de textos inéditos. Mantiveram-se os dois volumes mas agora temos um conjunto de 77 Sonetos, 13 Éclogas, 19 Idílios, oito Odes, uma Elegia, uma Canção, uma epístola, um Epitalâmio, 1 Silva, 1 Poema, 1 Drama Pastoril e 4 tragédias. Esses de autoria do próprio Domingos dos Reis Quitas. Mais um Prólogo do Editor e um texto sobre a vida dele, Epítome da vida do Autor. Uma terceira edição foi feita em 1831 sem acrescentar textos, na verdade apenas retirando alguns da segunda edição.


