Doença de Huntington
A doença de Huntington ou coreia de Huntington é uma condição genética, hereditária e neurodegenerativa que afeta o sistema nervoso central. Os primeiros sintomas são geralmente problemas subtis a nível do humor ou das capacidades mentais. A estes sintomas segue-se falta de coordenação motora e locomoção instável.Os sintomas específicos podem variar entre as pessoas. Os sintomas geralmente têm início entre os 30 e 50 anos de idade, mas podem manifestar-se em qualquer idade. Cerca de 8% dos casos têm início antes dos 20 anos de idade e é comum manifestarem sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson.
Trata-se de doença hereditária, causada por uma mutação genética no cromossomo 4. Trata-se de doença autossômica dominante, então se um dos pais tem Huntington, os filhos tem 50% de chances de também desenvolverem a doença. Se um descendente não herdar o gene da doença, não a desenvolverá nem a transmitirá à geração seguinte. O DNA é constituído de substâncias químicas denominadas nucleotídeos. O indivíduo possuidor dessa desordem apresenta em seu material genético repetições anormais da sequência de bases nitrogenadas citosina, adenina e guanina (CAG), responsáveis pela codificação da glutamina. Numa pessoa sadia a sequência CAG é encontrada com repetições menores que 20; já em pessoas portadoras da doença de Huntington há sempre mais de 36 repetições, tornando assim o gene defeituoso. Estudos recentes indicam que essa região de poliglutamina interfere na interação normal entre uma região rica em glutamina do fator de transcrição chamado Sp1 e uma região rica em glutamina correspondente no "TAFII130", uma subunidade de um componente da maquinaria de transcrição chamado TFIID. Essa interferência dificulta a transcrição nos neurônios do cérebro, incluindo a transcrição do gene para o receptor de um neurotransmissor.
Imagem: Senado Federal · BY-NC · Openverse
O paciente de DH não morre da doença, mas das complicações oriundas destes sintomas e sequelas instaladas no decorrer da evolução da doença, que é lenta e fatal: tais como fraturas por quedas, desnutrição grave, por não conseguir deglutir, e outras
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O exame genético é determinante. O exame clínico é análise dos sintomas relatados e do histórico familiar da doença. Pode ser diagnosticado por exame genético no feto durante a gravidez.
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Desenvolve-se lentamente, provocando uma degeneração progressiva do cérebro, especialmente dos núcleos lenticulares. A sobrevida varia muito de indivíduo para indivíduo, mas geralmente é de cerca de 10-20 anos após o aparecimento do primeiro sintoma. A morte não é pela doença, mas sim, como consequência de problemas respiratórios (30%) ou cardíacos (25%) causados pela movimentação ineficiente da musculatura, por suicídio (7%) que tem um risco aumentado pelo quadro depressivo ou devido às lesões de quedas frequentes e por má nutrição. Tem a mesma probabilidade de se desenvolver em ambos os sexos. É muito mais comum entre os descendentes de europeus ocidentais, sendo raro em asiáticos e africanos.
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Há uma medicação específica para doença disponível no Brasil sendo aprovada pela ANVISA em 2021, a deutetrabenazina . A deutetrabenazina é uma modificação da já existente e utilizada medicação tetrabenazina, que também trata movimentos espamódicos, porém não desenvolvida especificamente para DH e com mais efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, outra medicação foi aprovada pela FDA (orgão similar a ANVISA no Brasil): a valbenazina em agosto de 2023. Ela já estava aprovada desde 2017 para outros acometimentos, mas em 2023 foi aprovado seu uso especificamente para DH. Embora essas medicações indiquem progresso sobre o manejo da doença, é importante levar em consideração o contexto de cada paciente, possíveis efeitos colaterais das medicações e interações medicamentosas, bem como o custo do tratamento, dado que podem ser também medicações de alto custo. A terapia gênica desenvolvida pela empresa uniQure apresentou em setembro de 2025 o seu estudo clínico em fase I/II, com humanos, com resultados positivos, reduzindo a velocidade de progressão da doença ao suprimir os genes que a causam. Esse foi um marco histórico de tratamento que vai além dos sintomas da doença. Há outras pesquisas em andamento no mesmo sentido: SKY-0515, votoplam, WVE-003 e tominersen.


