Djibuti
O Djibuti ou Jibuti, oficialmente República do Djibuti, é um pequeno país do nordeste de África, limitado a norte pela Eritreia, a leste pelo estreito de Babelmândebe, pelo golfo de Adem e pela Somália e a sul e oeste pela Etiópia, e fronteira marítima com Iémen a nordeste. A capital é Djibuti.
Djibuti é oficialmente conhecido como República do Djibuti. Nas línguas locais é conhecido como Gabuuti (em afar) e Jabuuti (em somali). O país recebeu o nome de sua capital, a cidade de Djibuti. A etimologia do nome é contestada. Existem várias teorias e lendas sobre sua origem, variando de acordo com a etnia. Uma teoria deriva da palavra afar gabouti, que significa "prato", possivelmente referindo-se às características geográficas da área. Outro o conecta a gabood, que significa "planalto/planalto". Djibuti também pode significar "Terra de Tehuti " ou "Terra de Tote (em egípcio: Djehuti/Djehuty)", em homenagem ao deus egípcio da lua.
Imagem: Armada Española · BY-NC-SA · Openverse
Primeiros habitantes, colonização e independência
O Djibuti foi habitado por povos vindos da Arábia no século III antes de Cristo, aproximadamente. Eles se estabeleceram ao norte e deles se originaram os afares. Vindos da Somália, os issas expulsaram esses primeiros habitantes e se estabeleceram na região litorânea. Na nossa era, mais precisamente em 852, chegaram novos agrupamentos árabes, que dominavam o comércio da região até o advento dos portugueses, no século XVI. Mas, os portugueses também perderam o interesse pela região, abandonando-a aos árabes quando seus interesses passaram a se concentrar no Oriente. Em 1888, foi estabelecida pela França a colônia denominada Costa Francesa dos Somalis, cuja capital foi Djibuti desde 1892. Na época teve início a construção da ferrovia como elo entre Djibuti e a Etiópia. A entrada ao interior se tornou possível devido às estradas construídas de 1924 até 1934. Na época da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1940, foi estabelecido no Djibuti um governo neutro, fazendo parte do regime francês de Vichy. Posteriormente, o porto de Assab, na Eritreia, ganhou mais importância do que o de Djibuti.
Últimas décadas do século XX
No início da década de 1980 agravaram-se as tensões entre as duas grandes comunidades étnicas do país, enquanto a chegada de refugiados das zonas de guerra próximas contribuía para piorar a situação socioeconômica já instável. Em 1987 realizaram-se pela segunda vez eleições presidenciais e legislativas, nas quais saiu vitorioso o único partido concorrente, a União Popular pelo Progresso (RPP). Em 1994, a Frente para a Restauração da Unidade e da Democracia (Frud), um grupo rebelde criado em 1991 pela união de três grupos que apoiavam os interesses do povo Afar, se dividiu. Uma facção negociou com o governo, enquanto outro setor manteve a guerra civil. Em 1996, a maior parte da Frud virou partido político e, em 1997, concorreu às eleições parlamentares em aliança com a governista RPP. A aliança obteve as 65 cadeiras do parlamento.
Século XXI
Em 2001, Dileita Mohamed Dileita passou a ser o primeiro-ministro. No ano seguinte, o país tornou-se base de ações internacionais contra o terrorismo. Nas eleições de 2003, a coalização governista elege os 65 parlamentares. Em 2005, o presidente Guelleh foi reeleito sem concorrentes. A oposição boicotou a reeleição, alegando falta de democracia na disputa. Observadores internacionais, porém, consideram boas as condições do pleito. Em maio de 2006, o governo do Djibuti registrou o primeiro caso humano de infecção pelo vírus da gripe aviária na região. Um relatório da Organização das Nações Unidas acusou o governo do Djibuti, em novembro, de violar o embargo de armas contra a Somália e fornecer armamento às milícias islâmicas que dominaram a capital, Mogadíscio.
Imagem: Armada Española · BY-NC-SA · Openverse
O território do Djibuti divide-se em três regiões principais. O litoral, banhado pelas águas do Babelmândebe e do golfo de Tadjura, não atinge mais de 200m de altitude sobre o nível do mar. No sul e centro do país, erguem-se mesetas vulcânicas que oscilam entre 500 e 2 000 m de altitude, às vezes margeadas por depressões e lagos. No norte, erguem-se as montanhas que caracterizam a terceira região, cujo ponto culminante é o monte vulcânico Mousa Ali, com 2 021 metros, que forma a tríplice fronteira do país com a Etiópia e a Eritreia. Em geral, toda a superfície do Djibuti é árida, recortada por depressões profundas e coberta de areais. Na zona montanhosa correm três riachos de leito arenoso, o Sadai, o Adaleyi e o Iboli. Um rio subterrâneo, o Ambouli, constitui importante fonte de fornecimento de água. O clima do Djibuti é tórrido, com temperaturas máximas diurnas que oscilam entre 29 °C em janeiro e 43 °C em julho. De novembro a abril há uma estação relativamente fresca, com temperaturas médias diurnas entre 22 °C e 30 °C. As chuvas, procedentes do oceano Índico, ocorrem desde o término do verão até o final de março, mas as precipitações só atingem 125 mm por ano no litoral e pouco mais de vinte milímetros no interior do país.
Os habitantes do Djibuti pertencem a dois grandes grupos étnicos: os issas, que compreendem quase metade da população, e os afares ou danakils, que representam dois quintos do total. Com eles convivem minorias de árabes e europeus. Os afares e os issas são tribos aparentadas que falam línguas de origem comum, compartilham hábitos nômades e praticam a religião islâmica. Os afares concentram-se no norte e no oeste do país e os issas, no sul. As línguas oficiais são o somali, francês e o árabe.
Religião
O islamismo foi declarado religião oficial do estado, mas as outras religiões gozam de uma liberdade considerável.
Imagem: Numismatic Coins & History · BY-NC-ND · Openverse
Este artigo é parte da série: Política e governo doDjibuti O Djibuti é governado pela atual constituição promulgada em 1992. O sistema de governo adotado no país é a república presidencialista. O chefe de estado é o atual presidente, Ismaïl Omar Guelleh. O atual primeiro-ministro, Abdoulkader Kamil Mohamed é o chefe de governo. O poder executivo é exercido pelo presidente e pelo primeiro-ministro, ambos eleitos por voto indireto para um mandato de cinco anos. O gabinete nomeado pelo presidente é composto de 16 ministérios, na qual os ministros auxiliam o presidente e o primeiro-ministro na administração do país. O poder legislativo é unicameral, exercido pela Assembleia Nacional, composta de 65 membros, eleitos por voto popular direto para um mandato de cinco anos. O poder judiciário é exercido pelas seguintes instâncias: Suprema Corte e Corte Constitucional. Os partidos políticos são organizados em duas diferentes coalizões: a primeira, União pela Maioria Presidencial (UMP) que compreende a União Popular pelo Progresso (RPP) e a Frente pela Restauração da Unidade e da Democracia (Frud); a segunda, União pela Alternância Democrática (UAD), da qual integram a Aliança Republicana pela Democracia (ARD) e o Partido da Renovação Democrática (PRD).
Relações internacionais
O Djibuti tem boas relações estabelecidas com os países vizinhos, com exceção da Eritreia, por causa da disputa de fronteira entre os dois países. O Djibuti é uma das nações membros da ONU, e pertencente a várias de suas sub-organizações, inclusive à Agência Internacional de Energia Atómica. O país é membro, ainda, da União Africana, OMC, Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica. Djibuti manteve-se neutro no conflito entre a Etiópia e a Eritreia, entre 1998 e 2000. A Eritreia rompeu as relações diplomáticas com Djibuti em 1998, no início da guerra, mas restabeleceu-as após a guerra. O Djibuti também apóia a integração total da Somália, onde não reconhece a Somalilândia como um Estado independente.
O Djibuti está dividido em cinco regiões e uma cidade, e subdividido em 11 distritos.
Regiões
A maior região é a região de Tadjourah e a segunda maior a de região de Dikhil. Todavia a mais importante é a cidade de Djibuti, que representa a capital política e financeira do estado africano.
Distritos
Os distritos que formam o país são onze e o maior é Yoboki, na região de Dikhil, o menor é o distrito de Djibuti, na região homónima.
Imagem: Numismatic Coins & History · BY-NC-ND · Openverse
A agricultura gera cinco por cento do produto interno bruto. Ao terminar a década de 1970, empreendeu-se um programa de perfuração de poços e de construção de sistemas de irrigação. Constitui atividade básica a criação de bovinos, ovinos, caprinos e camelinos. No litoral há modesta atividade pesqueira. A região do lago Assal dispõe de recursos geotérmicos. A principal atividade econômica do Djibuti é a reexportação de produtos de países africanos sem acesso para o mar. O porto da cidade do Djibuti foi muito prejudicado pelo fechamento do canal de Suez e pela interrupção do comércio ferroviário com a Etiópia, mas começou a se recuperar na década de 1980. Os produtos que transitam pelo Djibuti são café, sal, peles, legumes e cereais. O país importa a maior parte dos bens de consumo e de produção: máquinas, veículos, alimentos, produtos têxteis e derivados de petróleo, procedentes da França, Etiópia, Japão e vários países europeus.
Imagem: Berria · BY-SA · Openverse
Educação
Como resultado da Lei de Planejamento da Educação e da estratégia de ação de médio prazo, um progresso substancial foi registrado em todo o setor educacional. Em particular, as taxas de matrícula, frequência e retenção escolar aumentaram de forma constante, com alguma variação regional. De 2004 a 2008, as matrículas líquidas de meninas na escola primária aumentaram 18,6%; sendo que para os meninos o aumento registrado foi de 8,0%. As matrículas líquidas no ensino médio no mesmo período aumentaram 72,4% para as meninas e 52,2% para os meninos. No nível secundário, a taxa de aumento das matrículas líquidas foi de 49,8% para as meninas e 56,1% para os meninos.
Saúde
Em Djibuti, a esperança de vida ao nascer é de cerca de 64,7 anos. A fertilidade é de 2,35 filhos por mulher. Existem cerca de 18 médicos a cada 100.000 pessoas no país. Cerca de 93,1% das mulheres em Djibuti foram submetidas à mutilação genital feminina (circuncisão feminina), um costume pré-matrimonial endêmico, principalmente no Nordeste da África e em partes do Oriente Próximo. Embora legalmente proibido em 1994, o procedimento ainda é amplamente praticado, pois está profundamente enraizado na cultura local. Incentivada e realizada por mulheres na comunidade, a circuncisão tem como objetivo principal impedir a promiscuidade e oferecer proteção contra agressões.
Imagem: · BY-SA · Openverse
Os trajes tradicionais Djibutianos são próprios para o clima quente e árido, típico do país. Os homens vestem uma roupa vagamente embrulhada que vai até os joelhos, junto a um roupão de algodão ao longo dos ombros, similar a uma toga romana. As mulheres vestem saias longas, tipicamente tingidas de marrom. Mulheres casadas vestem um pano sobre a cabeça, às vezes também abrangendo a parte de cima de seus corpos. Mulheres que não são casadas não são obrigadas a cobrir a cabeça. O vestido tradicional árabe é usado estritamente durante festivais religiosos, especialmente na preparação do haje. Para algumas ocasiões, as mulheres também podem se adornar com joias.[carece de fontes?] A tradição cultural é, na maioria das vezes transmitida oralmente, principalmente em músicas. Usando sua linguagem nativa, essas pessoas podem cantar ou dançar falando de uma história. Muitos exemplos da influência árabe e francesa pode ser notada nos edifícios.


