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Disputa por pênaltis

No futebol, a disputa por pênaltis (português brasileiro) ou penáltis (português europeu), penalidades máximas, grandes penalidades ou simplesmente pênaltis (português brasileiro) ou penáltis (português europeu), é um método de desempate empregado quando uma partida que não pode terminar empatada termina com o placar em igualdade entre as duas equipes após o tempo normal e também na prorrogação, caso esta tenha sido utilizada.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Visão geral

Imagem: midianinja · BY-NC · Openverse

De acordo com o capítulo dez ("A determinação do resultado de um jogo"), do Laws of the Game (Regras do Jogo, em português), guia da International Football Association Board (IFAB), órgão oficial que regulamenta as regras praticadas no futebol profissional, a disputa de pênaltis é um dos três critérios de desempate empregados caso uma partida entre duas equipes termine empatada e o regulamento da competição exigir que uma delas seja declarada vencedora – algo comum em fases de torneios de "mata-mata", como a Copa do Mundo da FIFA. Neste caso, são exercidos primeiramente os critérios de regra do gol fora de casa e então a prorrogação (caso existam no regulamento da competição); se porventura essas medidas também terminarem empatadas, o vencedor deverá ser então definido em uma disputa de pênaltis.(p.89) A equipe que triunfar se classificará para a próxima fase do torneio, ou, caso a partida seja uma final, será declarada como campeã, enquanto a equipe perdedora estará eliminada, embora o resultado final de um jogo decidido nos pênaltis seja considerado pela FIFA oficialmente como empate. Gols marcados em uma disputa de pênaltis não são contabilizados como gols para os cobradores e nem para o time, e são registrados separadamente dos gols marcados durante o jogo normal (incluindo prorrogação, se houver).

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Procedimento e regras

A seguir está um resumo do procedimento que a arbitragem da partida deve seguir para coordenar a disputa de pênaltis, de acordo com o Laws of the Game.(p.89–91) Ainda de acordo com o Laws of the Game, as seguintes regras deverão ser impostas:(p.89–93)

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História

Antes da introdução da disputa por pênaltis, partidas eliminatórias terminadas empatadas após a prorrogação eram decididas por um jogo extra ou por sorteio;[nota 1] entretanto, variações da atual disputa por pênaltis chegaram a ser usadas em competições menores antes da implementação definitiva. Alguns exemplos incluem a Copa da Iugoslávia de 1952 e a Copa da Itália da temporada 1958–59. O israelense Yosef Dagan é reconhecido por propor o sistema de disputa de pênaltis moderno, tendo convencido a Associação de Futebol de Israel a experimentar o formato na Copa de Israel em 1965. Após a derrota da seleção nacional de seu país para a Bulgária em um sorteio de desempate nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, Michael Almog, que viria a presidir a referida associação, se interessou pela ideia de Dagan e juntos eles enviaram uma proposta para a FIFA em agosto de 1969. Koe Ewe Teik, membro da Comissão de Árbitros da Malásia, liderou a aceitação do sistema dentro da FIFA. A entidade máxima do futebol reuniu-se na Escócia e acatou o pedido. O anúncio geral do novo sistema se deu em 27 de junho de 1970.(p.6)

Implementação

A primeira disputa de pênaltis realizada em uma partida profissional ocorreu em agosto de 1970, na Inglaterra, pela extinta Copa Watney, torneio de pré-temporada que reunia clubes das quatro primeiras divisões do Campeonato Inglês. O Manchester United eliminou o Hull City por 4–3 após a partida ter terminado empatada por 1–1 no tempo normal e na prorrogação. O atacante norte-irlandês do Manchester United George Best foi o primeiro jogador a cobrar e converter um pênalti numa disputa, e o primeiro a desperdiçar uma cobrança foi seu companheiro de equipe, o escocês Denis Law, que teve seu chute defendido pelo goleiro do Hull City, Ian McKechnie, compatriota de Law.

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Alternativas

Alguns torneios já criaram suas próprias regras para evitar que partidas terminassem empatadas. A MLS, principal liga de futebol dos Estados Unidos, tinha no regulamento que uma partida empatada deveria ser decidida em um chamado "shootout". Ao invés de cobrar uma penalidade em um tiro direto, o modo consistia em posicionar o cobrador com a bola a 32 metros do gol, e ele teria cinco segundos para se aproximar da meta e marcar o gol. A prática foi abolida em 1999. Na edição de 2001 do Campeonato Paulista, a Federação Paulista de Futebol determinou que resultados que terminassem sem gols levariam a uma disputa de pênaltis; o vencedor receberia um ponto. Em caso de empate com gols, o ganhador receberia dois. Uma definição por pênaltis também pode ser combinada antes de uma partida caso não esteja contemplada no regulamento de uma competição, tal como ocorreu no Torneio Sul-Americano Pré-olímpico sub-23 de 2000, entre as seleções da Argentina e do Chile: como ambas as seleções tinham o mesmo número de pontos, gols a favor e gols contra, pediram à CONMEBOL que, em caso de empate, a partida fosse resolvida nos pênaltis. O pedido que foi acatado pela entidade, com consentimento da FIFA.

Regra do gol(o) fora de casa

A regra do gol fora de casa, aplicada em competições de mata-mata onde há jogos com ida e volta, prevê que caso os saldos totais de gols marcado pelas duas equipes seja igual, o time que marcou mais gols fora de casa (isto é, não sendo mandante da partida) é declarado o vencedor. Entretanto, a regra do gol fora de casa vem sendo desprezada nos últimos anos em vários torneios. Desde 2015, a CBF aboliu a regra em finais da Copa do Brasil; em 2018, a entidade a eliminou de todas as fases da competição. Da mesma maneira, em 2021, tanto a UEFA quanto a CONMEBOL excluíram a regra de suas competições; as alterações começaram a valer a partir da temporada seguinte.

Morte súbita

A morte súbita foi um método introduzido pela FIFA oficialmente em 1993, buscando diminuir a quantidade de prorrogações que terminavam em disputas por pênaltis. A regra dizia que, após o fim do tempo normal, dois períodos de quinze minutos (prorrogação) seriam jogados, e se uma equipe marcasse um gol nesse período, ela seria considerada vencedora e a partida terminaria imediatamente. Ficou popularmente conhecida como "gol de ouro" (em inglês: golden goal). Na temporada de 2002–03, a UEFA apresentou uma nova regra, o "gol de prata" (em inglês: silver goal), onde se um time marcasse um gol e terminasse o primeiro tempo da prorrogação à frente no placar seria considerado vencedor, mas o jogo não terminaria mais logo após o gol marcado.

Formato "ABBA"

Em 2010, um estudo realizado por Ignacio Palacios-Huerta, professor de Economia da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, afirmou que sessenta por cento das disputas de pênalti eram vencidas pela equipe que batia o primeiro pênalti. Para contornar essa desvantagem, Palacios-Huerta sugeriu que a Sequência de Thue-Morse fosse utilizada. Como parte de um experimento para reduzir essa suposta superioridade, a IFAB sancionou, em março de 2017, um novo formato para a sequência de cobradores, sendo inspirado no formato do tie-break do Tênis. O órgão corroborou a ideia de Palacios-Huerta e alegou que o sistema atual dava uma "vantagem injusta" ao time que assumisse a primeira cobrança. Esse novo formato foi denominado como "ABBA" e funcionaria da seguinte forma:

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Críticas

Como forma de decidir uma partida de futebol, os pênaltis têm sido vistos de maneiras diferentes. Paul Doyle, jornalista irlandês, descreveu-os como "emocionantes e cheios de suspense" e a disputa da final da Liga dos Campeões da UEFA de 2008 como "a maneira perfeita de terminar uma final maravilhosa". Richard Williams, jornalista inglês, comparou o método de desempate como "um açoite público numa praça do mercado". Em 2006, após a final entre Itália e França ter sido resolvida na marca da cal, o então presidente da FIFA, o suíço Joseph Blatter, declarou que não queria mais definições por pênaltis em uma final de Copa do Mundo, chamando o método de "tragédia" e afirmando que "o futebol é um jogo coletivo, e a disputa de pênaltis gira em torno do individual". Geralmente as disputas de pênaltis são vistas como uma "loteria" ao invés de um teste de habilidade. Treinadores como Luiz Felipe Scolari, Roberto Donadoni e Carlo Ancelotti, além de jogadores como Franco Baresi já afirmaram essa perspectiva em entrevistas. Entretanto, vários veículos da imprensa e pesquisadores discordam desse pensamento, atribuindo a vitória nas disputas à preparação mental e a técnicas que podem ser utilizadas para um melhor aproveitamento nas cobranças.

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Fontes consultadas

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