The Walt Disney Company
The Walt Disney Company, conhecida simplesmente como Disney, é uma companhia multinacional estadunidense de mídia de massa sediada no Walt Disney Studios, em Burbank, Califórnia. Em dezembro de 2017 após a compra da 21st Century Fox, a empresa se tornou o maior conglomerado de mídia e entretenimento do planeta por receita, passando assim a Comcast.
Em abril de 2007, a Muppets Holding Company foi renomeada para The Muppets Studios e colocada sob nova liderança, em um esforço de Iger para re-marcar a divisão. A remodelação foi concluída em setembro de 2008, quando o controle do Muppets Studios, que estava na Disney Consumer Products, foi para o Walt Disney Studios. Depois de um longo tempo de trabalho na empresa como executivo sênior e grande acionista, Roy E. Disney morreu de câncer de estômago em 16 de dezembro de 2009. No momento da sua morte, possuía cerca de 1% das ações da Disney. Ele foi o último membro da família Disney a participar ativamente da empresa. Em 31 de agosto de 2009, a Disney anunciou um acordo para adquirir a Marvel Entertainment, Inc. por US$ 4 bilhões. O acordo foi finalizado em 31 de dezembro de 2009, quando a Disney adquiriu a propriedade plena sobre a empresa. A Disney afirmou que sua aquisição da Marvel Entertainment não afetará produtos da Marvel, nem tampouco a natureza de seus personagens.
Era Walt Disney (1923-1964)
No início de 1923, em Kansas City, Missouri, o animador Walt Disney criou um curta-metragem intitulado Alice's Wonderland, que contou com a atriz mirim Virginia Davis interagindo com personagens animados. Em 1923, após a falência de sua primeira firma, a Laugh-O-Gram Films, Walt Disney mudou-se para Hollywood para se juntar a seu irmão, Roy O. Disney. A distribuidora de filmes, Margaret J. Winkler, da MJ Winkler Productions contactou Disney, com planos para distribuir uma série de Alice Comedies, comprada por 1,5 mil dólares por carretel com Walt Disney sendo um parceiro de produção. Walt e Roy Disney formaram no mesmo ano a Disney Brothers Animation Studios. Outros filmes animados seguiram depois de Alice. Em janeiro de 1926, com a conclusão da expansão do estúdio Disney na Hyperion Street, o nome do estúdio foi alterado para Walt Disney Studios.
Era Roy O. Disney: Morte de Walt Disney e a abertura do Walt Disney World (1964–1971)
Em 15 de dezembro de 1966, Walt Disney morreu de complicações relacionadas a um câncer de pulmão. Seu irmão, Roy O. Disney, tomou posse como presidente e CEO da empresa e um de seus primeiros atos foi renomear a Disney World para Walt Disney World em homenagem ao seu irmão e à sua visão. Em 1967, foram lançados os dois últimos filmes que Walt supervisionou: a animação Mogli e o musical The Happiest Millionaire. O estúdio lançou uma série de comédias no fim dos anos 60, incluindo The Love Bug (filme de maior bilheteria em 1969) e The Computer Wore Tennis Shoes (1969), estrelado por outra jovem descoberta da Disney, Kurt Russell. A década de 1970 começou com o lançamento do primeiro filme de animação "pós-Walt", Os Aristogatas, seguido de um retorno, em 1971, às fantasias musicais com Bedknobs and Broomsticks. Blackbeard's Ghost, outro filme de sucesso durante este período.
Era Donn Tatum (1971-1980): Decadência nos cinemas e novas lideranças
Apesar da Walt Disney Productions continuar lançando filmes para toda a família ao longo dos anos 1970, como Freaky Friday (1976), estes filmes não se saíram bem nas bilheterias como os anteriores e a grande maioria foi mal recebida pela crítica. O estúdio de animação entrou num período de recessão, lançando poucos longas nas décadas de 1970 e 1980, alguns com sucesso como Robin Hood (1973), The Rescuers (1977) e O Cão e a Raposa (1981). Como chefe do estúdio, Miller tentou fazer filmes voltados para o rentável mercado adolescente. Inspirado pela popularidade de Star Wars, o estúdio Disney produziu a aventura de ficção científica The Black Hole (O Buraco Negro), em 1979, que custou 20 milhões de dólares e não foi rentável nas bilheterias. O Buraco Negro foi a primeira produção da Disney classificada como PG nos Estados Unidos. A Disney se envolveu com o gênero horror em The Watcher in the Woods (1980) e financiou o inovador Tron, ambos com sucesso mínimo. Em 1977, Roy E. Disney, filho de Roy O. Disney, renuncia à companhia por diferenças criativas e, em 1979, Don Bluth, diretor do estúdio de animação, abandona a Disney junto com sua equipe criativa, agravando a crise.
Eras Card Walker (1980-1983) e Raymond Watson (1983-1984)
Em 1980, Tom Wilhite tornou-se o chefe do departamento de filmes e, com o objetivo de modernizá-lo, criou um departamento de vídeos da Disney. O curta de 1983 O Natal do Mickey Mouse deu origem a uma série de filmes de sucesso, como Something Wicked This Way Comes. Em 1982, o EPCOT é aberto no Walt Disney World na Flórida, seguido, em 1983, pela abertura da Tokyo Disneyland no Japão. No mesmo ano, a transmissão do Disney Channel na TV a cabo americana começa. Em 1980, o genro de Disney, Ron W. Miller, tornou-se presidente da Walt Disney Productions, vindo a ser tornar CEO em 1983. Sob sua liderança, a Disney tornou-se alvo de assaltantes corporativos e tentativas de aquisição. Muitos acionistas influentes passaram a criticar a liderança de Miller, incluindo Roy E. Disney, que era membro permanente do Conselho. Apesar do sucesso do Disney Channel e suas novas criações de parques temáticos, a Walt Disney Productions estava financeiramente vulnerável. Sua biblioteca de filmes era valiosa, mas ofereceu poucos sucessos atuais e sua equipe de liderança não foi capaz de manter-se após a saída de Don Bluth em 1979. Assim, em meados de 1984, Roy E. Disney, o financeiro majordomo Stanley Gold e o acionista Sid Bass resolvem depor Miller em favor de Michael Eisner como presidente e Frank Wells como CEO.
1984–2004: Era Michael Eisner e a campanha Save Disney
Em 1984, depois da saída de Tom Wilhite do departamento de vídeos, a Disney começou a coleção de vídeos Walt Disney Classics. Voltando a investir em curtas metragens de animação, o estúdio começou a produzir séries de desenhos animados. Os primeiros foram As Aventuras dos Ursinhos Gummi e Os Wuzzles, sendo o maior sucesso a série DuckTales com mais de 100 episódios. A coleção em vídeos, Walt Disney Classics, se tornou um sucesso, e o vídeo do filme Pinóquio foi considerado um best-seller. Em 1984, Eisner criou a Touchstone Pictures como uma marca para a Disney lançar filmes mais maduros. O primeiro lançamento da Touchstone foi a comédia Splash (1984), que foi um sucesso de bilheteria. Apostando em filmes maduros, em 1985, a Disney lançou O Caldeirão Mágico, que foi um fracasso de bilheterias e foi o primeiro desenho animado a ter classificação etária PG. Em 1986, foi lançado o filme Down and Out in Beverly Hills, o primeiro filme da Touchstone a ser classificado quanto à faixa etária. No mesmo ano, o nome Walt Disney Productions foi mudado para The Walt Disney Company.
Era George J. Mitchell (2004–2006)
Em 8 de julho de 2005, Roy E. Disney voltou a Walt Disney Company como consultor e com o novo título de Diretor Emérito. Em 17 de julho, a Walt Disney Parks e Resorts comemorou o seu 50º aniversário do Disneyland Park. Em 12 de setembro, foi aberto o Hong Kong Disneyland. A Walt Disney Feature Animation lançou Chicken Little, o primeiro filme da empresa utilizando animação 3D. Os co-fundadores da Miramax, Bob Weinstein e Harvey Weinstein, saíram da empresa para formar seu próprio estúdio. Em 25 de julho de 2005, a Disney anunciou que fecharia o DisneyToon Studios da Austrália em outubro de 2006, após 17 anos de existência. Em 2006, a Disney adquiriu Oswald, o Coelho Sortudo, a velha estrela de animação da Disney. Ciente de que a relação da Disney com a Pixar estava se esgotando, Robert Iger iniciou negociações com a liderança da Pixar Animation Studios, Steve Jobs e Ed Catmull, sobre uma possível fusão. Em 23 de janeiro de 2006, foi anunciado que a Disney iria comprar a Pixar em uma transação de ações de US$ 7,4 bilhões. O negócio foi concluído em 5 de maio. Uma das consequências desta transação foi a transformação de Steve Jobs em maior acionista individual da Disney (com 7%) e membro do Conselho de Administração da empresa. Ed Catmull assumiu o cargo de Presidente da Pixar Animation Studios. O ex-vice-presidente executivo da Pixar, John Lasseter, tornou-se diretor de criação da Walt Disney Animation Studios, da divisão DisneyToon Studios e da Pixar Animation Studios, assumindo, assim, o papel de principal conselheiro criativo da Walt Disney Imagineering.
A Walt Disney Company opera três segmentos de negócios principais:
Acionistas
A Walt Disney Company é maioritariamente detida por: Desde janeiro de 2006, Steve Jobs, fundador e CEO da Apple, tem 3,7 bilhões de dólares em ações, ou mais de 2%, após a aquisição da sua outra empresa, a Pixar, tornando-se o maior acionista individual. Com a morte de Steve Jobs, suas ações da Disney e da Apple foram transferidas para um fundo presidido por sua viúva, Laurene Powell Jobs, fundo chamado Steven P. Jobs Trust. Laurene Powell Jobs anunciou em 24 de novembro de 2011 que detém 138 milhões de ações da Disney, ou 4,6 bilhões de dólares (7,7% da Disney), mas não pretende influenciar a direção do Disney. Entre os diretores da Disney, também existem acionistas individuais importantes:
Índia
A Disney aproveitou mudanças na legislação indiana para investir pesadamente no país. Em 2000, por exemplo, a legislação que diz respeito às empresas estrangeiras foi relaxada através da revogação da Lei de Gestão de Câmbio: agora, empresas estrangeiras poderiam criar empreendimentos no país. Dois anos depois, as garantias em matéria de propriedade intelectual foram fortalecidas e, desde 2004, empresas estrangeiras podem criar franquias na Índia. Andy Bird, presidente da Walt Disney International, é o responsável por supervisionar o interesse da companhia na Índia. Foi sob sua liderança que, em 25 de novembro de 2006, a Disney comprou um canal de televisão indiano para jovens: Hungama TV. Em 2013, Andy Bird disse que o foco do projeto da Disney na Índia, com a compra da UTV, não era criar uma subsidiária indiana da Walt Disney Company, mas uma empresa indiana da Disney. As primeiras ações no país foram a criação de programas da Walt Disney Television e ABC em dezembro de 2004.
Higiene pessoal
Em julho de 2007, a Disney Consumer Products lança uma gama de produtos de higiene pessoal (xampu e gel de banho primeiramente, e em seguida, outros produtos). Assim, a empresa troca de método: em vez de fornecer uma licença para um grande fabricante, como Unilever e Procter & Gamble e tocar apenas a marca, a Disney lança em produção direta com o objetivo de ganhar uma maior fatia das receitas. Em 2006, os números para a divisão de produtos de consumo haviam sido de US$ 4 bilhões em royalties pelas vendas estimadas em mais de US$ 26 bilhões de dólares.
Arquitetura
Desde a década de 1930, a Disney é influenciada pela arquitetura. Mas é sobretudo no início dos anos 1940, com a construção dos estúdios em Burbank, que a empresa entra no mundo da arquitetura. O novo estúdio foi concebido como um campus e não uma fábrica, decisão esta que se tornou um exemplo para outras empresas. Em 1955, com a Disneyland, Walt Disney e seus Imagineers criaram uma nova forma de arquitetura que lembra as histórias enraizadas na memória coletiva. Entre 1964-65, com a Feira Mundial de Nova York, e, especialmente, em 1982, com o EPCOT, a empresa apresentou uma imponente arquitetura de grandes pavilhões de exposições dedicadas à tecnologia. No EPCOT, também são oferecidos pavilhões que representam as culturas de diferentes países.
Política e direitos autorais
A Disney tem oficialmente um serviço de lobby em Washington desde 1990. Um exemplo dessa atividade é a Disney Government Relations, braço do lobby da Disney. Com sede em Washington, essa empresa é membro da comissão Seção 108, uma força-tarefa criada no verão americano de 2006, a pedido da Biblioteca do Congresso, para estudar o impacto da tecnologia sobre direitos autorais digitais. A Disney é responsável pela chamada Lei Mickey (Mickey Act), que trata da extensão de prazo de direitos autorias. À época, a lei foi criada para evitar que Mickey Mouse, então com 70 anos, fosse para o domínio público cinco anos depois da Disney ter perdido os direitos sobre o personagem. Esta decisão foi vista como contraditória, já que muitos dos principais filmes do estúdio são baseados em contos de fadas (Como Branca de Neve e os Sete Anões e Cinderela) e outras histórias que estão no domínio público (como Tarzan e A Ilha do Tesouro).
Educação
A Disney está envolvida com arte e educação através do Instituto de Artes da Califórnia (CalArts), que Walt Disney ajudou a fundar em 1961 como sucessora do Chouinard Art Institute. É do CalArts que vieram a grande maioria dos artistas do estúdio: John Lasseter e Tim Burton, por exemplo, estudaram na CalArts e foram revelados pela Disney.
Filantropia
Em 1984, por iniciativa de Michael Eisner, a Disney comprou de Paul Tishman, promotor imobiliário em Nova York, uma coleção de arte africana através da sua subsidiária Walt Disney World. Em 3 de outubro de 2005, a Walt Disney Company doou 525 objetos para o Museu Nacional de Arte Africana no Instituto Smithsonian. O resto dos 8,5 mil objetos que compõem a coleção Walt Disney-Tishman vem antes a fevereiro de 2007. A empresa também está envolvida na conservação da natureza e trabalha em vários projetos. Em abril de 1993, a empresa criou, na Flórida, o Disney Wilderness Preserve. Em 3 de novembro de 2009, a Disney anunciou uma oferta de US$ 7 milhões para a preservação de florestas, incluindo US$ 4 milhões para as reservas comunitárias de Tayna e Kisimba Ikobo, ambas da República Democrática do Congo e do Alto Mayo, no Peru. Em 20 março de 2013, a Disney gastou US$ 3,5 milhões para proteger a floresta do Alto Mayo.
Direitos de Winnie the Pooh
De 1991 a setembro de 2009, a Disney se envolveu num processo com a família de Stephen Slesinger em relação a royalties do personagem Winnie the Pooh. Uma das acusações era a prestação de royalties que a Disney teria com Slesinger: a empresa havia pago os direitos de adaptação para animação, mas não os derivativos. Sem este pagamento de direitos autorais, um prejuízo de US$ 2 bilhões teria sido criado para a família Slesinger. Com a morte de Slesinger em 1953, sua esposa assinou um acordo de licenciamento com a Disney. Depois de 18 anos de litígio, um juiz de Los Angeles disse que a Disney não tinha cometido qualquer violação de contrato e não a obrigou pagar os royalties.
Controvérsias ambientais
A empresa também foi acusada de abuso dos animais por grupos de proteção, principalmente devido aos cuidados e procedimentos em vigor dos animais selvagens do Animal Kingdom, e o uso de filhotes não desmamados no filme 101 Dálmatas (1996). Os grupos de bem-estar dos animais apontaram alguns filmes da empresa como causa do aumento da procura de filhotes por um público despreparado para a adoção de animais, a maioria dos quais teria sido, em seguida, abandonada. O relatório de desenvolvimento ambiental para uma área do Great Guana Cay nas Ilhas Ábaco acusa a Disney de má gestão de um lote de 90 hectares (0,36 km²) no qual a empresa parcialmente desenvolveu um projeto de cruzeiro sob o nome de Treasure Island, mas abandonou. O relatório emitido pela Universidade de Miami e o Colégio das Bahamas denunciou a Disney por deixar no local equipamentos perigosos, como transformadores elétricos e tanques de gasolina, o que fez com que algumas espécies de plantas e insetos sumissem, atrapalhando a fauna e flora locais.
Controvérsias com grupos conservadores
Alguns filmes da Miramax, incluindo Priest (1994) e Dogma (1999), sofreram veementes protestos da Liga Católica Americana. A Disney adiou a data de lançamento do filme Dogma por causa das controvérsias em torno do filme e, depois, vendeu os direitos de distribuição para a Lions Gate. A Liga Católica Americana, associada às Assembleias de Deus e outros grupos conservadores, também tem condenado e aberto ações contra a Disney e seus parceiros de publicidade, atacando o show da ABC Nothing Sacred, sobre um padre jesuíta, o livro juvenil Growing Up Gay (Crescendo gay), publicado pela Hyperion, e a anual celebração organizada por gays e lésbicas no parques da Disney.
Críticas por estereótipos e sexismo
As Princesas Disney são constantemente acusadas por educadores, mulheres e grupos feministas de serem um mau modelo para meninas, por representarem o arquétipo da "donzela em perigo", a ideia de que mulheres só se tornam seres realizados após o casamento. por incentivarem padrões de beleza irreais, já que a maioria das as princesas são esbeltas e branquiadas. Até as princesas de outras etnias, como Pocahontas e Mulan, são branquiadas quando aparecem com as outras princesas da franquia Disney. Outras feministas, como Nicole Sawyer, têm uma visão menos negativa das princesas, afirmando que elas foram feitas numa época em que imperavam crenças patriarcais na sociedade e as mulheres tinham que desempenhar os papéis impostos pelo seu gênero. Sendo assim, elas veem que, com filmes mais recentes de princesas como Pocahontas, Mulan, A Princesa e o Sapo, Brave e Frozen, a Disney está tentando mudar a imagem da "donzela em perigo" de suas princesas, tornando-as mais independentes, de modo que se relacionem com a realidade das garotas de hoje.
Críticas por ser woke
É grande o número de críticas que a empresa centenária recebe por ser demasiadamente woke (exagerar na dose ao abordar temas de justiça social ou consciência política). Durante entrevista para o canal americano CNBC, em 4 de abril de 2024, o CEO da Disney, Bob Iger, falou sobre esse assunto, afirmando que é importante levantar bandeiras de inclusão, mas "precisamos ser uma empresa de entretenimento em primeiro lugar".


