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Júpiter Maçã

Flávio Basso, também conhecido como Júpiter Maçã ou Jupiter Apple, foi um cantor, compositor e cineasta brasileiro. Referência fundamental do rock gaúcho, foi fundador das bandas TNT e Os Cascavelletes, que influenciaram toda uma nova geração de bandas gaúchas dos anos 80 em diante. Em carreira solo, foi reconhecido com um dos ícones da psicodelia brasileira, ao trazer um novo grau de experimentalismo ao rock nacional, com o disco A Sétima Efervescência, eleito pela revista Rolling Stone Brasil um dos cem maiores discos da música brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Biografia

Origens, TNT e Cascavelletes

Flávio Basso nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 26 de janeiro de 1968; um "feriado Beatle, o meu dia de nascimento", como dizia o próprio. Iniciou nas artes de maneira autodidata na pré-adolescência, expressando-se "através da música com um violão". Aos 17 anos, funda com os amigos Márcio Petracco (baixo), Felipe Jotz (bateria) e Charles Master (guitarra) o grupo TNT, uma banda de rockabilly adolescente. Depois de convidar Nei Van Soria para assumir a guitarra, Basso ficaria apenas no vocal. Falando principalmente de mulheres e suas desilusões amorosas, o TNT logo passou a lotar shows e ter boa execução nas rádios. O sucesso da banda chama a atenção do selo Plug, da gravadora BMG, que convida a banda em 1985 para gravar duas músicas para a coletânea Rock Grande do Sul, que apresentou o rock gaúcho ao mercado brasileiro, nos anos 80. Entretanto, antes de gravar o primeiro disco, devido a divergências musicais, Basso e Nei Van Soria deixam o TNT para fundar Os Cascavelletes, com Frank Jorge e Alexandre Barea.

Vida pessoal

Flávio teve um filho, Glenn Basso, que faleceu em 3 de novembro de 2001, aos 11 anos, por complicações de uma hepatite autoimune.

Carreira solo

Após sua segunda saída da TNT, Basso começou a se apresentar solo, sob o apelido de "Woody Apple" (em homenagem ao músico Woody Guthrie e à gravadora Apple Records, fundada pelos Beatles). Em 1995 adota o nome artístico pelo qual ficou famoso, Júpiter Maçã e formou o efêmero projeto com Os Pereiras Azuiz lançando apenas a fita demo Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuiz, antes de se separarem. Em 1997, assinou com a gravadora independente Antídoto para lançar seu primeiro álbum solo, A Sétima Efervescência, que contou com as participações de seus ex-colegas Frank Jorge, Alexandre Barea e Marcelo Birck. Com uma sonoridade fortemente inspirada nas obras de Syd Barrett, psicodélica e experimental comparável à estreia do Pink Floyd em 1967, The Piper at the Gates of Dawn, o álbum foi aclamado pela crítica na época de seu lançamento e em 2007 ficou em 96º lugar na lista da Rolling Stone Brasil dos 100 Maiores Álbuns da Música Brasileira.

Morte e legado

Conhecido por seu estilo de vida extravagante, Basso lutou contra o alcoolismo e o abuso de drogas (ele alegou que tomava Diazepam e usava LSD e cocaína regularmente). Diversas pessoas acreditam que Flávio passava por um tratamento de cirrose, porém foi desmentido por Cláudia Basso (irmã de Flávio) e Iara Suessenbach (mãe de Flávio). Em 21 de dezembro de 2015, ele foi encontrado morto no chão do banheiro de seu apartamento. A causa de morte foi revelada a imprensa como falência múltipla de órgãos, mas posteriormente foi desmentido por Iara Suessenbach, revelando que a causa foi de um enfarte agudo do miocárdio, atestado pelo IML. Iara teoriza que Basso, ao tentar acabar com o abuso de substâncias (medicamentos e álcool) por conta própria, sem acompanhamento médico e em razão da abstinência, não resistiu e acabou falecendo.

Homenagens e lançamentos póstumos

Em 2016, Nei Van Soria, Frank Jorge, Alexandre Barea e Humberto "Cokeyne Bluesman" Petinelli, ex-integrantes dos Cascavelletes, reúnem-se em estúdio para gravar uma canção em sua homenagem. Intitulada "Balada para Flávio", a canção foi composta por Nei, logo após o último encontro com Flávio, em dezembro de 2015. A canção ganhou um videoclipe. Na descrição do vídeo, que também foi divulgado em seu perfil oficial no Facebook, Nei Van Soria conta sua trajetória ao lado de Basso: "O Flávio foi meu parceiro e amigo por mais de 30 anos! Nossa convivência ao longo desse tempo e a admiração que nutríamos um pelo outro mantinha-nos próximos, mesmo quando estávamos longe". O clipe começa com imagens de arquivo de Basso se apresentando com Os Cascavelletes e em carreira solo, para logo depois mostrar o músico contando sobre um possível filme sobre a história da banda: "Os Cascavelletes é uma banda revolucionária. O filme vai começar com Nei Van Soria tocando piano com uma cortina vermelha ao fundo". Em seguida, Nei aparece tocando.

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Covers e participação em trilhas sonoras

Suas composições foram regravadas por diversos artistas, incluindo a banda Ira! ("Miss Lexotan 6mg Garota"), o cantor Wander Wildner e a cantora Lilian (ambos com "Um Lugar do Caralho"), Rogério Skylab ("A Marchinha Psicótica De Dr. Soup"), além da banda Tequila Baby ("Ela Sabe o Que Faz"). A faixa "Um Lugar do Caralho" foi incluída na trilha sonora da animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll (2006) e na trilha sonora da novela Verdades Secretas (2015), do diretor Walcyr Carrasco.

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Filmografia

Ao lado da Tatá Aeroplano escreveu e dirigiu em 2001 o curta-metragem Apartment Jazz, que foi exibido pela primeira vez pela MTV em 2010. Em 2011 atuou em "Kreuko", segmento da antologia Mundo Invisível, ao lado de José Wilker e Sônia Braga. Em 2015 começou a trabalhar em um segundo curta, Jane's Nightmare; um trailer foi carregado no YouTube em 15 de julho, mas o filme ficou inacabado após a morte de Basso. Ele também apresentou seu talk show de curta duração "Júpiter Maçã Show" na MTV. Em setembro de 2017, começou a produção de um documentário sobre Basso, intitulado O Garoto de Júpiter. Dirigido por Biah Werther e produzido por Gabriel Bandeira, sua produção estava sendo financiada por meio do site Catarse.

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Fontes consultadas

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