Disco de vinil
O disco de vinil, ou disco fonográfico, ou vinil, em inglês Long Playing Record, em português: disco de longa duração, ou long play, é uma chapa, majoritariamente de cor preta e contendo um rótulo no centro chamado de selo fonográfico, fabricadas através de processos eletromecânicos e feitas de um material plástico chamado policloreto de vinila, inventado pelo engenheiro Peter Carl Goldmark para substituir os velhos discos de 78 rpm, utilizada para o armazenamento de áudio desde 21 de junho de 1948. Embora tenham experimentado um grande declínio em seu uso a partir da década de 1990, com a introdução do CD.
Emergência do novo formato
A indústria fonográfica buscava substituir o material de que eram feitos os antigos discos de 78 rotações desde os anos 1920, com a ocorrência de diversas tentativas de trocar o material orgânico do qual eles eram feitos, a goma-laca, por alternativas plásticas. Assim, foram lançados discos feitos de policloreto de vinila pela Victor, ainda naquela década, e discos feitos de baquelite, na década seguinte. Entretanto, por diversas razões, as mudanças não foram bem-sucedidas em um primeiro momento: em primeiro lugar, os novos materiais eram mais caros do que aquele que era utilizado, impactando no preço do produto final; em segundo lugar, ainda não havia sido inventada a micro ranhura (ou microssulco) que possibilitaria aumentar enormemente a capacidade de armazenamento do disco. Assim, foi apenas com a emergência da Segunda Guerra Mundial - que encareceu o material, originário da Ásia que estava dominada pelo Império do Japão, que fazia parte das potências do Eixo, e estava em guerra com os Aliados que sofriam, assim, um bloqueio comercial - que novo impulso foi dado à pesquisa de materiais alternativos para a produção de discos e de técnicas que possibilitassem a melhoria do produto.
Desenvolvimentos subsequentes no LP
Na década de 1950, a comercialização de toca-discos cada vez mais passou a depender da capacidade dos aparelhos de reproduzirem sons que fossem considerados "fiéis" ao som original, isto é, que permitissem ao ouvinte sentir-se como se estivesse escutando o som ao vivo. Assim, a busca por equipamentos que apresentassem certas características (redução de ruídos, chiados e distorções para níveis virtualmente inaudíveis; capacidade de reproduzir frequências baixas de modo satisfatório; e possibilidade de apresentar altos níveis de volume, entre outras qualidades) passou a fazer parte da estratégia de marketing das empresas, bem como do desejo dos consumidores. Para refletir esta busca, criou-se o conceito de "alta-fidelidade", ou seja, o som reproduzido pelo aparelho deveria ser o mais fiel o possível ao som executado pelo artista durante a gravação.
Declínio de vendas a partir da década de 1980
O mercado do vinil atingiu o seu auge na década de 1980. Entretanto, a invenção do Compact Disc (CD) que ficou por muitos anos em desenvolvimento e foi finalmente lançado em agosto de 1982, na Alemanha, pela gravadora PolyGram, trouxe um novo conceito: a gravação e reprodução digital, substituindo a agulha que realiza um movimento análogo ao do som gravado no disco por um raio laser que lê os bits gravados no disco e os traduz em sons audíveis. O novo formato prometia maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, com a eliminação de chiados. Nos Estados Unidos, já em 1986 as vendas de CDs ultrapassaram aquelas de discos de vinil. No Brasil, o primeiro CD foi lançado em 1986, mas o velho formato manteve-se firme até 1991, quando foram vendidos 28,4 milhões de LPs no país. Entretanto, a partir de então, a queda das vendas foi vertiginosa. Em 1993, foram vendidos 21 milhões de CDs; 16,4 milhões de LPs; e 7 milhões de fitas cassetes. No ano seguinte, as vendas caíram para 14,5 milhões de LPs. Em 1995, manteve vendagens entre 5 e 10 milhões de cópias. A partir de janeiro de 1996, as vendas do LP declinam acentuadamente, muito em função da estabilização da moeda - a partir do Plano Real, em 1994 - e da melhoria do poder aquisitivo da população, que permitiu a aquisição de mídias musicais mais modernas, com as vendagens de LP caindo para 1,6 milhão de unidades nesse ano e quase zero no ano seguinte. Desse modo, as grandes gravadoras produziram LPs até 31 de dezembro de 1997, fazendo o vinil praticamente sumir das prateleiras do varejo fonográfico. Assim, em 2002, o CD já dominava 72% do mercado mundial.
Ressurgimento do disco de vinil
Nos Estados Unidos, o comércio de vinil voltou a crescer acima de 50% em 2014. De acordo com o The Wall Street Journal, ao todo 9,2 milhões de LPs foram vendidos naquele ano, um crescimento de 53% em relação a 2013. No total, a pesquisa de Nielsen SoundScan aponta que as compras dos discos nos EUA representam 6% de todo consumo de música no país. Entre os artistas que mais venderam disco de vinil, estão: Arctic Monkeys e Lorde, entre outras bandas que atraem um público mais jovem no país e no restante do mundo. No Brasil, na segunda metade de 2008, os proprietários da gravadora independente Deckdisc, informados do volumoso crescimento na venda de vinis nos Estados Unidos e na Europa, depararam-se com a possibilidade de adquirir o maquinário da antiga fábrica da Polysom, empresa fundada em 1999, em Belford Roxo, e que havia falido em 2007 - e reativá-la. Em setembro do mesmo ano, começaram as diligências e os estudos que resultaram na aquisição oficial, em abril de 2009. No final de novembro de 2009, depois de meses de restauração, a fábrica finalmente fica pronta, sendo feitos os primeiros testes com os LPs produzidos. A fábrica tem capacidade para produzir 28 mil LPs e 14 mil compactos por mês. Estabeleceu-se como única fábrica de vinis de toda a América Latina, condição que se mantinha até o final do terceiro trimestre de 2017, quando a fábrica Vinil Brasil foi inaugurada.
O disco de vinil possui microssulcos ou ranhuras em forma de espiral que conduzem a agulha do toca-discos da borda externa até o centro no sentido horário. Trata-se de uma gravação analógica, mecânica. Esses sulcos são microscópicos e fazem a agulha vibrar. Essa vibração é transformada em sinal elétrico, que é posteriormente amplificado e transformado em som audível (música).
A gravação e produção do disco de vinil segue um processo mecânico complicado, do tipo analógico, que se completa em sete etapas. Apesar da complexidade, a produção de um disco não dura mais de meia hora no total. Existe ainda uma técnica denominada "direct metal mastering" (masterização directa em metal) ou DMM na qual a música é transferida directamente para um disco metálico relativamente pouco duro, em geral de cobre. Por este processo, apenas é necessário seguir o processo galvânico para obter os estampadores, diminuindo os custos de produção. Também existem discos em que o processo de corte é efectuado a uma velocidade mais baixa que a de reprodução, normalmente metade ou um quarto, sendo o disco resultante de qualidade notavelmente melhor em toda a banda de frequências audível pelo ouvido humano. Este mesmo processo permitiu também gravar vídeo em discos de vinil, ou áudio multicanal, como foi o caso dos formatos cd4, SQ, QS (ou outros sistemas de 4 canais).


