Tomada da Bastilha
A Tomada da Bastilha, também conhecida como Queda da Bastilha, foi um evento central da Revolução Francesa, ocorrido em 14 de julho de 1789. Embora a Bastilha, fortaleza medieval utilizada como prisão, contivesse apenas sete prisioneiros na época, sua queda é tida como um dos símbolos daquela revolução, e tornou-se um ícone da República Francesa. Na França, o quatorze juillet é um feriado nacional, conhecido formalmente como Festa da Federação, conhecido também como Dia da Bastilha em outros idiomas. O evento provocou uma onda de reações em toda a França, assim como no resto da Europa, que se estendeu até a distante Rússia Imperial.
A Tomada da Bastilha foi resultado do descontentamento de parcela do povo francês com o aumento do preço dos grãos, alimentado por boatos contrários à aristocracia. O jornalista Camille Desmoulins, por exemplo, fez um discurso em frente ao Palácio Real e pelas ruas dizendo que as tropas reais estavam prestes a desencadear uma repressão sangrenta sobre o povo de Paris. Ele, então, conclamava ao povo a necessidade de se armar. Contudo, Desmoulins não estava sozinho. Jean-Paul Marat também "discursou contra a aristocracia segurando na mão um exemplar Do Contrato Social, de Jean-Jacques Rousseau". Desse modo, a animosidade das multidões parisienses aumentava a cada dia. Naquele cenário, uma Comuna conseguiu tomar o poder na cidade em 13 de julho. No dia seguinte, um grupo de insurgentes dirigiu-se ao Palácio dos Inválidos, um antigo hospital onde se concentrava a quantidade de quarenta mil fuzis. Correu o boato de que mais armamentos se encontravam estocados num outro lugar, na fortaleza da Bastilha. Marcharam então para lá. A massa revoltosa era composta de soldados desmobilizados, guardas, marceneiros, sapateiros, diaristas, escultores, operários, negociantes de vinhos, chapeleiros, alfaiates e artesãos. Dos números à época oficiais, dos 954 insurgentes, "661 eram artesãos". A fortaleza, por sua vez, defendia-se com 32 guardas suíços e 82 "inválidos" de guerra, possuindo 15 canhões, dos quais apenas três em funcionamento.
Imagem: Renata F. Oliveira · BY-NC-ND · Openverse
Embora houvesse argumentos de que a Bastilha deveria ser preservada como um monumento à libertação ou como um depósito para a nova Guarda Nacional, o Comitê Permanente de Eleitores Municipais da Prefeitura de Paris deu ao empresário da construção Pierre-François Palloy a comissão de desmontar o edifício. Palloy começou a trabalhar imediatamente, empregando cerca de 1.000 trabalhadores. A demolição da própria fortaleza, o derretimento de seu relógio retratando prisioneiros acorrentados e a quebra de quatro estátuas foram todos realizados em cinco meses. Em 1790, Lafayette deu a chave de ferro forjado de uma libra e três onças para a Bastilha ao presidente dos EUA, George Washington. Washington a exibiu com destaque em instalações e eventos governamentais em Nova York e na Filadélfia até pouco antes de sua aposentadoria em 1797. A chave permanece em exibição na residência de Washington em Mount Vernon.==Referências==


