Desinformação
Desinformação é um conjunto de práticas e técnicas de comunicação que visam influenciar a opinião pública por meio da difusão intencional de informações falsas, distorcidas ou tendenciosas. O termo refere-se tanto a uma prática - desinformar - como a um conteúdo, a desinformação.
Imagem: O Tribunal da Democracia · PDM · Openverse
A Organização das Nações Unidas (ONU) define desinformação como a disseminação proposital de conteúdos enganosos para enganar e causar danos. A desinformação tem como propósito consciente lesar direitos das pessoas para a obtenção de vantagens indevidas, sejam políticas ou econômicas. Caracteriza-se pela disseminação massiva impulsionada por ferramentas digitais que possibilitam que conteúdos enganosos alcancem uma ampla audiência. Em síntese, o conceito implica o dolo (má-fé) e a escala (virtualmente planetária). A desinformação é um fenômeno antigo, presente em diversas áreas da vida social, desde a publicidade enganosa até a manipulação de documentos, como mapas, fotografias, etc. Embora seja um problema histórico, a desinformação tem se intensificado nos últimos anos. A desinformação, apesar de falsa, possui características que a tornam persuasiva: ela faz sentido para quem a recebe, cria falsas crenças e é disseminada de forma estratégica.
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A desinformação pode ser feita por agências de inteligência governamentais, por organizações não governamentais e empresas. Organizações de fachada configuram instância de desinformação, pois enganam o público sobre seus verdadeiros objetivos e controladores. A desinformação tem sido intencionalmente disseminada em mídias sociais, apresentando-se como notícias falsas, ou seja, desinformação disfarçada como artigos de notícias legítimos, com o objetivo de enganar as pessoas. A desinformação pode incluir a distribuição de documentos, manuscritos e fotografias falsificados, ou a propagação de rumores. O uso dessas táticas pode levar a repercussões negativas, trazendo consequências indesejadas como processos por difamação ou danos à reputação da pessoa ou instituição que desinforma. Desinformação é um termo frequentemente utilizado para se referir à manipulação e interferência de informações estrangeiras (em inglês, Foreign Information Manipulation and Interference - FIMI). Estudos sobre desinformação, frequentemente, preocupam-se com o conteúdo da atividade, enquanto o conceito mais amplo de FIMI volta-se, sobretudo, ao comportamento do agente, descrito através dos conceitos de tática, técnica e procedimento inscritos na doutrina militar.
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Ataque de desinformação
A disseminação pode até não ser intencional, mas a criação necessariamente o é. A literatura científica sobre a forma como a desinformação se propaga está em expansão. Estudos mostram que a desinformação disseminada em mídias sociais pode ser classificada em dois grandes estágios: propagação e eco. Propagação ocorre quando atores maliciosos, estrategicamente, inserem conteúdos enganosos, como notícias falsas, em um ecossistema de mídia social. Eco é quando a audiência dissemina argumentos de desinformação como opiniões próprias, muitas vezes incorporando a desinformação em uma retórica de oposição.
Manipulação da Internet
Manipulação da internet é a cooptação de tecnologias digitais online, incluindo algoritmos, bots e scripts automatizados para fins comerciais, sociais, militares ou políticos.A manipulação da internet e das mídias sociais é o principal veículo para a disseminação da desinformação devido à importância das plataformas digitais para a comunicação cotidiana. Quando empregada para fins políticos, a manipulação da internet pode ser usada para direcionar a opinião pública, polarizar cidadãos, disseminar teorias da conspiração, e silenciar dissidentes políticos. A manipulação da internet também pode ser feita para gerar lucro, por exemplo, para prejudicar adversários corporativos ou políticos e melhorar a reputação de uma marca.. Por vezes, a manipulação da internet é usada para descrever a censura seletiva na internet ou violações seletivas da neutralidade da rede.
Uso de tecnologias de publicidade online
A desinformação é amplificada devido às más práticas relacionadas à publicidade online. As tecnologias de publicidade online têm sido utilizadas para amplificar a desinformação devido aos incentivos financeiros e à monetização de conteúdos gerados pelos usuários e de notícias falsas. Uma supervisão frouxa sobre o mercado da publicidade online pode ser usada para amplificar a desinformação, favorecendo práticas de uso de recursos não rastreáveis para propaganda política.
Replataformização da desinformação
Com o endurecimento das políticas contra fake news em plataformas tradicionais como YouTube e Facebook, a desinformação passou a se reorganizar em ambientes digitais menos regulamentados, um fenômeno conhecido como replataformização. Esse processo envolve a migração de conteúdos desinformativos para plataformas alternativas – os chamados "clones do YouTube" –, onde há menos fiscalização e maior liberdade para disseminar narrativas falsas. Essa descentralização não apenas garante a continuidade da desinformação, mas também cria novas infraestruturas que dificultam sua regulação e remoção. Além da migração, a replataformização se apoia em estratégias que simulam credibilidade, como o uso de elementos visuais e narrativos inspirados no jornalismo. Canais desinformativos adotam estéticas profissionais, linguagem técnica e especialistas duvidosos para gerar confiança no público. Essa estrutura reforça a disseminação de desinformação ao apresentar conteúdos falsos como uma "versão alternativa dos fatos", aproveitando-se da retórica da objetividade para mascarar interesses ideológicos e manipular percepções sobre temas sensíveis, como saúde pública e política.
Imagem: Embaixada dos EUA - Brasil · PDM · Openverse
Nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 houve disparos intencionais massivos de pacotes de informações enganosas pelo dispositivo de comunicação Whatsapp.
Imagem: O Tribunal da Democracia · PDM · Openverse
Respostas de líderes culturais
O Papa Francisco condenou a prática de desinformação em uma entrevista de 2016, depois de ser alvo de um site de notícias falsas durante a eleição presidencial de 2016 dos EUA, que falsamente alegou que ele apoiava Donald Trump. O Papa disse que a pior coisa que a mídia poderia fazer era espalhar desinformação, prática que equiparou a um pecado.
A investigação científica sobre desinformação está crescendo como uma área de pesquisa aplicada. No campo, o apelo para classificar formalmente a desinformação como uma ameaça à segurança cibernética é feito devido ao seu aumento em mídias sociais. Algumas mídias sociais atuaram ativamente em campanhas de desinformação com técnicas que incluíam o uso de bots para amplificar o discurso de ódio, a coleta ilegal de dados e trolls pagos para assediar e ameaçar jornalistas. Enquanto a pesquisa sobre desinformação se concentra principalmente em como os atores orquestram enganos nas mídias sociais, principalmente por meio de notícias falsas, uma pesquisa investiga como as pessoas adotam conteúdos iniciados como enganos e fazem com que circulem como sendo suas opiniões próprias. Como resultado, a pesquisa mostra que a desinformação pode ser definida como um programa que incentiva o engajamento em discursos oposicionistas, ou seja, guerras culturais, através das quais a desinformação circula como munição retórica para argumentações infindáveis.À medida que a desinformação se entrelaça com as guerras culturais, as controvérsias baseadas em identidade constituem um veículo através do qual a desinformação se dissemina nas mídias sociais. Isso significa que a desinformação prospera, não apesar dos ressentimentos expressos, mas justamente por causa deles. O motivo é que as controvérsias constituem terreno para debates intermináveis que solidificam pontos de vista.


