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Era dos Descobrimentos

A era dos descobrimentos é a designação dada ao período da história que decorreu entre o século XV e o início do século XVII, durante o qual, inicialmente, portugueses, depois espanhóis e, posteriormente, alguns outros países europeus exploraram intensivamente o globo terrestre em busca de novas rotas de comércio. Os historiadores geralmente referem-se à "era dos descobrimentos" como as explorações marítimas pioneiras realizadas por portugueses e espanhóis entre os séculos XV e XVI, que estabeleceram relações com a África, América e Ásia, em busca de uma rota alternativa para as "Índias", movidos pelo comércio de ouro, prata e especiarias. Estas explorações no Atlântico e Índico foram seguidas por outros países da Europa, como França, Inglaterra e Países Baixos, que exploraram as rotas comerciais portuguesas e espanholas até ao oceano Pacífico, chegando à Austrália em 1606 e à Nova Zelândia em 1642. A exploração europeia perdurou até realizar o mapeamento global do mundo, resultando numa nova divisão mundial, e no contato entre civilizações distantes, alcançando as fronteiras mais remotas mais tarde, já no século XX.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/10/2026
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Antecedentes (1241-1439)

Os europeus tinham conhecimentos remotos sobre o continente Asiático, vindos de relatos parciais, muitas das vezes através de mitos e lendas, ainda dos tempos das explorações de Alexandre o Grande e dos seus sucessores. Outra fonte eram relatos árabes do tempo da ocupação cristã da Palestina e dos reinos cristãos da altura das cruzadas. Pouco era conhecido para lá da Anatólia e do mar Cáspio, regiões bárbaras nos limites, sítios dos últimos cristãos "civilizados". O continente africano era conhecido parcialmente, não se conhecendo o seu limite a Sul, ou sequer se haveria esse limite, existindo apenas relatos de grandes reinos africanos para lá do deserto do Saara, sendo o conhecimento real dos europeus das costas mediterrânicas e pouco mais, já que o bloqueio turco não permitia explorações mais aprofundadas, senão o dos contatos com os escravos negros vendidos na Europa. O conhecimento das costas africanas atlânticas era remoto e provinha essencialmente de mapas antigos e de relatos do tempo em que os romanos chegaram a explorar a Mauritânia. Do mar Vermelho, sabia-se da sua existência e pouco mais, sendo que só com o desenvolvimento dos laços comerciais das repúblicas marítimas italianas, Génova e Veneza principalmente, se começou a verdadeira exploração dessa zona.

Viagens medievais por terra

O prelúdio para a Era dos Descobrimentos foi uma série de expedições que atravessaram Eurásia por terra na Baixa Idade Média. Embora os mongóis tivessem ameaçado a Europa com a pilhagem e destruição, os estados mongóis também unificaram grande parte da Eurásia. A partir de 1206, a Pax Mongolica permitiu criar rotas comerciais e vias de comunicação que se estendiam desde o Médio Oriente até à China. Uma série de europeus aproveitaram para explorar o Oriente. Estes eram maioritariamente italianos, pois o comércio entre a Europa e o Médio Oriente era então quase totalmente controlado por comerciantes das repúblicas marítimas - Génova, Veneza e Ragusa. A estreita relação dos italianos com o Levante suscitou uma grande curiosidade e interesse comercial sobre os países situados a oriente.

Missões chinesas

Em 1368, destronada a dinastia Yuan, os Mongóis perderam grande parte da China para a rebelde dinastia Ming. Os chineses tinham estabelecido uma vasta rede de relações comerciais na Ásia, Arábia, África Oriental e Egipto desde a dinastia Tang (618 907 d.C.). Entre 1405 e 1421 o terceiro imperador Ming, Yongle, patrocinou uma série de missões tributárias de longo curso no Oceano Índico sob o comando do almirante Zheng He (Cheng Ho). Para estas expedições diplomáticas internacionais foi preparada uma grande frota de novos juncos a que os chineses chamavam ba chuan (navios do tesouro). O maior destes navios pode ter medido até 121 metros (400 pés) da proa à popa, com milhares de marinheiros envolvidos nas viagens. A primeira expedição partiu em 1405. Pelo menos sete expedições estão bem documentadas, cada uma maior e mais cara do que a anterior. As frotas visitaram a Arábia, África Oriental, Índia, Arquipélago Malaio e Sião (actual Tailândia), trocando mercadorias pelo caminho. Presenteavam ouro, prata, porcelana e seda, em contrapartida recebiam novidades, como avestruzes, zebras, camelos, marfim e girafas. Após a morte do imperador, Zheng He liderou uma viagem final, partindo de Nanking em 1431 e retornando em glória a Pequim, em 1433. É muito provável que esta última expedição tenha chegado a Madagáscar. As viagens foram relatadas por Ma Huan, um viajante e tradutor muçulmano que acompanhou Zheng He em três das expedições, no relato "Ying-Yai Sheng-Lam" (Relatório Geral das Costas Oceânicas) de 1433.

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Exploração marítima no Atlântico

Do século VII ao século XV, a República de Veneza e vizinhas repúblicas marítimas detiveram o monopólio do comércio europeu com o Médio Oriente. O comércio de seda e de especiarias, envolvendo incensos, ervas, drogas e ópio, tornou estas cidades-Estado do Mediterrâneo fenomenalmente ricas. As especiarias estavam entre os mais caros e procurados produtos da Idade Média: eram usadas na medicina que enfrentava guerras e epidemias constantes, em rituais religiosos, como cosméticos, na perfumaria, bem como aditivos alimentares e conservantes. Eram todas importadas da Ásia e de África: comerciantes muçulmanos descendentes de navegadores árabes iemenitas e omanis dominavam as rotas no Oceano Índico, batendo as regiões de origem no Extremo Oriente e transportando-as para empórios comerciais na Índia, como Calecute, e daí para oeste, por Ormuz no Golfo Pérsico, e Jidá no Mar Vermelho. Daí, por rotas terrestres, eram transportadas para as costas mediterrânicas. Mercadores venezianos faziam a distribuição pela Europa até a ascensão do Império Otomano, que viria a tomar Constantinopla em 1453, barrando aos europeus importantes rotas combinadas marítimas e terrestres, elevando o preço dos produtos para valores astronómicos.

Primeiras expedições portuguesas do Atlântico (1419-1460)

Em 1415, Ceuta foi conquistada pelos portugueses visando o controlo da navegação na costa norte Africana, evento geralmente convencionado como o início da expansão portuguesa. O jovem príncipe infante D. Henrique, que participou na conquista, tomou aí conhecimento das possibilidades de lucro das rotas comerciais transaarianas. Durante séculos, rotas de escravos e do comércio de ouro ligavam a África Ocidental ao Mediterrâneo atravessando o deserto do Saara, controladas por poderes muçulmanos hostis do Norte de África. O infante D. Henrique propôs-se então saber até onde os territórios muçulmanos se estendiam, na esperança de ultrapassá-los e negociar directamente por mar, encontrar aliados nas terras cristãs que se imaginavam existir para o sul, como o lendário Preste João e sondar se seria possível chegar às Índias, origem do lucrativo comércio de especiarias. Investiu então o seu património pessoal no patrocínio de viagens exploratórias na costa da Mauritânia, reunindo um grupo de comerciantes, armadores e interessados em novas rotas marítimas.

Explorações após o Infante D. Henrique (1460-1488)

Em 1460, Pêro de Sintra atingiu a Serra Leoa. Em novembro desse ano faleceu o infante D. Henrique e, em 1469, dadas as poucas receitas da exploração, Afonso V, Rei de Portugal concedeu o monopólio do comércio no golfo da Guiné ao mercador lisboeta Fernão Gomes da Mina, contra uma renda anual de 200 000 réis. Segundo João de Barros, ficava aquele "honrado cidadão de Lisboa" com a obrigação de continuar as explorações, pois o exclusivo do comércio era garantido com "condição que em cada um destes cinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas, de maneira que ao cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas"».

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Expansão marítima ao “Novo Mundo”

Colombo chega às "Índias Ocidentais" (1492)

A Coroa de Castela, rival de Portugal, foi um pouco mais lento a começar a explorar o Atlântico. Apenas no final do século XV, após a unificação das coroas de Castela e Aragão e uma vez concluída a reconquista, os espanhóis se mostraram empenhados na procura de novas rotas comerciais e na expansão. A coroa de Aragão fora um potentado marítimo do Mediterrâneo, controlando territórios no leste da Espanha, sudoeste da França e ilhas principais como Maiorca, Sicília e Malta, o Reino de Nápoles e a Sardenha, em domínios que se estendiam até a Grécia. Em 1492, os reis católicos conquistaram o reino mouro de Granada que vinha fornecendo mercadorias africanas através de tributo a Castela, e decidiram financiar a expedição do genovês Cristóvão Colombo - que por duas vezes, em 1485 e 1488, se apresentara ao rei D. João II de Portugal, sem sucesso - "na esperança de desviar o comércio de Portugal com África e daí com o Oceano Índico, chegando à Ásia viajando para oeste".

O Tratado de Tordesilhas (1494)

Depois da chegada de Colombo às "Índias Ocidentais", uma divisão da zona de influência tornou-se necessária para evitar futuros conflitos entre espanhóis e portugueses. Isto foi resolvido em 1494, com a assinatura sob égide papal do Tratado de Tordesilhas que "dividia" o mundo entre as duas potências da época, Portugal e Espanha.[vago] Imediatamente após o regresso de Colombo, em 1493, os reis católicos tinham obtido do papa Alexandre VI a bula pontifícia Inter caetera afirmando que todas as terras a oeste e sul de um meridiano 100 léguas a oeste dos Açores ou das ilhas de Cabo Verde deveriam pertencer à Espanha e, mais tarde, incluindo todos territórios da Índia. Não mencionava Portugal, que não podia reivindicar terras recém-descobertas nem sequer a leste desta linha. O rei D. João II de Portugal não ficou satisfeito com o acordo, sentindo que este lhe dava pouca margem - impedindo-o de chegar à Índia, seu objectivo principal. Negociou então directamente com o rei Fernando de Aragão e a rainha Isabel de Castela para mover esta linha para oeste, permitindo-lhe reivindicar todas as terras recém-descobertas a leste do mesmo.

O Novo Mundo (1497-1507)

Só uma pequena parte da área dividida pelo Tratado de Tordesilhas havia sido vista pelos europeus, sendo dividida apenas no papel. Imediatamente após a primeira viagem de Colombo vários exploradores navegaram na mesma direção. Em 1497, Giovanni Caboto, também um italiano, obteve uma carta-patente do rei Henrique VII de Inglaterra. Partindo de Bristol, provavelmente apoiado pela associação local "Society of Merchant Venturers", Caboto cruzou o Atlântico mais a norte, esperando que a viagem fosse mais curta e aportou algures na América do Norte, possivelmente na Terra Nova. Em 1499, João Fernandes Lavrador foi licenciado pelo rei de Portugal e, juntamente com Pêro de Barcelos, pela primeira vez avistou o Labrador, que lhe foi concedido e nomeado em sua homenagem. Após regressar possivelmente foi para Bristol, navegando em nome da Inglaterra. Praticamente ao mesmo tempo, entre 1499-1502, os irmãos Gaspar e Miguel Corte Real exploraram e nomearam as costas da Gronelândia e da Terra Nova. Ambas as explorações foram assinaladas no planisfério de Cantino de 1502.

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Exploração no Oceano Índico

O caminho marítimo para a Índia e as expedições portuguesas no Índico (1498-1517)

Protegida da concorrência directa espanhola pelo Tratado de Tordesilhas, a exploração portuguesa continuou a ritmo acelerado. Por duas vezes, em 1485 e em 1488, Portugal rejeitara oficialmente a proposta de Cristovão Colombo de chegar à Índia navegando para oeste. Os peritos do rei eram da opinião que a estimativa de Colombo de uma viagem de 2 400 milhas (3 860 km) estava subavaliada. Além disso pouco depois, Bartolomeu Dias regressara a Portugal a seguir a dobrar com sucesso a ponta sul da África, mostrando que o oceano Índico era acessível pelo Atlântico e, portanto, sabiam que navegando para oeste para chegar às Índias exigiria uma viagem muito mais longa.

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Exploração no Oceano Pacífico

Em 1513, a cerca de 40 quilómetros a sul de Acandí, na actual Colômbia, o espanhol Vasco Núñez de Balboa ouviu dos caciques a notícia inesperada de que existiria um "outro" mar rico em ouro, que recebeu com grande interesse. Com poucos recursos e utilizando a informação dos caciques, atravessou o istmo do Panamá com 190 espanhóis, alguns guias nativos e uma matilha de cães. Usando um bergantim e dez pequenas canoas nativas, navegou ao longo da costa até aportar. A 6 de Setembro a expedição foi reforçada com 1 000 homens, travou diversas batalhas, entrou numa densa selva e subiu a serra ao longo do rio Chucunaque de onde esse "outro" mar podia ser visto. Balboa avançou e, na manhã de 25 de setembro, avistou no horizonte um mar desconhecido, tornando-se o primeiro europeu a ter visto ou alcançado o oceano Pacífico a partir do Novo Mundo. A expedição desceu em direção à praia para uma curta viagem de reconhecimento. Depois de viajar mais de 110 km, Balboa chamou a baía onde chegaram de baía de San Miguel. Nomeou o novo mar "Mar do Sul", pois havia viajado para sul para alcançá-lo. O principal objectivo da expedição fora a busca de ouro e riquezas. Com este fim, cruzou as terras dos caciques até às ilhas, nomeando a maior ilha Rica (hoje conhecida como Ilha do Rei) e o arquipélago ilhas Pérola, nome que conserva até hoje. Em 1515-1516, Juan Díaz de Solís navegou até ao Río de la Plata, que nomeou, morrendo na tentativa de encontrar uma passagem na América do Sul para o "mar do Sul" ao serviço de Espanha.

Primeira circum-navegação por Fernão de Magalhães (1519-1522)

A partir de 1516, vários portugueses descontentes com a coroa portuguesa reuniram-se Sevilha, ao serviço do recém coroado Carlos I de Espanha. Entre eles estavam os navegadores Diogo e Duarte Barbosa, Estevão Gomes, João Serrão, Fernão de Magalhães, os cartógrafos Jorge Reinel e Diogo Ribeiro, os cosmógrafos Francisco e Rui Faleiro e o mercador flamengo Cristóvão de Haro. Fernão de Magalhães, que navegara na Índia ao serviço de D. Manuel I até 1512, quando da chegada às Molucas, e mantinha contacto com Francisco Serrão aí residente, desenvolveu a teoria de que as ilhas estariam na zona de influência espanhola de Tordesilhas e que havia uma passagem no Atlântico Sul, sustentado em estudos dos irmãos Faleiro. Ciente dos esforços da coroa espanhola para encontrar uma rota para a Índia navegando para oeste, apresentou o projecto de aí chegar.

As navegações portuguesas para leste e espanholas para oeste cruzam-se (1525-1529)

Três anos após o regresso da expedição de Magalhães, em 1525, o rei Carlos I de Espanha enviou nova expedição navegando para oeste liderada por García Jofre de Loaísa para ocupar e colonizar as ilhas Molucas, alegando que estas estavam na sua zona do Tratado de Tordesilhas. A frota de sete navios e 450 tripulantes incluía os mais notáveis navegadores espanhóis: Jofre de Loaísa, Juan Sebastián Elcano (que perderiam a vida nesta expedição) e o jovem Andrés de Urdaneta. Frente ao estreito de Magalhães um dos navios foi empurrado para sul por um vendaval e chegou a 56 ° S, onde pensaram ver "o fim da terra": cruzaram assim pela primeira vez o cabo Horn. A expedição de atingiu com dificuldade as Molucas, ancorando em Tidore. Logo estalou o conflito com os portugueses estabelecidos na vizinha ilha de Ternate desde 1512, iniciando quase uma década de escaramuças.

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Exploração interior das Américas: os conquistadores espanhóis

Enquanto os portugueses obtinham enormes ganhos no oceano Índico, os espanhóis investiram em explorar o interior da América em busca de ouro e recursos valiosos. Os membros destas expedições, os "conquistadores", provinham de uma variedade de origens incluindo artesãos, comerciantes, clero, pequena nobreza e escravos liberados. Geralmente forneciam o seu próprio equipamento em troca de uma participação nos lucros, não tendo ligação directa com o exército real, nem sequer formação ou experiência profissional militar. Rumores de ilhas desconhecidas a noroeste de Hispaniola haviam chegado a Espanha em 1511. O rei Fernando II de Aragão estava interessado em prosseguir as explorações e, em 1512, como recompensa a Ponce de León por explorar Porto Rico desafiou-o a procurar estas novas terras: tornar-se-ia governador das terras descobertas, mas teria de financiar toda a exploração. Com três navios e cerca de 200 homens, Léon partiu de Porto Rico em março de 1513. Em abril avistaram terra nomeando-a La Florida acreditando ser uma ilha, pela paisagem verdejante e porque era Páscoa (dita em Espanha a Florida), tornando-se creditado como o primeiro europeu a desembarcar no continente nas costas Norte Americanas. O local de chegada é disputado entre Saint Augustine, Ponce de León Inlet e Melbourne Beach. Navegaram para o sul e a 8 de abril encontraram uma corrente tão forte que os fez recuar: foi o primeiro encontro com a corrente do Golfo, que viria a tornar-se a principal rota para os navios que deixavam as "Índias" espanholas com destino à Europa. Exploraram ao longo da costa atingindo Biscayne Bay, Dry Tortugas e numa tentativa de circundar Cuba para retornar, atingiram a Grand Bahama.

Cortés: exploração do México e conquista do Império Asteca (1519-1521)

Em 1517, o governador de Cuba Diego Velázquez de Cuéllar ordenou a uma frota para explorar a Península do Iucatão. Atingiram a costa onde Maias os convidaram a aportar, mas foram atacados durante a noite e apenas um resquício da tripulação voltou. Velázquez enviou então outra expedição liderada por seu sobrinho Juan de Grijalva, que navegou ao longo da costa para sul até Tabasco, território asteca. Em 1518 Velázquez atribuiu ao prefeito da capital de Cuba, Hernán Cortés, o comando de uma expedição para segurar o interior do México mas, devido a uma antiga disputa entre ambos, revogou o alvará. Em fevereiro de 1519, Cortés avançou ainda assim, num acto de rebelião aberta. Com cerca de 11 navios, 500 homens, 13 cavalos e um pequeno número de canhões que chegou à península de Iucatão, em território maia, reivindicando-o para a coroa espanhola. De Trinidad avançou para Tabasco e venceu uma batalha contra os nativos. Entre os vencidos estava La Malinche, sua futura amante, que conhecia as línguas náuatle (asteca) e maia, tornando-se uma valiosa intérprete e conselheira. Através dela, Cortés soube do rico Império Asteca.

Pizarro: exploração do Peru e da conquista do Império Inca (1524-1532)

A primeira tentativa de explorar a costa oeste da América do Sul foi feita em 1522 por Pascual de Andagoya, tendo chegado a Rio San Juan (Colômbia), onde populações locais lhe descreveram um território rico em ouro junto a um rio chamado "Pirú". Andagoya adoeceu e regressou ao Panamá, onde espalhou a notícia sobre o "Pirú" como o lendário El Dorado. Este relato, juntamente com o sucesso de Cortés, chamaram a atenção de Pizarro. Francisco Pizarro tinha acompanhado Balboa na travessia do istmo do Panamá. Em 1524 formou uma parceria com o padre Hernando de Luque e o soldado Diego de Almagro para explorar o sul e dividir os lucros, apelidando a iniciativa "Empresa del Levante". Pizarro comandava, Almagro proporcionava apoio militar e alimentos, Luque seria responsável pelas finanças e outras disposições.

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Chegada ao Japão e as novas rotas comerciais (1542-1565)

Em 1543, acidentalmente, três mercadores portugueses Francisco Zeimoto, António Mota e António Peixoto foram os primeiros ocidentais a atingir o Japão e aí negociar. Segundo Fernão Mendes Pinto, que afirmou ter participado nesta viagem, terão aportado a Tanegashima em 23 de setembro, tendo sido este primeiro contacto directo europeus com o Japão. Segundo este, espantaram os autóctones não só com o relato de terras e costumes estranhos como com a novidade das armas de fogo, os arcabuzes que seriam imediatamente fabricadas pelos japoneses em grande escala. A rota leste das Filipinas foi navegada pela primeira vez por Álvaro de Saavedra em 1527. O percurso de regresso foi mais difícil de encontrar. em 1565. A conquista espanhola das Filipinas foi ordenada por Filipe II de Espanha. Por fim, os espanhóis estabeleceram uma presença no Pacífico com a expedição de Miguel López de Legazpi, que partiu de Acapulco, Nova Espanha em 1565.

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Participação dos norte-europeus (1595-anos 1600)

As nações europeias fora da Península Ibérica recusavam-se a reconhecer o Tratado de Tordesilhas. França, Países Baixos e Inglaterra possuíam uma longa tradição marítima e, apesar do secretismo e rotecções, as novas tecnologias e mapas logo chegaram ao norte. Em 1568, os holandeses rebelaram-se contra o governo de Filipe II de Espanha desencadeando a Guerra dos Oitenta Anos. A guerra entre a Inglaterra e a Espanha também estourou. Em 1580, Filipe II tornou-se rei de Portugal, como legítimo herdeiro da coroa após uma crise sucessória. Os impérios combinados eram demasiado grandes para passar sem ser desafiados pelos rivais europeus. Os exércitos de Filipe II conquistaram as importantes cidades comerciais de Bruges e Gante. Antuérpia, então o porto mais importante do mundo, caiu em 1585. À população protestante foram dados dois anos para resolver os seus assuntos e abandonar a cidade. Muitos estabeleceram-se em Amesterdão. Eram maioritariamente artesãos, ricos comerciantes das cidades portuárias e os refugiados das perseguições religiosas, especialmente judeus sefarditas fugidos de Portugal e de Espanha e, mais tarde, os huguenotes da França. Os Peregrinos calvinistas também passaram um tempo aí antes de partirem para o Novo Mundo. Esta imigração em massa foi uma força motriz importante: um pequeno porto em 1585, Amesterdão transformou-se rapidamente num dos centros comerciais mais importantes do mundo. Depois da derrota da Invencível Armada espanhola em 1588, houve uma enorme expansão do comércio marítimo.

Explorações costeiras da América do Norte (1524-1611)

A primeira expedição norte europeia (1497) foi inglesa, liderada pelo italiano John Cabot (Giovanni Caboto). Foi a primeira de uma série de missões francesas e inglesas a explorar América do Norte. Espanha dedicara esforços limitados a explorar a parte norte das Américas, com os recursos totalmente tomados pelos seus esforços na América Central e do Sul, onde mais riqueza havia sido encontrada. As expedições de Cabot, Jacques Cartier (primeira viagem de 1534) e outros seguiam na esperança de encontrar uma passagem do Noroeste oceânica para chegar ao comércio asiático. Esta nunca foi descoberta, mas, nestas viagens, outras possibilidades foram encontradas e, no início do século VII colonos de vários estados norte europeus começaram a estabelecer-se na costa leste da América do Norte.

Barents e a busca de uma rota no Norte (1525-1611)

França, Holanda e Inglaterra haviam ficado sem uma rota comercial para a Ásia, pois África estava dominada pelos portugueses e a América do Sul pelos espanhóis. Quando se tornou evidente que não havia nenhuma passagem através do continente americano, as atenções voltaram-se para a possibilidade de uma passagem pelas águas do norte, a que os ingleses chamavam a passagem do Noroeste, procurada desde a viagem de John Cabot. O desejo de estabelecer uma rota motivou a exploração europeia, tanto nas costas da América do Norte como na Rússia. Na Rússia, a ideia de um possível caminho marítimo que ligasse o Atlântico ao Pacífico foi apresentado pela primeira vez pelo diplomata Dmitry Gerasimov, em 1525.

Chegada dos holandeses à Austrália e à Nova Zelândia (1606-1644)

Terra Australis Incognita ("terra desconhecida do sul" em latim) era um continente hipotético que surgia representado nos mapas europeus, com raízes num conceito introduzido inicialmente por Aristóteles. Pode ver-se nos mapas de Dieppe do século XVI e de Abraham Ortelius, a sul das Índias Orientais, com o litoral elaborado e uma grande riqueza de detalhes fictícios. Os descobrimentos reduziram a área em que o continente poderia ser encontrado, no entanto, muitos cartógrafos mantinham a opinião de Aristóteles. Gerardus Mercator (1569) e Alexander Dalrymple defenderam a sua existência até 1767, argumentando que deveria haver uma massa de terra grande no sul como contraponto para as massas de terra conhecidas no Hemisfério Norte. À medida que novas terras eram descobertas, eram muitas vezes assumidas como sendo partes deste continente hipotético.

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Impacto global da era dos descobrimentos

A expansão ultramarina europeia desencadeou o intenso contacto entre o Velho Mundo e o Novo Mundo nomeado intercâmbio colombiano. Este fenómeno envolveu a transferência de produtos até então exclusivos de cada hemisfério, como gado bovino, cavalos, algodão e cana-de-açúcar da Europa para o Novo Mundo, ou tabaco, batata, cacau e milho, trazidos do Novo para o Velho Mundo. Entre os produtos que moveram o comércio global destacam-se a cana-de-açúcar e o algodão que foram cultivados intensamente nas Américas, e o ouro e prata trazidos das Américas que moveram não só a economia da Europa, mas de outras partes do mundo como o Japão e a China. As novas ligações transoceânicas e o seu domínio pelas potências europeias originaram os impérios coloniais europeus, que vieram a controlar grande parte do planeta. O apetite europeu por comércio, produtos, impérios e escravos afectou muitas regiões do mundo. Espanha participou na destruição de culturas agressivas na América. O padrão de agressão territorial foi repetido noutros territórios. Novas religiões impuseram-se a rituais "pagãos", assim como línguas, culturas políticas e, em algumas áreas como a América do Norte, Austrália, Nova Zelândia e Argentina, povos indígenas foram afastados de suas terras ou reduzidos a minorias. Vulneráveis a doenças infecciosas euroasiáticas a que nunca haviam sido expostos, muitos pereceram com doenças transmitidas pelos Europeus, que nalguns casos dizimaram 50-90% de algumas populações.

Impacto económico e cultural da era dos descobrimentos na Europa

Com a maior variedade de produtos de luxo a entrarem no mercado europeu por via marítima, os anteriores mercados europeus de bens de luxo estagnaram. O comércio do Atlântico suplantou largamente as anteriores potências comerciais italianas (repúblicas marítimas) e alemãs (Liga Hanseática), que baseavam as suas relações comerciais no Báltico, com russos e muçulmanos. Os novos produtos causaram também mudanças sociais, à medida que açúcar, especiarias, sedas e porcelanas entraram no mercado de luxo da Europa. O centro da economia europeia deslocou-se do Mediterrâneo para a Europa Ocidental. A cidade de Antuérpia, parte do Ducado de Brabante, tornou-se "o centro de toda a economia internacional, e a cidade mais rica da Europa. Centrado em Antuérpia e depois em Amesterdão, o "Século de Ouro dos Países Baixos" esteve fortemente ligado à era dos descobrimentos. Francesco Guicciardini, um emissário veneziano, afirmou que centenas de navios passavam por Antuérpia diariamente, e 2 000 carruagens entravam na cidade a cada semana. Navios portugueses carregados de pimenta e canela desembarcavam aí a sua carga. Com muitos comerciantes residentes na cidade, e governada por uma oligarquia de aristocratas-banqueiros proibidos de participar no comércio, a economia de Antuérpia era controlada por estrangeiros, o que tornou a cidade muito cosmopolita, com mercadores e comerciantes de Veneza, Ragusa, Espanha e de Portugal e uma política de tolerância que atraiu uma grande comunidade judaica. A cidade experimentou três picos durante a sua idade de ouro, o primeiro baseado no mercado de pimenta, um segundo desencadeado pela prata americana vinda através de Sevilha (que terminou com a falência de Espanha em 1557), e um terceiro, após a paz de Cateau-Cambrésis, em 1559, com base na indústria têxtil.

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