Doença de Minamata
Doença de Minamata é uma doença neurológica causada pela intoxicação por mercúrio severa. Sinais e sintomas incluem ataxia, hipoestesia nas mãos e pés, fraqueza muscular geral, perda de visão periférica, danos à audição e fala. Em casos extremos, insanidade, paralisia, coma, e morte, ocorrem em semanas a partir do início dos sintomas. Uma forma congênita da doença afeta fetos no útero, causando microcefalia, dano cerebral extensivo, e sintomas similares à paralisia cerebral.
Em 1908, a corporação Chisso abriu pela primeira vez uma fábrica, química em Minamata, na prefeitura de Kumamoto, localizada na costa ocidental da ilha de Kyūshū. Inicialmente dedicada à produção de fertilizantes, a fábrica logo seguiu a expansão nacional da indústria química no Japão, ramificando sua produção com acetileno, etanal, ácido acético, cloreto de vinila, e octanol, entre outras substâncias. A fábrica de Minamata tornou-se uma das mais avançadas em todo o Japão. Os dejetos resultantes da manufatura desses químicos eram despejados na Baia de Minamata através da água residual da fábrica. A poluição causou um impacto ambiental imediato, com uma perceptível redução na pesca local, que levou a fábrica à compensar cooperativas de pescadores em 1926 e 1943. A rápida expansão da fábrica Chisso contribuiu para a economia local, criando uma maior prosperidade na prefeitura. Esse fato, combinado a ausência de outras indústrias locais, determinaram que a Chisso possuísse uma grande influência na cidade. Em um ponto da história, mais da metade da arrecadação por taxas da administração local vinham da corporação e seus funcionários, enquanto que a companhia e seus subsidiários eram responsáveis por criar um quarto de todos os empregos em Minamata. A cidade foi até mesmo apelidada de 'cidade-castelo' da Chisso, em referência às cidades capitais dos lordes feudais que comandavam o Japão durante do período Edo.
Em 21 de abril de 1956, uma menina de cinco anos foi examinada no hospital da fábrica Chisso. Os médicos ficaram perplexos com os sintomas: dificuldade para caminhar, dificuldade na fala, e convulsões. Dois dias depois, a irmã mais nova da menina também começou à exibir os mesmos sintomas e foi, também, hospitalizada. A mãe das meninas informou os doutores que a filho dos vizinhos também estava tendo problemas similares. Após uma investigação de casa em casa, mais oito pacientes foram descobertos e hospitalizados. Em 1 de maio, o diretor do hospital relatou ao departamento de saúde local a descoberta de uma "epidemia de uma doença desconhecida do sistema nervoso central", marcando a primeira descoberta oficial da doença de Minamata. Para investigar a epidemia, o governo local e vários médicos formaram um Comitê de Contramedidas à Doença Desconhecida no fim de maio de 1956. Devido à natureza local da doença, suspeitava-se que fosse contagiosa, e como precaução os pacientes foram isolados e suas casas desinfectadas. Embora a tese do contágio tenha sido descartada logo depois, a resposta inicial contribuiu para a estigmatização e discriminação experimentada para sobreviventes de Minamata. Durante as investigações, o comitê descobriu as anedotas surpreendentes de evidências de comportamentos estranhos em gatos e outros animais silvestres em áreas entorno das casas dos pacientes. De 1950 em diante, os gatos foram vistos tendo convulsões, comportamentos insanos, e eventualmente morrendo. Os locais denominaram isso de "doença dos gatos dançantes", devido a seu movimento errático. Na medida que a extensão do surto foi compreendida, o comitê convidou pesquisadores da Universidade de Kumamoto para ajudar no esforço de investigação.
Encontrando a causa
Pesquisadores de Kumadai também começaram a focar na causa da estranha doença. Eles descobriram que as vitimas, frequentemente membros da mesma família, concentravam-se em pontos de pesca na costa da Baia de Minamata. Peixes e frutos do mar locais formavam um elemento constante nas suas dietas. O gatos da área, que tendiam à comer restos de alimentos das famílias, haviam falecido com sintomas similares com os descobertos em humanos. Isso levou os pesquisadores a acreditar que o surto era causado por alguma forma de intoxicação alimentar, suspeitando principalmente da contaminação nos peixes e frutos do mar. E 4 de novembro, o grupo de pesquisa anunciou suas descobertas iniciais: "A doença de Minamata é considerada uma intoxicação por um metais pesados, que presumivelmente adentra o corpo humano através, principalmente, de peixes e frutos do mar."
Identificação do mercúrio
Logo que a investigação identificou um metal pesado como substância causal, a água residual da fábrica Chisso se tornou imediatamente suspeita. Os próprios testes da companhia revelaram que a água residual continha vários metais pesados em concentrações suficientes para causar impactos ambientais graves, incluindo chumbo, mercúrio, manganês, arsênio, thallium, e cobre, além do selênio calcogênio. Identificar qual toxina particular foi responsável pela doença provou-se extremamente difícil e trabalhoso. Durante os anos de 1957 e 1958, muitas teorias diferentes foram propostas por pesquisadores. Num primeiro momento, o manganês foi considerado a substância causal devido a alta concentração encontrada nos peixes e nos orgãos dos falecidos. Thallium, selênio, e múltiplos contaminantes foram avaliados, mas em março de 1958, o neurologia britânico Douglas McAlpine, que visitava a região, sugeriu que os sintomas de Minamata se assemelhavam aos da intoxicação por mercúrio, o que motivou um novo foco nas investigações.


