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Die Frau ohne Schatten

Die Frau ohne Schatten é uma ópera em três atos do compositor alemão Richard Strauss com libreto de seu colaborador de longa data, o poeta Hugo von Hofmannsthal. Quando a obra estreou em Viena em 10 de outubro de 1919, críticos e a plateia não se entusiasmaram. Atualmente, a ópera é considerada por muitos uma das melhores obras ou mesmo a melhor obra de Strauss, embora seja menos apresentada do que outras.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Histórico da ópera

O processo de composição da ópera começou em 1911. Os primeiros esboços de Hofmannsthal para o libreto foram baseados numa peça de Goethe, "Conversas de Emigrantes Alemães" (1795). Hofmannsthal lida com o material de Goethe livremente, acrescentando a ideia de dois casais, o imperador e a imperatriz que vêm de outro mundo, e o tintureiro e sua esposa, que pertencem ao mundo comum. Hofmannsthal também adicionou porções das Noites Árabes contos de fada dos irmãos Grimm e até citações do Fausto de Goethe. A ópera é concebida como um conto de fadas sobre o amor abençoado pelo nascimento de uma criança. Hofmannsthal, em suas cartas, compara-a com A Flauta Mágica, de Mozart, que tem um arranjo similar de dois casais. Strauss começou a compor imediatamente. Ele e Hofmannsthal trabalharam na música e nas letras paralelamente, cada um recebendo inspiração do outro. Strauss ficou satisfeito com o texto de Hofmannsthal, mas pediu-lhe que reescrevesse passagens para fins de efeito dramático. Hofmannsthal resistiu a fazê-lo, estando mais preocupado com o simbolismo por trás do libreto. A ópera estava terminada em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, mas teve de aguardar pela sua estreia até 1919, e Strauss, sabendo que não a veria propriamente encenada naquela conjuntura, não fez esforço para apresentá-la até o final do conflito. A difícil génese da ópera está documentada na correspondência entre compositor e o poeta.

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Música e encenação

Imagem: iClassicalCom · BY · Openverse

Musicalmente, Die Frau ohne Schatten é uma das partituras mais coloridas e complexas de Strauss. Contrastando com as dinâmicas Salomé e Elektra, ela inclui monólogos e cenas extensas. A ópera permanece sendo um desafio para a encenação, mesmo em grandes casas de ópera, uma vez que demanda cinco bons solistas nos extenuantes papéis principais, com primários de primeiro nível, uma grande orquestra, e cenários e efeitos cênicos sofisticados. Cenicamente, é também uma obra exigente, com várias mudanças de cenário e efeitos especiais. Crianças cantando de dentro de uma frigideira é particularmente difícil de produzir, assim como a cascata de ouro da cena final. Poucas casas de ópera conseguem encenar a obra. Em 1939, a pedido do regente Clemens Krauss, Strauss modificou duas passagens escritas para o Guardião do Portão para, com menos orquestra, facilitar o entendimento do texto. Em 1946, Strauss criou uma peça orquestral de um só movimento, a Fantasia sobre Die Frau ohne Schatten, baseada em momentos de destaque da ópera, a qual foi estreada em Viena em 1947.

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Personagens

Imagem: iClassicalCom · BY · Openverse

O papel da Imperatriz exige uma soprano dramática capaz de também cantar passagens de coloratura contendo trilos, floreios e um Dó5 agudo (tudo isso apenas em seu primeiro solo no Primeiro Ato). Similarmente, qualquer tenor que se arriscar como o Imperador deve poder lidar com numerosas passagens no registro agudo, particularmente sua longa cena solo no Primeiro Ato. O papel da Ama se situa mais confortavelmente na extensão de contralto, mas faz frequentes saltos até o registro mais agudo. A Mulher do Tintureiro também requer uma soprano com voz volumosa o bastante para ser ouvida acima da passagens orquestrais pesadas. O Tintureiro é o papel menos extenuante dentre os protagonistas, mas novamente a orquestração é muito pesada e requer um barítono com potência suficiente para aguentar as três horas e quinze minutos de toda a ópera.

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Sinopse

Imagem: iClassicalCom · BY · Openverse

O enredo da ópera se passa em um império mítico das Ilhas do Sul e envolve cinco personagens principais: o Imperador, a Imperatriz, sua ama, Barak, um tintureiro pobre, e a Mulher do Tintureiro. Um sexto personagem, Keikobad, Rei do Reino Espiritual e pai da Imperatriz, é responsável pela dinâmica da estória, mas nunca aparece no palco. A Imperatriz não é humana: ela foi capturada pelo Imperador na forma de uma gazela. Ela assumiu a forma humana, e ele casou com ela, mas ela não tem sombra. Isso simboliza sua esterilidade. Keikobad decretou que, a menos que a Imperatriz ganhe uma sombra antes do fim da décima segunda lua, ela será reclamada pelo seu pai, e o Imperador virará pedra.

Primeiro Ato

Amanhece fora dos aposentos do Imperador e da Imperatriz. O Mensageiro de Keikobad chega, e diz à Ama da Imperatriz que esta precisa adquirir uma sombra dentro de três dias ou será forçada a retornar para seu reino, e o Imperador se transformará em pedra. A Ama se empolga com a perspectiva de voltar ao mundo espiritual, pois ela odeia os humanos e ter de lidar com eles. O Mensageiro sai, e o Imperador se levanta. Ele parte para uma viagem de caça de três dias, procurando seu falcão favorito, o qual ele expulsara por atacar a gazela que depois se transformou na Imperatriz. E deixa a esposa aos cuidados da Ama. A Imperatriz surge dos seus aposentos e relembra os tempos quando ela tinha a capacidade de se transformar em qualquer criatura que quisesse. É revelado, então, que, depois de ser atacada pelo falcão vermelho que o Imperador agora procura, ela perdeu um talismã que lhe dava poderes de metamorfose e no qual estava inscrita uma maldição que predizia o destino que ela e o Imperador estão prestes a encarar se ela não ganhar uma sombra. O falcão vermelho aparece, avisa a Imperatriz disso e implora à Ama que a ajude a obter uma sombra. A Ama, que é experiente na magia, sugere descerem até o mundo mortal e acharem uma mulher que venda sua sombra à Imperatriz.

Segundo Ato

A Imperatriz, agindo como uma criada, ajuda o Tintureiro na saída para o trabalho, porém fica transtornada com seu papel, pois Barak é muito gentil com ela. A Ama conjura a imagem de um belo jovem dando vida a uma vassoura, o que deixa a Mulher do Tintureiro tentada. O Tintureiro retorna com seus irmãos famintos e crianças mendigas. Ele teve um magnífico dia no mercado e conseguiu vender todas as suas mercadorias, tendo convidado todos para celebrar. Entretanto, a Mulher acaba estragando a celebração. O Imperador, guiado pelo falcão vermelho, vê a Imperatriz e a Ama subrepticiamente entrarem no seu alojamento de caça, e suspeita. Quando ele chega mais perto, sente na Imperatriz um cheiro de ser humano. Ele resolve que deve matá-la, mas não consegue cumpri-lo, porque o falcão vermelho não permite que ele o faça a não ser que seja com mãos livres.

Terceiro Ato

Numa gruta sob o reino de Keikobad, a Mulher é atormentada pelas Vozes das Crianças Não-Nascidas. Ela declara que ama o Tintureiro, que se arrepende de sua tentativa de violência. Uma voz os direciona para escadarias separadas. A Imperatriz e a Ama chegam diante do templo de Keikobad. A Ama tenta convencer a Imperatriz a escapar, mas ela se lembra dos portões do seu sonho e sabe que seu pai a está esperando do outro lado deles. Ela dispensa a Ama e entra. A Ama prevê as terríveis torturas que aguardam a Imperatriz e ilude a Mulher e Barak, que estão olhando um para o outro: a ela para que morra nas mãos do seu marido; a ele, para que perdoe a mulher e a segure em seus braços. O Mensageiro de Keikobad condena a Ama a vagar pelo mundo mortal.

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