Volta ao País Basco de 2013
A 53.ª edição da Volta ao País Basco, disputou-se em 2013 entre 1 e 6 de abril, esteve dividida em seis etapas: cinco em estrada e a última em contrarrelógio, por um total de 833,1 km.
Como costuma ser habitual se adiantou parte do percurso ao finalizar a edição anterior. No entanto, com respeito a ditas intenções não finalizou em Biscaia como tinham previsto fazer dando especial protagonismo a Guipúscoa no percurso definitivo anunciado de 23 de março de 2013 com o início em Elgoibar, final da 4.ª etapa em Arrate (Eibar) e final da prova (final da 5.ª etapa e 6.ª etapa íntegra) em Beasain. Devido a isso se repetiram passo pelos mesmos lugares em diferentes etapas -deixando a um lado a contrarrelógio que sempre se disputa na localidade final da etapa anterior- por exemplo o passo por Elgoibar na 1.ª, 4.ª e 5.ª etapas, pelo porto de Elgueta (subido por diferentes vertentes) e Vergara na 1.ª, 2.ª e 4.ª etapas, por Echevarría e o porto de San Miguel na 1.ª e 4.ª etapas e por Azpeitia na 1.ª e 5.ª etapas.
Descrição das etapas
1.ª etapa A primeira parte da etapa passou pela comarca do Alto Deva para depois de uma volta voltar a Elgoibar para dirigir-se ao duro e estreito porto de Azurki pela vertente de Endoia -que não se subia a nível profissional desde a Volta ao País Basco de 2002 conquanto até 2004 era habitual na Euskal Bizikleta ainda que por outra vertente- a 56,5 km da meta. Depois de finalizar a sua descida em Elgoibar se adentrou na última parte da etapa que conquanto poderiam se produzir reagrupamentos os altos de Kalbario (3.º categoria) e San Miguel (2.ª categoria) cujo cume está situada a 7 km da chegada poderiam evitar a chegada de um grupo numeroso a meta sobretudo se as condições meteorológicas são adversas. A última vez que se chegou a Elgoibar, também depois da passagem por Azurki por essa vertente, foi no primeiro sector da 5.ª etapa de dita edição do 2002 no que apesar do duplo passo posterior pelo porto de Azcárate (2.ª categoria) -que situaram a cume de Azurki a uns 30 km da chegada- chegaram destacados 5 corredores com quase 1 minuto de vantagem sobre o seguinte grupo. 2.ª etapa Etapa clássica da Volta ao País Basco com final em Vitoria, a única com previsível chegada em massa de um grupo numeroso. Se adentra em Álava através de Salinas de Léniz (2.ª categoria) e depois de chegar à capital alavesa sem dificuldades orográficas repete-se praticamente o mesmo circuito da edição de 2008 e da edição de 2012 (últimas vezes que esta Volta tem chegado a dita capital): porto de Vitoria (3.ª categoria), rodeio pelo Condado de Treviño para enfrentar o estreito alto de San Martín (3.ª categoria) e finalmente o porto de Zaldiaran (3.ª categoria, às vezes catalogado de 2.ª) a 9 km da meta. 3.ª etapa Clássica etapa com final nas imediações do bairro do Arvoredo no Vale de Trápaga ainda que desta vez com uma modificação substancial em seu final endurecendo-o consideravelmente ao mudar a ordem das ascensões ao Arvoredo com respeito ao último final nessa zona na edição de 2005. Os primeiros 80 km decorreram por Álava entrando em Biscaia através de Gordejuela e o alto de San Cosme (não pontuável, habitualmente pontuado de 3.ª categoria). Depois de passar pelo alto de Humaran (3.ª categoria) se adentrou na subcomarca da Zona Mineira através de Sopuerta onde decorreram os últimos quilómetros da etapa. Depois de passar pelo Vale de Trápaga subiu-se o porto da Reineta (2.ª categoria) que costumava ser o final clássico desta etapa; no entanto antes de subir à La Longínqua baixou-se pela estrada BI-3757 finalizada em 2008 (que já se utilizou como ascensão na edição de 2010 na primeira subida à zona do Arvoredo). Depois de um pequeno rodeio por Ciérvana para evitar cruzamentos voltou-se praticamente ao mesmo lugar para ascender o porto através de Musques utilizando as estradas rurais de Putxeta e Las Calizas e culminando com a ascensão até La Longínqua (2.ª categoria). Esta irregular e dura vertente do porto (que combina trechos de uns 500 metros meio ao 15% de desnível -chegando até 21%- com descidas e falsos planos) nunca tinha sido utilizada como final de etapa e o mais perto foi na mencionada edição de 2010 que se coroou a 18 km de meta e ainda assim deixou destacados a 9 corredores (que foram neutralizados por outro pequeno grupo a 2 km de meta chegando o seguinte grupo a mais de minuto e meio) e sem o acrescentado da Longínqua. 4.ª etapaTradicional chegada a Eibar com final em Arrate depois de passar por Usartza (1.ª categoria) e anteriormente por Ixua (1.ª categoria) calcando praticamente os mesmos últimos 90 km desde a edição de 2010: Vergara, Placencia de las Armas, Karabieta (2.ª categoria), Miota (3.ª categoria), Areitio (3.ª categoria) com as ascensões finais mencionadas de Usartza e Ixua (ambas de 1.ª categoria) com o alto de San Miguel (2.ª categoria) -que já se ascendeu na primeira etapa a 7 km de meta- entre essas duas. 5.ª etapa A etapa com mais portos ou altos pontuáveis desta edição com até 10. Ao pouco de começar ascendeu-se o porto de Urraki (1.ª categoria) - que não se subia a nível profissional desde a Euskal Bizikleta de 2004 - e depois de cruzar várias pequenas ascensões de 3.ª categoria chegou-se ao alto de Liernia em Mutiloa onde se deu 1 volta a um circuito de 33 km com os altos pontuáveis de Olaberría (2.ª categoria) e Gaviria (3.ª categoria) mais o mencionado de Liernia (não pontuável) e Ceráin (não pontuável) ao princípio de dito circuito. Posteriormente depois de passar por segunda vez por Olaberria a corrida dirigiu-se a Beasain para enfrentar a parte decisiva da etapa com de novo Gabiria (3.ª categoria) Liernia (não pontuável) e Ceráin (não pontuável), Barbaris (2.ª categoria) e de novo Olaberría (2.ª categoria) esta última a 5,8 km da meta. A vertente pela que se subiu ao alto de Olaberria em todas suas ascensões foi inédita no ciclismo profissional já que a pouco mais de 1 km teve várias rampas meio ao 21% de desnível. 6.ª etapa Como vem sendo habitual a contrarrelógio final passou pelos pontos fortes da etapa anterior. Assim à saída de Beasain se dirigiram à "parte alta de Ormáiztegui" para repetir a seguir os primeiros quilómetros do circuito utilizado no dia anterior com o alto de Liernia, Ceráin e Olaberria (desta vez não pontuável) para depois da sua descida se dirigir a Beasain tal e como se fez ao final da etapa anterior.
Reacções
Depois de conhecer-se o percurso Samuel Sánchez, líder do Euskaltel Euskadi, declarou que: “É a Volta ao País Basco mais dura dos últimos anos” destacando a penúltima etapa e o contrarrelógio de Beasain. Apesar de não acabar em alto similar opinião tiveram da etapa de Beasain Haimar Zubeldia e Gorka e Ion Izagirre conhecedores dessa zona do Goyerri, destacando os irmãos Izagirre também os últimos 500 m das ascensão à Longínqua. Por sua vez Beñat Intxausti descreveu a subida irregular da Longínqua: "A Longínqua é uma subida em escada, com três rampas de 600 metros, curtas, mas duras, modelo clássicas. É mais duro Arrate, mas igual há mais diferenças na Longínqua". Coincidindo na dureza da etapa de Beasain pronosticando que "Se se vai um grupo pequeno pode fazer mais dano que Arrate e A Longínqua".
Outros factos destacados
Pela primeira vez em sua história não passou por Navarra nem sequer uns quilómetros. Conquanto não há uma obrigação dos lugares por onde a corrida tem de passar tem sido tradicional, e sempre ocorreu até esta edição, que Álava, Guipúscoa, Biscaia e Navarra tivessem ao menos um início e final de etapa condicionando às vezes o percurso por isso. Destacou o quilometragem do contrarrelógio final já que habitualmente costuma rondar os 10-15 km e desta vez foi-se até os 24 km igualando a marca da contrarrelógio de Zalla (realizada em 2006, 2009 e 2011) ainda que com a grande diferença de que naquela apesar de subir os altos de Avellaneda (não pontuável), o porto de Bezi (de 3.ª categoria -mas como costuma ser habitual nos contrarrelógios desta corrida sem catalogar na crono-) e o alto da Herrera (não pontuável) passavam maioritariamente por estradas principais e inclusive por longas retas. No entanto, desta vez grande parte do traçado passou por estradas urbanas e rurais além de passar pelo porto de Olaberria que na etapa anterior tinha sido catalogado de 2.ª categoria.
Tomaram parte na corrida 21 equipas: os 19 de categoria UCI ProTeam (ao ser obrigada sua participação); mais 2 equipas de categoria Profissional Continental mediante convite da organização (Cofidis, Solutions Crédits e Caja Rural-Seguros RGA). Formando assim um pelotão de 164 ciclistas, com 8 corredores cada equipa (excepto o Blanco e Argos-Shimano que saíram com 7 e o Sky que saiu com 6), dos que acabaram 70. As equipas participantes foram:
Etapa 1
Ainda que no dia tinha começado com a chuva apontada pelas previsões meteorológicas, esta cedeu para o momento da saída da corrida desde Elgóibar e o transcurso da etapa, com seis cotas pontuáveis, esteve marcado pelo bom tempo. O conseguinte secado do asfalto serviu para reduzir a perigo atribuída ao descida final desde o porto de San Miguel até à meta situada na mesma villa guipuzcoana da que tinham partido os corredores, conhecida como a capital da máquina ferramenta. Após várias tentativas para conformar uma escapada, finalmente estabeleceu-se um dúo cabeceiro formado por Amets Txurruka e Laurent Didier. Os dois fugidos foram ampliando a sua margem: ascendido já Asensio, a seu primeiro passo por Elgóibar contavam com quatro minutos de margem. No entanto, o trabalho do Saxo-Tinkoff no pelotão fez que a partir de então a diferença se fora reduzindo progressivamente. Durante a subida ao alto do Calvario, Didier não pôde manter o ritmo e deixou em solitário a Txurruka, que coroou o porto com minuto e meio com respeito ao grupo principal. O ciclista vizcaíno se pós como cabeça de corrida na comarca de Leia Artibai, da que era oriundo, onde foi finalmente atingido pelo pelotão pouco antes de atravessar seu Echevarría natal. Não obstante, o ter cruzado em cabeça os cinco primeiros portos da jornada serviu-lhe para situar ao termo da etapa à frente da classificação da montanha.
Etapa 2
Ao igual que na jornada inaugural, Amets Txurruka voltou a protagonizar a fuga da jornada: escapado em solitário praticamente desde a saída, seu propósito inicial era coroar em primeira posição os dois primeiros portos do dia (ainda em território guipuzcoano) para somar pontos e consolidar a sua liderança na classificação da montanha, objectivo que conseguiu. No entanto, e dado que tinha acumulando uma vantagem com respeito ao pelotão que chegou a ser de até 5 minutos, o escalador vizcaíno continuou com sua fuga pela llanada alavesa para posteriormente seguir somando pontos nos pequenos portos de Vitoria e San Martín e nas metas volantes, ainda que com uma margem cada vez menor com respeito ao grupo principal até ser finalmente neutralizado.
Etapa 3
Na primeira das duas etapas com final em alto a escapada do dia esteve composta por cinco corredores: Amets Txurruka (protagonista pelo terceiro dia consecutivo), Omar Fraile, Mikel Landa, Romain Bardet e Dani Navarro, todos eles com tempo perdido na classificação geral. O quinteto chegou a contar com uma vantagem de até cinco minutos, mas o trabalho do Movistar no pelotão durante a ascensão à Reineta fez que a diferença se reduzisse a menos de dois minutos. Os fugidos puderam baixar a Gallarta e coroar o alto de Cobarón sendo ainda cabeça de corrida, ainda que com uma pequena margem que fez que todos eles terminassem sendo neutralizados pouco depois de cruzar Musques. Pese a que não conseguiram fazer com a vitória de etapa, a fuga sim serviu a Txurruka para seguir somando pontos face a consolidar sua liderança tanta na classificação da montanha como na das metas volantes.
Etapa 4
A segunda etapa consecutiva de montanha esteve marcada pela chuva e o frio, em contraste com os dias anteriores. Ao pouco de começar retirava-se da competição o belga Jurgen Van den Broeck, e pouco depois fariam o próprio Simon Gerrans, Jérémy Roy, Janez Brajkovič e Thomas de Gendt. A jornada teve um início nervoso no que se sucederam as tentativas de fuga infrutuosas, participando em várias delas Gorka Izagirre, incluída uma efémera escapada de nove corredores que foi rapidamente abortada pelo pelotão ao se encontrar nela Andrew Talansky, considerado um rival face à classificação geral. Essas tentativas de fuga fizeram que apesar do mau tempo a primeira hora de corrida se corresse a uma grande velocidade (49 km/h em media), percorrendo nesse tempo praticamente em sua totalidade o trecho plano prévio ao periplo montanhoso que lhes esperava.
Etapa 5
A penúltima etapa, última em estrada, contava com um perfil avariado pela comarca do Goyerri que incluía até dez cotas pontuáveis. À dificuldade própria do percurso uniu-se o mau tempo, com baixas temperaturas e frequentes intervalos de precipitações (principalmente em forma de chuva, e inclusive de neve em algum momento). Todo isso propiciou que nesse dia deixassem a corrida 75 ciclistas entre não apresentados e retirados, incluindo a ciclistas como Philippe Gilbert, Andreas Klöden, Tejay Van Garderen, Ryder Hesjedal ou Andy Schleck. Depois das primeiras ascensões a Olaberría e Gaviria ficou estabelecida uma fuga de cinco corredores: Dani Navarro, José Herrada, Rui Costa, Andrew Talansky e Jakob Fuglsang, estes dois últimos considerados antes do início da rodada basca candidatos ao triunfo final mas que depois da quatro jornadas anteriores tinham perdido já mais de um minuto na geral; Ion Izagirre tinha ficado já descolado ao não poder seguir o ritmo dos outros cinco. A cabeça de corrida coroou o porto com 50 s sobre Amets Txurruka e Omar Fraile, ambos da Caja Rural-Seguros RGA, e 1 min 40 s sobre um pelotão comandado pelo Sky (os gregários Xabier Zandio e Vasil Kiryienka, amém do líder Sergio Henao e o chefe de fileiras Richie Porte). Após o passo por Mutiloa o par vizcaína reduziu o seu atraso com respeito aos cinco de diante a 32 s, e dado que um Txurruka extenuado depois das escapadas dos três primeiros dias não podia lhe seguir o ritmo Fraile continuou com a perseguição em solitário, lhes dando caça à saída de Segura; nesse momento o sexteto cabeceiro seguia contando com um minuto de vantagem sobre o grupo principal.
Etapa 6
A decisiva contrarrelógio com a que concluía a rodada basca, idêntica ao trecho final da etapa anterior, se disputou sob umas condições de frio e chuva, após que as cimeiras dos arredores de Beasain tivessem amanhecido nevadas. O ponto intermediário fixou-se em Ceráin, entre o alto de Liernia e o duro trecho de Olaberría, enquanto a reta de meta estava situada numa rua empedrada da cintura urbana da vila vagonera. O especialista Tony Martin, vigente campeão do mundo da modalidade e dos primeiros em tomar a saída devido ao atraso acumulado nas jornadas prévias, marcou o tempo de referência com 35 min 05 s. A sua marca não seria superada posteriormente por quem se disputavam a geral, de modo que o contrarrelógista alemão se fez com a vitória de etapa.
Nesta edição outorgaram-se pontos para o Ranking UCI WorldTour de 2013 somente aos corredores de equipas ProTeam.
A retransmissão televisiva da corrida correu a cargo de Euskal Telebista (ETB), a televisão pública basca, que emitiu todas as etapas ao vivo através de ETB 1 e em diferido por ETB Sat. Além de duas motos e as câmaras fixas de meta, contou-se também com um helicóptero para obter imagens aéreas. O narrador das retransmisões foi Fermin Aramendi, máximo responsável do ciclismo em dita estação, secundado nos comentários pelo exciclista e presentador de informativos Xabier Usabiaga. O jornalista Alfonso Arroio seguia in situ a corrida desde uma moto, entrevistando aos diretores desportivos que iam nos carros e dando referências de tempos e dorsais, além de entrevistar aos ciclistas mais destacados ao termo de cada etapa. O sinal televisivo da corrida foi facilitada assim mesmo a outras correntes:


