Deng Xiaoping
Deng Xiaoping foi o líder supremo da República Popular da China entre 1978 e 1992. Após a morte de Mao Tsé-Tung, Deng Xiaoping conduziu a China por uma série de reformas econômicas, ganhando-lhe a reputação de "Arquiteto Chefe" da Reforma e Abertura.
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Em 1919, Deng formou-se na Escola Preparatória de Chongqing. Ele ganhou, então, uma bolsa de estudos na França. Na França trabalhou como metalúrgico na fábrica da Renault em Billancourt, bombeiro e assistente de cozinheiro em Paris. Nestes empregos ele ganhava apenas o suficiente para a subsistência. Muito desses empregos tinham condições de trabalho insalubres, com trabalhadores frequentemente se acidentando. Deng mais tarde afirmaria que foi na França que primeiro experimentou os problemas da sociedade capitalista. Ele estudava em Bayeux e Chantillon. Durante os estudos teve contato com o Marxismo e entrou para a Juventude Comunista Chinesa em 1921. Em 1926, Deng concluiu seus estudos em Moscou e retornou para a China. Deng colaborou em várias missões políticas e militares durante a guerra civil no Sul (1930-1934) até que os comunistas fossem obrigados a fugir, derrotados por Chiang Kai Shek. Participou da Longa Marcha até o estabelecimento de uma nova base comunista em Yenan (1934-1936); nessa época, alinhou-se às teses defendidas por Mao Zedong dentro do Partido, que o colocou à cabeça do movimento quando Mao ganhou o controle em 1935. Durante a guerra contra os japoneses (1937-1945), Deng atuou como comissário político no exército, estabelecendo estreitas relações com os chefes militares, que se revelariam decisivas para impulsionar sua carreira posterior.
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Em 1945 entrou para o Comitê Central do Partido Comunista subiu à vice-presidência do governo e tornou-se secretário-geral do Partido e membro do Politburo. Deng logo mostrou-se um líder pragmático, nos anos do Grande Salto Adiante (ou Grande Salto em Frente, 1958-1961).
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Graves ataques pessoais contra Deng começaram em setembro e outubro de 1966, especialmente por Lin Biao. Em 1 de outubro, apareceu um editorial que criticava o "segundo maior governante do caminho capitalista". Embora o artigo não mencionasse Deng pelo nome, estava claro que Deng Xiaoping era agora o principal alvo das críticas. Deng, Liu e vários outros políticos tiveram que confessar seus erros aos Guardas Vermelhos em longas sessões de crítica. No final de dezembro, uma manifestação organizada por Zhang Chunqiao na Universidade Qinghua exigia que Deng e Liu fossem derrubados. Em milhões de jornais de parede, Deng foi caricaturado com uma cabeça de cachorro e um nariz de porco e chamado de “grande planta venenosa” ou “raiz principal da linha reacionária da burguesia”. Em 19 de julho de 1967, os Guardas Vermelhos revistaram a casa de Deng; em 29 de julho, Deng e sua esposa foram levados para críticas e sessões de luta, onde foram abusados e espancados. Depois de outra busca domiciliar, Deng e Zhuo Lin foram "sentenciados" à prisão domiciliar em Zhongnanhai. Lá eles estavam agora protegidos dos Guardas Vermelhos. Deng provavelmente escapou de abusos mais graves por causa de suas boas relações com Zhou Enlai e de Mao, sabendo este que Deng poderia ser necessário em uma data posterior. Mao rejeitou as propostas dos radicais para eliminar Deng inteiramente. Seus filhos, no entanto, foram repetidamente coagidos por unidades dos Guardas Vermelhos a confessar a má conduta de seu pai e a renunciar a ele. Eles não foram autorizados a ter contato com seus pais por dois anos. Seu filho Deng Pufang caiu da janela durante um "interrogatório", sofreu graves ferimentos na coluna e não foi operado nos hospitais porque estava "sob crítica". Desde então, ele está paraplégico. Pelo resto de sua vida, Deng teve orgulho de que seus filhos o apoiaram e de que os laços familiares foram fortalecidos pelo terror.
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Aproximou-se novamente do poderio. No final de 1975 tornou-se vice-primeiro ministro. Em 1976, foi expurgado novamente e mantido em prisão domiciliar, sendo que ainda no mesmo ano, com a morte de Mao Tsé-Tung, volta a ocupar posição de destaque no partido, tornando-se aos poucos, na prática, o novo líder chinês.
É Deng Xiaoping que põe em prática as reformas econômicas que fariam da China o país com maior crescimento econômico do planeta. Dentre essas reformas, destacam-se as quatro modernizações, nos setores da agricultura, indústria, comércio, ciência, tecnologia e na área militar. Durante seu governo, a China passou por uma grande abertura diplomática. Em 1979, Xiaoping foi o primeiro líder chinês a visitar os Estados Unidos. Buscando atrair investimentos estrangeiros, Deng cria diversas Zonas Econômicas Especiais, onde empresas estrangeiras podem se instalar, desde que tenham parceria com empresas chinesas. A diferença entre as reformas soviética (glasnost e perestroika) e chinesa deve-se ao fato de que Mikhail Gorbachev foi o único responsável pelas reformas da União Soviética, ao passo que Deng Xiaoping simplesmente oficializou diversas práticas criadas por autoridades municipais e/ou provinciais que estavam "fora" das diretivas de Pequim. Deng também era aberto a sugestões; as quatro modernizações, por exemplo, foram ideia de Zhou Enlai.
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Em 1989, Deng Xiaoping ordenou a repressão violenta das manifestações na praça da Paz Celestial, em Pequim, marcadas por reivindicações de reformas políticas e combate à corrupção. O episódio resultou em ampla repercussão internacional e críticas ao governo chinês. Meses depois, Deng começou a transferir suas responsabilidades para novos líderes, embora continuasse influente nos rumos do país. Em 1992, tornou-se o primeiro líder comunista da China a se aposentar formalmente, abrindo mão de todos os seus cargos e títulos vitalícios. No mesmo ano fez uma longa viagem pelas Zonas Econômicas Especiais, sempre defendendo o economia de mercado socialista. Morreu em 19 de fevereiro de 1997, em decorrência de complicações causadas pelo mal de Parkinson.


