Debian
Debian é um sistema operacional livre, desenvolvido e mantido pelo Projeto Debian, uma associação global de indivíduos fundada por Ian Murdock em agosto de 1993. É a segunda mais antiga distribuição Linux em desenvolvimento contínuo, superada apenas por Slackware. Por sua confiabilidade e compromisso com o movimento de software livre, Debian é amplamente utilizado em servidores, desktops e sistemas embarcados, e serve de base para várias outras distribuições, entre elas Ubuntu, Linux Mint Debian Edition e Tails.
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Fundação (1993-1997)
O Debian foi anunciado em 16 de agosto de 1993 por Ian Murdock, que inicialmente chamou o sistema de "Debian Linux Release", com o propósito de oferecer uma alternativa ao Softlanding Linux System (SLS), uma distribuição Linux popular da época conhecida por sua instabilidade e dificuldade de manutenção. O nome "Debian" é uma aglutinação do nome de sua então namorada, Debra, e de seu próprio nome Ian. Em janeiro de 1994, Murdock publicou o Manifesto Debian, documento que articulava os objetivos do projeto: desenvolver o sistema de forma aberta e comunitária, capaz de competir no mercado comercial mantendo-se como software não-comercial. Os princípios presentes no Manifesto atraíram o interesse da Free Software Foundation (FSF), fundada por Richard Stallman, que patrocinou o projeto de novembro de 1994 a novembro de 1995. O patrocínio foi encerrado após o Debian decidir seguir uma direção técnica independente da FSF.
Consolidação (1998-2005)
Em fevereiro de 1998, as DFSG serviram de base para a criação da Open Source Initiative (OSI) e a publicação da Open Source Definition, que formalizou o termo "código aberto", estabelecendo uma definição comum para toda indústria. No mesmo ano, em 2 de dezembro, a primeira Constituição do Debian foi ratificada, formalizando a estrutura de governança do projeto e estabelecendo a eleição anual do líder do projeto, realizada pela primeira vez em 1999. Em março de 1999, o projeto lançou o Debian 2.1 Slink, que introduziu o APT como gerenciador de pacotes. O APT automatizava a resolução de dependências entre pacotes, eliminando um dos maiores obstáculos práticos ao uso do Linux na época. Ainda naquele ano, surgiram as primeiras distribuições derivadas do Debian: Libranet, Corel Linux e Storm Linux, evidenciando o potencial do projeto como base para sistemas voltados a públicos e propósitos específicos.
Maturidade e controvérsias (2006-2015)
Em 2006, após um debate iniciado em 2004, os softwares da Mozilla foram renomeados no Debian por dois motivos: o logotipo do Firefox possuía uma licença proprietária incompatível com as DFSG e um representante da Mozilla Corporation declarou que programas com modificações não aprovadas não poderiam ser distribuídos sob suas marcas registradas. Como o Debian aplicava correções de segurança sem aprovação prévia da Mozilla, prática alinhada à sua política de manutenção de pacotes, o projeto passou a distribuir o navegador como Iceweasel, o cliente de e-mail Thunderbird como Icedove e o SeaMonkey como Iceape. As renomeações foram implementadas no ramo unstable em 2006 e chegaram à versão estável com o lançamento do Debian 4.0 Etch em 2007.
História recente (2016–)
A partir de 2016 e concluído em 2017 com o Debian 9 Stretch, os softwares da Mozilla Corporation foram renomeados para suas versões oficiais, após a empresa relicenciar os logotipos sob uma licença de copyright compatível com as DFSG e reconhecer que os patches aplicados pelo Debian não comprometiam a qualidade do produto, permitindo que o projeto retornasse à sua identidade visual original. O Debian 10 Buster, lançado em julho de 2019, introduziu avanços significativos nas áreas de segurança e infraestrutura gráfica. Entre as principais mudanças, destacaram-se a adição de suporte a UEFI Secure Boot, a habilitação do AppArmor e a adoção do Wayland como protocolo de servidor gráfico padrão para o ambiente desktop GNOME. Nesta versão, o projeto também publicou uma resolução que consolidou o systemd como init do sistema.
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A introdução de um novo pacote no Debian segue um processo formal que tem início antes mesmo do envio do pacote ao arquivo. O desenvolvedor interessado deve primeiro consultar a lista de pacotes que precisam de mantenedor ou que estão em fase de proposta (Work-Needing and Prospective Packages, WNPP), a fim de verificar se outra pessoa já está trabalhando no mesmo software. Confirmada a disponibilidade, o desenvolvedor registra um relatório de intenção de empacotamento (Intent to Package, ITP) no sistema de rastreamento de erros do Debian, descrevendo o pacote, sua licença e a origem dos fontes. Esse procedimento tem por objetivo evitar duplicação de esforços e permitir que a comunidade revise antecipadamente o nome e a descrição do pacote. Os pacotes são normalmente enviados primeiro para o ramo unstable. O envio consiste em um arquivo .changes assinado criptograficamente, acompanhado dos arquivos de código-fonte e dos pacotes binários correspondentes. O primeiro envio de um novo pacote-fonte deve obrigatoriamente incluir os pacotes binários, de modo que os administradores do arquivo possam revisá-los antes de sua admissão, etapa conhecida como fila NEW. Nos envios subsequentes, é preferível realizar envios somente de fontes (source-only uploads), cabendo aos servidores de compilação automática do projeto gerar os binários para cada arquitetura suportada em um ambiente controlado.
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Os pacotes do Debian são distribuído pela internet através de seus repositórios oficiais, acessíveis pelo APT. As imagens de instalação estão disponibilizadas no site oficial do projeto em diferentes formatos: imagens reduzidas que baixam os pacotes durante a instalação (netinst) e imagens completas em DVD. O projeto disponibiliza imagens para diversas arquiteturas de hardware, incluindo x86-64, ARM, RISC-V e outras. O projeto é distribuído em três ramos principais, stable, testing e unstable, além do ramo oldstable, que mantém a versão estável anterior durante um período de transição. Para usuários que necessitam de hardware mais recente, o repositório backports disponibiliza versões mais atualizadas de pacotes selecionados para a versão estável. O Debian mantém repositórios separados para software não-livre (non-free) e para pacotes que dependem de firmware não-livre (non-free-firmware).
A atual logomarca do Debian, denominada Swirl, foi adotada em 1999 através de uma concurso votado pelos desenvolvedores do projeto. A votação foi iniciada em 3 de maio daquele ano por Wichert Akkerman, então líder do projeto, e contou com diversas propostas de logos, incluindo formigas, focas e galinhas. A versão vencedora foi a espiral desenhada por Raul Silva. Atualmente, o projeto divide a sua identidade visual em duas categorias: o open-use logo, que é o símbolo oficial para representar a comunidade, e o restricted-use logo, que é exclusivo para uso interno, produtos oficiais e membros do projeto. Ambos podem incluir ou não o nome "Debian". O emblema de uso aberto possui direitos autorais retidos pela Software in the Public Interest, Inc. e é distribuído sob a GNU Lesser General Public License versão 3 (ou superior) ou a Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported.
Debian GNU/Hurd
O Debian GNU/Hurd é uma variante do Debian baseada no sistema operacional GNU Hurd, um conjunto de servidores executados sobre o micronúcleo GNU Mach que, em conjunto, constituem a base do sistema operacional GNU. Enquanto o Debian é oficialmente distribuído apenas para o núcleo Linux, o Debian GNU/Hurd representa a iniciativa do projeto de oferecer a plataforma GNU/Hurd como ambiente de desenvolvimento, servidor e desktop. O GNU/Hurd encontra-se em desenvolvimento ativo, mas ainda não oferece o desempenho e a estabilidade esperados de um sistema em produção; além disso, aproximadamente três quartos dos pacotes do Debian foram portados para a plataforma. Por essas razões, o Debian GNU/Hurd não constitui um lançamento oficial do projeto.
Debian GNU/kFreeBSD
O Debian GNU/kFreeBSD foi um porte do sistema Debian que combinava o núcleo do FreeBSD com o espaço de usuário GNU, sendo o prefixo "k" do nome uma abreviação de kernel, em referência ao núcleo adotado. Lançado em 2002, foi incluído no Debian 6 Squeeze como prévia tecnológica e promovido a porte oficial no Debian 7 Wheezy. A maior parte de seus pacotes compartilhava as mesmas fontes do Debian convencional, à exceção dos pacotes de núcleo, provenientes do FreeBSD. A partir do Debian 8 Jessie, o Debian GNU/kFreeBSD deixou de ser reconhecido como plataforma oficialmente suportada. Contudo, o projeto passou a enfrentar progressivo declínio de contribuições. A partir de julho de 2019, sua manutenção passou a ocorrer de forma não oficial, até que o desenvolvimento foi definitivamente encerrado em julho de 2023, por falta de interesse dos mantenedores.


