Doom metal
Doom metal é um subgênero do heavy metal caracterizado por andamentos lentos e guitarras "sujas", que evocam um clima sombrio e apavorante. As bandas deste gênero tiveram muita influência dos primeiros discos do Black Sabbath, e serviram como base para o desenvolvimento de sua música. No ano de 1980 o doom metal foi estabelecido com os trabalhos das bandas Witchfinder General, Pentagram, Saint Vitus, Trouble e Candlemass, esta considerada o expoente máximo do gênero. Na década seguinte, o doom metal diversificou-se com o surgimento de sub estilos como o death/doom e o sludge metal.
1970
Em termos de genealogia, a canção "I Want You (She's So Heavy)" dos Beatles pode ter inadvertidamente ter criado o protótipo do que se tornaria o doom metal, mas são os primeiros trabalhos da banda Black Sabbath que fornecem o modelo básico do gênero. Há, no entanto, quem conteste essa posição central que o Sabbath ocupa na criação das bases do doom metal: "O Sabbath não foi a primeira banda a fazer doom metal. Havia muitas outras na mesma época fazendo a mesma coisa. A maior parte delas era da Alemanha ou da Itália: Black Widow, Night Sun, Iron Claw. Tinha uma banda chamada Zior, e o cara que fez a capa do disco de estreia deles fez a capa do primeiro disco do Sabbath. Essas bandas produziam riffs sinistros. Até mesmo bandas como o Toe Fat tinham coisas que soavam um pouco sinistras. Pra mim, o primeiro disco do Sabbath lembra muito os primeiros dois disco do Taste com Rory Gallagher nos vocais. É moldado em cima do jazz, mas é hard rock também".
1980
É nos meados da década de 1980 que o movimento começa a tomar forma devido à atuação de grupos como Witchfinder General, Pentagram, Saint Vitus, Trouble e Candlemass. O álbum de estreia do Saint Vitus já continha muitos elementos que definiram o doom metal, entre eles o andamento arrastado das músicas e a produção suja e barulhenta do disco. O Trouble, fundado em Chicago no ano de 1979, tinha o objetivo explícito de ser tão pesado quanto o Black Sabbath, além disso, o grupo era fortemente influenciado pelo Judas Priest, uma vez que a banda utilizava duas guitarras. O Trouble foi pioneiro no mundo do metal na utilização de afinações mais graves (em ré, no caso, um tom abaixo da afinação padrão). Depois de lançar três discos pela Metal Blade - selo que lançou as carreiras do Slayer, Cannibal Corpse e Mercyful Fate, entre outros - a banda foi relocada para a Def American e teve dois álbuns produzidos por Rick Rubin: o álbum homônimo de 1990 e Manic Frustration, de 1992.
1990
Em 1991 o Cathedral, grupo por formado por Lee Dorrian (ex-Napalm Death), lançava o Forest of Equilibrium via a Earache Records. Esse disco, hoje, é considerado um clássico do doom metal. De acordo com o próprio Lee Dorrian, o objetivo-mor do primeiro disco do Cathedral era atualizar o som feito pelo Pentagram, Saint Vitus e The Obsessed, reinterpretando-o de forma a refletir uma estética do metal extremo dos anos 1990, exemplificado por suas afinações mais graves e o som ainda mais pesado e deprimente. Dorrian justifica essa direção musical pelo fato dos integrantes da formação do disco serem oriundos das cenas de death metal e grindcore. Em 1991 também é o ano que o Solitude Aeternus lança o seu primeiro disco, In the Depths of Sorrow, e consolidam o estilo epic doom do Candlemass.
2000
Às vezes confundido com o death/doom, o funeral doom é considerado o mais radical dos subgêneros do doom metal. Winter e Disembowelment foram apontados como precursores, mas foi de fato três bandas finlandesas que ancoraram as bases do estilo: Thergothon, Unholy e Skepticism. Nelas estavam presentes as marcas básicas do gênero: andamentos absurdamente lentos, vocais guturais e letras com temas sobre niilismo, ódio e animosidade. O trio finlandês foi seguido de perto pelo Esoteric na Grã-Bretanha e Evoken nos EUA. A partir de 2001 o funeral doom teve um boom global grandemente impulsionado pela força da internet. Nos anos 90 surgiu a banda Earth, originária dos Estados Unidos, que se caracterizou por fazer uma forma extremamente pesada e minimalista de doom metal, conhecida hoje como "drone metal". No drone metal é muito comum o uso de baixos com distorção e guitarras com frequência muito alta, reverberação e feedback causando um som monolítico e repetitivo. A banda Earth foi a pioneira desse gênero, mas foi a banda Sunn O))) que firmou e concretizou o gênero. O drone metal foi influenciado por diversos outros gêneros musicais como o avant-garde e o noise.
Imagem: desmodex · BY-SA · Openverse
Instrumentos
O doom metal usa, no geral, os mesmos instrumentos dos demais géneros derivados do heavy metal: guitarras, baixo e bateria. As bandas mais tradicionais geralmente usam somente um guitarrista, que faz os solos e as partes rítmicas. Os outros subgêneros usam dois guitarristas para dar mais poder à sua música, ainda que nem sempre seja assim. No entanto, são muitas as bandas (normalmente as mais extremas) que intercalam o uso de teclados, assim como elementos sinfónicos como flautas, violinos e harpas. Também há vários grupos que adicionam sons gerados por sintetizadores, como os grupos de drone/doom. Estas, inclusive, frequentemente dispensam o uso da bateria por seus tempos largos e densos.
Vocais
Os vocalistas do doom metal mais tradicional privilegiam as vozes limpas, usando um timbre de desespero e dor. Por sua vez, os vocalistas do doom metal épico cantam com uma voz operística. Finalmente, as bandas do doom metal com influências extremas dão ênfase aos vocais guturais que vêm do death metal, misturando-os com "palavras faladas", gritos agoniados que vem do hardcore punk (sludge metal). Ainda assim, existem bandas experimentais que executam vocais mais amplos, indo até o barítono do rock gótico. As bandas com influências góticas também aproveitam os dotes de sopranos e mezzo-sopranos.
Letras
As letras são um dos aspectos mais importantes no doom metal, sobre tudo quando se trata de bandas influenciadas pelo death metal. Historicamente são niilistas, incluindo temas como: perdição, ocultismo, depressão, terror, medo, dor, mitologia, ódio, amor e simbolismo religioso (como sepulturas, igrejas, sacerdotes, catedrais, cemitérios, anjos, demônios, Deus e figuras sagradas). Todos estes temas são geralmente comunicados de forma poética e profunda, muitas vezes usados como críticas à sociedade e ao mundo. Estes temas são comuns nas bandas de doom metal em geral, com exceção dos estilos stoner metal (que fala sobre experiências psicodélicas, drogas e álcool) e o sludge metal (que aborda temas de problemas sociais e pessoais dos indivíduos). Ainda assim, as letras podem variar dependendo do estilo de cada banda ao criar a sua música.
Experiências
Outra característica importante do doom metal é sua capacidade de criação e experimentar, que o leva a combinar e testar com outros subgêneros do heavy metal e até mesmo fora do mundo metálico, como o jazz e o blues. É por isso que há tantos rótulos dentro deste círculo: proto-doom, doom tradicional, death/doom, gothic/doom, doom metal épico, stoner metal, sludge metal, drone metal, post-metal, post-hardcore, funeral doom, black/doom. O doom metal é um gênero que não se cansa de inovar e de experimentar, mas nunca deixando a sua matriz musical já descrita.
Imagem: Podknox · BY · Openverse
A seguinte lista foi feita, principalmente, com base numa edição especial da revista inglesa Terrorizer sobre doom metal:


