Darren Aronofsky
Darren Aronofsky é um cineasta, roteirista, produtor cinematográfico e ambientalista americano. Aronofsky tem recebido aclamação da crítica e gerado controvérsia por seus filmes surrealistas e perturbadores, apresentados frequentemente na forma de realismo psicológico. Seus prêmios incluem um Leão de Ouro e um Primetime Emmy, bem como indicações ao Oscar, Globo de Ouro e ao BAFTA.
Aronofsky nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, em 12 de fevereiro de 1969. É filho de Charlotte e Abraham Aronofsky, ambos professores de escola pública. Ele cresceu no bairro de Manhattan Beach, onde foi "criado culturalmente como judeu, mas frequentava pouco os templos espirituais. Era algo cultural: comemorando as férias, sabendo de onde você veio, conhecendo sua história, tendo respeito para com o que seu povo já passou". Formou-se na Escola Secundária Edward R. Murrow, e Patti, sua irmã, frequentou uma escola de balé profissional no ensino médio. Seus pais costumavam levá-lo às apresentações de teatro da Broadway, o que despertou seu grande interesse pela indústria do entretenimento. Na adolescência, atuou como biólogo de campo pela The School for Field Studies no Quênia em 1985 e na Alasca em 1986; e frequentou uma escola no Quênia para aprender sobre os ungulados, afirmando: "A escola de campo mudou a minha maneira de ver o mundo". O interesse de Aronofsky em viajar para o exterior levou-o a atravessar a Europa e o Oriente Médio. Em 1987, entrou na Universidade Harvard, onde especializou-se em antropologia social e estudou cinematografia; formando-se em 1991.
Primeiros trabalhos
Pi (também conhecido como π), seu filme de estreia, foi filmado em novembro de 1997 e financiado, em parte, por doações de cem dólares de amigos e familiares. Em troca, Aronofsky prometeu pagar para cada um deles 150 dólares se o filme fosse bem na bilheteria; e se não fosse, pelo menos teriam seus nomes nos créditos. Produzindo com um orçamento de 60 mil dólares, Aronofsky estreou-o no Festival Sundance de Cinema de 1998, no qual ganhou o prêmio de Melhor Diretor. O filme foi nomeado ao Prêmio Especial do Júri. A Artisan Entertainment comprou direitos de distribuição por 1 milhão. A obra foi divulgada ao público no final do mesmo ano, recebendo aclamação da crítica e arrecadou um total de 3.221.152 de dólares na bilheteria. Pi foi o primeiro filme a ser disponibilizado para download na Internet.
Avanço
Em 2007, Aronofsky contratou o escritor Scott Silver para ajudá-lo a desenvolver The Fighter e procurou Christian Bale para o papel principal; mas o diretor abandou o filme por causa de suas semelhanças com seu filme The Wrestler e trabalhou na refilmagem de RoboCop, do MGM; deixando o projeto posteriormente devido à incerteza sobre o futuro do estúdio por estar passando dificuldades financeiras. Quando perguntado sobre o filme, disse: "Eu acho que ainda estou preso. Não sei. Não ouvi falar de ninguém há um tempo". No meio de 2007, Aronofsky disse que tinha em mente um filme sobre a Arca de Noé. O diretor teve a ideia de The Wrestler há mais de uma década, então contratou Robert D. Siegal para transformá-la num roteiro. Nicolas Cage entrou em negociações em outubro de 2007 para estrelar como Randy, o protagonista do filme, mas no mês seguinte deixou o projeto, então Mickey Rourke o substituiu. De acordo com Aronofsky, Cage foi excluído do filme porque Aronofsky queria Rourke como protagonista. O diretor declarou que Cage foi "um completo cavalheiro, e que ele entendeu que meu coração estava com Mickey e se afastou. Eu tenho muito respeito por Nic Cage como ator e acho que poderia realmente ter funcionado com ele, mas, você sabe, Nic deu muito apoio a Mickey e eles são velhos amigos e quis ajudá-lo com essa oportunidade, então ele se retirou da disputa." Cage respondeu: "Eu não fui citado 'excluído' do filme. Eu renunciei porque não pensei ter tempo suficiente para conseguir o olhar de um lutador que estava com esteroides, o que eu nunca faria". As filmagens começaram em janeiro de 2008 e duraram aproximadamente 40 dias.
Sucesso comercial e crítico
Seu próximo filme foi Black Swan, um terror psicológico sobre uma bailarina de Nova Iorque que tenta alcançar a perfeição artística, estrelado por Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey e Winona Ryder. O conceito do filme surgiu quando Aronofsky leu um roteiro chamado The Understudy, ambientado numa companhia de teatro de Nova Iorque e explorava a noção de ser assombrado por um sósia. Ele tinha em mente o enredo desde 2001, o qual apresentou a Portman e ela interessou-se. Após quase dez anos em desenvolvimento, a produção começou em dezembro de 2009 e terminou em março de 2010, durando quarenta e dois dias. Black Swan teve sua estreia mundial na Europa, como o filme de abertura no 67º Festival Internacional de Cinema de Veneza em 1 de setembro de 2010, tornando-se o terceiro filme consecutivo Aronofsky a ser exibido na cerimônia, contando com a presença do diretor e elenco principal, recebendo elogios críticos particularmente para o desempenho de Portman e a direção, com Manohla Dargis, do The New York Times, descrevendo Aronofsky como um cineasta "bem-sofisticado". Durante sua apresentação, a obra recebeu uma retumbante ovação de pé para o diretor e os atores Natalie Portman e Vincent Cassel. A Variety chamou-o de "Perverso, sensual e, finalmente, devastador" e disse que foi "um dos maiores filmes de abertura em Veneza nos últimos tempos". O filme recebeu altos elogios críticos e foi frequentemente considerado como um dos melhores filmes de 2010 pelos críticos cinematográficos e pela imprensa norte-americana e internacional. Recebeu 257 indicações e 92 vitórias a diversos prêmios, incluindo um recorde de 12 indicações ao Broadcast Film Critics Association, quatro nomeações ao Independent Spirit Awards e aos Prêmios Globo de Ouro, três nomeações ao SAG e muitos outros. Aronofsky recebeu uma indicação ao Globo de Ouro para Melhor Diretor. O filme quebrou recordes na bilheteria para um lançamento limitado e arrecadou inesperados 329.398.046 milhões de dólares contra um orçamento de apenas 13 milhões. Em 25 de janeiro de 2011, a obra recebeu cinco indicações ao Oscar 2011 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Atriz (Portman), vencendo esta última. O filme recebeu o prêmio PRISM da Agência de Serviços em Abuso de Substâncias e Saúde Mental por sua descrição de problemas de sanidade mental. Aronofsky foi produtor executivo de The Fighter, que também foi nomeado ao Oscar de Melhor Filme e ganhou Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale) e Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo).
Os dois primeiros filmes de Aronofsky, Pi e Requiem for a Dream, foram de baixo custo e utilizam montagens de planos extremamente curtos, também conhecido como montagem de hip hop. Na média, um filme de cem minutos possui entre seiscentos e setecentos cortes; Requiem apresenta mais de dois mil. Outros recursos usados são a divisão de tela juntamente com close-ups extremamente curtos e a anáfora cinematográfica, que consiste na repetição de cenas para dar ênfase. Cenas longas (incluindo àquelas com um aparelho que amarra uma câmera a um ator, chamado SnorriCam) e fotografia time-lapse também são dispositivos estilísticos proeminentes. Com The Fountain, o diretor limitou o uso de imagens geradas por computador. Henrik Fett, supervisor de efeitos visuais da Look Effects, disse: "Darren foi bem claro sobre o que ele queria e sua intenção de minimizar o uso de computação gráfica ... [e] acho que os resultados foram excelentes". Ele usou uma direção mais sutil em The Wrestler e Black Swan, nos quais um estilo de direção menos visceral mostra as atuações e as narrativas. Aronofsky filmou ambos os trabalhos com paleta suave e estilo granulado; parte desse estilo consistente envolve colaborações com parceiros frequentes, o diretor de fotografia Matthew Libatique, o editor Andrew Weisblum e o compositor Clint Mansell. A música de Mansell é um elemento frequentemente importante para os filmes.
Temas e influências
Pi apresenta várias referências à matemática e teorias matemáticas. Em uma entrevista de 1998, Aronofsky reconheceu várias influências para o filme:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Vários aspectos de seus filmes têm sido controversos, mais notavelmente Requiem for a Dream, The Wrestler, Black Swan e Noah. Após o lançamento de Requiem for a Dream em 2000, o filme sofreu polêmica nos Estados Unidos, sendo classificado como NC-17 pela Motion Picture Association of America (MPAA) devido a uma cena de sexo explicito, mas Aronofsky pediu a mudança da classificação, alegando que cortar qualquer parte do filme iria reduzir sua mensagem. Como o pedido foi negado, a Artisan decidiu então lançá-lo sem classificação. The Wrestler foi criticado como um filme "anti-iraniano" em vários jornais e sites do Irã, em resposta à cena em que Mickey Rourke quebra violentamente um mastro com uma bandeira do Irã em seu joelho. Borna News, um jornal estatal iraniano, também criticou o personagem heel (vilão), "O Aiatolá", que é retratado como um vilão usando trajes árabes, como Keffiyeh e Bisht, criando um amálgama proposital dos iranianos e árabes perante o público. No ringue de lutas, ele usa um leotardo acanhado, nos padrões de uma bandeira do Irã com o personagem Álef, representando a primeira letra da palavra Aiatolá. Alguns jornais iranianos evitaram mencionar o personagem, presumivelmente para evitar ofender as leis cléricas do Irã. Em março de 2009, Javad Shamaqdari, conselheiro cultural do presidente Mahmoud Ahmadinejad, exigiu um pedido de desculpas de uma comitiva de atores e produtores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que visitava o Irã, pelo que ele considerou como um retrato negativo e injusto da República islâmica em The Wrestler e em outros filmes de Hollywood.
Aronofsky começou a namorar a atriz britânica Rachel Weisz no verão de 2001, e em 2005 eles ficaram noivos. Seu filho, Henry Chance Aronofsky, nasceu em 31 de maio de 2006, na cidade de Nova Iorque. O casal residia no East Village, em Manhattan. Em novembro de 2010, ambos anunciaram que estavam separados por meses, mas que continuaram amigos íntimos e estavam empenhados em criarem o filho na cidade. Em 2012, ele namorou a produtora canadense Brandi-Ann Milbradt. Em setembro de 2016, o cineasta iniciou um relacionamento com Jennifer Lawrence, a quem conheceu durante as filmagens de Mother!. Após um ano e dois meses, o casal anunciou o fim do namoro e afirmou que foi um término tranquilo e que eles continuam amigos. Ele escreve seus filmes em uma mesa customizada, elaborada com nogueira Bastogne, uma madeira extremamente valiosa. Dentro da mesa tem um órgão de tubo de madeira, que toca com a abertura de suas gavetas. David Blaine comentou: "A mesa é uma coisa muito legal que é muito parecida com o próprio Darren—sempre há uma novidade". Foi relatado que o diretor ganhou cinquenta mil dólares para dirigir o filme Requiem for a Dream, e seu patrimônio líquido atualmente é 25 milhões de dólares.
Religião
Apesar de ter sido criado culturalmente como judeu, em uma entrevista de 2014, Aronofsky disse não ser religioso e declarou: "Eu acho que estou sempre mudando [espiritualmente]. Minha maior expressão do que eu acredito está no [meu filme] The Fountain. É difícil para mim colocar em palavras, descrever; por isso que fiz um filme sobre isso. Tentei fazê-lo em som e imagem. Se as pessoas quiserem entender o que estou pensando e fazendo, basta capturar as ideias do filme".
Ativismo ambiental
Aronofsky é conhecido por seu ativismo ambiental. Em 2014, ele viajou para as Areias betuminosas do Athabasca com o Michael Brune e o Leonardo DiCaprio, ambos da Sierra Club. Em 2015, viajou para o Refúgio Nacional da Vida Selvagem Ártica, localizado no Alasca, com Brune, Keri Russell e líderes de vários grupos de veteranos. Como reconhecimento por suas atividades, recebeu o Prêmio Humanitário da Sociedade Humana dos Estados Unidos e da PETA. O diretor afirmou que usou o filme Noah para passar uma forte mensagem ambiental e estimular mais pessoas de fé a lutar contra as mudanças climáticas. "Em Noah, esperava capturar a beleza da criação e dramatizar a decisão dramática de Deus para destruí-la por causa do pecado humano. Noé está salvando os animais. Ele não está procurando bebês (humanos) inocentes. Trata-se de salvar os animais. Pessoas de fé e ambientalistas devem [unir-sem e lutarem por uma] causa comum. Juntar esses dois grupos seria uma ajuda incrível para o movimento ambiental", disse. Sally Steenland, diretora de uma iniciativa política do Centro para o Progresso Americano (CAP), declarou: "Nós sabemos que as mudanças climáticas são reais. A ciência é clara. As advertências são muitas. Filmes como Noah ajudam-nos grandemente de maneira que gráficos e números científicos não".
Imagem: Andriy Makukha (Amakuha) · BY-SA · Openverse
Aronofsky iniciou sua carreira cinematográfica com o filme Pi (1998), pelo qual recebeu duas indicações ao Independent Spirit Awards nas categorias de Melhor Primeiro Filme e Melhor Primeiro Roteiro, vencendo esta última, e ganhou Melhor Diretor no Festival Sundance de Cinema. Seu próximo trabalho foi Requiem for a Dream (2000), no qual foi nomeado a sete diferentes prêmios, ganhando cinco destes, e Ellen Burstyn foi nomeada ao Oscar de Melhor Atriz. O filme entrou em diversas publicações dos melhores filmes do ano, da década e outras. A BBC o colocou no 100.º lugar dos 100 Melhores Filmes do Século XXI, assim como as revistas Empire e Time Out classificaram-no como um dos "Melhores Filmes de Todos os Tempos", ficando na 238.ª e na 58.ª, respectivamente. Em 2006, lançou o filme The Fountain, que foi recebido com críticas mistas, mas ganhou um grande culto de seguidores desde o seu lançamento. Seu primeiro grande sucesso comercial veio com The Wrestler, que arrecadou 44.703.995 de dólares contra o custo de apenas 6 milhões. A obra marcou 98% de aprovação no Rotten Tomatoes e foi indicada, entre outros, ao Oscar de Melhor Ator, para Mickey Rourke, e Melhor Atriz Coadjuvante, para Marisa Tomei.
Ao longo de sua carreira, Aronofsky já venceu e foi nomeado a diversos prêmios, notavelmente suas nomeações ao Oscar, Prêmios Globo de Ouro, BAFTA, Critics' Choice Awards, Satellite Awards, Saturn Award, César e Prêmios da Academia Japonesa para "Melhor Diretor". Ele foi nomeado ao Leão de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Veneza por três filmes consecutivos nos anos de 2006, 2008 e 2010 e 2017, vencendo o de 2008. Aronofsky venceu o Independent Spirit Awards em 1999, 2009 e 2010, o Scream Awards de 2011, no Festival Sundance de Cinema de 1999, e o Young Hollywood Awards na categoria de "O Cineasta Jovem Mais Sensual". Ele foi também nomeado ao Independent Spirit Awards por seis vezes, vencendo três e ao Gotham Awards por quatro vezes, vencendo duas. Nos prêmios de críticos de cinema, foi indicado ao Robert prisen e ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2012, por Cisne Negro, ao London Film Critics' Circle em 2009 e 2011, Online Film Critics Society em 2001, 2009 e 2011, vencendo a primeira, Phoenix Film Critics Society Awards em 2001, Washington D.C. Area Film Critics Association em 2010 e Mostra Internacional de São Paulo em 2001. Venceu no San Diego Film Critics Society e San Francisco Film Critics Circle de 2010, Florida Film Critics Circle de 1999 e no Austin Film Critics Association de 2010. Até agosto de 2017, Aronofsky já havia sido nomeado a 78 prêmios diferentes, vencendo 35 destes.
Reconhecimento
Aronofsky recebeu um amplo reconhecimento por seus trabalhos, principalmente pelo seu estilo de direção. Em 2001, o American Film Institute premiou-lhe com a Medalha de Melhor Ex-Aluno do instituto Franklin J. Schaffner, e Marcelo Forlani, do site Omelete, chamou-o de "um dos garotos prodígio de Hollywood" por seu feito em Requiem for a Dream. Em 1998 e 2000, recebeu o Prêmio de Reconhecimento Especial Pela Excelência no Cinema dado pelo National Board of Review. O júri do Festival Internacional de Cinema de Chicago concedeu-lhe o mérito de Visionário em Ascensão em 2006. Escrevendo para o The Independent, Tim Walker descreveu-o como o diretor mais ambicioso de Hollywood, assim como Zack Sharf e Bryn Gelbart, da IndieWire, escreveram o mesmo. A revista Complex o classificou na sexta posição dos 10 Melhores Diretores Americanos da Década de 2000.


