Dario I
Dario I, também chamado de Dario, o Grande, foi o Rei dos Reis do Império Aquemênida e Faraó do Egito de setembro de 522 a.C. até sua morte. Era o filho mais velho do sátrapa Histaspes e ascendeu ao trono aquemênida depois de derrubar o monarca Esmérdis, quem ele afirmou ser na verdade um impostor chamado Gaumata. Dario enfrentou revoltas por todo o império no início de seu reinado e posteriormente realizou várias campanhas militares contra inimigos externos. Ao final de seu reinado lançou uma expedição contras as cidades-Estado gregas de Atenas e Erétria por seu envolvimento na Revolta Jônica, porém foi derrotado na Batalha de Maratona. Ele morreu alguns anos depois.
Dario (Dārīus) e Dareu (Dārēus) são as formas em latim do grego antigo Dareu (Δαρεῖος, Dareîos), por sua vez derivada do persa antigo Daraiauxe (𐎭𐎠𐎼𐎹𐎢𐏁, Dārayauš), que é a forma abreviada de Daraiavauxe (𐎭𐎠𐎼𐎹𐎺𐎢𐏁, Dārayavaʰuš). A forma persa mais longa é refletida nas formas elamita Dareamauixe (𒆪𒊑𒀀𒈠𒌋𒆜, Da-ri-(y)a-ma-u-iš), acádio Dareiamuxe (𒁕𒀀𒊑𒅀𒀀𒈲, Da-(a-)ri-ia-(a-)muš) e aramaico Derivevexe (𐡃𐡓𐡉𐡅𐡄𐡅𐡔, drywhwš), bem como possivelmente na forma grega longa Dereio (Δαρειαῖος, Dareiaîos). O nome em sua forma nominativa significa "aquele que mantém firme o bem" ou "aquele que mantém firme a bondade", que pode ser verificado pela primeira parte dāraya, que significa "quem mantém", e o advérbio vau, que significa "bondade".
Dario deixou a Inscrição de Beistum, um relevo monumental no Monte Beistum, em algum momento durante seu reinado. Ele foi escrito em elamita, persa antigo e acádio, começando com uma breve autobiografia que inclui seus ancestrais e sua linhagem. O rei, para ajudar na apresentação de seus ancestrais, escreveu uma sequência de eventos após a morte de Ciro II. Dario menciona várias vezes que é o rei legítimo pela graça da divindade suprema Aúra-Masda. Além disso, outros textos e monumentos foram encontrados em Persépolis, bem como um tablete de argila contendo um cuneiforme persa antigo de Dario achado em Gherla na Romênia e uma carta do rei preservada em grego do período romano. Ele descreveu a extensão de seu império em grandes termos geográficos nas placas de fundação de Apadana: O historiador grego antigo Heródoto proporcionou um relato de muitos reis persas e também das Guerras Médicas. Ele escreveu bastante sobre Dario, começando pela deposição do suposto usurpador Gaumata e continuando até o final do reinado do rei.
Dario era o mais velho dos cinco filhos de Histaspes. A identidade de sua mãe é incerta. Segundo o historiador Alireza Shapour Shahbazi, acreditava-se que a mãe de Dario era uma mulher chamada Rodogune. Já o historiador Lloyd Llewellyn-Jones encontrou textos em Persépolis que indicam que sua mãe era Irdabama, uma rica dona de terras que descendia de uma família de governantes elamitas locais. O historiador Richard Stoneman também diz que Irdabama era a mãe de Dario. A Inscrição de Beistum diz que Histaspes era o sátrapa da Báctria em 522 a.C.. Heródoto por sua vez diz que Histaspes era o sátrapa de Pérsis, mas o historiador Pierre Briant diz que isto é um erro. Heródoto também diz que Dario, antes de ascender ao trono, foi lanceiro no exército do rei Cambises II durante a conquista aquemênida do Egito; isto foi interpretado como significando que Dario era o portador da lança do próprio Cambises, uma função importante. Histaspes também foi um oficial do exército Ciro II e um nobre de sua corte.
Ascensão
Há diferentes relatos sobre a ascensão de Dario ao trono, transmitidos tanto pelo próprio Dario quanto por historiadores gregos. Os registros mais antigos contam uma complexa sequência de eventos em que Cambises perdeu a sanidade, fez com que seu irmão Esmérdis fosse morto e morreu de uma infecção em uma ferimento na perna. Dario e um grupo de seis nobres em seguida viajaram para Sikayauvati com o objetivo de matarem o mago Gaumata, que tinha tomado o trono fingindo ser Esmérdis. O relato de Dario foi colocado na Inscrição de Beistum e afirmava que Cambises matou seu irmão Esmérdis, mas este assassinado não era de conhecimento público. Um aspirante a usurpador chamado Gaumata veio e mentiu para o povo persa, dizendo ser Esmérdis. O sentimento de revolta contra o governo de Cambises tinha crescido entre o povo e assim uma revolta contra o rei estourou em 11 de março de 522 a.C. em sua ausência. O povo escolheu em 1º de julho ficar sob um reinado de Gaumata, fingindo ser Esmérdis. Nenhum membro da dinastia aquemênida ousou enfrentar Gaumata por temer por sua vida. Dario, que tinha servido como lanceiro de Cambises até a morte do rei, rezou por ajuda e foi para a fortaleza de Sikayauvati, onde matou Gaumata em setembro de 522 a.C. com o auxílio de seus cúmplices Otanes, Intafrenes, Gobrias, Hidarnes, Megabizo e Aspatines.
Primeiras revoltas
Dario foi coroado na cidade de Pasárgada e então foi para Ecbátana. Ele logo descobriu que o apoio para Esmérdis ainda era alto pelo império, com revoltas estourando em Elão e Babilônia. Dario derrotou a revolta elamita quando Aschina, seu líder, foi capturado e executado em Susã. A revolta babilônica também terminou após três meses. O rei descobriu enquanto estava na Babilônia que outra revolta tinha começado na Báctria, uma satrapia que sempre o tinha apoiado e inicialmente até enviou um exército para acabar com a rebelião. Depois disso, mais revoltas começaram em Pérsis, novas em Elão e Babilônia, e depois também na Média, Pártia, Assíria e Egito.
Eliminação de Intafernes
Um dos acontecimentos significativos do início do reinado de Dario foi o assassinato de Intafernes. Os sete fizeram um acordo em que todos poderiam visitar o novo rei sempre que quisessem, excepto quando este estivesse com uma mulher. Uma noite, Intafernes foi ao palácio para se encontrar com Dario, mas foi travado por dois oficiais que afirmaram que Dario estava com uma mulher. Furioso e sentindo-se insultado, Intafernes desembainhou a espada e cortou as orelhas e o nariz dos dois oficiais. Ao sair do palácio, pegou no freio do seu cavalo e amarrou os dois oficiais.[carece de fontes?] Os oficiais foram ter com o rei e mostraram-lhe o que Intafernes lhes tinha feito. Dario começou a temer pela sua própria segurança; pensou que todos os sete nobres se tinham unido para se revoltarem contra ele e que o ataque contra os seus oficiais era o primeiro sinal de revolta. Enviou um mensageiro a cada um dos nobres, perguntando-lhes se aprovavam as ações de Intafernes. Negaram e repudiaram qualquer ligação com as ações de Intafernes, afirmando que mantinham a sua decisão de nomear Dario como Rei dos Reis. A opção de Dario de perguntar aos nobres indica que ainda não estava completamente certo da sua autoridade.


