Filipe IV de Espanha
Filipe IV, também chamado “O Grande” e “O Rei Planeta” por seus apoiantes, e "O Opressor" por seus detractores, foi Rei da Espanha, Portugal, Nápoles, Sicília, Sardenha e Países Baixos, durante a União Ibérica. Subiu ao trono em 1621 e reinou na Espanha até 1665, ano de sua morte. É lembrado pelo seu grande patrocínio às artes e pelo seu domínio sobre a Espanha durante a Guerra dos Trinta Anos. Reinou sobre Portugal com o nome de Filipe III.
Filipe IV nasceu no Palácio Real de Valladolid em 8 de abril de 1605 como o filho mais velho de Filipe III e sua esposa, Margarida da Áustria. Aos 10 anos, casou-se com Isabel de França, de 13 anos, e teve sete filhos com ela. Entretanto, o único homem, Baltasar Carlos, morreu aos 16 anos, em 1646. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se novamente com Marianna da Áustria, a fim de fortalecer as relações com os Habsburgo, na Áustria. Em seu segundo casamento, teve cinco filhos, porém apenas dois deles - Margarita Teresa e o futuro Carlos II da Espanha - atingiram a idade adulta. Apesar de ter sido retratado durante muito tempo pela História como um monarca fraco, que dominava uma corte barroca debochada e delegava excessivas atribuições a seus ministros, os historiadores, a partir do século XX, passaram a considerá-lo mais enérgico - tanto física quanto mentalmente - do que seu pai. Filipe IV era um bom cavaleiro, um caçador afiado e um devoto das touradas. Em particular, parecia ter uma personalidade mais leve. Quando era mais jovem, dizia-se que ele possuía um senso de humor agudo e um "grande senso de diversão". Ele frequentou academias particulares em Madri durante todo o seu reinado - eram salões literários alegres que tinham por objetivo analisar literatura e poesia contemporâneas com um toque humorístico. Apaixonado por teatro, às vezes era criticado pelos contemporâneos por seu amor a esses entretenimentos "frívolos".
Filipe IV assumiu o trono espanhol aos 16 anos, após o falecimento de seu pai, Filipe III, em 1621. Inicialmente, seu reinado foi celebrado devido à troca de monarcas, uma vez que seu pai havia sido reconhecido por permitir que Francisco de Sandoval, o futuro duque de Lerna, exercesse grande influência sobre o reino por conta da amizade existente entre eles, sendo considerado um favorito do rei. Essa forma de governar utilizada por Filipe III tornou-o cada vez mais impopular, uma vez que ia contra a crença popular de que um rei não deveria governar através de outros e acarretou no governo espanhol beneficiando inúmeros nobres, servos e familiares de Lerna em detrimento das outras regiões o que indica um certo favoritismo por parte do monarca. Estes tinham enorme prestígio dentro da Corte como conselheiros, o que tornava o rei propenso a fazer política conforme os interesses daqueles que o influenciavam.
Filipe IV foi muito comprometido em relação às políticas externas, de modo a transparecer por meio de sua decisões seu caráter como monarca respeitado e honrado. Sua política externa era como um espelho das percepções, imagens mentais e ideias que prevalecem na sua época. Tratando de sua reputação, pode-se dizer que foi muito estimado e respeitado por diversos outros monarcas da Europa, visto como uma autoridade digna de prestígio. Como garantia de seu poderio, possuía os elementos principais da honra: boa posição social, linhagem aristocrática de valor e a fé católica. A própria história ilustra o peso da figura de Filipe IV como um imponente católico e descendente de uma linhagem de importantes reis. Filipe IV sabia a importância de sua imagem mais que seus próprios ministros, por isso, em 1661, encomendou ao jurista Francisco Ramos Del Manzano uma história de seu reinado para defender "a reputação das nações e vassalos das minhas coroas[...]". Desta forma, vale refletir sobre os feitos da Coroa hispânica, que em sua maioria eram intencionados para manter a reputação do reinado.
Guerra dos 30 anos
Filipe IV reinou durante a maior parte da Guerra dos Trinta Anos. O monarca foi convencido por Baltazar de Zúñiga a intervir militarmente na Boêmia junto ao imperador Fernando II. Feito isso, foi convencido, também, a promover uma política externa mais agressiva na Espanha e aliar-se ao Sacro Império Romano de forma a renovar as hostilidades com os holandeses em 1621 e forçá-los à negociação de um acordo de paz que beneficiasse os espanhóis. Apesar dessa mudança na política de Filipe IV, suas atitudes não eram ao todo belicosas. O rei parecia genuinamente entristecido pelo fato de que seu povo teve que pagar em sangue seu apoio às guerras durante os reinados anteriores.
Guerra da Restauração
Em 1640, uma conspiração liderada pela nobreza proclamou o Duque de Bragança como rei João IV de Portugal, derrubando o governo do monarca espanhol em Lisboa e dando início à Guerra de Restauração. O início da guerra foi complicado para D. Filipe, tendo que lidar não só com Portugal, como também com as revoltas na Catalunha. Em 1659, o rei espanhol assinou o Tratado dos Pirenéus, concentrando os recursos da monarquia hispânica em reconquistar o território rebelde. Nesse momento a Espanha estava em paz com a França, Inglaterra e os Países Baixos, restando apenas o conflito com Portugal. Dessa forma, muitas medidas foram tomadas, como o aumento de impostos, a desvalorização da moeda e as transferências de tropas de Flandres e Itália para a fronteira com Portugal. Ainda assim, Portugal conseguiu vencer a Guerra, com cinco grandes vitórias contra os espanhóis e seus apoiantes: Batalha de Montijo (1644), Batalha das Linhas de Elvas (1659), Batalha de Ameixial (1663), Batalha de Castelo Rodrigo (1664) e Batalha de Montes Claros (1665).
Filipe IV e o Brasil
A ligação entre o Brasil e a Coroa Espanhola, assim como a monarquia de Filipe IV, estabeleceu-se de forma sutil e secundária. A “marginalidade” atribuída à área se expressou nos escritos dos próprios moradores do território entre os séculos XVI e XVII quando mencionaram a falta de ajuda da coroa da Espanha, assim como a ausência de registros das atividades que foram desenvolvidas ali na América e a curta menção do território nos documentos que relacionavam o peso da monarquia de Filipe no resto do mundo. Para além disso, o testamento de seu pai, Filipe III, apesar de numerar suas diversas possessões territoriais, não incluía as terras brasileiras. Inclusive, era compreendido pela Coroa portuguesa e por aqueles que realizavam a ocupação das terras que, antes e durante o domínio Habsburgo, o Brasil era pouco importante.
A religião católica e seus rituais tiveram um papel importante na vida de Filipe, especialmente no final de seu reinado. O monarca fez devoções especiais a uma pintura da Nossa Senhora dos Milagres, também tinha um grande padrão feito com a imagem da pintura de um lado e o brasão real do outro, trazido em procissões todos os anos em 12 de julho. Além de marcar uma forte crença religiosa pessoal, esse vínculo cada vez mais visível entre a Coroa, a Igreja e símbolos nacionais, como a Virgem dos Milagres, representava um pilar fundamental de apoio a Filipe como rei. Os monarcas católicos, durante a Idade Moderna, também tiveram um papel fundamental no processo de canonização e puderam utilizá-lo para efeito político. Internacionalmente, era importante que o prestígio espanhol recebesse pelo menos uma parte proporcional e idealmente maior de novos santos do que outros reinos católicos, então Filipe IV patrocinou diversos textos e livros para apoiar os candidatos da Espanha, particularmente em concorrência com a França católica.
Filipe IV é lembrado pelo entusiasmo com o qual colecionou obras de arte e pelo seu amor ao teatro. No meio dramático, o monarca favoreceu dramaturgos ilustres, tendo sido creditado na composição de várias comédias. Também tornou-se reconhecido pelo seu patrocínio a vários outros pintores de destaque, incluindo Diego Velázquez, Eugenio Cajés, Vicente Carducho, Gonzales e Nardi. O monarca obteve pinturas de toda a Europa, especialmente da Itália, acumulando mais de 4 mil itens na época de sua morte, formando um conjunto incomparável que ficou conhecido como "mega-coleção'. Filipe IV foi apelidado de "O Rei Planeta" por seus contemporâneos, e grande parte da arte e exibição em sua corte foram interpretadas como uma necessidade do rei de projetar seu poder e autoridade, tanto sobre os espanhóis quanto sobre os estrangeiros. Algumas interpretações historiográficas antigas consideravam a corte de Filipe IV completamente decadente, mas a arte e o simbolismo do período certamente não refletiam a ameaça deste declínio do poder espanhol.
Velázquez e os retratos do Rei
O Século de Ouro Espanhol foi assim chamado em função do destaque que as Artes tiveram neste período, em contrapartida com os embates políticos que o reino espanhol enfrentava. Um dos motivos pelo qual Filipe foi retratado foi para ser eternizado na memória e localizado no tempo. Um importante artista do período foi Diego Velázquez, admitido como pintor oficial da corte através de um concurso realizado em 1624. Destacou-se na elaboração de retratos de Filipe IV ao longo de seu reinado, além de pinturas da família real, bobos da corte, oficiais, etc.. Muitos dos retratos de Filipe IV foram pintados por Diego Velázquez durante o período da Guerra dos Trinta Anos e tinham como objetivo exaltar o poder do rei. Essas pinturas eram expostas em locais onde muitas pessoas pudessem vê-las, pois a imagem do rei era importante para os súditos.
Os casamentos reais são considerados importantes estratégias políticas por propiciar, por exemplo, a união de coroas, tréguas de paz e alianças comerciais. Por essa razão, é importante conhecermos a ancestralidade de um monarca, assim como seus casamentos e sua descendência devido a possíveis dinâmicas estabelecidas pelos acordos matrimoniais.
Casou pela primeira vez em Burgos, em 18 de outubro de 1615, com Isabel da França, irmã de Luís XIII e filha de Henrique de Navarra e Maria de Médici. Tiveram seis filhas e dois filhos: Casou-se pela segunda vez, em Navalcarnero no outono de 1649, com sua sobrinha Maria Ana da Áustria, filha do Imperador do Sacro Império Fernando III e da Infanta Maria Ana de Áustria, sua irmã. Tinha sido noiva de seu filho o infante Baltasar Carlos. Tiveram cinco filhos dos quais três homens:
Eventos importantes durante o reinado de Filipe IVː
Assim como os retratos durante a Idade Moderna, as produções audiovisuais como novelas, séries e filmes são essenciais para reproduzir e projetar a imagem que temos sobre importantes eventos, como Guerras, e figuras públicas, como os reis. A televisão e o cinema espanhóis aproveitam-se da popularidade de Filipe IV para retomar narrativas consagradas ou elaborar novas.


