Curionópolis
Curionópolis é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se estatisticamente na Região Geográfica Intermediária de Marabá e na Região Geográfica Imediata de Parauapebas. Possui uma população estimada de 17 846 habitantes distribuído em 2.369 km² de extensão territorial.
O topônimo "Curionópolis" foi dado à localidade em 1981 pelos moradores em homenagem ao major Sebastião Curió (contra sua vontade, de acordo com entrevista ao Projeto Rondon em 2007). O major Curió foi um líder político indicado pelo então presidente João Figueiredo para administrar, aos moldes de um caudilho, o garimpo da região, regularizar a situação do vilarejo e organizar a futura emancipação política do mesmo. A junção dos termos "Curió" + "Polis", a grosso modo, significa "Cidade do Curió". Inicialmente apelidada de "Trinta", em alusão ao referencial rodoviário, o km 30 da PA-275, em que se encontra. Chamada também pela alcunha de a “Las Vegas da Amazônia”. O primeiro nome da sede municipal, ainda quando vilarejo, era "Serra Leste", em alusão ao acidente geográfico e a maior jazida de ouro do país com projeto de exploração definido, que estava sob trabalho de prospecção da "Rio Doce Geologia e Mineração" (Docegeo), uma subsidiária da antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que atua na área de pesquisa mineral.
Localizado a uma latitude 06º06'06" sul e longitude 49º35'53" oeste, estando a uma altitude de 180 metros acima do nível do mar. O município possui uma população estimada de 18 014 habitantes (2018) distribuído em 2 369 km² de extensão territorial. Limita-se ao norte com Marabá; a leste com Eldorado do Carajás; ao sul com os municípios de Xinguara e Sapucaia, e; a oeste com os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás.
Solos, topografia e relevo
Os solos do seu território apresentam variações em relação à sua litologia. Predominam os solos podzólico vermelho-amarelo, textura argilosa cascalhento; litóficos distróficos, textura indiscriminada; cambissolo distrófico, textura indiscriminada; latossolo vermelho-amarelo distrófico, textura indiscriminada. Ocorrem, ainda, solos litólicos distróficos, textura indiscriminada, e afloramentos rochosos, em associações. O território curionopolense apresenta formações rochosas de idade pré-cambriana, caracterizadas pelas unidades litoestratigráficas de natureza granito-gnaíssicamigmática, metassedimentar, com vulcanismo subordinado, vulcano-sedimentar tipo greenstone belts e predominante sedimentar. O relevo é relativamente movimentado, diversificado, com áreas serranas, colinosas, tabulares, baixos terraços e várzeas, destacando-se nas primeiras as serras do Sereno, Leste e do Rabo, pertencentes ao Complexo da Serra dos Carajás. Regionalmente, essas formas de relevo estão inseridas em duas unidades morfoestruturais denominadas de depressão periférica do sul do Pará e de planalto dissecado do sul do Pará.
Vegetação e patrimônio natural
A vegetação está representada, principalmente, pela floresta equatorial latifoliada, com variações que favorecem o aparecimento dos subtipos: floresta densa submontana em relevo aplainado e em relevo acidentado e floresta aberta latifoliada. Nas áreas desmatadas, foram plantadas pastagens destinadas à atividade pecuária. Ao longo das margens dos rios e igarapés, encontram-se pequenas faixas de floresta de galeria. As poucas áreas ainda preservadas do município estão ameaçadas e sob forte pressão da mineração industrial, pois encontram-se nas proximidades dos projetos Serra Leste e Cristalino, havendo maior concentração nas serras do Buriti e da Estrela.
Hidrografia
Os principais cursos d'água de Curionópolis são os rios Vermelho e o Parauapebas, que o atravessam seu território no sentido sul-norte, ambos sendo afluentes do rio Itacaiunas. O rio Vermelho tem como afluentes, pela margem esquerda, os igarapés Nova Descoberta, Refúgio, Jacú, Caical e Júlio, além do rio Sereno, que faz limite com Marabá, ao norte. Já o rio Parauapebas, tem, pela margem direita, o rio Surpresa, o riacho Rio Novo e o rio Verde; este último serve de limite oeste com o município de Parauapebas. O principal curso d'água da sede é o rio Jacarezinho, que encontra muito antropizado, com suas águas impróprias para consumo humano.
Clima
O clima de Curionópolis insere-se na categoria tropical semi-úmido (Aw/As), da classificação climática de Köppen-Geiger. Caracteriza-se por temperaturas anuais de 26,3 °C, apresentando a média máxima em torno de 32,0 °C e mínima de 22,7 °C; umidade relativa elevada, apresentando oscilações entre as estações mais chuvosas e mais seca, que vão de 90% a 52%, sendo a média real de 78%; o período chuvoso ocorre, notadamente, de novembro a maio, e o mais seco, de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2.000 mm anuais.
Subdivisões
O município de Curionópolis está oficialmente subdividido em dois distritos, sendo o maior e mais populoso a sede, que corresponde principalmente à cidade de Curionópolis. O outro distrito recebe o nome de Serra Pelada, correspondendo principalmente à vila homônima. Além dessas povoações, a municipalidade ainda compõe-se de dez aglomerados populacionais, sendo eles as de PA Alto Bonito, PA-160/Coração do Brasil, PA Moça Bonita, Vila Rica (Vila dos Maranhenses), Vila dos Pretos, Vila Curral Preto, Acampamento União do Axixá, Vila Gurita da Serra (km 16), Vila Cutianópolis e Acampamento Frei Henri des Roziers. A sede está subdividida nos seguinte bairros: Alto da Glória, Bairro da Paz, Bandeirantes, Centro, Cofapac, Jardim Panorama, Miguel Chamon (ou Chamonlândia), Planalto, Serra Leste e Setor 31 (ou Centro II).
O município surgiu de dois povoados distintos, onde um deles formado no Km 30 da rodovia estadual PA-275, antiga Rodovia Carajás, hoje é a sede de Curionópolis; o outro povoado é a Serra Pelada, formada ao pé da colina de mesmo nome. Ambos formados em 1979, a época pertenciam ao município de Marabá e somente constituíram município em 1988. Quando da emancipação, era parte do município o distrito de Eldorado (ou "Km 100"), que posteriormente formou o município de Eldorado do Carajás. Embora os vilarejos tenham sido constituídos somente em 1979, os primeiros colonos de Curionópolis fixaram-se na região ainda em 1977, construindo as primeiras propriedades rurais da área.
Primeiros anos e colonização
Formado basicamente por duas frentes distintas, a principal, formadora da sede, foi a vila Trinta iniciada no Km 30 da rodovia estadual PA-275. Esta vila foi fundada pelo casal João Patrocínio da Costa (ou João Mineiro) e Maria das Graças Costa, ambos trabalhadores rurais da fazenda de Sebastião Naves; como era comum a parada dos viajantes da rodovia na altura do Km 30, utilizando a residência da família Costa como um ponto de referência para alimentar-se e até mesmo dormir, o casal resolveu erguer um barracão para comercializar comida, local que aos poucos acabou por servir de referência para os garimpeiros que usavam aquele ponto da estrada para entrar clandestinamente no garimpo de Serra Pelada, já que a entrada oficial era fiscalizada rigorosamente pela Polícia Federal. Posteriormente o pioneiro João Mineiro foi homenageado com seu nome no terminal rodoviário do município, quando ainda vivo.
Intervenção federal
A intensa migração para a área chamou atenção do governo militar, que enviou o major Sebastião Curió para servir como interventor local, indicação conseguida graças a sua experiencia durante a Guerrilha do Araguaia. Segundo informações de arquivos do governo datados de 1980, até então secretos, o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) preocupava-se com a jazida de ouro em Serra Pelada. Os militares acreditavam que a presença do major Curió (já cooptado como agente do CIE-SNI) seria fundamental para identificar pessoas na clandestinidade e militantes da esquerda política atraídos para o local, além de coibir o grande número de delitos e a crescente violência no local. Na região proliferava a prostituição, e em virtude da existência de grande número de bares, as brigas, tentativas de assassinatos e assassinatos multiplicavam-se.
Auge do garimpo e decadência
Em 1980 as atividades garimpeiras na Serra Pelada começaram seu período áureo, onde somente neste ano seriam extraídas 7 toneladas de ouro. Inevitavelmente a corrida ao ouro saiu do controle das autoridades locais, e a intervenção federal tornou-se mais intensa, com o fechamento da região do garimpo pela Polícia Federal para impedir a entrada de mais pessoas no local. Como medida para evitar a evasão e o contrabando do ouro, o governo montou na própria vila uma Caixa Econômica Federal, que seria a única compradora legalizada do metal precioso. Para coibir a entrada de mais garimpeiros ilegais, as áreas de lavra e os garimpeiros foram registrados pela Receita Federal; e a área do garimpo e da vila do Trinta (a época já com nome de Curionópolis) foi dotada de infraestrutura de Correios e de um armazém da Cobal, para que não fosse necessário o deslocamento constante de pessoas pela região.
Da emancipação à década de 1990
O declínio do ouro e o ostracismo econômico experimentado a partir de 1985, levou Curionópolis a se organizar no intuito de emancipar-se em relação a Marabá. A associação de moradores da vila, com o apoio da cooperativa de garimpeiros e de figuras locais influentes como o major Curió, conseguiram pleitear a realização de um plebiscito. O escrutínio mostrou um resultado superior a 90% de aprovação pela emancipação, número que viabilizou a emancipação local. Com tal resultado, em 10 de maio de 1988, através da Lei Estadual nº 5.444, Curionópolis foi elevado à condição de município. Sua instalação ocorreu em 1 de janeiro de 1989, com a posse do prefeito Salatiel Almeida, eleito em 15 de novembro de 1988. Na data da instalação, a Vila de Curionópolis foi escolhida como sede, em detrimento da Vila de Serra Pelada e da Vila de Eldorado, por ter melhor infraestrutura que as outras últimas.
Década de 2000
Em 2000 Sebastião Curió, embora tenha sido homenageado com seu nome no próprio município, é eleito pela primeira vez como prefeito. Um das suas primeiras, e mais controversas ações, foi a demissão de praticamente todo o corpo funcional de Curionópolis, inclusive concursados estáveis, sob a alegação de "estado de emergência". Em seu governo, de 2001 a 2008, haviam acusações de existência de grupos de ação contra "pessoas indesejáveis".. Seu estilo personalista. e autoritário. ao administrar a coisa pública chegou a ser comparado como o "último quinhão da ditadura militar". No ano de 2002, Curionópolis volta ao noticiário em função do assassinato do sindicalista Antônio Clênio Cunha Lemos, na sede do SINGASP, nas proximidades do Estádio Municipal, no Centro da cidade; o crime nunca foi esclarecido. O próprio Lemos era acusado de assassinato de dois outros garimpeiros, nas disputas de poder pelo controle do sindicato.
Década de 2010
Desde 2012, quando Curió foi denunciado pelo Ministério Público de Marabá pelos seus crimes durante a ditadura, tornou-se forte o movimento que pede a mudança de nome da cidade, assim como de vários lugares cujo nome homenageia pessoas ligadas à ditadura militar no Brasil. Caso mude sua denominação, o município passaria a se chamar "Serra Leste", a sua denominação mais primitiva. Devido à recente valorização do ouro no mercado internacional após a Grande Recessão, muitos garimpos até então desativados, passaram a ser reabertos. Entre 2007 e 2014 a empresa de mineração canadense Colossus Minerals Inc. se associou à COOMIGASP, formando a joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), que explorou de forma mecanizada o ouro de Serra Pelada. Entretanto, a empresa Colossus declara falência no Canadá e se retira da parceria na empresa SPCDM em 2014. A COOMIGASP passa por seguidas intervenções judiciais ao mesmo tempo. A mina é oficialmente fechada em 2014. As denúncias e as investigações sobre as SPCDM pautam-se sobre desvios de dinheiro, evasão e contrabando de ouro.
Desde o início das atividades de mineração industrial, esta têm sido a principal vocação econômica de Curionópolis, na medida em que gera empregos formais e receitas com arrecadação de impostos e róialtis ao caixa da prefeitura.
Agricultura, pecuária e extrativismo
A despeito do peso da mineração industrial, o setor primário ainda é de vital importância para o município, na medida em que gera empregos, arrecadação e supre a municipalidade com itens alimentares e diversos. As informações da Pesquisa "Produção Agrícola Municipal" de 2015, de responsabilidade do IBGE, apontam que a agricultura de lavoura temporária registrou produção considerável de abacaxi, mandioca e milho, e; a lavoura permanente se concentrou na produção de banana, coco-da-baía, maracujá, goiaba, cajá e abacate. O extrativismo vegetal, embora já quase insipiente, se concentra na extração de castanha-do-brasil e de madeira em tora. A mesma pesquisa do IBGE apontou que, em 2015, os principais rebanhos pecuários eram os bovinos, os equinos e os galináceos. O rebanho bovino era subdividido animais para corte e leite, sendo que o primeiro era, de longe, o mais numeroso.
Indústria e mineração
A indústria em Curionópolis está concentrada na grande mineração industrial ou em atividades a ela correlatas, como peças de reposição para grandes máquinas e tratores. A mineração industrial, centrada na extração de ferro da mina de Serra Leste, monopolizada pela Vale S.A., é o motor econômico de Curionópolis, principalmente graças à geração de róialtis. Espera-se que com o início da extração do cobre, na mina do Cristalino, o caixa da prefeitura tenha um incremento muito grande de recursos. A mesma atividade também conta com a extração do ouro na mina da Cutia, na vila de Cutianópolis. A exploração do ouro é feita por sistema de cooperativa, que monopoliza os equipamentos e a extração, dividindo os recursos entre os cooperados.
Comércio e serviços
O setor de comércio e serviços de Curionópolis orbita em torno de Parauapebas. Sua serventia entretanto, é grande para os munícipes, na medida em que fornece acesso a itens básicos para consumo doméstico e de atividades econômicas menores. A economia do setor terciário gira também em torno dos serviços públicos, com educação, saúde e assistência social. O principal fato gerador é a massa salarial paga aos servidores.
Transportes
As principais vias de acesso do do município são as rodovias PA-275, que permitem ligação com Parauapebas e Eldorado do Carajás, e; a PA-160, que corta a extremidade sul de Curionópolis. A principal estrada vicinal é a PA Serra Grande Sereno, que dá acesso ao distrito de Serra Pelada. Há também as importantes vicinais PA Alto Bonito, Cutia e Coração do Brasil. Embora cerca de 5 km da Estrada de Ferro Carajás (EF-315) atravesse a extremidade norte do município, na região do Rio Surpresa, não há nenhuma estação de passageiros ou cargas em Curionópolis.
Ruas e avenidas
Os principais logradouros da sede municipal são as Avenidas Brasil e Governador Carlos Santos, além das Ruas Tucupi (centro comercial), Açaí e Samaúma. As Avenidas Pará, Maranhão, Minas Gerais e Presidente Vargas também têm importância relativa.
Saúde e morbidade
Em 2020, Curionópolis dispunha de um hospital para atender a população, sendo o estabelecimento público Hospital e Maternidade Municipal Elcione Barbalho (HMMEB), localizado na sede. Já a Serra Pelada possuía a UBS Santa Casa da Misericórdia (anteriormente era um hospital) e o Posto de Saúde Nossa Senhora Aparecida (ao lado da paróquia da vila). Em todo o município existem diversas clínicas, centros, unidades e postos de saúde. As morbidades mais relevantes registradas vão desde à leishmaniose, até alta incidência de hanseníase e DST's. Cabe destacar que a Serra Pelada sofre com altos índices de contaminação de mercúrio e outros metais pesados, resquícios do garimpo artesanal. O consumo de peixes e vegetais irrigados com a água dos depósitos de rejeitos de mineração é a principal fonte dessa contaminação.
Em aspectos culturais, Curionópolis compartilha a mesma formação dos municípios vizinhos onde, em virtude das sucessivas ondas migratórias, houve uma miscigenação e hibridização de costumes, manifestações, práticas, que constituem um perfil único ali registrado. Já no lazer, o município é muito carente de áreas do tipo.
Manifestações culturais
A principal manifestação cultural do município é o festejo de Nossa Senhora das Graças, a padroeira do município. Durante 10 dias, no mês de novembro, são realizadas celebrações, novenas, carreata, missa sertaneja, passeio ciclístico "Pedalando com Maria", Círio das Crianças e shows católicos, finalizando com o Círio das Graças, em 27 de novembro. Outra festividade religiosa muito conhecida é a Procissão da Irmã Adelaide, realizada todos os anos, no dia 14 de maio, percorrendo a PA-275, entre Curionópolis e Eldorado. A religiosa católica Irmã Adelaide Molinari foi assassinada em 14 de abril de 1985, por pistoleiros, por engano, no Terminal Rodoviário de Eldorado do Carajás, enquanto aguardava o ônibus para retornar ao seu local de trabalho em Curionópolis. O alvo era Arnaldo Dolcídio Ferreira, delegado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá, que conversava com a Irmã Molinari no momento do crime. Irmã Adelaide é tratada como santa em Curionópolis, lembrada principalmente por seu trabalho em defesa e socorro aos pobres e desamparados.
Lazer
As principais áreas de lazer histórico, arquitetônico e natural são:
Esportes
A principal prática esportiva curionopolense é o futebol. É realizado somente de forma amadora ou recreativa, não havendo nenhuma equipe profissional que joga em campeonatos estaduais ou regionais. Outro esporte muito praticado é o motocross, onde há, inclusive, etapas regionais de competição.


