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Cuba

Cuba, oficialmente República de Cuba, é um país insular localizado no mar do Caribe, na América Central e Caribe. É um país que compreende a ilha de Cuba, bem como a Ilha da Juventude e vários arquipélagos menores. Cuba está localizada no norte do Caribe, onde o mar do Caribe, o Golfo do México e o Oceano Atlântico se encontram. Fica a leste da Península de Iucatã (México), a sul tanto do estado norte-americano da Flórida como das Bahamas, a oeste da Hispaniola, e a norte tanto da Jamaica como das Ilhas Caimão. Havana é a maior cidade e capital; outras grandes cidades incluem Santiago de Cuba e Camagüey. A área oficial da República de Cuba é de 109 884 km2. A ilha principal de Cuba é a maior ilha de Cuba e do Caribe, com uma área de 104 338 km2. Cuba é o segundo país mais populoso do Caribe, depois do Haiti, com mais de 11 milhões de habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Etimologia

Não existe consenso quanto à origem do nome cuba. Entre as diferentes versões, há duas que se destacam: a primeira diz que a palavra deriva dos termos taínos cubao, que significa onde a terra fértil abunda, ou coabana ou cubanacán, que se traduziriam como lugar amplo, e outra versão diz que deriva da contração de duas palavras aruaques: coa (lugar, terra, terreno) e bana (grande). Circula ainda a teoria de que Cristóvão Colombo possa ter nascido em Cuba, uma vila portuguesa no Alentejo, e esta ser a origem do nome da ilha.

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História

Período pré-colonial

No último século, estudos arqueológicos, etnológicos e morfológicos permitiram investigar a vida dos primeiros habitantes que chegaram à Cuba por volta de 6 000 a.C. Esses primeiros grupos eram caçadores paleolíticos de origem mongolóide. A segunda migração veio a ocorrer há 4 500 a.C., vinda da América Central e do Sul. Eles tinham uma fisionomia semelhante à do primeiro grupo. As terceira e quarta migrações são provenientes das Antilhas, cuja ocorrência deu-se por volta de 500 a.C. O território que atualmente constitui Cuba veio a ser habitado principalmente por povos ameríndios conhecidos como taínos, também chamados de aruaques pelos espanhóis, e guanajatabeis e ciboneis antes da chegada dos colonizadores. Os antepassados desses nativos haviam migrado séculos antes da parte continental das Américas do Sul, Central e do Norte. Os nativos taínos chamavam a ilha de Caobana. Os povos taínos eram agricultores e caçadores, ao passo que os ciboneis eram pescadores e caçadores e os guanatabeyes eram coletores.

Domínio espanhol

A ilha de Cuba foi descoberta pelos europeus com a chegada de Cristóvão Colombo em 1492, que a batizou com o nome de Juana, uma homenagem à Joana de Castela, filha de Fernando II, então rei da Espanha. Entretanto, o nome não vingou e o local ficou conhecido pelo nome nativo. Colombo morreu acreditando que Cuba fosse uma península do continente americano. A condição insular de Cuba foi esclarecida somente com explorações de Sebastián de Ocampo, que deu a volta completa à ilha em 1509, verificando a existência de nativos pacíficos e áreas para cultivar e aportar. A ocupação da ilha foi um dos primeiros passos para a colonização do território pela Espanha.

Movimentos de independência

A independência total da Espanha foi o objetivo de uma rebelião em 1868 liderada pelo advogado Carlos Manuel de Céspedes. De Céspedes, dono de uma fazenda de açúcar, libertou seus escravos para que lutassem com ele pela independência de Cuba. Em 27 de dezembro de 1868, ele emitiu um decreto condenando a escravidão em teoria, mas aceitando-a na prática e declarando a liberdade de todos os escravos cujos senhores os apresentassem para o serviço militar. A rebelião de 1868 resultou em um conflito prolongado conhecido como Guerra dos Dez Anos. Entre os combatentes, um grande número era de voluntários da República Dominicana e outros países, bem como numerosos chineses servos.

República (1902–1959)

Após a Guerra Hispano-Americana, a Espanha e os Estados Unidos assinaram o Tratado de Paris de 1898, pelo qual a Espanha cedeu Porto Rico, as Filipinas e Guam aos norte-americanos sob o valor de 20 milhões de dólares e Cuba passou à condição de protetorado dos Estados Unidos. Cuba conquistou a independência formal dos Estados Unidos em 20 de maio de 1902, como República de Cuba. Sob a nova constituição de Cuba, os Estados Unidos mantiveram o direito de intervir nos assuntos cubanos e supervisionar suas finanças e relações exteriores. De acordo com a Emenda Platt, os Estados Unidos alugaram a Base Naval da Baía de Guantánamo. Após as disputadas eleições em 1906, o primeiro presidente cubano, Tomás Estrada Palma, enfrentou uma revolta armada instada por veteranos da guerra da independência, que acabaram derrotando as escassas forças do governo. Os Estados Unidos intervieram ocupando Cuba e nomeando Charles Edward Magoon como governador por três anos. Historiadores cubanos caracterizam o governo de Magoon como introdutor da corrupção política e social. Em 1908, o autogoverno foi restaurado quando José Miguel Gómez foi eleito presidente, com o fator condicionante de que os Estados Unidos continuariam intervindo nos assuntos cubanos. Em 1912, o Partido Independiente de Color tentou estabelecer uma república negra separada, na província de Oriente, mas foi suprimido pelo general Monteagudo com considerável derramamento de sangue.

Revolução e governo do partido comunista (1959–presente)

Na década de 1950, várias organizações, incluindo algumas que defendiam o levante armado, competiram pelo apoio público para promover mudanças políticas. Em 1956, Fidel Castro e cerca de 80 apoiadores desembarcaram do iate Granma, na tentativa de iniciar uma rebelião contra o governo Batista. Em 1958, o Movimento 26 de Julho, de Castro, emergiu como o principal grupo revolucionário. Os Estados Unidos apoiaram Castro sob a imposição de um embargo de armas em 1958 contra o governo de Batista. Batista tentou evitar o embargo norte-americano adquirindo armas da República Dominicana. Em fins de 1958, os revolucionários haviam escapado de Serra Maestra e lançaram uma insurreição popular geral. Depois que os combatentes de Castro tomaram Santa Clara, Batista fugiu com a família para a República Dominicana, em janeiro de 1959. Posteriormente, veio a exilar-se na ilha portuguesa da Madeira, estabelecendo-se finalmente no Estoril, perto de Lisboa. As forças de Fidel Castro entraram na capital em 8 de janeiro de 1959. O liberal Manuel Urrutia Lleó tornou-se o presidente provisório.

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Geografia

Cuba é um arquipélago formado por mais de 1 500 ilhas. As maiores são a Ilha de Cuba e a Ilha da Juventude (que tem uma superfície de 2 200 km²). A Ilha de Cuba é a maior ilha do Caribe, com uma superfície 104 945 km². O conjunto do arquipélago cubano possui uma superfície de 110 860 km² e uma dimensão linear máxima de cerca de 1 200 km. A ilha de Cuba é a 16.ª maior ilha do mundo. Banhada a norte pelo estreito da Flórida e pelo oceano Atlântico Norte, a noroeste pelo golfo do México, a oeste pelo canal da Península de Iucatã, a sul pelo mar do Caribe e a leste pela passagem de Barlavento. A ilha de Cuba está formada principalmente por planícies onduladas, com colinas e montanhas mais escarpadas situadas maioritariamente na zona sul da ilha. O ponto mais elevado é o Pico Real del Turquino com 1 974 m de altitude. O clima é tropical, embora temperado pelos ventos alísios. Existe uma estação relativamente seca de novembro a abril e uma estação mais chuvosa de maio a outubro. Havana é a capital e a cidade mais populosa. Santiago de Cuba e Camagüey são também cidades importantes. A Baía de Guantanamo contém uma base naval tomada pelos Estados Unidos desde 1903.

Clima

Como a maior parte da ilha está ao sul do Trópico de Câncer, o clima local é tropical, moderado por ventos alísios vindos do nordeste que sopram durante todo o ano. A temperatura também é formada pela corrente caribenha, que traz água quente a partir do equador. Isso faz com que o clima de Cuba seja mais quente que o de Hong Kong, por exemplo, que está à mesma latitude de Cuba, mas tem um clima subtropical. Em geral (com variações locais), há uma estação seca de novembro a abril e uma estação mais chuvosa de maio a outubro. A temperatura média é de 21 °C em janeiro e 27 °C em julho. As temperaturas quentes do Mar do Caribe e o fato do país estar localizado na entrada do Golfo do México se combinam para tornar o país mais propenso a ciclones tropicais frequentes. Estes são os mais comuns entre os meses de setembro e outubro.

Biodiversidade

Cuba assinou a Convenção sobre Diversidade Biológica, em 12 de junho de 1992 durante a ECO-92 no Rio de Janeiro, e tornou-se membro da convenção em 8 de março de 1994. Posteriormente, o país produziu uma Estratégia e um Plano de Ação Nacional de Biodiversidade, com uma revisão que foi recebido pela convenção sobre 24 de janeiro de 2008. A revisão compreende um plano de ação com prazos para cada item e uma indicação do órgão governamental responsável pela realização da meta. No entanto, existe quase nenhuma informação nesse documento sobre a biodiversidade em si. O quarto relatório nacional cubano para a convenção, no entanto, contém uma análise detalhada dos números de espécies de cada reino biológico registrado no território cubano, sendo os principais grupos: animais (17 801 espécies), bactérias (270 espécies), Chromista (707 espécies), fungos (5 844 espécies), plantas (9 107 espécies) e protozoários (1 440 espécies).

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Demografia

Em 2022, a população cubana era de 11 milhões de habitantes. A composição étnica era de 7 271 926 brancos, 1 126 894 negros e 2 778 923 mulatos (ou mestiços). A população de Cuba tem origens muito complexas e casamentos entre os diversos grupos raciais são comuns. Há discordância sobre as estatísticas raciais. O Instituto para Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, diz que 62% da população é negra, enquanto as estatísticas do censo do governo cubano afirmam que 65,05% da população era branca em 2002. O Minority Rights Group International diz que "uma avaliação objetiva da situação dos afro-cubanos continua a ser problemática devido aos registros escassos e a uma falta de estudos sistemáticos tanto pré como pós-revolução. A estimativa do percentual de pessoas de ascendência africana na população cubana varia enormemente, variando de 33,9% para 62%". A taxa de natalidade cubana (9,88 nascimentos por mil habitantes em 2006) é uma das mais baixas do hemisfério ocidental. Sua população em geral teve um aumento contínuo de cerca de 7 milhões em 1961 para mais de 11 milhões atualmente, mas o aumento foi interrompido nas últimas décadas e uma queda começou em 2006, com uma taxa de fecundidade de 1,43 filhos por mulher. Esta queda da fecundidade é um das maiores do hemisfério ocidental. Cuba tem acesso irrestrito ao aborto legal e uma taxa de aborto de 58,6 por mil gestações, em 1996, em comparação com uma média de 35 no Caribe, 27 na América Latina em geral e 48 na Europa. O uso de anticoncepcionais é estimado em 79% (um terço superior dos países do hemisfério ocidental).

Composição étnica

Antes da chegada dos europeus, a ilha de Cuba era habitada por dois povos indígenas: os ciboneyes, espalhados por toda a ilha, e os tainos, ocupando principalmente o centro e o leste. Pouco se sabe sobre os ciboneyes, porém é sabido que eram caçadores-coletores e não conheciam a cerâmica. Os tainos, por outro lado, eram sedentários, viviam em grandes aldeias e dominavam técnicas avançadas de agricultura. Com a chegada dos espanhóis, as populações indígenas foram drasticamente reduzidas em poucas gerações, como consequência da escravidão, de conflitos com os colonizadores, da fome e da infecção por doenças. Desde o século XVI, escravos africanos foram levados para Cuba, sendo que esse tráfico aumentou exponencialmente ao longo dos séculos. Os escravos foram trazidos principalmente para trabalharem nas minas de ouro, como forma de compensar a falta de trabalhadores em decorrência do extermínio dos índios.

Migração

A imigração e a emigração desempenharam um papel importante no perfil demográfico de Cuba. Entre o século XVIII e o início do século XX, grandes ondas de canários, catalães, andaluzes, galegos e outros espanhóis imigraram para Cuba. Apenas entre 1899 e 1930, cerca de um milhão de espanhóis entraram no país, embora muitos eventualmente voltassem para a Espanha. Outros grupos de imigrantes proeminentes incluíram os franceses, entre outros. A Cuba pós-revolução foi caracterizada por níveis significativos de emigração, o que levou a uma grande e influente comunidade da diáspora. Durante as três décadas após janeiro de 1959, mais de um milhão de cubanos de todas as classes sociais — constituindo 10% da população total — emigrou para os Estados Unidos.

Urbanização

Embora o termo genérico favela (ou tugurio em espanhol) seja muito raramente empregado para descrever as condições de habitação substandard em Cuba, existem outras formas de sub habitação, (baseadas no tipo de construção, condição de conservação, materiais e tipo de ocupação) que são descritas em Cuba. A maioria das sub habitações cubanas localizam-se em La Habana Vieja, Centro Habana e Antares. A comparação entre as condições de habitação substandard de Cuba e as favelas (em inglês slums) de outros países de economia de mercado é complexa e não pode ser feita de forma direta. Em 2003 um projeto internacional, solicitado pelo governo comunista de Cuba à organizações internacionais tais como UNDP, UNEP, UNOPS, UN-HABITAT, e com a colaboração do governo da Bélgica, nos termos da Agenda 21, visando aumentar a capacidade dos atores locais de conduzir atividades de planejamento e administrações urbanos resultou no estabelecimento de mecanismos de capacitação para atividades de construção e um time nacional foi treinado para dar apoio técnico a times locais, que foram formados.

Religião

Em 2010, o Pew Forum estimou que a afiliação religiosa em Cuba é 59,2% de cristãos, 23% irreligiosos, 17,4% praticantes de religião folclórica (como santería) e os 0,4% restantes consistindo de seguidores de outras religiões. Em uma pesquisa patrocinada pela Univision, 44% dos cubanos disseram que não eram religiosos e 9% não deram uma resposta, enquanto apenas 34% disseram que eram cristãos. Cuba também hospeda pequenas comunidades de judeus (500 em 2012), muçulmanos e membros da Fé Bahá'í. Cuba é oficialmente um Estado secular. A liberdade religiosa aumentou ao longo da década de 1980, com o governo emendando a constituição em 1992 para retirar a caracterização de Estado ateu.

Línguas

A língua oficial de Cuba é o espanhol, que é falado pela grande maioria dos cubanos. O espanhol falado em Cuba é conhecido como espanhol cubano e é uma variação do espanhol caribenho. A língua lucumi, um dialeto da língua iorubá da África Ocidental, também é usado como língua litúrgica pelos praticantes da santería e, portanto, apenas como segunda língua. O crioulo haitiano é a segunda língua mais falada em Cuba e é falada por imigrantes haitianos e seus descendentes. Outras línguas faladas por imigrantes incluem galego e corso.

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Governo e política

Cuba é uma república socialista, organizada segundo o modelo marxista-leninista, (partido único, sem eleições diretas para cargos executivos), da qual Fidel Castro foi o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e o presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros (presidente da República), e que governou desde 1959 como chefe de governo e a partir de 1976 também como chefe de estado e comandante em chefe das forças armadas. Fidel afastou-se do poder em 1 de agosto de 2006, pela primeira vez desde a vitória da insurgência, por problemas de saúde. Seu irmão, Raúl Castro, assumiu interinamente as funções de Fidel (secretário-geral do Partido Comunista Cubano, comandante supremo das Forças Armadas e presidente do Conselho de Estado), exercendo-as até 19 de fevereiro de 2008 nessa condição, quando Fidel Castro renunciou oficialmente. Raúl Castro foi eleito novo presidente de Cuba no dia 24 de fevereiro de 2008 em eleição de candidato único, mantendo-se no cargo até abril de 2018, quando foi sucedido por Miguel Díaz-Canel, o primeiro chefe do Executivo da ilha que não era da família Castro em quase 60 anos.

Eleições gerais

Em 21 de outubro de 2007 realizaram-se em Cuba eleições gerais, com o comparecimento de mais de 8 milhões de eleitores, para eleger os delegados das "Assembleias Municipais do Poder Popular" na ilha. Segundo a ministra da Justiça, María Esther Reus, têm direito a exercer o voto cerca de 8,3 milhões de pessoas, nos 37 749 colégios eleitorais habilitados em 169 municípios. Por ocasião da realização das eleições gerais, Fidel Castro conclamou, mais uma vez, o presidente George W. Bush a por fim ao embargo comercial a Cuba. O governo dos Estados Unidos, a União Europeia e opositores cubanos ao regime de Castro se referem às eleições cubanas como sendo um "exercício cosmético de democracia" que exclui a oposição do país e é completamente supervisionado pelo partido comunista cubano. E ativistas cubanos qualificaram as eleições como ilegítimas e inconstitucionais.

Forças armadas

Em 2018, Cuba gastou cerca de 91,8 milhões de dólares com suas forças armadas ou 2,9% de seu PIB. Em 1985, o governo cubano dedicava mais de 10% do PIB a gastos militares. Em resposta à agressão estadunidense, como a Invasão da Baía dos Porcos, Cuba construiu uma das maiores forças armadas da América Latina, perdendo apenas para as forças brasileiras. De 1975 até o final dos anos 1980, a assistência militar soviética permitiu a Cuba atualizar suas capacidades militares. Após a perda dos subsídios soviéticos, Cuba reduziu o número de militares, de 235 mil em 1994 para cerca de 49 mil em 2021. Em 2017, Cuba assinou o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares.

Direitos humanos

Nos anos iniciais da Revolução, o governo cubano foi acusado de violações dos direitos humanos, incluindo detenções arbitrárias, julgamentos injustos e execuções (também conhecido como "El paredón"). Fidel, em 2010, admitiu que o governo perseguiu homossexuais nas décadas de 1960 e 1970, exonerando-os de cargos públicos, prendendo-os ou enviando-lhes a campos de trabalho forçado, afirmando que foram "momentos de muita injustiça". Em 1978 havia entre quinze e vinte mil presos políticos em Cuba, número que subiu para cerca de 112 mil em 1986. Na década de 1990, segundo a Human Rights Watch, o sistema prisional de Cuba era composto por cerca de 40 prisões de segurança máxima, trinta prisões de segurança mínima e mais de duzentos campos de trabalho. Em 2006, apesar de uma redução substancial, ainda havia, segundo a Anistia Internacional, entre 80 mil e 80,5 mil prisioneiros políticos na ilha, e, de acordo com esta, os dissidentes cubanos enfrentam detenção e prisão. Segundo a Human Rights Watch, em 2007, os presos políticos, juntamente com o resto da população prisional de Cuba, estão confinados a celas com condições precárias e insalubres. A Human Rights Watch acusou em 2008 o governo de "reprimir quase todas as formas de dissidência política" e que "aos cubanos são sistematicamente negados direitos fundamentais de livre expressão, associação, reunião, privacidade, movimento e devido processo legal". Esse número continuou a cair significativamente nos anos seguintes. Em 2007, era de 234 e, em 2008, era de 205. "O resultado óbvio é que segue a tendência, observada nos últimos vinte anos, da diminuição gradual de pessoas condenadas por motivações políticas", segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos, um grupo ilegal embora tolerado. Mas a comissão também chama a atenção para as mais de mil e quinhentas detenções rápidas, feitas de forma arbitrária. Cuba teve o segundo maior número de jornalistas presos em 2008, de acordo com o Committee to Protect Journalists (CPJ) e a Human Rights Watch.

Relações internacionais

A política dos Estados Unidos para Cuba está permeada por grandes conflitos de interesses que remontam ao governo de Thomas Jefferson, na primeira década do século XIX. As relações conflituosas aprofundaram-se com a Revolução Cubana de 1959, em que os revolucionários encabeçados por Fidel Castro Ruz promoveram reformas estatais de cunho socialista que desagradavam os Estados Unidos naquele contexto da Guerra Fria. Eu tinha a maior vontade de entender-me com os Estados Unidos. Até fui lá, falei, expliquei nossos objetivos. (...) Mas os bombardeios, por aviões americanos, de nossas fazendas açucareiras, das nossas cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções econômicas constituem agressões à nossa soberania nacional, ao nosso povo”. Fidel Castro, a Louis Wiznitzer, enviado especial do GLOBO a Havana, em entrevista publicada em 24 de março de 1960.

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Subdivisões

Cuba está dividida em quinze províncias com 169 municípios, além de um município especial (a Isla de la Juventud).

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Economia

Em 2018, o Banco Mundial listou a indústria cubana como a 66ª mais valiosa do mundo (13 bilhões de dólares). A economia de Cuba ainda hoje sofre as consequências do embargo comercial imposto pelos Estados Unidos desde 1962. Quase seis décadas de embargo pelos Estados Unidos causaram danos quantificáveis em mais de 922,6 bilhões de dólares na economia cubana. Na agricultura, Cuba produziu, em 2018, 8,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (entre o 21 e o 25º maior produtor mundial); 950 mil toneladas de banana; 795 mil toneladas de mandioca; 752 mil toneladas de legume; 555 mil toneladas de batata doce; 480 mil toneladas de tomate; 382 mil toneladas de manga; 377 mil toneladas de arroz; 307 mil toneladas de milho; 206 mil toneladas de yautia; 184 mil toneladas de mamão; 169 mil toneladas de feijão; 129 mil toneladas de batata; 27 mil toneladas de tabaco; além de outras produções de outros produtos agrícolas.

Turismo

Em 2018, Cuba foi o 50º país mais visitado do mundo, com 4,6 milhões de turistas internacionais. As receitas do turismo, neste ano, foram de US$ 2,9 bilhões. Em 2003, Cuba recebeu 1,9 milhão de turistas, que geraram 2 bilhões de dólares estadunidenses em receitas. Em 2005, Cuba recebeu seu recorde de 2,3 milhões de turistas, o que representou um incremento de 13,2 por cento em relação a 2004. Em 2006, a receita com turismo bateu o recorde, atingindo 2,4 bilhões de dólares estadunidenses, mas houve uma pequena queda no número de visitantes, que somaram 2,2 milhões. Em 2007, o Ministro do Turismo, Manuel Marrero, divulgou uma série de medidas tomadas para tornar o turismo cubano mais competitivo no Caribe. Em 2019, a praia de Varadero foi considerada como uma das melhores praias do mundo no TripAdvisor de 2019, ficando em segundo lugar na classificação.

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Infraestrutura

Energia elétrica

Com o agravaento crise econômica iniciada em 1989, no que ficou conhecido em Cuba como Período Especial, o país passou a sofrer muito com a falta crônica de eletricidade, devido à insuficiência de recursos financeiros do estado cubano para modernizar e ampliar as suas termoelétricas e suas linhas de transmissão, carentes de expansão para atender ao crescimento da demanda de energia elétrica, que aumenta, em média, 7% ao ano. Os chamados apagões chegaram a durar 16 horas, e foram uma constante na vida do povo cubano. A partir da posse de Hugo Chavez na Presidência da Venezuela em 1999 houve uma aproximação política entre os dois países e em 2000 foram assinados diversos acordos, entre os quais um acordo para fornecimento de petróleo. Não obstante, no início de 2007 o governo cubano pôs em operação 4.158 novos geradores a diesel, que custaram 800 milhões de dólares e têm capacidade total de gerar 711 811 kW, como uma medida emergencial para reduzir os apagões. Diante das dificuldades na geração de energia o governo cubano contratou em 2022 navios-usina da empresa turca Karadeniz.

Transportes

Cuba possui 20 mil km de vias pavimentadas, incluindo 915 km de oito vias expressas gratuitas chamadas de autopistas, sete delas centralizadas na cidade de Havana e conectadas entre si pelo anel viário de Havana, com exceção da rodovia para Mariel. A faixa de rodagem é dividida e as faixas em cada direção vão de duas a quatro. O limite máximo de velocidade é 100 km/h. O país possui 133 aeroportos, sendo que 64 deles têm pistas de pouso pavimentadas. O Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, é um hub para as empresas Cubana de Aviación e Aerogaviota, além de ter sido o antigo hub na América Latina para a companhia aérea soviética (posteriormente russa) Aeroflot.

Educação

O sistema educacional cubano é supervisionado e administrado pelo Ministério da Educação e pelo Ministério da Educação Superior. A educação é controlada pelo Estado e é obrigatória até o 9º ano. A Constituição de Cuba determina que os ensinos fundamental, médio e superior devem ser gratuitos a todos os cidadãos cubanos. O ensino fundamental tem a duração de seis anos, o ensino médio é dividido em ensino básico e pré-universitário. Ao alcançar a independência, os governos subsequentes promoveram a educação em Cuba. Apesar de este setor nunca ter usufruído de amplos recursos, foi estabelecido um sistema de ensino básico público, gratuito e obrigatório. Com isso, Cuba alcançou níveis de educação satisfatórios quando comparada aos demais países latino-americanos.

Saúde

Em Cuba, a prestação de serviços relacionados à saúde é totalmente gratuita para residentes da ilha, o que se espelha em seus indicadores padrão. Segundo dados da Organização mundial da saúde (OMS), em 2015, a taxa de mortalidade infantil para crianças abaixo de cinco anos de idade foi de quatro para cada mil nascidos, sendo o menor índice da América. A expectativa de vida ao nascer em Cuba é de 75 anos para os homens e de 79 para as mulheres, índice semelhante ao dos Estados Unidos, que é de 75 e 80 respectivamente. A mortalidade adulta, de 15 a 60 anos, é em Cuba de 128 para homens e de 83 para mulheres, índices superados, na América, pelo Canadá e pela Costa Rica.

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Cultura

A cultura cubana é influenciada por seu caldeirão de culturas, principalmente as da Espanha, África e os indígenas taínos. Após a revolução de 1959, o governo iniciou uma campanha nacional de alfabetização, ofereceu educação gratuita a todos e estabeleceu programas rigorosos de esportes, balé e música.

Patrimônio mundial

Cuba teve seu primeiro local incluído na lista na 6ª Sessão do Comité do Patrimônio Mundial, realizado na sede da UNESCO em Paris, França, em Dezembro de 1982. Naquela sessão, a Cidade antiga de Havana e suas fortificações, um local incluído a parte e central histórico de Havana, bem como fortificação colonial espanhola, foi inscrita na lista. As inclusões de Cuba na lista incluem uma variedade de locais. Dois locais são selecionados por sua importância natural: o Parque Nacional Alejandro de Humboldt nas províncias orientais de Holguín e Guantánamo, e o Parque Nacional Desembarco del Granma, nomeados pelo iate que levou os membros do Movimento 26 de Julho que iniciaram a Revolução Cubana. As paisagens da cidade incluem Havana Antiga, Trinidad e Camagüey, todas fundadas pelos primeiros colonizadores espanhóis no século XVI. Os locais também incluem regiões agrícolas históricas, incluindo as plantações de café do sudeste de Cuba, e na região do tabaco do Vale de Viñales.

Cinema

Nos primeiros dias de 1959, o novo governo criou um departamento cinematográfico dentro da Divisão de Cultura do Exército Rebelde, que patrocinou a produção de documentários como Esta tierra nuestra de Tomás Gutiérrez Alea, e La vivienda de Julio García Espinosa. Este foi o ancestral direto do que viria a se tornar o Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC), que foi fundado em março como resultado da primeira lei de cultura do governo revolucionário. O cinema, de acordo com essa lei, é "a forma mais poderosa e provocativa de expressão artística e o veículo mais direto e difundido para a educação e divulgação de ideias ao público".

Literatura

A literatura cubana começou a encontrar sua voz no início do século XIX. Temas dominantes de independência e liberdade foram exemplificados por José Martí, que liderou o movimento modernista na literatura cubana. Escritores como Nicolás Guillén e José Z. Tallet se concentraram na literatura como protesto social. A poesia e os romances de Dulce María Loynaz e José Lezama Lima foram influentes. O romancista Miguel Barnet, que escreveu Everybody Dreamed of Cuba, reflete uma Cuba mais melancólica. Alejo Carpentier foi importante no movimento do realismo mágico.

Culinária

A culinária cubana é uma fusão das culinárias espanhola e caribenha. As receitas cubanas compartilham especiarias e técnicas com a culinária espanhola, com alguma influência caribenha nas especiarias e no sabor. O racionamento de alimentos, que tem sido a norma em Cuba nas últimas quatro décadas, restringe a disponibilidade comum desses pratos.

Música

A música cubana é muito rica e é a expressão mais conhecida da cultura cubana. A forma central desta música é o son, que tem sido a base de muitos outros estilos musicais como o danzón, o mambo, o cha-cha-chá e a salsa. A rumba cubana originou-se no início da cultura afro-cubana, misturada com elementos de estilo espanhol. A música popular cubana de todos os estilos tem sido apreciada e elogiada amplamente em todo o mundo. A música clássica cubana, que inclui música com fortes influências africanas e europeias, e apresenta obras sinfônicas e também música para solistas, recebeu aclamação internacional graças a compositores como Ernesto Lecuona.

Esportes

Devido a associações históricas com os Estados Unidos, muitos cubanos participam de esportes que são populares na América do Norte, em vez de esportes tradicionalmente praticados em outras nações latino-americanas. O beisebol é o mais popular. Outros esportes populares incluem vôlei, boxe, atletismo, luta livre, basquete e esportes aquáticos. Cuba é uma força dominante no boxe amador, alcançando consistentemente altos números de medalhas nas principais competições internacionais. Os boxeadores Rances Barthelemy e Erislandy Lara desertaram para os Estados Unidos e o México, respectivamente. Cuba participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos de Verão em 1900 e enviou atletas para competirem em 20 das 28 Olimpíadas seguintes. Cuba ocupa a terceira posição entre os países das Américas em relação a conquistas de medalhas de ouro (atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá) e conquistou mais medalhas do que qualquer país da América do Sul.

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Fontes consultadas

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