Cruzada Nun'Álvares
A Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira, mais conhecida por Cruzada Nun'Álvares, foi um movimento político nacionalista e conservador português, criado em 1918 e extinto em 1938. A Cruzada pretendia contribuir para uma solução ordeira de direita para os problemas de instabilidade política crónica e de elevada conflitualidade social que afligiam a Primeira República Portuguesa. Das suas fileiras, em que coexistiam monárquicos e republicanos de diversas tendências políticas, saíram alguns dos principais apoiantes das soluções que pontuaram a transição da Ditadura Nacional para o Estado Novo, tais como o general Gomes da Costa, o comandante Filomeno da Câmara, Martinho Nobre de Melo, Fidelino de Figueiredo e Henrique Trindade Coelho.
Em consonância com o crescimento dos movimentos de inspiração nacionalista que se verificava em toda a Europa pós-Grande Guerra e, mais tarde, em resultado do surgimento dos movimentos fascistas em Itália e nacionalista em Espanha, verificou-se em Portugal um renascer do sentimento nacional que propiciou iniciativas tendentes ao renascimento de cultos e mitos das glórias e heróis nacionais. Foi nesse contexto, a que se juntou o sentimento de desastre nacional que resultou do esmagamento das tropas do Corpo Expedicionário Português na batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, e as esperanças e desilusões do sidonismo, que surgiram em Portugal múltiplos movimentos de direita, aliando a inspiração nacionalista ao catolicismo mais conservador. Tentando reavivar um orgulho nacional profundamente abalado, esses movimentos procuraram mobilizar as massas através da (re)criação de figuras míticas da heroicidade e virtude pátria.


