Cruz e Sousa
João da Cruz e Sousa foi um poeta brasileiro, reconhecido como o primeiro e o principal expoente do simbolismo no Brasil. Filho de escravos alforriados, teve a vida marcada pela negritude e pela causa abolicionista, pelo que recebeu as alcunhas de Dante Negro, Cisne Negro e Poeta Negro. Foi influenciado pelo trabalho de Charles Baudelaire e introduziu o simbolismo no país em 1893 com a publicação dos livros Missal e Broqueis, tendo realizado as primeiras experiências nacionais com o poema em prosa e a prosa poética. Em vida, foi reconhecido por Luiz Gama, Olavo Bilac e muitos outros intelectuais, contudo, morreu em relativa pobreza e sua obra só foi devidamente valorizada com o desenvolvimento do modernismo no século seguinte.
Nasceu dia 24 de novembro de 1861, filho dos escravos alforriados Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição. João da Cruz desde pequeno recebeu a tutela e uma educação refinada do ex-senhor de seus pais, o marechal Guilherme Xavier de Sousa - de quem adotou o nome de família, Sousa. A esposa de Guilherme Xavier de Sousa, Dona Clarinda Fagundes Xavier de Sousa, não tinha filhos, e passou a proteger e cuidar da educação de João. Aprendeu francês, latim e grego, além de ter sido discípulo do alemão Fritz Müller, com quem aprendeu Matemática e Ciências Naturais.[carece de fontes?] Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. Em 1883, foi recusado como promotor de Laguna por ser negro.[carece de fontes?] Em 1885, lançou o primeiro livro, Tropos e Fantasias em parceria com Virgílio Várzea. Cinco anos depois foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, colaborando também com diversos jornais. Em fevereiro de 1893, publicou Missal (prosa poética baudelairiana) e em agosto, Broquéis (poesia), dando início ao simbolismo no Brasil que se estende até 1922.[carece de fontes?] Em novembro desse mesmo ano casou-se com Gavita Gonçalves, também negra, com quem teve quatro filhos, todos mortos prematuramente por tuberculose, levando-a à loucura.
Morreu em 19 de março de 1898 em Minas Gerais, na localidade de Curral Novo, então pertencente ao município de Barbacena. Em 1948, a localidade se emancipou e passou a se chamar Antônio Carlos. Cruz e Sousa estava em Curral Novo pois fora transportado às pressas vencido pela tuberculose. Teve o seu corpo transportado para o Rio de Janeiro em um vagão destinado ao transporte de cavalos. Ao chegar, foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier por seus amigos, onde permaneceu até 2007, quando seus restos mortais foram então acolhidos no Palácio Cruz e Sousa, antigo palácio de governo do estado de Santa Catarina e atual Museu Histórico de Santa Catarina, no centro de Florianópolis.[carece de fontes?] Cruz e Sousa é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.
No aspecto de influências do seu simbolismo, encontra-se a tematização e representação artística do mal, da morte, relacionando-ao tema do abismo profundo, de Charles Baudelaire, remetendo a uma aproximação metafísica com o espiritual e com a subjetividade da alma humana, a busca pelas grandes verdades humanas e divinas. Sua poesia traz uma reflexão de conteúdo existencial, onde o sofrimento e as angústias humanas fazem parte do núcleo do seu fazer poético e busca consolo no sagrado e na espiritualidade, fazendo com que sua poesia seja classificada dentro da estética simbolista “expressiva do esforço de integração do homem com os valores transcendentais, com o sagrado e com os aspectos simbólicos da vida”. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento. Embora se aponte sua suposta obsessão pela cor branca, há em suas obras tantas referências a esta cor quanto à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos, tal como a "brancura" (remetendo aos altos significados da palavra, muito além da cor em si).[carece de fontes?]
Em Florianópolis, onde Cruz e Sousa nasceu, o antigo Palácio do Governo recebeu o nome do poeta e lá encontram-se seus restos mortais: é o Palácio Cruz e Souza, prédio eclético que fica próximo a Praça XV de Novembro e é um ponto turístico da cidade. Um grande mural com a imagem do poeta fica no prédio vizinho ao palácio. Além disso, vários municípios o homenageiam usando seu nome para nomear ruas e avenidas. Sylvio Back dirigiu um filme sobre o poeta lançado em 1998. Interpretou Cruz e Sousa o ator Kadu Karneiro. Todo o texto do filme é só de poemas de Cruz e Sousa. Em Lages, existe o Clube Cruz e Souza, que preserva a sua história e promove a cultura negra. Joel Rufino dos Santos publicou em 2012 o romance Claros sussurros de celestes ventos, em que figuram como personagens tanto o poeta quanto a Núbia que dá nome a um poema em Broquéis. Em 1994 foi instituída a Medalha de Mérito Cultural "Cruz e Sousa" pelo decreto nº. 4 892 de 17 de outubro de 1994. Anualmente a premiação homenageia personalidades de Santa Catarina por meio de escolha do conselho estadual de cultura.


