Cromatografia
A cromatografia é uma técnica analítica que tem por finalidade geral a separação e/ou purificação de misturas. Quando acoplada com detectores de massas ou UV/Vis, a cromatografia fornece informações adicionais sobre a identidade das moléculas. A técnica é utilizada quando há pequenas quantidades de amostra e os componentes da mistura têm diferentes capacidades de se adsorverem em um material suporte. Usando propriedades como solubilidade, tamanho e massa, a cromatografia envolve uma série de processos de separação de misturas. A cromatografia ocorre pela passagem de uma mistura através de duas fases: uma móvel e uma estacionária. A grande variedade de combinações entre a fase móvel e estacionária faz com que a cromatografia tenha várias técnicas diferenciadas. Para o processo de separação de misturas, a mistura passa por duas fases, sendo uma estacionária e outra móvel, sendo que os constituintes dessa mistura interagem com as fases através de forças intermoleculares e iônicas, permitindo a separação. A mistura pode ser separada em várias partes distintas ou ainda ser purificada eliminando-se as substâncias indesejáveis. Para a identificação, compara-se os resultados da análise com outros resultados previamente conhecidos, como por exemplo, tabela de gráficos conhecidos, e através desta comparação, encontra-se as substâncias que pertencem à mistura.
Cromatografia é uma técnica de separação de misturas e identificação de seus componentes. Esta separação depende da diferença entre o comportamento dos analitos entre a fase móvel e a fase estacionária. A interação dos componentes da mistura com estas duas fases é influenciada por diferentes forças intermoleculares, incluindo iônica, polar apolar, e específicos efeitos de afinidade e solubilidade.
Imagem: Alexiots A. Zlatich · BY-SA · Openverse
Uma analogia que é às vezes útil é a suposição da mistura de abelhas e moscas passando sobre uma flor. As abelhas serão atraídas pela flor e serão separadas das moscas por esta atração. Se observarmos esta passagem sobre a flor, as moscas irão passar antes seguidas pelas abelhas. Nesta analogia, as abelhas e as moscas são os analitos, as flores representariam a fase estacionária e o ar onde as duas espécies passam seria a fase móvel. A chave da separação está na diferença de afinidade entre o analito, a fase móvel e a fase estacionária. O observador seria representado pelo detector usado em uma série de formas de cromatografia. Todavia os valores determinados podem sofrer mudanças. Pode se ter dois tipos a fase estacionaria e a fase de absorção do procedimento citado.
Foi o botânico russo, Mikhail Semenovich Tswett quem inventou a primeira técnica cromatográfica em 1900 durante suas pesquisas sobre a clorofila. Ele usou uma coluna de absorção líquida contendo carbonato de cálcio para separar pigmentos de folhas de plantas. O método foi descrito em 30 de dezembro de 1901 no 11o Congresso de Médicos e Naturalistas em São Petersburgo. A primeira publicação feita foi em 1903. Ele usou pela primeira vez o termo cromatografia em uma publicação em 1906 no jornal de botânica alemão, Berichte der Deutschen Botanischen Gesellschaft. Em 1907, demonstrou sua cromatografia para a Sociedade Botânica Alemã. Os pesquisadores britânicos Archer John Porter Martin e Richard Laurence Millington Synge trabalhavam para a Wool Industries Research Association na cidade de Leeds e em 1941 publicaram um artigo intitulado "A New Form of Chromatogram Employing Two Liquid Phases" (Uma Nova Forma de Cromatograma Empregando Duas Fases Líquidas), que serviu como base para a cromatografia amplamente utilizada atualmente, e, devido à "invenção deles de cromatografia de partição" receberam em 1952 o Prêmio Nobel de Química.
Cromatografia de adsorção
Neste processo, o de mais ampla utilização, duas substâncias são ligadas por uma interface onde ocorre solubilização. A fase estacionária é sólida e a fase móvel pode ser líquida ou gasosa. Baseia-se nas atrações eletrostáticas ou dipolares da superfície da fase estacionária pelas moléculas da substância a separar.
Cromatografia de partição
A fase estacionária é líquida. Este processo é baseado na diferente solubilidade dos componentes da mistura nas duas fases líquidas.
Cromatografia planar
Na cromatografia planar, também chamada de camada fina, ou TLC ("Thin Layer Chromatography"), a fase estacionária, por exemplo alumina ou sílica, é suportada sobre uma placa plana ou nos poros de um papel. Nesse caso, a fase móvel desloca-se através da fase estacionária, sólida e adsorvente, por ação da capilaridade ou sob a influência da gravidade. Útil em separação de compostos polares. Encontra-se bastante difundida devido à sua facilidade experimental e ao seu baixo custo. Cromatografia em papel (ou PC, do inglês paper chromatography), é uma técnica de partição. Utiliza dois líquidos, ou misturas de líquidos, um atuando como fase móvel (eluente) e outro, suportado sobre papel, atuando como fase estacionária. Ocorre a retenção das substâncias devido às diferentes afinidades para com as fases estacionária e móvel. Utiliza-se papel normal ou papel de filtro (mais utilizado) como suporte da fase estacionária.
Cromatografia em coluna
É a técnica de separação cuja fase estacionária acontece dentro de um tubo. Utiliza-se uma coluna de vidro aberta na parte superior e munida de uma torneira na extremidade inferior, por onde elui o líquido. Dentro da coluna encontra-se a fase estacionária constituída por um enchimento sólido no caso da cromatografia de adsorção, ou por uma fase líquida no caso da cromatografia de partição. A fase móvel é líquida em ambos os casos.A ordem das substâncias dependerá da sua polaridade.
Cromatografia de leito móvel
A cromatografia de leito móvel verdadeiro (True moving bed, TMB) é uma forma de transformar a cromatografia de leito fixo num processo contínuo em contracorrente, e desta forma maximizar as taxas de transferência de massa entre fases. Nesta técnica, o absorvente move-se no sentido oposto ao do eluente com uma velocidade compreendida entre as velocidades de migração dos dois componentes.
Cromatografia de troca iônica
A cromatografia iônica (ou cromatografia de troca iônica) é um processo de separação e análise quantitativa de íons (cátions e ânions) que se ligam eletrostaticamente com base em sua afinidade com a matriz trocadora de íons. É indicada para moléculas carregadas, incluindo proteínas em condições distantes do seu ponto isoelétrico. Sendo R o trocador de íons e A e B os diferentes ânions. A cromatografia iônica pode ser aniônica (troca de ânions) ou catiônica (troca de cátions). Em proteínas, a cromatografia de troca catiônica quando estiver carregada positivamente, ou seja em pH menor que seu ponto isoelétrico (PI) e por consequência a fase estará carregada negativamente e vice-versa.


