Crítica genética
A crítica genética é um campo teórico-metodológico que tem o objetivo de reconstituir uma história do texto em estado nascente, buscando encontrar nele os segredos da fabricação da obra. É tornar visível e compreender a originalidade do texto literário ou não, através do processo que lhe deu origem. Para tal movimento, são utilizadas estratégias de organização, transcrição e edição do que os geneticistas chamam do dossiê genético.
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Os estudos de crítica genética iniciaram-se com a crise na crítica literária de 1968, na qual houve uma ruptura com o estruturalismo vigente na época. Já em 1982, pesquisadores dos manuscritos de Heinrich Heine fundaram o ITEM - Institut de Textes et Manuscrits Modernes, que está ligado ao CNRS - Centro Nacional da Pesquisa Científica, ambos localizados em Paris, na França. Esses pesquisadores têm como objetivo pensar os manuscritos a partir de visões específicas, como a Linguística, a autobiografia e a informática. Alguns dos principais autores desse campo são franceses: Pierre-Marc de Biasi e Almuth Grésillon, cujas publicações ainda norteiam os estudos de crítica genética.
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Muitos dos termos utilizados nos estudos de crítica genética advêm do francês, seu local de origem. A ideia de organizar um glossário para este estudo foi necessária na medida em que as leituras advindas trazem uma série de variações que, em algum momento, podem interferir no entendimento do estudo do processo de criação. Há o Glossário de Crítica Textual, que traz palavras em comum à crítica textual e à crítica genética.
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Também chamado de prototexto, a função dele é organizar os documentos necessários para o estudo genético de uma obra. Nesse processo, a realização da análise crítica dos manuscritos pede que se considere o tipo de rasura encontrada e que tipo de transcrição será realizada, a depender de quem está realizando esse estudo e quais seus objetivos com os manuscritos. Os tipos de rasuras podem ser classificadas de acordo com sua funcionalidade no texto: supressão (retirada definitiva de uma palavra ou um trecho), substituição (lugar por lugar, quando a substituição foi algo próximo ou igual ao trecho; por elipse, quando o segmento substitutivo for menor que o trecho substituído; por acréscimo, quando o trecho substitutivo for maior que o trecho substituído); deslocamento ou transferência, quando há um reordenamento de palavras ou trechos do texto, resultando em uma melhor escrita; suspensão, quando o autor percebe que uma substituição pode acontecer a posteriori, ele adia as alterações que deseja realizar; utilização, quando o risco não é acompanhado de nenhum acréscimo ou substituição.
Estabelecimento do corpus e especificação das peças
Constituir o dossiê integral dos manuscritos disponíveis da obra em questão, reunindo e autenticando todo o material. Lembrar que os manuscritos não precisam ser somente aqueles produzidos manualmente, mas os digitais também estão inseridos (textos digitados, imagens, áudios ou vídeos), considerando os avanços tecnológicos existentes. Aqui temos quatro fases genéticas: Fase que antecede o momento de escrita propriamente dita. Alguns autores esclarecem que pode ser um ato meramente psíquico, que acaba e não deixa rastro algum.Subdivide-se em Fase de pesquisa preliminar e Fase de inicialização. Momento em que inicia a execução da obra, cujas anotações podem acontecer por meio de abreviaturas ou escrita telegráfica ou estenógrafa. Aqui, é possível encontrar rasuras que permitem acompanhar mais detalhadamente o processo de criação da obra.
Classificação dos rascunhos
Organizar o dossiê dos rascunhos e documentos de redação, obedecendo a uma finalidade especificada pelo pesquisador geneticista. Especificar, datar e classificar cada fólio desse dossiê. A ideia é buscar uma cronologia que possibilite o estudo de forma linear, quando for possível.
Deciframento e transcrição
Essas etapas apresentam características diferentes em cada caso, conforme o estado em que se encontra cada manuscrito. O ideal é que o manuscrito apresente clareza suficiente para que não seja necessária a transcrição. Nesse caso, o pesquisador pode trabalhar diretamente com os originais. É necessário que se estabeleça um instrumento teórico para direcionar a análise do material. Nesse momento, o pesquisador poderá valer-se da prática interdisciplinar. Depois de analisar as rasuras através de codificações próprias para tal fim, o pesquisador geneticista irá proceder à transcrição que, de acordo com seus objetivos de pesquisa pode acontecer de quatro formas diferentes:
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Principais grupos de pesquisadores
No Brasil, os grupos de pesquisa que se interessam pela crítica genética estão distribuídos pelas regiões Nordeste, Sul e Sudeste. Uma introdução crítica à Crítica Genética


