Cristiano Benedito Ottoni
Cristiano Benedito Ottoni foi engenheiro, militar, professor de matemática e político brasileiro. Atuou como diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, foi deputado geral durante o Império e exerceu o mandato de senador tanto no período imperial quanto nos primeiros anos da República. Sua trajetória esteve associada à consolidação da engenharia ferroviária, ao debate político sobre a escravidão e à interiorização do território brasileiro no século XIX.
Cristiano Benedito Ottoni teve formação técnica ligada à engenharia militar e à matemática, atuando como professor na Escola de Engenharia da Marinha, posteriormente denominada Escola Central, e, mais tarde, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Produziu vasta obra didática, com manuais de aritmética, álgebra, geometria e trigonometria amplamente utilizados no ensino público e privado ao longo do século XIX. No campo da engenharia, destacou-se como primeiro diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, cargo no qual esteve à frente das obras que permitiram a transposição da Serra do Mar em direção a Minas Gerais e São Paulo entre 1855 e 1865. Por essa atuação, é frequentemente referido na historiografia como um dos principais pioneiros da engenharia ferroviária no Brasil. No plano político, Ottoni exerceu sucessivos mandatos como deputado geral pela província de Minas Gerais e foi signatário do Manifesto Republicano de 1870. Em 1879, foi eleito senador pelo Espírito Santo e, após a Proclamação da República, tornou-se senador por Minas Gerais. Sua atuação parlamentar incluiu participação destacada nos debates sobre a Lei do Ventre Livre, nos quais se posicionou contra a proposta, alinhando-se aos interesses do Clube da Lavoura e do Comércio e de setores escravistas.
Em conjunto com seu irmão Teófilo Ottoni, Cristiano Ottoni participou ativamente do processo de colonização do vale do Mucuri. Em 1849, integrou a criação da Companhia de Comércio, Navegação e Colonização do Mucuri, responsável pela implantação de uma linha de navegação marítima entre o Rio de Janeiro e o litoral sul da Bahia, seguida por navegação fluvial a vapor e pela abertura de uma estrada carroçável ligando Santa Clara à então Filadélfia, atual Teófilo Otoni. A companhia promoveu a imigração de milhares de famílias europeias e desempenhou papel central na ocupação do Nordeste mineiro. Após conflitos políticos e dificuldades financeiras, a empresa foi levada à falência em 1861, mas o núcleo urbano por ela fundado consolidou-se como importante centro regional.
Cristiano Benedito Ottoni faleceu em 1896, deixando vasta descendência. Seu filho Julio Benedito Ottoni destacou-se como industrial e benemérito da Biblioteca Nacional, para a qual doou, em 1912, a Coleção Benedito Ottoni, um dos mais importantes acervos bibliográficos sobre o Brasil reunidos no país. Sua outra filha, Ermelinda Queiroz, foi empresária e benfeitora, cofundadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Seu neto Raimundo Ottoni de Castro Maia foi intelectual, colecionador e fundador da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, além de criador da Fundação Castro Maya, responsável por um dos mais relevantes acervos artísticos do país, atualmente administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus. A memória de Cristiano Benedito Ottoni é preservada em monumentos públicos, como a estátua situada nas imediações da antiga Gare Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, e no topônimo do município mineiro de Cristiano Otoni.


