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Cristianização

Cristianização é o processo de conversão de indivíduos ao cristianismo. O termo pode descrever um fenômeno histórico, que provocou a conversão em massa de povos inteiros, incluindo a prática de converter práticas e culturas pagãs, além das imagens religiosas, locais de culto e calendários pagãos, para os usos cristãos, devido aos esforços dos fiéis desta religião no proselitismo cristão, baseados na tradição da Grande Comissão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Simbolismo

Embora a cruz seja, atualmente, o símbolo mais comum do cristianismo, no século I ela não era particularmente associada com a religião, só assumindo um lugar de como tal durante o século II, [a] até o século III a cruz seria tão estreitamente associada ao cristianismo, que Tertuliano designou os cristãos como crucis religiosi, ou seja "devotos da Cruz." De acordo com a tradição cristã, a cruz é uma referência à crucificação de Jesus, e o crucifixo é a sua referência mais imediata. No entanto, devido à natureza altamente ambígua dos termos gregos utilizados na Bíblia para se referir à sua crucificação, já se levantou a hipótese de uma tradução mais específica do termo se referir à prática de execução onde o prisioneiro era amarrado a uma única estaca de madeira, em vez da cruz tradicionalmente retratada; a tradução comum na tradição cristã, pregado à cruz, poderia igualmente significar pregado a uma árvore e pregado a um poste de madeira, ambos métodos comuns de crucificação no Império Romano, onde o prisioneiro tinha suas mãos amarradas sobre sua cabeça, outras traduções possíveis para o termo incluem empalação, enforcamento e estrangulamento.

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Processo de cristianização

Locais sagrados

Poucas igrejas cristãs construídas durante os primeiros quinhentos anos em que a Igreja Cristã esteve estabelecida não foram construídas sobre sítios anteriormente consagrados como templos pagãos ou mitreus; a igreja de Santa Maria sopra Minerva (literalmente "Santa Maria [construída] sobre Minerva"), em Roma, é um dos exemplos mais imediatos. Sulpício Severo, em sua Vita de Martinho de Tours, um contumaz destruidor de templos e árvores sagradas, afirmou que "onde quer que ele destruísse templos pagãos, ele costumava construir imediatamente igrejas ou mosteiros", e quando São Bento se apoderou do sítio de monte Cassino, sua primeira atitude foi quebrar a escultura de Apolo, e o altar que adornava aquelas alturas.

Mitos e imaginário

A historicidade de diversos santos freqüentemente foi tratada com ceticismo pela maioria dos acadêmicos, seja porque existe pouca evidência histórica a seu respeito, ou devido às grandes semelhanças que muitos apresentam às deidades pré-cristãs. Em 1969, a Igreja Católica Romana descanonizou oficialmente alguns santos cristãos, rebaixou outros [carece de fontes?], e declarou a historicidade de outros como sendo dúbia. Embora altamente popular na Idade Média, muitos destes santos acabaram sendo esquecidos desde então, e seus nomes podem parecer pouco familiares hoje em dia. Um dos mais famosos é Santo Eustáquio, que foi extremamente popular durante tempos antigos, porém atualmente é visto pelos estudiosos como uma "quimera", composta por detalhes de diversos outros santos.

Calendário

Diversas festas cristãs ocupam determinados momentos do ano que eram anteriormente dedicados à celebrações e festivais pagãos. Alguns exemplos familiares são a Saturnália romana, que foi convertida em Natal, as festividades do Yule, no norte da Europa, o nome da deusa Eostre, que sobreviveu no nome inglês da Páscoa (Easter), a comemoração do meio do verão nas festas juninas, celebrando o aniversário de São João Baptista, e as comemorações da Lemurália e do Samhain celta foram combinadas e transferidas para a véspera do Dia de Todos-os-Santos, ou seja, Dia das Bruxas. Os cristãos que ocupavam cargos de autoridade desaprovavam as desordens e tumultos dos festivais pré-cristãos; sobre o Yule, o amigo e biógrafo de Santo Elígio registrou que o bispo, chamado de "Apóstolo dos Frísios", recomendava ao seu rebanho: "[Não] façam vpetulas (pequenas figuras representando velhinhas), pequenos cervos ou iotticos, deixar mesas prontas durante a noite (para o elfo do lar), trocar presentes de Ano Novo ou fornecer bebidas supérfluas." No entanto, diversas atividades pré-cristãs se provaram difíceis de serem suprimidas, e numerosos editos foram proclamados, instruindo os missionários a tentar absorver as tradições anteriores ao cristianismo, para distrai-las de seus deuses pré-cristãos; o Dia dos Fiéis Defuntos, por exemplo, foi aceito por Odilo (morto em 1048) nos mosteiros cluníacos, e a sua observância se espalhou por todo o norte céltico, até ser introduzido à Itália e de lá se espalhar por boa parte da cristandade.

Rituais

A ligação óbvia entre com rituais judaicos de práticas cristãs como a eucaristia e o batismo é muitas vezes citada como proposital. A tradição cristã situa o uso cristão destas atividades como tendo se originado durante a vida de Jesus, como é atestado pelas narrativas bíblicas (por exemplo, o batismo de Jesus, referindo-se, obviamente, ao batismo, e a Última Ceia, à eucaristia), e estes incidentes seriam exemplos dos rituais judaicos (o batismo como banho ritual, e a Última Ceia como Sêder de Pessach). No entanto, estas práticas também estavam presentes em diversas outras religiões antigas, um fato que deixou diversos dos chamados Pais da Igreja desconfortáveis. Tão similares eram estas práticas nos cultos "rivais", como o mitraísmo, e ocorriam de maneira tão óbvia antes da existência do cristianismo, e sem qualquer conexão com o judaísmo, que importantes pensadores cristãos como Tertuliano e Justino argumentaram que o próprio Satã teria dado estes rituais às outras religiões, como uma espécie de deboche profético. De acordo com muitos estudiosos seculares, o fato de que até mesmo estes primeiros intelectuais do cristianismo admitiram que outras religiões se utilizavam destes rituais, e antes mesmo dos cristãos, pode até mesmo sugerir que o cristianismo os teria adotado destas fontes, e as narrativas bíblicas invetadas posteriormente para justificar este uso. No entanto, também pode ser argumentado que a narrativa bíblica se refere às práticas da maneira em que eram conhecidas no judaísmo, enquanto as formas utilizadas tradicionalmente pelo cristianismo foram tiradas de outras fontes religiosas.

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História

Cristandade Antiga (pré-niceno)

O Concílio de Jerusalém, de acordo com o livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, determinou que a circuncisão não seria exigida dos convertidos gentios, apenas que "se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue", estabelecendo o cristianismo recém-nascido como uma alternativa atraente ao judaísmo helenístico para possíveis prosélitos. Os Doze Apóstolos e os Padres Apostólicos iniciaram o processo de integração da seita originalmente judaica (banida como religio illicita desde a década de 1980) em religião helenística (cristianismo e neoplatonismo), um processo que culminou somente no fim da Antiguidade Clássica, com Pseudo-Dionísio, o Areopagita.

Antiguidade Tardia (séculos IV-VI)

O historiador da Universidade Yale, Ramsay MacMullen, ao abordar a cristianização do Império Romano, dividiu seu livro em duas seções: antes e depois do ano de 312, que marcou a momentosa conversão do imperador Constantino. O imperador pôs um fim à perseguição de cristãos (e a outras religiões) com o Édito de Milão, fazendo com que a religião pagã imperial da Roma Antiga não mais fosse a única religião aceitável pelo Estado romano. Se o próprio Constantino propunha aquilo que se seguiu, ainda é contestado; porém sob seus sucessores a cristianização da sociedade romana avançou, ainda que de maneira irregular. Os filhos de Constantino, por exemplo, baniram os sacrifícios religiosos pagãos estatais em 341, porém não fecharam os templos. Embora todos os templos pertencentes ao Estado tenham sido fechados por decreto em 356, existem evidências de que os sacrifícios tradicionais continuaram. No reinado do imperador Juliano, os templos foram reabertos e os sacrifícios religiosos estatais legalizados mais uma vez. Quando Graciano declinou do cargo e do título de pontífice máximo, seu ato efetivamente colocou um ponto final na religião de Estado, devido à autoridade do cargo e seus laços dentro da administração imperial. No entanto, mais uma vez, este processo terminou com as práticas oficiais do Estado, porém não com as práticas privadas; conseqüentemente, os templos continuaram abertos até que o imperador Teodósio tornasse ilegal a expressão pública dos antigos cultos, colocando decididamente um fim a uma era de tolerância religiosa.

Idade Média (séculos VII-XV)

Durante a Idade Média a evangelização promovida pela Igreja Católica foi um processo muito lento e progressivo, e na maioria das vezes não obteve os resultados almejados, porque as populações convertidas retornavam ao paganismo com muita facilidade, pois não havia como essas pessoas a adotar uma religião e uma moral que muitas vezes lhes pareciam destituídas de sentido em relação a seus costumes tradicionais. Havia até resistências que muitas vezes culminaram em guerras civis entre cristãos e praticantes de crenças tradicionais denominadas pagãs pelos cristãos. Assim, a cristianização das populações camponesas e dos povos bárbaros permanecia superficial e insuficiente. Os europeus oscilavam bastante entre cristianismo e paganismo até os séculos XIV e XV. A palavra pagão vem do latim paganus que traduzindo significa camponês.

Período colonial (séculos XVI-XIX)

A expansão dos impérios católicos de Portugal e Espanha, e o papel significante desempenhado pela Igreja Católica, levaram à cristianização das populações indígenas das Américas, como os astecas e os incas. Ondas posteriores de expansão colonial, como a Partilha da África, ou a disputa pela Índia colonial, realizadas por holandeses, ingleses, franceses, alemães e russos levaram à cristianização de outras populações nativas ao redor do globo, como os povos ameríndios, os povos do Sudeste Asiático, indianos e africanos — o que fez esta expansão do cristianismo eclipsar aquela que ocorreu durante o período romano, e tornando-o uma religião verdadeiramente global.

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Fontes consultadas

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