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Cristão-novo

Em referência aos cristãos tradicionais, “cristãos-novos” é a designação para os judeus de origem ibérica, que se converteram ao Cristianismo e tornaram-se seguidores da Igreja Católica. Ainda sendo, por conta de sua antiga prática religiosa, um possível inimigo a ser combatido pelo Santo Ofício, estando sempre sob suspeita. Ademais, torna-se difícil saber até que ponto as conversões ocorreram por adesão sincera ao catolicismo, por sobrevivência política ou por mera imposição violenta do Estado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Expulsão e conversão forçada

Após a expulsão dos judeus de Espanha pelos Reis Católicos em 1492, cerca de 60 000 judeus que recusavam converter-se à religião cristã emigraram para Portugal. D. João II, influenciado por judeus importantes na Corte, acolhe-os, mas impõe o pagamento de oito ducados de ouro,[a] uma quantia deveras elevada para a época, para permanecerem em terras lusitanas (aos que não podiam pagar este valor, metade dos seus bens eram confiscados a favor da Coroa). Pretendia-se com isso a fixação de artesãos especializados, que faltavam em Portugal. Falecido D. João II, sucede-lhe D. Manuel I, monarca que se revelou tolerante para com os judeus que não podiam pagar. Segundo o jornalista e escritor Elias Lipiner, D. Manuel, ao casar-se com Isabel de Aragão e Castela, posteriormente Rainha consorte de Portugal, filha de Isabel I de Castela e de Fernando II de Aragão, aceitou inserir no contrato de casamento, a pedido dos pais da noiva, uma cláusula que garantia expressamente a expulsão dos judeus de seu reino, tal como ocorrera em Espanha. Para cumprir esta cláusula, D. Manuel publica, em dezembro de 1496, um decreto em que determina a saída de Portugal dos judeus ainda não convertidos ao cristianismo, sob pena de morte, dando-lhes um prazo até outubro de 1497 e garantindo-lhes meios de transporte para que pudessem partir.

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Perseguição pela Inquisição

Mesmo após a conversão, alguns cristãos-novos permaneceram fiéis à sua religião original (denominados criptojudeus ou, de forma pejorativa, marranos) e inventaram formas de esconder sua convicção religiosa. As alheiras, um tipo de enchido de carne de galinha e outras aves, foram, por exemplo, criadas para imitar os tradicionais chouriços de carne de porco, proibida aos judeus. Em Abril de 1499, um alvará proíbe a saída do Reino aos cristãos-novos e a situação de perseguição assumiu contornos drásticos na Páscoa de 1506. Em 19 de abril, iniciou-se uma revolta popular impulsionada por frades dominicanos contra os cristãos-novos, que se prolongou por três dias. A multidão, movida pelo fanatismo religioso, perseguiu, violou, torturou e matou centenas de pessoas acusadas de serem judias. Este episódio, conhecido como o Massacre de Lisboa, acentuou o clima de crescente antissemitismo em Portugal e levou muitas famílias a abandonar o Reino. A falha da seriedade de muitas conversões levou D. João III a mandar instalar a Inquisição em Portugal em 1536 e a estabelecer uma política de distinção em relação aos cristãos-novos.

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Cristãos-novos no Brasil

Para fugir das perseguições em Portugal e também na Espanha, muitos cristãos-novos em princípios do século XVI foram para o então Novo Mundo, terra com um futuro promissor e, consequentemente, para o Brasil, que apesar de ser colônia do reino que os afugentara, era considerado um local de refúgio e recomeço por não possuir Tribunal da Inquisição nem uma estrutura eclesiástica firme, o que permitia que vivessem menos apreensivos e, junto com a boa convivência com os cristãos-velhos daqui, facilitava o criptojudaísmo. Aqueles que não retomavam às práticas judaicas ao chegar, preferiam manter as aparências e ocultar totalmente suas origens para que sua família não fosse discriminada, criando os filhos e gerações seguintes na fé católica e sem ter conhecimento sobre a antiga crença de seus antepassados. Além disso, na América Portuguesa, a presença dos cristãos-novos esteve profundamente ligada ao desenvolvimento da economia açucareira entre os séculos XVI e XVII. Muitos desses indivíduos migraram para o território ultramarino não apenas para fugir das perseguições inquisitoriais em Portugal, mas também em busca de oportunidades econômicas oferecidas pela expansão da produção de açúcar.

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Criptojudaísmo feminino

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

O tribunal do Santo Ofício da Inquisição, criado primeiramente na Espanha em 1478, iniciou um processo contra os judeus que se estenderia posteriormente ao reino de Portugal e a colônia lusa hoje conhecida como Brasil. A criação dos cristãos-novos com as conversões forçadas dos judeus no final século XV e início do século XVI, iniciaria um processo de resistência judaica dentro do lar, denominado criptojudaísmo, e centralizado na figura feminina. O “judaísmo portas a dentro” ou “judaísmo e cozinha” seria a forma encontrada para garantir a sobrevivência de um judaísmo outrora permitido, mas que depois seria criminalizado e perseguido. Forçadas a parecer cristãs perante a sociedade, as matriarcas das famílias judaicas viram o lar como uma possibilidade de passar aos seus descendentes sua antiga fé. Sua resistência não passaria em branco para os inquisidores, que veriam nessas mulheres uma barreira ao monopólio católico na colônia portuguesa. Acusadas, perseguidas, presas e em alguns casos mortas, essas mulheres representam todo um movimento de preservação da antiga fé de Israel em um ambiente hostil a elas. Nos 285 anos em que o tribunal da inquisição atuou, 298 mulheres foram processadas, representando a parcela de 27,7% do total de pessoas presas pelo Santo Ofício.

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