Criatividade
Existem várias definições diferentes para criatividade. Para Ghiselin (1952), "é o processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução na organização da vida subjetiva". Segundo Flieger (1978), é quando "manipulamos símbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para nós ou para nosso meio". Outras definições:"a expressão 'pensamento criativo' tem duas características fundamentais, a saber: é autônoma e é dirigida para a produção de uma nova forma"; "criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo"; "criatividade representa a emergência de algo único e original"; "criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados"; "um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não algorística".
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Pode-se classificá-la segundo o lugar de origem e a forma como se manifesta. Um exemplo de classificação por lugar de origem é a seguinte:
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Antiguidade
Na antiguidade, sob o ponto de vista da filosofia, a criatividade era vista como parte da natureza humana, um dom divino, um "estado místico de receptividade a algum tipo de mensagem proveniente de entidades divinas". Havia também a concepção que associava a criatividade à loucura, considerando as manifestações criativas como um ato impensado, que serviria de compensação aos desajustes e conflitos inconscientes da pessoa. A maior parte das culturas antigas, incluindo pensadores da Grécia Antiga, da Índia Antiga e da China Antiga, não possuía um conceito de criatividade, e via a arte como uma forma de descoberta, e não de criação. Os antigos gregos não possuíam um termo para "criar" ou "criador", exceto o termo poiein (fazer), que somente se aplicava a poiesis (poesia) e poietes (poeta). Platão não via a arte como uma forma de criação. Perguntado, em A República, se um pintor cria algo, Platão respondeu: "certamente não, pois ele só imita".
Renascimento e Iluminismo
A rejeição da criatividade em favor da descoberta e a crença de que a criação individual era proveniente do divino dominou o ocidente até o renascimento e mesmo após. O desenvolvimento do moderno conceito de criatividade começou no renascimento, quando a criação começou a ser percebida como estando ligada às habilidades do indivíduo, e não a Deus. Isto pode ser atribuído ao movimento cultural predominante na época, o humanismo, que desenvolveu uma visão de mundo fortemente centrada no indivíduo, e valorizou o intelecto e a realização individual. Desta filosofia, nasceu o homem renascentista, um indivíduo que corporifica os ideais renascentistas na sua eterna busca por conhecimento e criatividade. Um de seus mais conhecidos exemplos foi Leonardo da Vinci.
Atualidade
As descobertas de Poincaré e von Helmholtz se basearam nos registros iniciais do processo criativo de teóricos pioneiros como Graham Wallas e Max Wertheimer. Em seu trabalho "Arte do pensamento" (1926), Wallas apresentou um dos primeiros modelos do processo criativo. Ele se divide em cinco etapas: Às vezes, o modelo de Wallas é dividido em quatro etapas, com a indicação sendo considerada como um subestágio. Wallas considerava que a criatividade é um legado da evolução, permitindo que os seres humanos se adaptem rapidamente a mudanças ambientais. Simonton forneceu uma visão atualizada desse modelo em seu livro "Origens do gênio: perspectivas darwinianas sobre a criatividade".
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Acredita-se que o potencial criativo humano tenha início na infância. Quando as crianças têm suas iniciativas criativas elogiadas e incentivadas pelos pais, tendem a ser adultos ousados, propensos a agir de forma inovadora. O inverso também parece ser verdadeiro. No entanto, um estudo de 2019 sugere que existem dois ciclos de vida diferentes de criatividade: Quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas, tendem a criar mais. O medo do novo, o apego aos paradigmas são formas de consolidar o status quo. Quando sentem que não estão sob ameaça (de perder o emprego ou de cair no ridículo, por exemplo), as pessoas perdem o medo de inovar e revelam suas habilidades criativas. Algumas pessoas acreditam que ver a criatividade como habilidade passível de desenvolvimento é um grande passo para o desenvolvimento humano, enquanto outras têm a visão de que a criatividade é uma habilidade inata, ligada a fatores genético/hereditários e, portanto, determinista.
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Durante o processo criativo, frequentemente distinguem-se os seguintes estágios:
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Criar só é possível quando o cérebro detém uma grandiosa e alargada variedade de conhecimentos e informações, fazendo com que as associações de ideias ocorram de uma forma mais fluida e direcionada. Essas associações permitirão alcançar as ideias e conceitos novos de uma forma única e original. Porém, para que o processo criativo nas organizações, nomeadamente nas Instituições de Ensino Superior, seja eficaz e eficiente, torna-se necessária e decisiva a aceitação por parte delas, das suas ideias e da liberdade de expressão no meio em que se executam. O processo criativo refere-se a algo atendido por outras pessoas e que se harmonize com as expectativas e valores de um determinado grupo de indivíduos. Somente desta forma será visto como algo importante e decisivo num mercado produtivo e evolutivo que possa vender a ideia ou mesmo solucionar situações complicadas e/ou expandir novos produtos ou serviços. Cada vez mais, o setor do ensino está mais criativo e inovador no que diz respeito à diversidade de cursos, cada vez mais adaptados ao mercado de trabalho.
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Foram propostas várias tentativas de desenvolver um quociente de criatividade de uma forma análoga ao quociente de inteligência. Porém, a maior parte dos critérios de medição da criatividade depende do julgamento pessoal do examinador e por isso é difícil estabelecer um padrão de medição.
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Criatividade é arma de combate na conquista da sobrevivência dos seres vivos. Na escala animal da natureza, as conquistas ocorrem através de ajustes e aprimoramentos a cada espécie viva, de acordo com os princípios da seleção natural descobertos por Darwin. Na escala humana, as conquistas ocorrem dentro da história, não apenas socioeconômica, mas, sobretudo, industrial e tecnológica, com seu processo fantasioso e delirante de avanço. O homem, através de sua criatividade, aperfeiçoa, melhora e inova os fundamentos de sua sobrevivência: desde a alimentação natural aos produtos transgênicos, da tanga à moda do vestuário, das infusões xamânicas à medicina moderna, da oca à casa decorada e inteligente. No lazer, nos transportes ou na educação, a vida humana é um exercício contínuo de criatividade, pulsão viva em sua história. O exercício da criatividade dentro da história impele a todos, por competitividade, a incrementar seu potencial criativo, adquirindo consciência deste fenômeno e adquirindo novas ferramentas de criatividade que o impulsionem.
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É plenamente possível fazer com que uma pessoa se torne mais criativa. Os principais resultados criativos não advêm de exercícios mentais que prometem aumentar o potencial de criação dos indivíduos de forma isolada, a exemplo de exercícios mentais com CDs ou fórmulas mirabolantes que apregoam sete ou oito lições para aprimorar a criatividade. A criatividade humana se revela a partir de associações e combinações inovadoras de planos, modelos, sentimentos, experiências e fatos. O que realmente funciona é propiciar oportunidades e incentivar os indivíduos a buscar novas experiências, testar hipóteses e, principalmente, a estabelecer novas formas de diálogos, sobretudo, com pessoas de outras formações, tipos de experiências e cultura. Alguns indivíduos altamente criativos já apresentam naturalmente esse padrão de comportamento curioso, investigativo, voltado à experimentação, à inovação e à busca persistente de pequenas e grandes nuances, seja em suas áreas de interesse ou em terrenos nem tão familiares, envolvendo outras culturas, tecnologias, idiomas etc. São pessoas que intuitivamente fazem o melhor exercício possível para o cérebro ao investir, de maneira consistente, no aprendizado e no estímulo a diferentes capacidades cognitivas e sensoriais.
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Os conceitos "criatividade" e "inovação" são indissociáveis, no entanto não são sinónimos. Os autores Duaibili & Simonsen Jr. distinguem-nos afirmando que "a criatividade é a faísca, a inovação é a mistura gasosa. A primeira dura um pequeno instante, a segunda perdura e realiza-se no tempo. É a diferença entre inspiração e transpiração, a descoberta e o trabalho". Normalmente, a criatividade é um processo individual, nasce da ideia que surgiu na cabeça de alguém, enquanto a inovação é um processo colectivo, que deve ser trabalhado em grupo e conduz colectivamente a uma mudança de percepção. Por isso, diz-se que determinada pessoa é criativa e a empresa "xyz" é inovadora. Não existe inovação sem criatividade, pois a inovação é a aplicação prática da criatividade, ou seja uma ideia resultante de um processo criativo, só passará a ser considerada uma inovação caso seja realmente aplicada, caso contrário é considerada apenas uma invenção. Citando Larry Hirst (um dos antigos Chairman da IBM), "Invenção é transformar dinheiro em ideias, inovação é transformar ideias em dinheiro". Inovação tem, pois, este carácter de concretização, que só assim poderá gerar criação de valor. O conceito de criatividade é aplicável fora do contexto empresarial, podendo ser utilizado para caracterizar, por exemplo, os indivíduos na sua esfera não profissional.


