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Cráton

Crátons são porções singulares da litosfera continental, compostas pela crosta e parte do manto superior. Caracterizam-se por possuírem raízes mantélicas antigas e espessas, que se estendem por centenas de quilômetros, conferindo-lhes alta resistência mecânica e estabilidade tectônica duradoura. Essas unidades geológicas foram poupadas de orogêneses (formação de montanhas) no Fanerozoico. Essencialmente, são formados por um embasamento cristalino antigo, com núcleos Arqueanos e, frequentemente, materiais mais jovens que podem ou não ter sofrido deformação ou metamorfismo. Podem apresentar coberturas rochosas que variam do Paleoproterozoico ao Recente.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 14/07/2026

Pontos-chave

  • Crátons são porções estáveis da litosfera continental com raízes mantélicas antigas e espessas.
  • Sua alta resistência mecânica os protegeu de orogêneses Fanerozoicas, garantindo estabilidade tectônica.
  • Compostos por embasamento cristalino antigo, geralmente com núcleos Arqueanos e coberturas mais jovens.
  • Apresentam raízes litosféricas frias e espessas (200-400 km), com baixa densidade e flutuabilidade neutra/positiva.
  • Formam-se a partir de orogêneses de colisão, em um processo chamado cratonização, com as primeiras massas no Arqueano.
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Estrutura e Características dos Crátons

Crátons possuem raízes litosféricas frias e extremamente espessas, variando entre 200 e 400 km, e a zona de baixa velocidade do manto é pouco definida ou ausente, conforme evidenciado por estudos de tomografia sísmica. Embora sejam isostaticamente positivos, correspondem às grandes depressões topográficas dos continentes e abrigam vastas bacias hidrográficas. Seu relevo interno é suave, contrastando com as faixas orogênicas circundantes. As raízes mantélicas se estendem até a Astenosfera, ultrapassando em mais de duas vezes a espessura típica de 100 km das litosferas comuns. São sustentados por um manto litosférico diferenciado e menos denso que o manto oceânico, devido à menor concentração de Ferro (Fe) e Alumínio (Al). Essa característica confere à litosfera cratônica uma flutuabilidade neutra ou positiva e baixa densidade, o que compensa a densidade causada pela contração geotérmica e impede que o Cráton afunde no manto profundo.

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Formação e Evolução dos Crátons

Imagem: Elaborado por Fernando Flecha de Alkmim (2004) com base em Barbosa & Sabaté, 2001. · BY-SA · Openverse

Apesar de serem reconhecidos há muito tempo como componentes cruciais da crosta continental, a origem e evolução dos crátons ainda não são totalmente compreendidas. A maioria dos pesquisadores concorda que os crátons são o resultado final de orogêneses de colisão, atuando como blocos construtores dos continentes. O processo de formação de crátons a partir de rochas mais antigas é denominado cratonização. As primeiras massas cratônicas surgiram no Arqueano. Naquela época, a maior concentração de isótopos radioativos e o calor residual do processo de acreção terrestre resultavam em um fluxo de calor planetário quase três vezes maior que o atual. Isso gerava atividades vulcânicas e tectônicas consideravelmente mais intensas, com um manto menos viscoso e uma crosta mais fina. Consequentemente, formavam-se rapidamente crostas oceânicas em cadeias e pontos quentes, que eram rapidamente recicladas em zonas de subducção. A superfície terrestre provavelmente era fragmentada em várias pequenas placas com arcos de ilha e arcos vulcânicos. Os continentes existentes eram pequenos e impedidos de se agrupar em massas maiores devido à alta taxa de atividade geológica.

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Crátons no Território Brasileiro

Imagem: Evandro Luiz Klein · BY-SA · Openverse

O Brasil abriga importantes crátons que são fundamentais para a compreensão da geologia do continente sul-americano.

Cráton do São Francisco

Localizado na porção centro-leste da América do Sul, abrangendo principalmente Minas Gerais e Bahia. É composto por terrenos Arqueanos que foram modificados por eventos Paleo e Neoproterozoicos durante a Orogenia Brasiliana, alcançando estabilidade ao final do Evento Transamazônico. Assenta-se sobre a antiga placa São Francisco-Congo e esteve envolvido em sucessivas colisões que culminaram na formação do Gondwana no Neoproterozoico. O Cráton do Congo, na África, é considerado uma extensão do Cráton São Francisco. Seus limites são definidos pelas faixas brasilianas Brasília (sul e oeste), Rio Preto (noroeste), Riacho do Pontal (norte), Sergipana (norte) e Araçuaí (sudeste). A leste, encontra a margem continental, onde estão as bacias do Jequitinhonha, Almada, Camamú e Jacuípe.

Cráton Amazônico

Estende-se por cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados no norte do Brasil, sendo a maior região cratônica do país. É formado por terrenos Arqueanos a Mesoproterozoicos, divididos no Escudo das Guianas (norte) e no Escudo do Guaporé ou Brasil Central (sul), separados pelas grandes bacias sedimentares Fanerozoicas do Amazonas e Solimões. Devido à densa cobertura florestal amazônica, é uma das áreas pré-cambrianas menos estudadas globalmente. Estudos geocronológicos dividiram os Escudos em oito províncias geotectônicas: Amazônica Central (fusão parcial de crosta arqueana); Carajás-Imatacá e Transamazônica (terrenos granito-greenstone belts); Tapajós-Parima e Rondônia-Juruena (crosta acrescida como cinturões orogênicos); Rio Negro e Sunsás (reciclagem magmática de cinturões orogênicos mais antigos); e K’Mudku (zona de cisalhamento com deformação e retrabalhamento de rochas). As exposições arqueanas se concentram na Província Carajás-Imatacá, com a maior quantidade de rochas dessa idade aflorantes no Brasil.

Cráton São Luís

Localizado no norte do Brasil, abrange partes do Maranhão e Pará, com cerca de 400 km leste-oeste e 120 km norte-sul. Formou-se a partir de terrenos Paleoproterozoicos e foi modificado durante o Ciclo Orogênico Transamazônico. Seus limites são imprecisos devido a descontinuidades com coberturas Fanerozoicas; estima-se que o limite leste esteja a dezenas de quilômetros a leste de São Luís, o sudoeste é delimitado pela zona de cisalhamento Tentugal e pela Faixa Gurupi, e ao norte suas rochas são cortadas pelo litoral e desaparecem sob as bacias costeiras fanerozoicas. As rochas do cráton incluem três suítes de granitoides e uma sucessão metavulcanossedimentar de pequeno volume, todas cobertas por bacias sedimentares mais jovens.

Cráton Rio de La Plata

Abrange o Rio Grande do Sul (Brasil), Uruguai e nordeste da Argentina. É composto por complexos metassedimentares Arqueanos a Paleoproterozoicos, consolidado no Paleoproterozoico ao final da Orogenia Transamazônica e modificado pela Orogenia Brasiliana no Neoproterozoico. Colisões do Cráton Rio de la Plata com outros crátons originaram cinturões orogênicos, como o Dom Feliciano (com o Cráton São Francisco ao norte), o Kaoko (com o Cráton do Congo a nordeste) e o Gariep (com o Cráton Kalahari a leste). Esses cinturões são evidências cruciais para a amalgamação da porção oeste do Supercontinente Gondwana.

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