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Círio de Nazaré

O Círio de Nazaré é uma manifestação religiosa católica, herdada dos colonizadores portugueses, marcada por procissões (romarias) em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, que ocorre na cidade brasileira de Belém. É celebrado anualmente desde 1793, no segundo domingo de outubro, reunindo atualmente cerca de dois milhões de pessoas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Etimologia

O termo "círio" vem do latim "cereum", que significa "vela grande".

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Lendas e histórias

Em Portugal

Segundo a Lenda da Nazaré, sobre a antiga e pequena estátua da Virgem Maria entalhada em madeira, teve origem na cidade de Nazaré, a qual representa Maria, de cor escura, sentada e tendo em seu colo o menino Jesus, o qual amamenta. A Imagem é identificada como sendo objeto original dos primeiros séculos do Cristianismo. Percorreu a cristandade desde a cidade de Nazaré, passando por Mérida, Espanha, até surgir no ano de 711 na cidade de Nazaré, Portugal. No século XII, tornou-se símbolo de fé do cavaleiro D. Fuas Roupinho, o qual mandou erguer em 1182 a Capela da Memória em agradecimento à Virgem, após ter sido salvo de um acidente muito grave quando, montado a cavalo, perseguia um cervo. A capela foi erigida sobre uma gruta onde estava a sagrada imagem. Em 1377 o rei D. Fernando (1367-1383) fundou um templo maior, o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, para onde transferiu a imagem. Desde então, anualmente no mês de setembro, os portugueses reúnem-se no Sítio da Nazaré, para reverenciar Nossa Senhora da Nazaré. A principal romaria, o Círio da Prata Grande, inicia no Conselho de Mafra e transporta, em uma berlinda, uma outra imagem, onde a Virgem Maria está em pé — semelhante a venerada no Círio brasileiro.

No Brasil

No século XVII, ocorreu a introdução da devoção à Senhora da Nazaré, no Pará, através dos padres da Companhia de Jesus (jesuítas). Embora o culto tenha se iniciado na cidade de Vigia de Nazaré, a tradição mais conhecida relata que em 1700, Plácido, um caboclo descendente de portugueses e de índios andava pelas imediações do então igarapé Murutucu na cidade de Belém, área atualmente corresponde aos fundos da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, quando encontrou uma pequena estátua deteriorada de Nossa Senhora da Nazaré, réplica da estátua em Portugal, entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, entre pedras lodosas. Plácido levou a imagem para sua residência, onde a limpou e improvisou um altar de culto. De acordo com a história da tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões, até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer sozinho uma pequena ermida no local. A divulgação do milagre da imagem atraiu a atenção dos habitantes da região, que passaram a visitar a capela para homenageá-la. A história espalhou-se e acabou por chamar também a atenção do então governador da Capitania do Grão-Pará, Francisco Maurício de Sousa Coutinho, que determinou a transferência da imagem para a capela do Palácio da Cidade. Porém, mesmo mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, reaparecendo na capela construída por Plácido. Desse modo a devoção adquiriu caráter oficial, erguendo-se atualmente no lugar da primitiva ermida a imponente Basílica de Nazaré.

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Romarias oficiais

Atualmente as manifestações de devoção religiosas estendem-se por quinze dias, durante a chamada quadra Nazarena. Entre os pontos altos dessa manifestação, destacam-se:

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Os símbolos

O Círio tem vários objetos simbólicos que podem ser apreciados durante o seu trajeto. Um dos principais é a berlinda, que leva a imagem da Santa. A berlinda atual é a quinta da história. Foi confeccionada em 1964, pelo escultor João Pinto. Ela tem estilo barroco e foi produzida em cedro vermelho. Conforme a tradição é ornamentada com flores naturais, sendo utilizada no Círio e na trasladação. Para as demais romarias oficiais são utilizadas berlindas menores e mais simples, com exceção à Romaria das Crianças e à Procissão da Festa. Todos os anos, antes do Círio, a berlinda passa por pequenos reparos. Outro símbolo é a corda, que sustenta a fé na padroeira dos paraenses, possui a média de 400 metros de comprimento e pesa aproximadamente 700 quilos, de puro sisal torcido, que requer maior sacrifício físico e emocional. Incorporada à celebração em 1868, originalmente substituía a junta de bois que até então puxava a berlinda da imagem. Posteriormente passou a ser utilizada para separar a berlinda e o carro dos milagres juntamente com os políticos e signatários, da multidão que a acompanha e assim conservar um equilíbrio perfeito característico da fé aliada a obediência. No ano de 2004 a direção do Círio, modificou o formato da corda, que ao invés de contornar a berlinda como normalmente era feito, a corda ainda do mesmo tamanho, veio na forma de um rosário, na tentativa de que não ocorressem atrasos no traslado, como já havia ocorrido anos antes.

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Datas e quantidade de pessoas

A procissão do Círio acontece a cada segundo domingo de Outubro, sua data portanto é móvel. A seguir a numeração ordinal dos Círios de Nazaré, as suas datas, e a quantidade aproximada de pessoas que participaram. Informações a partir de 1902, envolvendo também temas da festividade que passaram a ser adotados em definitivo a partir do Círio 1995.

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Círio de Nazaré em outras cidades

Procissões semelhantes à que ocorre em Belém acontecem em várias outras cidades do Pará e do Brasil. As mais famosas são o Círio de Soure, o Círio de Vigia, além das procissões realizadas em Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Breves e Marabá. A cidade do Rio de Janeiro realiza a procissão no mês de setembro, em Copacabana. Brasília, Rio Branco, Manaus, Macapá e Recife também realizam suas procissões, sendo o Círio de Nazaré introduzido nessas capitais por paraenses que lá residem. São Luís também realiza o Círio nos mesmos moldes de Belém, entretanto, a procissão acontece na parte da tarde. Já é considerada a segunda maior procissão do Maranhão, atrás apenas da procissão de São José de Ribamar, que é o padroeiro do Maranhão. Essas são algumas capitais onde o Círio de Nazaré foi introduzido por paraenses que moram em outros estados.

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Transmissão

As primeiras coberturas ao vivo do Círio aconteceriam ainda na era do Rádio, quando a Rádio Clube do Pará e a Super Rádio Marajoara transmitiam a procissão. Pela limitação técnica da época, foi usado o improviso, ficando mais evidente nos anos 1950, quando os locutores seguiam a romaria em seus carros e usavam os pontos fixos para entrevistar os fiéis e as autoridades presentes. Para se fazer a cobertura externa na época, eram usados uma grande quantidade de fios elétricos, microfones e linhas telefónicas que eram bloqueadas para facilitar a transmissão. Com o surgimento de gravadores nos anos 1960, a cobertura externa ficou cada vez mais fácil. As animações do Círio à época eram comandadas por pequenos carros de som, instalados em alguns postos da romaria, o que viria a acontecer em 1988. Os pontos de sonorização foram se estendendo com a instalação de altos falantes nos postes de iluminação, que seriam substituídos por caixas de som por todo o percurso do Círio em edições seguintes. Em 1995, surgia a Rádio Nazaré FM e a partir daí, a rádio da Arquidiocese de Belém passou a fazer a cobertura do Círio, com orações e cânticos, além de flashes do jornalismo com indicações de onde se encontrava a berlinda, bem como as transmissões das homenagens.

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Fontes consultadas

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