Paraná Clube
Paraná Clube é um clube de futebol brasileiro da cidade de Curitiba, estado do Paraná, fundado em 19 de dezembro de 1989, após fusão ocorrida entre os clubes Colorado Esporte Clube e Esporte Clube Pinheiros.
Entre 2001 e 2005, o Tricolor da Vila foi duas vezes vice-campeão Paranaense, nos anos de 2001 e 2002 (vice-campeão do Supercampeonato Paranaense). Em 2004, um quase rebaixamento no estadual rendeu a disputa e "título" do Torneio da Morte. Em 2002, o Clube realizou uma excursão para a Ucrânia, com vitórias sobre o Karpaty (1 a 0), combinado da Galitchna em Tchervonograd (2 a 0) e a mais importante de todas, vitória sobre a Seleção Olímpica da Ucrânia por 1 a 0, renderam um troféu simbólico, pela passagem vitoriosa em terras estrangeiras. No Campeonato Brasileiro de 2003, foi o 10° colocado, com um elenco forte, e obteve vaga para disputar a sua primeira Copa Sul Americana. Em 2005, outra boa campanha, com a 7ª colocação no brasileirão. Na Copa Sul Americana de 2004, segunda participação oficial paranista em torneios internacionais, o desempenho foi fraco. No primeiro jogo realizado no Pinheirão, vitória sobre o Santos por 2 a 1, mas na Vila Belmiro a equipe santista bateu o tricolor por 3 a 0.
Histórico das fusões
O Paraná Clube nasceu em 1989, numa fusão entre o Colorado Esporte Clube e o Esporte Clube Pinheiros. O resultado foi a fundação do Clube paranaense mais bem sucedido da década de 1990. Nos primeiros dez anos de vida, o Tricolor venceu seis vezes o Campeonato Paranaense de Futebol. A nível nacional, a projeção também foi muito rápida; em apenas três anos, o clube saiu da terceira para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol, conquistando o título nacional da Série B em 1992. Voltando um pouco no tempo, no ano de 1988, dirigentes de Colorado e Pinheiros já cogitavam a possibilidade de fusão, para formar uma nova potência no futebol de Curitiba. Em setembro do mesmo ano, compareceram três representantes de cada agremiação: Darci Piana, Dely Macedo e Raul Trombini, do Colorado, e Jorge Celestino Buso, Aramis Tissot e Ocimar Bolicenho, do Pinheiros. Nesta reunião, foi aprovado, oficialmente, o nome Paraná Clube, além as cores, a camisa, os símbolos e a distribuição patrimonial. Para mobilizar a torcida, ficou definido como local oficial dos jogos o Estádio Durival Britto e Silva, a sede oficial na Avenida Kennedy e em 19 de dezembro de 1989 nascia oficialmente o Paraná Clube.
1990: o início do Paraná Clube
A primeira participação em campeonatos envolvendo o Paraná Clube foi o Campeonato Paranaense de 1990, que iniciou-se em fevereiro, com uma derrota para o rival Coritiba, por 1 a 0, no primeiro jogo oficial da história do clube. A primeira vitória veio na rodada seguinte, ao derrotar o Cascavel Esporte Clube pelo placar mínimo. Depois de um longo campeonato, com duas fases de grupos sequenciais, o Paraná foi eliminado nas semifinais, após perder os dois jogos contra o Coritiba, por 2 a 0 e 1 a 0. A equipe terminou a competição em terceiro lugar, atrás dos dois rivais citadinos. A primeira conquista paranista ocorreu em 1990, quando o clube disputou o Torneio Seletivo para a Série C de 1990, em que a equipe garante a vaga na última rodada, após empatar fora de casa com o Londrina em 0 a 0. Na disputa da Série C de 1990, o clube classifica na primeira colocação do grupo, conquistando o acesso em seguida ao eliminar o Bangu após dois empates, em 1 a 1 e 0 a 0. Na semifinal, o Tricolor não foi páreo para o América Mineiro, perdendo por 1 a 0 em Belo Horizonte e depois empatando em 1 a 1 em Curitiba.
1991-1992: o começo das conquistas
No ano seguinte, o clube inicia a temporada com a disputa do Brasileiro Série B de 1991, chegando até as quartas de final, fase em que o Tricolor é eliminado pelo rival Coritiba. A equipe até chega a vencer o primeiro jogo por 1 a 0, mas é goleado por 4 a 0 no jogo de volta, perdendo a chance de chegar na elite do futebol nacional. No segundo semestre, a equipe conquista seu primeiro título, ao vencer o Campeonato Paranaense de 1991, levantando a taça na última rodada, após um empate contra o Coritiba por 1 a 1 no Couto Pereira. A campanha foi marcada pela força ofensiva da equipe, que terminou a competição com 52 gols marcados em 26 jogos, 14 a mais que o vice campeão Athletico, e pela histórica goleada fora de casa contra o Londrina, por 1 a 6, sendo esse o maior placar já registrado no confronto.
1993-1997: a era do pentacampeonato
O Paraná abriu uma grande dinastia no estado, sagrando-se pentacampeão do estadual nos anos seguintes, entre 1993 a 1997. O terceiro título consecutivo, em 1995, foi contra o rival Coritiba, com placar de 1 a 0 e gol aos 45 minutos do 2º tempo no Estádio do Pinheirão, com quase 30 mil torcedores presentes. No tetra, em 1996, o Paraná repetiu o feito: vitória sobre o Coxa por 1 a 0, com um gol aos 43 minutos da etapa final por Ricardinho, no estádio do rival. Sob o comando de Rubens Minelli, em 1997, o clube paranista veio a conquistar o quinto título seguido, quando derrotou o União Bandeirante por 3 a 0. Na liga nacional, o Tricolor não obteve grandes sucessos nesse período, tendo como melhor campanha o 10° lugar no Campeonato Brasileiro de 1993.
1998: o fim da hegemonia
Em 1998, o Paraná perdeu a chance do hexacampeonato estadual, terminando a competição em terceiro lugar, sendo que no Campeonato Brasileiro, o clube conseguiu se manter na elite na última rodada, vencendo o Flamengo na Vila Olímpica do Boqueirão. Em 1998, o Tricolor da Vila jogou a primeira fase da Copa do Brasil, contra o recém-rebaixado Fluminense, com vitória por 2 a 0 no Maracanã, eliminando a necessidade de jogo de volta. Depois, a vitória por 1 a 0 em casa, e 1 a 1 em Belo Horizonte, bastaram para eliminar o Atlético Mineiro. No entatnto, sonho acabou nas quartas de final, com duas derrotas pelo placar mínimo e diante do Santos.
1999-2000: contra tudo e todos, a volta por cima
No começo da década de 2000, o clube recuperou seu momento de glórias, após uma estiagem de títulos estaduais, que se iniciara em 1998. Em 1999, o Paraná foi eliminado da Copa do Brasil ainda na 1ª fase, pelo inexpressivo Camaçari, com derrota por 2 a 0 na Bahia e vitória por 2 a 1 em casa. Em 2000, o Paraná estreou contra o Americano, classificando-se com o placar de 1 a 1 em Campos dos Goytacazes-RJ e vitória de 2 a 1 em Curitiba. Na 2ª rodada, derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro em casa, sem direito sequer a jogo de volta. No Campeonato Brasileiro de 1999, houve diversas intervenções da CBF para beneficiar os chamados "grandes", ou integrantes do Clube dos 13, a se livrarem de eventual queda à segunda divisão. Para isso, criaram um sistema duvidoso de média de pontos, entre os Clubes participantes dos Brasileirões de 1998 e 1999 (Em 1998 o PRC ficou em 20° lugar, dentre 24 Clubes, e em 1999 ficou em 17° lugar, dentre 22 Clubes), e a manobra derrubou injustamente o Tricolor para a Segunda Divisão. No ano seguinte, com a unificação do Campeonato Brasileiro, foi criada a Copa João Havelange, dividida em 4 módulos. No entanto, seria nesta Copa João Havelange, realizada em 2000, que o Paraná retornaria triunfante à elite do futebol brasileiro.
Advindo de fusões, o Paraná possui em seu patrimônio dois estádios de futebol: O Durival Britto e Silva (Vila Capanema) e o Erton Coelho Queiroz (Vila Olímpica do Boqueirão).
Durival Britto e Silva: a Vila Capanema
O Estádio Durival Britto foi inaugurado em 23 de janeiro de 1947, no jogo entre Ferroviário e Fluminense (5 a 1 para os cariocas). O primeiro gol foi marcado por Careca, do Flu, clube que sempre cultivou relações fraternas com o Paraná, desde os primórdios. A renda desta partida foi de Cr$ 132.653,00, quantia vultosa para os padrões da época no Estado. Depois de inaugurado, passou a ser o terceiro maior estádio do país, com capacidade inferior apenas ao Pacaembu, em São Paulo e ao São Januário, no Rio de Janeiro. Quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de futebol em 1950, a primeira após 12 anos de paralisação por causa do grande conflito mundial, a cidade de Curitiba credenciou-se para ser uma das sub-sedes. A Federação Paranaense de Futebol ofereceu à CBD - então Confederação Brasileira de Desportos - o recém inaugurado Estádio Durival Britto.
Erton Coelho Queiroz: a Vila Olímpica do Boqueirão
Situado no bairro do Boqueirão, região Sul de Curitiba, com capacidade para 10.000 pessoas, o estádio pertencia ao Esporte Clube Pinheiros e com o advento da fusão, passou a ser de propriedade do clube. O local foi palco dos títulos estaduais de 1994 e 1997. No título de 1997, a torcida paranista estabeleceu o recorde de público do estádio, 18.245 torcedores assistiram o jogo Paraná 3 x 0 União Bandeirante com o Tricolor sagrando-se Pentacampeão paranaense.
Pinheirão
No final do século passado, o Paraná firmou um polêmico contrato com a Federação Paranaense de Futebol (FPF), arrendando o Estádio do Pinheirão. O acordo não foi visto com bons olhos pela torcida e parte da diretoria, isto porque, o ato foi visto como uma desvalorização do patrimônio do clube, uma vez que o clube já possuía seu estádio, a Vila Capanema, além disso, o Pinheirão era um estádio malvisto pela torcida. Outros fatores também contribuíram para a rejeição do projeto, uma vez que a torcida alegava que a visão de campo não era boa. Em 2002 o contrato foi revisto e o Pinheirão voltou a ser alugado. Em 2006, o Durival de Britto foi reformado, com o apoio da torcida ao projeto "Vila, tá na hora", que voltou a ser a casa do Paraná Clube, já que no dia 30 de Maio de 2007 o Pinheirão foi interditado conforme solicitação do Ministério Público do Paraná, que cobrava diversas dívidas com o INSS, com o IPTU da Prefeitura de Curitiba e outros credores.
Estádio Paula Soares
O Estádio Paula Soares foi inaugurado no domingo, dia 6 de junho de 1965, numa partido do Campeonato Paranaense entre o Britânia Sport Club e o Esporte Clube Água Verde. Foi o segundo estádio de propriedade do Britânia, pois o primeiro, que homenageava a mesma pessoa, era localizado no Bairro Portão, o Estádio Major Paula Soares Neto, demolido no final da década de 1940 para dar lugar a uma fábrica de sacos de aniagem. O Paula Soares foi o segundo estádio, construído no bairro Guabirotuba. Em 1971, passou a ser patrimônio do Colorado Esporte Clube em função da fusão do Britânia com o Clube Atlético Ferroviário. Em 1998 o estádio foi vendido para a rede de atacadistas Sonae (dona da marca Hipermercado Big até então). Era um estádio com a capacidade para 5 mil pessoas e pouco utilizado pelas equipes como Colorado EC e Paraná Clube, já que o Colorado tinha outro estádio com maior capacidade, assim como o Paraná Clube.
O Tricolor disputou quatro competições sul-americanas oficiais: a antiga Copa Conmebol, em 1999, a Copa Sul-Americana, em 2004 e 2006 e também a Copa Libertadores da América de 2007, além de um Torneio Internacional realizado na Costa Rica em 1994, naquela que seria a primeira aparição tricolor no cenário internacional.
Cores
Em função da escolha do nome Paraná Clube, a primeira sugestão era de uma bandeira verde e branca, com as cores do Estado, porém foi logo descartada, pela semelhança com as cores de um dos seus rivais, o Coritiba. A segunda alternativa eram as cores azul do Pinheiros, vermelho do Colorado e branca comum a ambos; camisa dividida ao meio em azul e vermelho e uma águia dourada no distintivo. Tal águia foi substituída pela Gralha-Azul, para concretizar a ideia paranista do novo clube, que tem também a Araucária no emblema e o nome Paraná Clube e que até hoje, tornou-se identidade do Tricolor.
Mascote
O mascote do Paraná Clube é a gralha-Azul, ave símbolo do Estado. Foi desenvolvida pelo Departamento de Marketing do clube em 2008, com sua reestreia (pois o clube já teve outra mascote de campo) no jogo Paraná 1 x 0 Vitória pela Copa do Brasil de 2008, realizado em 19 de março do mesmo ano. O clube tem ainda no seu brasão o Pinheiro-do-Paraná (Araucária), árvore que também simboliza o estado do Paraná. A gralha-azul é o principal animal disseminador da araucária. Durante o outono, quando as araucárias frutificam, bandos de gralhas laboriosamente estocam os pinhões para deles se alimentar posteriormente. As gralhas azuis encravam fortemente os pinhões no solo ou em troncos caídos no solo, já em processo de putrefação, ou mesmo nas partes aéreas de raízes nas mesmas condições, local propício para a formação de uma nova árvore.
Segundo pesquisa realizada em 2008, o Tricolor da Vila possui 3,2% de torcedores do estado do Paraná, ocupando a oitava colocação entre as demais torcidas do estado e a terceira entre os clubes paranaenses. Em 2012, a Pluri/Ibope apresentou nova pesquisa, indicando os torcedores tricolores como 27° colocados dentro de uma estimativa de torcedores dos principais clubes do país, totalizando 0,3 milhões. Em números absolutos, o Paraná Clube tem cerca de 300.000 torcedores no Estado do Paraná. Sua principal Torcida organizada é a Fúria Independente. Existe também o Movimento Popular Paranista, que é um grupo de torcedores que assistem os jogos na famosa reta do relógio da Vila Capanema, mas não se denominam torcida organizada.


