Corpo Expedicionário Português
O Corpo Expedicionário Português (CEP) foi a principal força militar portuguesa que participou na frente europeia da Primeira Guerra Mundial. Foi enviada para o norte da França com a finalidade de, através da sua participação ativa no esforço de guerra contra a Alemanha, que também ameaçava os territórios ultramarinos portugueses, conseguir apoios dos seus aliados, evitar a perda daqueles territórios e estabelecer uma reputação séria a nível europeu, sendo então o governo português uma recém criada república. Durante o mesmo conflito, o contingente também lutou nas colónias ultramarinas portuguesas, nomeadamente no Sul de Angola e Moçambique.
Durante a Primeira República Portuguesa, apesar de já existirem confrontos entre tropas portuguesas e alemãs junto das fronteiras das colónias africanas desde 1914, nomeadamente contra as forças do Sudoeste Africano Alemão e da África Oriental Alemã, somente sob a presidência de Bernardino Machado, a 9 de Março de 1916, Portugal decretou guerra à Alemanha, apoiando os Aliados na Primeira Guerra Mundial. Tendo as últimas operações militares em que Portugal participou ocorrido quase cem anos antes na Europa, a guerra em campo aberto, a qual os portugueses estavam mais acostumados, deu lugar à guerra de trincheiras repleta de inovações destruidoras como a aviação, os gases, as metralhadoras, os morteiros, a artilharia pesada, a motorização e as comunicações. Inexperientes com o novo cenário de guerra, devido a esse fator, foram realizadas várias deslocações de missões militares portuguesas à Grã-Bretanha e a França, liderados pelos capitães Iven Ferraz, Fernando Freiria e Eduardo Martins, a fim de estudarem as novas tecnologias e estratégias bélicas.
Na impossibilidade de identificarem individualmente todos os militares que tombaram durante o conflito, em França erigiram-se vários monumentos ao “Soldado Desconhecido”, tendo em Portugal, o mesmo ocorrido, pela primeira vez, numa cerimónia solene, a dia 9 de Abril de 1921, no Mosteiro da Batalha. A 10 de Novembro de 1928, França e Portugal inauguraram um memorial, no cemitério militar português de Richebourg, tendo transladado, desde a sua construção até 1938, ano de inauguração, 1831 corpos provenientes dos cemitérios franceses de Le Touret, Ambleteuse, Brest, e Tournai, na Bélgica, assim como dos prisioneiros de guerra falecidos na Alemanha. Atualmente 238 sepulturas permanecem por identificar. Em 1958, o Cristo das Trincheiras foi colocado no Mosteiro da Batalha, por iniciativa do governo português, sobre a cabeceira do túmulo do Soldado Desconhecido.
O Corpo Expedicionário Português foi inicialmente organizado como uma Divisão Reforçada seguindo o modelo organizativo português e englobando 3 Brigadas, cada uma com 2 Regimentos de Infantaria a 3 Batalhões. No entanto, dado que o CEP iria ser integrado no 1º Exército Britânico cujas divisões eram menores que as portuguesas, entendeu-se que se poderia facilmente fazer subir o escalão do CEP, transformando-o em Corpo de Exército a 2 Divisões de modelo britânico, permitindo uma maior autonomia e um maior protagonismo da participação portuguesa. Para tal, além de outros pequenos acertos, foram acrescentados 6 novos Batalhões de Infantaria que se juntaram aos 18 já existentes. Com os 24 Batalhões foram organizadas 6 Brigadas (normalmente 3 em cada divisão), extinguindo-se o escalão intermédio de Regimento. O CEP ficou, pois, com a seguinte organização: Além destas forças o CEP incluía ainda as seguintes unidades que foram colocadas sob comando directo do 1º Exército Britânico:
Adelino Delduque da Costa (1889-1953), coronel de Infantaria, feito prisioneiro pelas tropas alemãs a 9 de abril de 1918, escreveu durante os seus oito meses e meio de cativeiro, sob forma de diário, entre os campos de Rastatt e Breesen, a obra Notas do cativeiro. O livro é considerado um dos mais vivos relatos dos acontecimentos que seguiram à derrota portuguesa, assim como das precárias condições em que sobreviveram os oficiais portugueses aprisionados na Alemanha. Alberto Lello Portela (1893-1949), piloto aviador português que incorporou a esquadrilha SPA-124, “Jeanne d’Arc”, do Exército Francês, tendo permanecido a combater como voluntário após a retirada das Forças Portuguesas do conflito. Foi o último aviador português a regressar à sua Pátria, tendo sido condecorado com a Ordem da Legião de Honra francesa. Alfredo Guimarães (1884-1918), tenente de cavalaria, condecorado com a Cruz de Guerra de 2ª classe e Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada a título póstumo pelas suas ações na Batalha de La Lys, onde, após se retirar da linha de fogo, por o seu batalhão ter sofrido perdas massivas, apresentou-se em Red House (posto de comando do batalhão) para organizar, por duas ocasiões, uma força de contra-ataque e outra de defesa. Apesar de ferido durante o conflito, e após se retirar para as linhas de resistência de Laventie, continuou a combater até ter sido atingido mortalmente pelas forças alemãs.


