Cool World
Cool World é um filme de live-action com animação adulta americano de 1992 do gênero fantasia, dirigido por Ralph Bakshi e escrito por Michael Grais e Mark Victor. Estrelado por Brad Pitt, Kim Basinger e Gabriel Byrne, seu enredo segue um cartunista que se encontra em um universo de desenho animado que ele acredita ter criado, onde é seduzido por uma de suas personagens, uma mulher fatal que quer se tornar uma humana de carne e osso.
Em 1945, em Las Vegas, o veterano da Segunda Guerra Mundial Frank Harris retorna para casa e convida sua mãe para um passeio em sua motocicleta. Eles se envolvem em um acidente de trânsito, na qual a mãe de Frank morre. Depois disso, Frank é inadvertidamente transportado para um universo alternativo semelhante a um desenho animado chamado "Cool World", onde recomeça sua vida como detetive na polícia local. Quarenta e sete anos depois, o cartunista underground Jack Deebs é libertado após cumprir uma pena de dez anos por assassinar o amante de sua esposa. Durante seu tempo na prisão, ele criou uma série em quadrinhos chamada Cool World, baseada em visões recorrentes que tinha enquanto preso; os quadrinhos são estrelados pela voluptuosa mulher fatal Holli Would. O desejo de Holli é escapar do Cool World e se tornar um ser humano real, o que é possível quando os "rabiscos" (gíria para os habitantes do Cool World) têm relações sexuais com "humanóides" (gíria para os humanos). No entanto, Frank e seu parceiro rabisco, um aranha macho chamado Nails, mantêm vigilância constante sobre Holli para garantir que os dois mundos não se misturem.
Desenvolvimento
Após um ressurgimento de carreira ao produzir a série de animação Mighty Mouse: The New Adventures no final da década de 1980, Ralph Bakshi idealizou em 1990 um novo projeto de filme envolvendo um cartunista que criou uma história em quadrinhos enquanto estava na prisão que o torna uma "estrela" underground. Esse cartunista teria relações sexuais com uma mulher fatal doodle chamada Debbie Dallas (que seria um trocadilho com o título do filme pornográfico de 1978 Debbie Does Dallas) e seria pai de uma criança híbrida, meio desenho animado e meio humano, com ela. A criança, por sua vez, cresceria ressentida com o pai por abandoná-la e faria uma peregrinação ao mundo real para tentar caçar seu pai a fim de matá-lo. Ralph concebeu a ideia como um filme de terror animado com live-action e a apresentou para a Paramount Pictures, onde atuou como o chefe final da divisão de animação do estúdio alguns anos antes.
Seleção de elenco e produção
Bakshi tinha a intenção original de escalar Pitt e Drew Barrymore para os papéis principais do filme. Em vez disso, o estúdio insistiu em escalar atores conhecidos em filmes de maior bilheteria, o que originou a escalação de Basinger e Byrne no final de janeiro de 1991. Pitt acabou ficando com o papel de Frank. As filmagens duraram de 15 de março a 19 de abril de 1991, com as cenas sendo rodadas em Las Vegas e nos estúdios da Paramount em Los Angeles. A relação entre Bakshi e a Paramount deteriorou-se rapidamente durante a produção. Mancuso convenceu a Paramount de que a potencial "classificação R" do filme pela MPAA nos Estados Unidos, que restringiria a presença de qualquer pessoa com menos de 17 anos sem um dos pais ou responsável nos cinemas, seria muito arriscada para o sucesso comercial do longa. Esse foi o motivo que fez Mancuso contratar Larry Gross para revisar o roteiro para atingir uma "classificação PG-13" mais branda da MPAA, apresentando a versão revisada logo no primeiro dia de produção. Bakshi afirmou que se sentiu "apunhalado pelas costas" por Mancuso. O diretor também afirmou que Basinger chegou a abordar ele e Mancuso durante a produção para reescreverem o filme porque ela mesma "achou que seria ótimo [...] se ela pudesse mostrar este filme em hospitais para crianças doentes [...]"; Bakshi apenas teria respondido: "Kim, acho isso maravilhoso, mas você escolheu o cara errado para fazer isso".
Estilo de animação
A animação do filme foi feita nos próprios estúdios da Paramount. Os animadores do filme nunca receberam um roteiro para trabalhar, com Bakshi apenas dizendo a eles para "fazerem uma cena engraçada, seja lá o que vocês quiserem!" O design visual das filmagens em live-action foi pensado para parecer "uma pintura viva e acessível", um conceito visual que Bakshi desejava alcançar há muito tempo. Os cenários do filme foram baseados em ampliações das pinturas do designer Barry Jackson. A animação foi fortemente influenciada pelas antigas animações da Fleischer Studios (cujos desenhos animados foram lançados pela Paramount nas décadas de 1930 e 1940) e Terrytoons (onde Bakshi trabalhou, e cujo personagem Super Mouse também foi adaptado para uma série por Bakshi). A arte do personagem Jack Deebs foi desenhada pelo artista de historia em quadrinhos underground Spain Rodriguez.
Trilha sonora
Um álbum de trilha sonora intitulado Songs from the Cool World, com gravações de artistas como Moby e grupos musicais como My Life with the Thrill Kill Kult, Ministry, The Future Sound of London e outros, foi lançado em 1992 pela Warner Bros. Records. O lançamento incluiu a faixa "Real Cool World" de David Bowie, seu primeiro material solo original em aproximadamente três anos; a música foi escrita exclusivamente para o filme. A recepção da trilha sonora foi muito mais favorável do que o próprio filme, o que incluiu uma classificação de quatro estrelas pela AllMusic. A trilha sonora original de Mark Isham para Cool World incluiu faixas que incrementavam uma mistura de jazz com peças orquestrais e remixes eletrônicos, sendo executadas pela Orquestra Sinfônica de Munique. Foi lançada em CD pela gravadora Varèse Sarabande e em sua forma completa em 2015 pela Quartet. Assim como o outro álbum, este também recebeu críticas positivas.
Imagem: mikecogh · BY-SA · Openverse
A Paramount concentrou a promoção do filme tanto no retorno de Bakshi quanto no imaginário hipersexual de Holli Would. Essas estratégias foram consideradas por alguns especialistas como equivocadas, principalemnte a última. O presidente de marketing da Paramount Pictures, Barry London, observou que o filme "infelizmente não pareceu satisfazer o público mais jovem ao qual se destinava". O designer Milton Knight lembrou que o público da estreia "na verdade queria um Cool World mais selvagem e atrevido". Vários videogames licenciados diferentes baseados no filme foram criados pela Ocean Software. O primeiro jogo homônimo foi desenvolvido pela Twilight e lançado em 1992 para as plataformas Amiga, Atari ST, Commodore 64 e DOS. Dois jogos diferentes, embora também homônimos, foram lançados no ano seguinte para as plataformas Nintendo Entertainment System e Super NES, juntamente com uma versão para Game Boy do primeiro.[carece de fontes?] Uma prequela de história em quadrinhos de quatro edições do filme foi publicada como uma minissérie pela DC Comics. Esta apresentava um roteiro de Michael Eury e desenhos de Stephen DeStefano, Chuck Fiala e Bill Wray.
Controvérsia
Em julho de 1992, a campanha de marketing da Paramount para o filme criou polêmica ao alterar o letreiro de Hollywood para incluir um recorte de 23 metros de altura para incluir a figura da personagem Holli Would sentada na letra D do letreiro. O pedido do estúdio foi inicialmente negado pela prefeitura de Los Angeles; isso foi revertido quando a Paramount concordou em pagar uma taxa US$ 27.000 para a cidade e outros US$ 27.000 para limpeza após os distúrbios de Los Angeles em 1992. Os moradores locais ficaram irritados com a alteração do letreiro, em grande parte devido à imagem sexualizada de Holli; eles iniciaram um processo fracassado contra a prefeitura para impedir a alteração.
Desempenho comercial
Cool World estreou em sexto lugar nas bilheterias norte-americanas, arrecadando US$ 5,5 milhões. Embora programado para se expandir para mais cinemas em seu segundo fim de semana, a Paramount surpreendeu os exibidores ao interromper imediatamente a publicidade do filme. Sua arrecadação total nas bilheterias dos Estados Unidos foi de US$ 14,1 milhões, pouco mais da metade de seu orçamento relatado de US$ 28 milhões.
Resposta da crítica
No Rotten Tomatoes, o longa tem uma taxa de aprovação de apenas 4% com base em 51 avaliações, com uma classificação média de 3,4/10. Seu consenso crítico diz: "Cool World lança um pequeno punhado de faíscas visuais, mas elas não são suficientes para distrair os personagens fracos e o enredo disperso do roteiro". No Metacritic, o filme obtém a pontuação de 28/100 com base nas avaliações de 16 críticos, indicando avaliações "geralmente desfavoráveis". O público dos cinemas entrevistado pelo instituto CinemaScore deu ao filme uma nota média "C" em uma escala de "A+" a "F". O crítico de cinema da revista Variety Brian Lowry comparou o filme a um videoclipe estendido, elogiando a trilha sonora e os visuais, mas criticando a história. O enredo foi fortemente ridicularizado por outros críticos, com uma resenha do Los Angeles Times dizendo que "[O] enredo quase não faz sentido".
Imagem: marksimpkins · BY-NC · Openverse
O filme só foi lançado em formato home video trinta anos depois numa edição de colecionador em Blu-ray 4K pela Shout! Studios em 13 de setembro de 2022 nos Estados Unidos e Canadá.


