Congonhas
Congonhas é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central do estado e ocupa uma área de cerca de 300 km², sendo que 22,8 km² está em perímetro urbano. Sua população foi estimada em 52 890 habitantes em 2022.
O nome "Congonhas" origina-se de um arbusto abundante na região, chamado congonha.[nota 1] Das variações dessa planta é preparado um chá, que está na cultura regional desde os tempos da ocupação indígena. Conforme o Dicionário de Tupi Antigo, o nome do arbusto vem "da língua geral meridional, por influência guarani". Efetivamente, encontramos registro de "congõi" no Tesoro de la Lengua Guaraní, dicionário de guarani antigo, língua da qual a palavra entrou na língua geral.
Origem na busca do ouro
Desde 1691 já há notícia de primeiros contatos entre bandeirantes e os povos indígenas carijós, na região denominada de Passagem do Gagé (Entre Congonhas e Conselheiro Lafaiete). Uma das bandeiras sertanistas seguiu a bacia rumo ao Rio Doce e na região de Itaverava se tem o primeiro manifesto do ouro nas Minas Gerais. Outras seguiram rumo ao norte (bacia do Rio das Velhas), usando de referência a Serra do Deus te Livre (Serra de Ouro Branco), contornando-a, encontrando bastante ouro na região do Ribeirão do Carmo, surgindo assim a primeira vila mineira, Mariana, em 1696 e dezenas de arraiais ao longo desse trajeto. Outras bandeiras seguiram a bacia do Rio Paraopeba. Após a atual região da Passagem do Gagé, descendo os rios Soledade, Macaquinhos e Maranhão se tem as primeiras notícias de achados auríferos nas Congonhas do Campo, ainda no final do século XVII. Por essas rotas abertas na busca do ouro, surgiu o principal caminho do ouro até a primeiras décadas do Século XVIII, ligando a região de Vila Rica a Paraty, denominado Caminho Velho da Estrada Real.
O marco de uma devoção - Santuário Bom Jesus de Matozinhos
Em 1755 chega a Congonhas o mineiro Feliciano Mendes, vindo de Portugal, em busca de ouro. Em 1757, após uma doença grave, Feliciano Mendes realiza uma promessa de criar um santuário em devoção ao Bom Jesus de Matozinhos (devoção vinda do norte de Portugal). Com autorização do Rei de Portugal, foram iniciadas as obras do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, com verba obtida da doação da fortuna adquirida do ouro de Feliciano Mendes e esmolas obtidas pelo mesmo usando um oratório, onde ele e um escravo perambulavam vilas a arraiais da região em busca de conseguir pagar a promessa. Feliciano faleceu alguns anos após se iniciar as obras. Contribuíram com grandes quantias Francisco de Lima; Manuel Rodrigues Coelho, Bernardo Pires da Silva, de modo que se começou a nave central da igreja; em 1787 foi colocada diante do altar-mor a imagem do Cristo morto; custódia e vasos sacros de prata foram encomendados ao ourives Felizardo Mendes. De 1769 a 1772 trabalhou ali o mestre João de Carvalhais, recebendo 32 oitavas «à conta da pintura do altar de Santo Antônio». Data de 1781 a última menção a Carvalhais: recebeu oito oitavas « de feitio de duas imagens de Cristo dos colaterais» para a igreja. No fim do Século XVIII foi contratado Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, para talhar 66 imagens em madeira de cedro com figuras da paixão de cristo. Em 1789 é dada a autorização do Papa Pio VI para o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, entre 8 e 14 de setembro, oficializado no ano seguinte, é a mais antiga romaria de Minas Gerais. Em 1800, junto de seu ateliê, mesmo sofrendo com sua doença degenerativa, começou a esculpir 12 profetas da Bíblia em pedra-sabão (há teorias que os 12 profetas seriam retratos dos Inconfidentes Mineiros). É considerada sua obra-prima e o Santuário é a maior obra barroca das Américas. Em 1819 requisitaram-se os serviços do pintor Manuel da Costa Ataíde para restaurar pintura da capela-mor e a pintura das cenas da Paixão de Cristo nas 6 capelas dos passos. Nos anos 1970 recebeu uma grande intervenção paisagística comandada por Burle Marx. Em 1985 todo o complexo do Santuário foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Em 2004, numa campanha da Globo Minas, o Santuário foi eleito a Imagem de Minas.
Preservação patrimonial
Em 1941 o conjunto arquitetônico e urbanístico da cidade foi tombado pelo IPHAN, onde na época existia apenas o eixo 'Basílica-Matriz'. Ao longo dos anos os principais monumentos da cidade também foram tombados nacionalmente de forma individual: todo o entorno do Santuário; a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição; a coleção de Ex-votos do Santuário (Sala dos Milagres) e a Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Central do Brasil, de 1914. As igrejas de Nossa Senhora da Ajuda no Alto Maranhão e Nossa Senhora da Soledade e a Romaria são tombadas na esfera estadual pelo IEPHA. Já a Matriz de São José Operário (1817) e igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (por falta de documentos, historiadores indicam a construção na mesma data da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, por escravizados) são tombadas na esfera municipal.
Localiza-se a uma latitude 20º29'59" sul e a uma longitude 43º51'28" oeste, estando entre serras, a uma altitude média de 1 023 metros. A cidade, distante setenta quilômetros de Belo Horizonte, é formada por três distritos: O distrito de Congonhas (distrito-sede), Alto Maranhão e Lobo Leite. O solo é rico em minério de ferro de alto teor (hematita), sendo que no passado também já foi expressiva a mineração em busca de ouro, metal encontrado até nos dias atuais, apesar de não ser em escala industrial. A exploração do ouro ocorreu pela região do rio Paraopeba e seus afluentes Varginha, Ouro Branco, Soledade, Gagé e Maranhão. Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Congonhas é um município da Região Geográfica Imediata de Conselheiro Lafaiete, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena.
O município possui como maior fonte de renda, a extração mineral e a indústria metalúrgica, com destaque para a mina de Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional, a Mina de Fábrica (antiga Ferteco Mineração S/A, depois incorporada à Vale S.A.), a Mina Viga, antiga Ferrous Resources do Brasil, que também foi incorporada à Vale e a usina siderúrgica da Gerdau Açominas.
Dialeto local
Segundo o Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG), realizado pela UFJF em 1977, o dialeto local é o mineiro.


