Conflito de Darfur
Guerra do Darfur ou conflito de Darfur foi um conflito armado na região de Darfur, no oeste do Sudão, que opõe principalmente os janjawid — milicianos recrutados entre os bagaras, tribos nômades africanas de língua árabe e religião muçulmana — e os povos não árabes da área. O governo sudanês, embora negue publicamente que apoia os janjawid, tem fornecido armas e assistência e tem participado de ataques conjuntos com o grupo miliciano. O conflito iniciou-se, oficialmente, em fevereiro de 2003, com o ataque de grupos rebeldes do Darfur a postos do governo sudanês na região, mas suas origens remontam a décadas de abandono e descaso do governo de Cartum, eminentemente muçulmano, para com as populações que vivem neste território.
Darfur tem cerca de 5,5 milhões de habitantes, numa região com baixo nível de desenvolvimento: apenas 15% das crianças do sexo masculino — e 10% do feminino — frequentam a escola. Três etnias são predominantes na região: os furis (que emprestam o nome à região), os massalites e os zagauas, em geral muçulmanos da localidade ou seguidores de outras religiões da África Sub-Saariana. O Sudão tem uma história de conflitos entre o sul e o norte do país, que resultaram na primeira (1955-1972) e na segunda (1983-2005) guerras civis sudanesas. A segunda confrontação causou cerca de dois milhões de mortos e mais de um milhão de refugiados, em ambos os casos principalmente no sul.
A combinação de décadas de secas, desertificação e superpopulação estão entre as causas do conflito de Darfur, onde os nômades árabes bagaras, em procura por água, levam seu rebanho para o sul, uma terra ocupada predominantemente por comunidades agrárias.
Em 2003, dois grupos armados da região de Darfur rebelaram-se contra o governo central sudanês, pro-árabe. O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exército de Libertação Sudanesa (SLA, na sigla em inglês) acusaram o governo de oprimir os não árabes em favor dos árabes do país e de negligenciar a região de Darfur. Em reação, o governo lançou uma campanha de bombardeios aéreos contra localidades darfurianas em apoio a ataques por terra efetuados por uma milícia árabe, os janjawid. Estes últimos são acusados de cometer grandes violações dos direitos humanos, como assassinatos em massa, saques, destruição de povoados e o estupro sistemático da população não árabe de Darfur. Os janjawid também praticam o incêndio de vilarejos inteiros, forçando os sobreviventes a fugir para campos de refugiados localizados a Oeste de Darfur e no Chade; muitos dos campos darfurianos encontram-se cercados por forças janjawid. Até meados de 2006, entre 150 000 e 200 000 pessoas haviam sido mortas e pelo menos dois milhões haviam fugido, provocando uma grave crise humanitária na região.
Sequestros
Ao longo de 2009, Darfur foi palco de inúmeros sequestros — a maior parte deles para pedir resgate. As agências humanitárias enfrentam hostilidade crescente, desde que o Tribunal Penal Internacional emitiu mandado de prisão contra o presidente Omar Hassan al-Bashir, por crimes de guerra. Em outubro dois trabalhadores da organização humanitária irlandesa Goal foram libertados depois de passarem mais de 100 dias no cativeiro. Dois soldados da paz da União Africana ainda são mantidos reféns. Em 22 de outubro homens armados sequestraram um funcionário francês do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Gauthier Lefévre, que estava em um veículo com clara identificação da Cruz Vermelha, na fronteira com o Chade. Lefèvre passou 147 dias em cativeiro, sendo libertado em 18 de março de 2010.
Imagem: Ric e Ette · BY-NC-SA · Openverse
Existem muitas vítimas: estimativas geralmente convergem entre centenas de milhares de pessoas. As Nações Unidas estimam que o conflito deixou em torno de 300 000 mortos da violência e doenças. O Museu em Memória ao Holocausto dos Estados Unidos estima que 100 000 morrem todos os anos graças aos ataques do governo. A maioria das ONGs estimam de 200 000 para 500 000, o último é uma estimativa da Coalizão Internacional pela Justiça. Aproximadamente 2.5 milhões de pessoas foram deslocadas até Outubro de 2006. O governo sudanês tem sido acusado de suprimir informações prendendo e matando testemunhas desde 2004, além de destruir vestígios para eliminar seu valor como prova. O governo sudanês, por obstruir e prender jornalistas, tem sido capaz de esconder os acontecimentos. Enquanto o governo dos Estados Unidos tem descrito a situação em Darfur como genocídio, as Nações Unidas continuamente não tem mostrado suporte para esta designação. Em março de 2007, uma missão das Nações Unidas acusou o governo do Sudão de orquestrar e tomar parte de "graves violações" em Darfur, e clamou por uma ação internacional urgente para proteger os civis.


