João, Conde de Barcelona
João de Bourbon e Battenberg foi chefe da Casa Real Espanhola entre 1941 e 1977 e, como tal, legítimo pretendente à Coroa de Espanha. Conhecido como Conde de Barcelona, devido ao seu título oficial, se tivesse reinado o teria feito como “João III”. Apesar de não ter sido um rei efetivo, o seu túmulo está localizado no Panteão dos Reis do Mosteiro de El Escorial e inclui a seguinte inscrição em latim: Ioannes III, comes Barcinonae. Filho do rei Afonso XIII e da rainha Vitória Eugênia de Battenberg, é pai do rei Juan Carlos e avô do rei Filipe VI.
João nasceu no dia 20 de junho de 1913, no Palácio Real de La Granja de San Ildefonso. Era filho do rei Afonso XIII de Espanha e de sua esposa, a princesa inglesa Vitória Eugênia de Battenberg, neta da rainha Vitória do Reino Unido. A família real espanhola foi para o exílio depois de umas eleições municipais terem colocado republicanos no poder nas maiores cidades, levando à proclamação da Segunda República Espanhola. Afonso XIII esperava que o seu exílio impedisse uma guerra civil entre republicanos e nacionalistas, algo que não aconteceu, tendo a Guerra Civil Espanhola eclodido pouco tempo depois. A família foi primeiro para França e depois para Itália. Em 1942, foi obrigada a deixar Itália por se ter tornado persona non grata para o governo italiano — de acordo com Harold Tittmann, um representante dos Estados Unidos no Vaticano nessa altura, pelo "apoio à causa aliada". Devido às renúncias de seus irmãos Afonso, Príncipe das Astúrias e Jaime, Duque de Segóvia, o infante João foi proclamado o herdeiro do extinto trono espanhol.
Ele conheceu sua futura esposa em uma festa organizada pelo rei Vítor Emanuel III da Itália no dia anterior ao casamento de sua irmã, a infanta Beatriz. Ele casou-se com a princesa Maria das Mercedes de Bourbon-Duas Sicílias (1910–2000), na Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires, em Roma, em 12 de outubro de 1935. Eles tiveram quatro filhos: A família residiu em Cannes e Roma e, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, mudaram-se para Lausana para a residência da rainha Vitória Eugênia. Posteriormente residiram em Estoril, na Riviera Portuguesa.
Quando o general Francisco Franco declarou a Espanha uma monarquia em 1947, ele a caracterizou como uma "restauração". No entanto, Franco temia que João revertesse a Espanha Franquista devido a diferentes pontos de vista políticos. Como resultado, em 1969, Franco declarou seu herdeiro o filho de João, Juan Carlos, ignorando a ordem sucessória, pois ele acreditava que seria mais provável que o filho de João, educado sob o regime de Franco, continuasse o Estado franquista depois de sua morte. Juan Carlos, no entanto, surpreendeu por seu apoio à democratização da Espanha. Franco e João não tiveram um bom relacionamento, com este último pressionando Franco constantemente para restaurar a monarquia. As relações azedaram ainda mais quando João chamou Franco de "usurpador ilegítimo", enquanto Franco alegou que ele tinha uma reivindicação mais forte de governar a Espanha do que João. João renunciou formalmente a seus direitos ao trono espanhol oito anos depois de ter sido reconhecido como herdeiro do trono por Franco, e dois anos depois que seu filho, Juan Carlos, se tornou rei. Em troca, seu filho lhe concedeu oficialmente o título de conde de Barcelona, que ele reivindicou por tanto tempo.


