Sé de Selêucia-Ctesifonte
A Arquidiocese de Selêucia-Ctesifonte foi uma importante sede metropolitana da Igreja do Oriente, com registros desde o século III. Serviu como sede dos patriarcas da Igreja Persa até sua transferência para Bagdá no século VIII. Em textos siríacos, a cidade dupla era conhecida como Selêucia-Ctesifonte, Maoza ("capitais"), Maoza Raba ou "Medinata de Bete Aramaia". Após a conquista árabe, o nome árabe Almadaim ("as duas cidades") passou a ser frequentemente utilizado. A metrópole abrangia diversas dioceses na região de Assuristão, entre Baçorá e Quircuque, que foram colocadas sob a supervisão direta do patriarca no Sínodo de Iabe-Alaa I em 420.
Pontos-chave
- A Sé de Selêucia-Ctesifonte foi a sede patriarcal da Igreja Persa por séculos.
- A cidade dupla era conhecida por vários nomes, incluindo Maoza e Almadaim.
- A fundação da diocese remonta ao século III, apesar de desafios iniciais.
- No século V, a sede foi elevada a metropolitana, com o patriarca adotando o título de Católico.
- A metrópole supervisionava várias dioceses na região de Assuristão.
A diocese de Selêucia-Ctesifonte, capital do Império Sassânida, teve uma fundação marcada por desafios devido à hostilidade do governo à presença cristã. A tradição atribui a fundação da primeira comunidade cristã a Mar Mari, discípulo de Tadeu de Edessa. Papa bar Agai é reconhecido como o primeiro arcebispo historicamente comprovado, consagrado em 280, que posteriormente estabeleceu a supremacia da sé episcopal sobre outras dioceses do império.
Origens e Primeiros Bispos
Inicialmente uma sé sufragânea do Patriarcado de Antioquia, a diocese de Selêucia-Ctesifonte, na capital do Império Sassânida, possuía grande importância. A tradição aponta Mar Mari como o fundador da primeira comunidade cristã em Ctesifonte, após estabelecer a diocese de Cascar. Contudo, a fundação da própria diocese de Selêucia-Ctesifonte é datada do século III, enfrentando a resistência do governo sassânida. As referências a bispos anteriores a Papa bar Agai são consideradas anacrônicas, e a autenticidade de muitos bispos do Império Sassânida é questionável. Papa bar Agai, consagrado em 280 por bispos de Antioquia, é o primeiro arcebispo historicamente confirmado. Em um sínodo no início do século IV, ele assegurou a primazia da sé de Selêucia-Ctesifonte sobre as demais dioceses do império.
Elevação à sé metropolitana
Durante o século V, através de um longo e delicado processo, a diocese de Selêucia-Ctesifonte tornou-se a sé metropolitana da Província de Assuristão. Em 410, no Concílio de Selêucia-Ctesifonte, presidido por Mar Isaque, arcebispo de Selêucia-Ctesifonte, foi reconhecido como "Grande Metropolita e Chefe de todos os Bispos"; além disso, o concílio organizou pela primeira vez a Igreja do Oriente em províncias eclesiásticas. Naquela ocasião, as dioceses de Assuristão permaneceram independentes. Apesar disso, foi reconhecido um vínculo especial entre a diocese de Seleucia-Ctesifonte e a de Cascar. Mar Isaque foi o primeiro a ser oficialmente denominado Católico. Nas décadas seguintes, os católicos adotaram o título adicional de patriarca, que acabou se tornando a designação mais conhecida.


