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Partido Democrata (Estados Unidos)

O Partido Democrata é um dos dois partidos majoritários do atual sistema bipartidário dos Estados Unidos, ao lado do Partido Republicano. Com origens que remontam ao Partido Democrata-Republicano, o atual Partido Democrata foi fundado em 8 de janeiro de 1828, fazendo dele uma das mais antigas agremiações políticas ainda em atividade do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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História

O Partido Democrata tem suas origens no Partido Democrata-Republicano, que foi fundado em 1792 por Thomas Jefferson, James Madison e outros opositores ao Partido Federalista. O Partido Democrata atual só surgiu na década de 1830, com a eleição de Andrew Jackson. Desde a nomeação de William Jennings Bryan em 1896, o partido tem se posicionado à esquerda do Partido Republicano em questões econômicas. Desde 1948, o partido tem sido mais liberal (de esquerda) em matéria de direitos civis. Quanto à política externa, ambos os partidos mudaram de posição por várias vezes.

1828–1860

O Partido Democrata surgiu a partir do Partido Democrata-Republicano, também chamado de Partido Republicano Jeffersoniano, que foi criado por Thomas Jefferson e James Madison em oposição ao Partido Federalista de Alexander Hamilton e John Adams. O Partido Democrata-Republicano defendia o republicanismo, um governo federal fraco, mais poder para os estados, interesses agrários (especialmente os agricultores do sul do país) e estrita obediência à constituição; e era contra a criação de um banco central, laços estreitos com a Grã-Bretanha e os interesses bancários e de negócios. Este partido chegou ao poder na eleição presidencial nos Estados Unidos em 1800.

1860–1900

Os democratas se dividiram na escolha do sucessor do presidente James Buchanan entre norte e sul: o partido apresentou duas candidaturas à eleição presidencial nos Estados Unidos em 1860, na qual o Partido Republicano ganhou importância. Os radicais escravistas "comedores de fogo" lideraram greves tanto na convenção democrata de abril no Institute Hall de Charleston, Carolina do Sul quanto na convenção de junho em Baltimore quando o partido não adotou uma resolução apoiando a extensão da escravidão aos novos territórios mesmo se os eleitores desses territórios não o quisessem. Estes "democratas do sul" apresentaram a candidatura de John C. Breckinridge para presidente e Joseph Lane para vice-presidente. Os "democratas do norte" apresentaram a candidatura de Stephen A. Douglas para presidente e Herschel Vespasian Johnson para vice-presidente. Alguns democratas do sul apoiaram a candidatura do Partido da União Constitucional, com John Bell para presidente e Edward Everett para vice-presidente. A divisão dos democratas levou a uma vitória dos republicanos, e Abraham Lincoln foi eleito o 16.º presidente dos Estados Unidos.

Quarto Sistema de Partido (1896–1930)

Os democratas agrários que defendiam a "prata livre" (política monetária expansionista, com cunhagem ilimitada de moedas de prata de acordo com a demanda, em oposição ao mais contido padrão-ouro) sobrepujaram os democratas bourbons em 1896 e nomearam William Jennings Bryan como candidato à presidência (nomeação esta que viria a ser repetida em 1900 e 1908). Bryan lançou uma vigorosa campanha contra os interesses monetários do leste, mas perdeu a eleição para o republicano William McKinley. Os democratas adquiriram o controle da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em 1910 e elegeram Woodrow Wilson como presidente em 1912 e 1916. Wilson levou o Congresso dos Estados Unidos a sepultar as questões de taxas alfandegárias, dinheiro e leis antitrustes que haviam dominado a política do país por quarenta anos, e promulgou leis progressistas.

1930–1960

A Grande Depressão em 1929, que ocorreu sob a presidência do republicano Herbert Hoover, e o Congresso com maioria republicana prepararam o terreno para um governo mais liberal; os democratas controlaram a Câmara dos Representantes quase ininterruptamente de 1930 a 1994 e ganharam a maioria das eleições presidenciais até 1968. Franklin D. Roosevelt, eleito presidente em 1932, lançou o programa de governo conhecido como New Deal. O liberalismo do "Novo Acordo" se baseava na regulação dos negócios (especialmente o setor bancário e de finanças) e na promoção dos sindicatos, assim como em gasto federal na ajuda aos desempregados e aos agricultores desesperados e na realização de grandes obras públicas. O programa marcou o início do estado de bem-estar social estadunidense. Seus opositores, que se opunham especialmente aos sindicatos e apoiavam os negócios e os tributos reduzidos, começaram a se chamar "conservadores".

1960–1980

A eleição do presidente John F. Kennedy, de Massachusetts, em 1960, foi parcialmente um reflexo dessa mudança na base de apoio dos democratas. Na sua campanha, Kennedy atraiu uma nova geração de jovens eleitores. Na sua agenda, chamada de "Nova Fronteira", Kennedy prometeu programas sociais e grandes obras públicas, além de um maior apoio à NASA, propondo uma viagem tripulada à Lua no final da década. Ele apoiou iniciativas de direitos civis e propôs a Lei dos Direitos Civis de 1964, mas seu assassinato em novembro de 1963 impediu-o de ver a aprovação da lei. O sucessor de Kennedy, Lyndon B. Johnson, foi capaz de persuadir o congresso majoritariamente conservador a aprovar a Lei dos Direitos Civis de 1964 e, com um congresso mais progressista em 1965, conseguiu aprovar muito da Grande Sociedade, que consistia num conjunto de programas sociais destinados a ajudar os mais pobres. A defesa de Kennedy e Johnson dos direitos civis solidificou o apoio dos afro-americanos aos democratas, mas, em compensação, afastou os brancos sulistas, que acabaram migrando para o Partido Republicano, particularmente após a eleição de Ronald Reagan em 1980. O envolvimento do país na Guerra do Vietnã na década de 1960 foi outro assunto polêmico que ajudou a dividir ainda mais a coalizão democrata. Após a Resolução do Golfo de Tonkin em 1964, o presidente Johnson enviou maior número de tropas para o Vietnã, mas isso não foi capaz de afastar a Frente Nacional para a Libertação do Vietname do Vietname do Sul, resultando num crescente atoleiro que, em 1968, gerou uma grande campanha popular contra a guerra no país e mesmo no resto do mundo. Com crescentes perdas humanas e noticiários noturnos veiculando imagens perturbadoras do Vietnã, o custoso engajamento militar no Vietnã tornou-se crescentemente impopular, afastando, do partido, muitos dos jovens eleitores que os democratas haviam atraído no começo da década. Os protestos nesse ano, junto com os assassinatos de Martin Luther King Jr. e do candidato democrata à presidência Robert F. Kennedy (irmão mais novo de John F. Kennedy), chegaram a seu clímax na controversa Convenção Nacional Democrata no verão em Chicago, a qual, em meio ao tumulto dentro e fora do salão de convenções, escolheu o vice-presidente Hubert Humphrey como candidato democrata à presidência, numa série de eventos que marcou o declínio da ampla coalizão do partido.

1980–presente

Com o predomínio dos republicanos a partir do governo de Ronald Reagan, os democratas procuraram reagir, mas Walter Mondale perdeu a eleição de 1984. Em consequência, os democratas começaram a procurar uma nova geração de líderes inspirados pelo idealismo pragmático de John F. Kennedy. Os democratas encontraram esse perfil no governador do Arkansas, Bill Clinton, que se elegeu presidente em 1992. Bill Clinton fazia parte dos Novos Democratas, uma facção centrista do partido. Seu governo adotou uma política econômica centrista, mas uma agenda social progressista. Num esforço para atrair tanto liberais quanto conservadores do ponto de vista fiscal, os democratas passaram a defender um orçamento equilibrado e economia de mercado temperada com intervencionismo econômico (economia mista), mantendo a ênfase na justiça social e ações afirmativas. A política econômica adotada pelos democratas, incluindo o governo Clinton, tem sido descrita como Terceira Via.

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Nome e símbolo

O Partido Democrata-Republicano se dividiu em 1824 no efêmero Partido Republicano Nacional e no movimento Jacksoniano que em 1828 se tornou o Partido Democrata. Durante a era Jacksoniana, o termo "A Democracia" estava em uso pelo partido, mas o nome "Partido Democrata" foi finalmente estabelecido e se tornou o nome oficial em 1844. Os membros do partido são chamados de "Democratas" ou "Dems". O símbolo de mascote mais comum do partido tem sido o burro e/ou jumento. A oposição de Andrew Jackson distorceram seu nome para "jumento" como um termo provocativo em relação a um animal estúpido e teimoso. No entanto, os democratas gostaram das implicações do homem comum e também as adotaram, portanto a imagem persistiu e evoluiu. No início do século XX, o símbolo tradicional do Partido Democrata em Indiana, Kentucky, Oklahoma e Ohio era o galo — em oposição à águia republicana. O galo também foi adotado como símbolo oficial do Partido Democrata Nacional. Em 1904, o Partido Democrata do Alabama escolheu, como logotipo para colocar em suas cédulas, um galo com o lema "Supremacia branca – Pelo direito". As palavras "Supremacia branca" foram substituídas por "Democratas" em 1966. Em 1996, o Partido Democrata do Alabama abandonou o galo, citando conotações racistas e de supremacia branca associadas ao símbolo. O símbolo do galo ainda aparece nas cédulas de Oklahoma, Kentucky, Indiana e Virgínia Ocidental.

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Características

O seu símbolo é um burro, geralmente representado em cores vermelha e azul. Essa última é considerada a cor oficial do Partido Democrata. Localmente, o Partido Democrata tem vindo a aproximar-se do conservadorismo do seu adversário, o Partido Republicano, em especial na região oeste, no centro e no sul do país. O Partido Democrata costuma ser tradicionalmente apoiado pelos trabalhadores, sindicatos, assalariados, pela maioria das profissões intelectuais (professores, jornalistas, artistas) e por algumas minorias étnicas (afro-americanos, hispânicos) e religiosas (católicos, judeus), enquanto o Partido Republicano costuma ser associado à população dita WASP ("White Anglo-Saxon Protestant"; Branca, Anglo-Saxã, Protestante), mais próxima dos meios financeiros e de negócios, profissionais liberais, empreendedores e também das correntes religiosas protestantes maioritárias no país. Entretanto, vale lembrar que foi Abraham Lincoln, presidente republicano, que garantiu a abolição da escravatura, liderando a União (norte) contra os confederados (sul). Além disso, o Partido Democrata abrigou todos os governadores pró-segregacionismo do sul dos Estados Unidos, como Bob Kennon, George Wallace, Lester Maddox entre outros.

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